•.¸ ♫ Capítulo 01.2
•.¸ ♫ Capítulo 1.2 POCO A POCO
Algumas pessoas que não gostavam de Sihu diziam o seguinte:
‘Dizem que um alfa dominante é bem promíscuo.’
Baek Sihu era um alfa dominante. Uma espécie cujo feromônio é excepcionalmente intenso e cuja fertilidade também é superior. Aqueles que nutriam antipatia por ele definiam Sihu com a palavra “promíscuo” e o ironizavam.
Aquilo não despertava nele nenhuma reação particular. De fato, ele desfrutava de uma vida sexual promíscua. Dormira com várias pessoas, e entre elas houve quem, certa vez, o chamasse de “puta” e o detestasse. Pressionando para baixo o parceiro que abria as próprias pernas, Sihu admitia levemente:
‘É, sou promíscuo.’
Até pouco antes de chegar aos trinta, Sihu se deitava com um número incontável de pessoas. Os contatos impregnados de suor, de sêmen ou de feromônio eram todos, sem exceção, viscosos.
Comparado às coisas do passado, o contato físico daquele dia se aproximava mais de um aperto de mão comum. Afinal, tudo o que fez foi esfregar um pouco os dedos.
E, no entanto, por que seria? O calor permanece nítido na mão que tocou a outra e não desapareceu. Recostado no encosto da cadeira, Sihu contemplava fixamente a própria mão. Fechou o punho e o abriu, mas a sensação gravada ali, longe de sumir, estava cravada como um espinho e latejava.
Tardiamente, surgiu-lhe um sentimento de pesar. Fazia tempo que algo não lhe despertava interesse, e ia acabar assim. Pensando que deveria tê-lo trazido pelo menos até ali, olhou ao redor.
O bar de vinhos, que até pouco antes estava vazio, fervilhava de gente. Era natural que o rosto de Hyeonseok, sorrindo enquanto recebia os clientes com alegria, estivesse ainda mais radiante.
Lembrou-se de Hyeonseok afirmando com confiança que muitos clientes viriam. Qual era mesmo o motivo?
— Bem-vindo!
Ele dissera que o funcionário de meio período chegaria, não? Enquanto refazia esse pensamento, a voz alegre de Hyeonseok alcançou os ouvidos de Sihu. Achando que talvez algum conhecido tivesse aparecido, ele desviou o olhar na direção de Hyeonseok.
— Boa noite.
Os lábios de Sihu se entreabriram levemente. À primeira vista era um rosto inexpressivo, mas os músculos faciais que se contraíam e o dorso da mão retesado mostravam claramente que ele estava abalado. Com as sobrancelhas tensas, observou o rapaz que estava diante de Hyeonseok.
Surpreendentemente, o outro também já estava olhando para Sihu. Teve a forte impressão de que aquele “boa noite” talvez tivesse sido dirigido a ele, e não a Hyeonseok. Como esperado, o outro, com os olhos arregalados, lançou-lhe um sorriso amplo em que despontava a covinha.
É aquele rapaz, o que acendeu o isqueiro.
Quando os dois trocaram aquele olhar estranho, Hyeonseok, entalado no meio, inclinou a cabeça.
— O quê, vocês se conhecem?
Se nos conhecemos? Não sei se devo responder que brincar um pouco com os dedos do outro conta como se conhecer. Enquanto Sihu mantinha o silêncio, o outro entreabriu os lábios.
— Fumamos juntos.
E, ao dizer isso, o rapaz curvou os cantos dos olhos. O sorriso luminoso tinha uma limpidez que só existe naquela faixa etária. Sihu teve a intuição de que aquele era, sem dúvida, o funcionário bonito de que Hyeonseok falara.
A suposição de Sihu estava correta. O rapaz curvou-se em cumprimento e entrou na sala dos funcionários para trocar de roupa. Muitos olhares de clientes se cravaram nas costas dele. Ao que parecia, tinha um charme que atraía atenção onde quer que fosse.
Sihu ergueu o queixo afiado na direção da porta fechada da sala dos funcionários.
— Quero saber o nome. Daquele garoto.
— Ah, o nome? É Yejun, Yoo Yejun.
Yoo Yejun. Tinha uma sonoridade suave, fácil de rolar na língua. Sihu rolou o nome desconhecido apenas dentro da boca e assentiu.
— Não conta para ele.
Hyeonseok fez uma expressão intrigada.
— Não contar o quê?
— Que perguntei o nome dele.
Sihu emendou imediatamente:
— Simplesmente não fale de mim. Não diga meu nome. E muito menos minha profissão.
Era uma exigência descarada. Achou engraçado que ele mesmo tivesse arrancado o nome do outro com toda a naturalidade, e agora barrasse as próprias informações. Diante da própria contradição, Sihu, achando aquilo absurdo, soltou um som de ar escapando, ergueu a taça e bebeu um gole. O vinho, refletindo a luz, brilhava avermelhado.
Foi quando o sabor amargo umedecia sua boca inteira. Yoo Yejun apareceu, abrindo a porta da sala dos funcionários. Ele vestia, como Hyeonseok, camisa branca e calça preta. A roupa limpa e ordenada realçava sua aparência correta e alinhada.
Bonito de se ver. Avaliando-o com indiferença, como quem aprecia um quadro, Sihu pousou a taça. Ao contrário de seu ânimo sereno, os dedos apoiados sobre a mesa ficaram quentes. Era a parte com que acariciara a pele de Yejun pouco antes.
Toc, toc.
Foi quando batia na mesa para afastar aquele calor. Como se tivesse ouvido justamente aquele som, Yejun se aproximou de imediato. Com aquelas pernas longas, encurtou a distância até Sihu em poucos passos.
— Então o senhor era um cliente daqui.
Havia calor na voz, impregnada de contentamento. Yejun baixou os cílios longos e cerrados e acrescentou, respeitosamente:
— O senhor é amigo do Hyeonseok hyung?
Pelo fato de ele usar o tratamento “hyung”, os dois deviam ser bem próximos. Aliás, lembrou-se de que Hyeonseok dissera que era amigo do irmão mais novo. Sihu apenas o observou por alguns segundos e perguntou, lentamente:
— Por que acha isso?
Havia certa rigidez naquele timbre grave, mas Yejun não se perturbou.
— Porque vocês parecem íntimos.
Não parecia ser um tolo desatento. Quando Sihu emitiu um “hum”, Yejun piscou algumas vezes e acrescentou, calmamente:
— Se não for amigo… seria um irmão mais novo próximo dele?
Em vez de rir, Sihu bebeu o vinho. Significava que não responderia a um acréscimo tão sem graça. Talvez preocupado que Yejun ficasse sem jeito, o bondoso Hyeonseok entrou na conversa em seu lugar.
— É amigo, sim. Moleque, você ainda vem perguntar se é irmão mais novo. Eu pareço mais velho do que ele?
— …
— Ei? Por que ninguém diz nada?
Desse jeito, quem vai passar vergonha não é Yejun, é o Hyeonseok. Pelo amigo, Sihu decidiu abrir a boca.
— Vá cuidar dos seus afazeres.
Queria dizer: pare de puxar conversa e faça o seu trabalho. A testa de Yejun, que até então mantivera a calma, se retesou. O que se assentou nos olhos meio ocultos pelos longos cílios foi rebeldia.
O interesse que havia esfriado por um instante voltou a subir. É inusitado esse ar dele, dócil na medida e afiado na medida.
Pouco depois, quem virou o rosto primeiro foi Yoo Yejun. Parecia ter percebido que não ganharia nada em bater de frente com o amigo do dono. Em poucos segundos, ele se afastou para cuidar dos tais “afazeres” mencionados por Sihu.
— Lee Hyeonseok, o seu problema é ser bonzinho demais.
— Hã? Por quê?
Sihu apreciou as costas do funcionário que se afastava. Mesmo vestido, os músculos que se revelavam eram esplêndidos. Os ombros largos, o tórax espesso e a linha que descia da cintura aos quadris também eram irrepreensíveis.
— Se fosse eu, não teria contratado um garoto assim.
— O que tem de errado nele? Ele é tão bonzinho, tão afável.
Sem ter visto aquele olhar cheio de rebeldia, Hyeonseok chegou a balançar as duas mãos. A testa branca e lisa de Sihu se retesou.
‘O Lee Hyeonseok não deve ter interesse em homens.’
Diferentemente de Sihu, que não distinguia entre homens e mulheres, Hyeonseok era do tipo que namorava firme uma única mulher. Portanto, não devia haver nada de sexual entre ele e Hyeonseok. Pensando com a maior naturalidade em algo que faria o amigo desmaiar, caso soubesse, Sihu apoiou o queixo na mão.
Conforme o efeito do álcool subia serenamente, os cílios negros foram ficando pesados. De seu rosto desapareceu a aspereza, e em seu lugar se instalou um ar lânguido. Os dedos, até então parados, voltaram a tamborilar na mesa.
Toc, toc, toc.
Com a embriaguez mais forte, tudo começou a parecer aborrecido. Conversar com o amigo, provocar um garoto desconhecido — nada disso era mais divertido. Fechando os olhos, Sihu soltou um som de ar escapando.
Agora? Como se alguma vez tivesse sido divertido.
Fazia um tempo imemorial desde a última vez que sentira um abalo capaz de fazer o coração disparar e a mente girar. Se ele levantasse agora e fosse para casa, ou se permanecesse ali, continuaria o mesmo de antes. Seria o Baek Sihu seco, estático e entediado.
O que bateu na nuca de Sihu foi, inesperadamente, uma nota de piano. Uma luz entrou naqueles olhos escuros e mortos.
— ?
Diante do som repentino das teclas, o burburinho cessou de vez e um silêncio sereno se instalou. Sentindo o ar que mudara num instante, Sihu dirigiu o olhar para o piano.
Quem estava sentado no banco do piano era Yejun. Vestido com aprumo, ele testava as teclas uma a uma. Ouvindo cada nota que ressoava, Sihu estreitou os olhos.
‘Então a pessoa que toca piano era ele.’
Piano. Estava muito longe da imagem de um estudante de música; ao contrário, parecia mais um estudante de educação física.
Achando que, de algum modo, não combinava, Sihu baixou as pálpebras na direção dos dedos de Yejun. Olhando de perto, os dedos eram longos e, de fato, perfeitos para tocar piano. De repente, surgiu-lhe a curiosidade sobre que peça o outro tocaria.
— Então, tenha um bom momento, diretor-presidente.
Ao ouvido de Sihu, que aguardava a execução, Hyeonseok sussurrou, brincalhão. Mesmo tendo sido avisado para não falar de nada ligado à empresa, ao que parecia já esquecera completamente. Foi quando Sihu suspirou de leve, pensando que precisaria adverti-lo mais uma vez.
A música começou. A boca, caída pelo tédio, foi endurecendo aos poucos numa linha reta. Sihu lançou toda a sua atenção na direção do piano. Até os dedos que tamborilavam na mesa ficaram imóveis.
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A embriaguez subiu pelo cotovelo e se espalhou, formigando, pelo corpo inteiro. Sentindo o álcool infiltrar-se até a medula dos dedos, Sihu pousou a taça. A visão girava e a garganta ardia, quente.
Sihu admitiu sem dificuldade que bebera sem medida. Quando fora a última vez que bebera assim? Percorreu lentamente a mente enevoada, mas nenhuma data precisa lhe ocorreu.
Talvez fosse natural. Para Sihu, a bebida não passava de um instrumento usado ao lidar com pessoas de empresas parceiras. Ele os embriagava e se infiltrava por suas brechas, mas jamais, em hipótese alguma, se mostrara desmontado pelo álcool.
Justamente por ser assim, a situação atual, em que inclinara a taça sem discernimento, parecia-lhe um tanto inusitada.
‘Por quê?’
Ele refletiu em silêncio, entre a sensação lânguida e uma vertigem estranha. Qual seria o motivo daquele excesso tão pouco característico? Por não haver gente da empresa? Por ser o estabelecimento de um amigo? Não, essas também eram razões, mas certamente havia uma causa maior.
— O senhor está bem?
Em meio aos pensamentos dispersos, a voz de alguém ressoou, abafada. Sihu tentou ignorá-la, mas, por algum motivo, aquele som grudou em sua orelha e não se desprendia. Sem compreender a cócega que descia por seu ouvido, ele ergueu a cabeça.
— …O senhor está bêbado.
Quem o informava com tranquilidade era o rapaz da pinta de lágrima e da covinha. Sihu acrescentou mais uma característica. O garoto de pinta de lágrima e covinha que toca piano muito bem.
— Piano.
Sihu soltou aquela única palavra com indiferença e depois silenciou por um instante. Queria expressar sua impressão sincera, mas a resistência era maior do que o desejo. Isso porque a cabeça arruinada pelo álcool certamente derramaria elogios excessivos.
Sihu tinha certeza de que, no dia seguinte, sóbrio, se envergonharia de si mesmo por ter sido tão sentimental. Por isso, disse outra coisa.
— Você estudou música?
Não se sabe como o outro interpretou aquela voz seca, mas ele contraiu as sobrancelhas. O que se assentava naquele rosto franzido era constrangimento.
— Sim, estou estudando.
— …Está estudando?
— Sim.
— …
Teve a forte intuição de que ele talvez ainda fosse universitário. Sihu examinou detidamente as feições de Yejun. Quantos anos teria? Os olhos juvenis prendiam o olhar. As pupilas de Sihu, meio ocultas pelos longos cílios, se estreitaram. Foi então que Yejun murmurou, como quem suspira:
— …Eu não sou tão novo assim.
— ?
— O senhor está pensando na minha idade agora, não está?
Ao murmurar isso, Yejun tinha o rosto ainda mais franzido do que antes. Pelo modo como os cantos da boca se contraíam, parecia bastante incomodado por ser tratado como criança.
E pouco antes ficava sem jeito. Sihu deixou escapar um riso contido e apoiou o queixo numa das mãos.
— Hmm, é mesmo?
— …
Talvez fosse a iluminação, mas as bochechas de Yejun, que o olhava de cima, pareciam avermelhadas. Sihu piscou lentamente as pálpebras pesadas. Com a embriaguez que subia, a respiração ficou ofegante. De lábios entreabertos, sugou o oxigênio sem fazer ruído. O ar que descia pela língua e entrava na garganta estava abafado.
Toc.
O som de algo sendo pousado bateu no ouvido de Sihu. Yejun já lhe estendia um copo com água.
— Preciso tocar mais uma peça.
Diante daquela frase esquisita, Sihu apenas o olhou de baixo, sem pegar o copo. Ao lançar-lhe um olhar que perguntava do que estava falando, um sorriso surgiu na boca de Yejun. A covinha ao lado dos lábios apareceu, bonita.
— Quer dizer que não vou poder cuidar do senhor.
— Você… cuidar de mim?
— Sim.
— O Hyeonseok está aqui. Por que você cuidaria de mim?
Yejun explicou com naturalidade, sem sinal de constrangimento.
— O dono está muito ocupado. Recebendo os clientes, ele não vai conseguir dar atenção ao hyung.
Era um tratamento inesperado.
— Hyung?
— Não gosta?
Ao dizer isso, Yejun sorriu com os olhos. Era um sorriso que parecia bondoso e, ao mesmo tempo, tinha um estranho toque de sensualidade. Sihu percebeu, uma vez mais, que a pinta de lágrima e a covinha cravadas naquele rosto contribuíam para criar aquele clima.
— Se me disser seu nome, eu mudo o tratamento.
Vejam só. Os cantos da boca de Sihu se ergueram de viés. O moleque sabe bancar a raposa.
O interesse aumentou. Era tão divertido quanto aquela execução ao piano que não parava de lhe subir junto com o álcool. Sihu cruzou as pernas e inclinou a cabeça de lado.
— Não posso dizer. Porque gostei bastante do tratamento “hyung”.
O sorriso de Yejun se aprofundou. Ele estendeu o copo d’água que segurava. A água no copo transparente ondulou de leve.
Alguns segundos de silêncio se passaram e Sihu estendeu a mão direita para receber o copo. Mas o bêbado não tinha a menor intenção de simplesmente receber o copo e beber. Foi por isso que, junto com o copo, tocou também os dedos de Yejun.
Toc, toc.
— !
Assim que ele bateu na pele com as unhas, Yejun, até então imóvel, estremeceu, abalado. Raposa até é, mas uma raposa desajeitada. E isso é bem bonitinho.
— Obrigado.
Sentindo prazer, Sihu emitiu uma voz raramente suave. Era um timbre que ele quase nunca usava, exceto com a família ou com conhecidos muito próximos.
Deixando escapar até um riso que jamais dedicaria a estranhos, Sihu abaixou o pescoço. E, ainda segurando a mão de Yejun, levou os lábios ao copo. Enquanto inclinava o copo e bebia a água, os dedos de Yejun não paravam de se contrair.
Sihu afastou a boca do copo e apreciou os dedos de Yejun. Longos e bem torneados, eram certamente ideais para tocar piano. Recordando o impacto do primeiro instante em que aquela mão tocou as teclas, ele apenas mexeu os lábios.
— Vou aguardar a próxima peça.
— …O senhor tem alguma preferida?
O timbre com que ele fez a pergunta, um passo atrasado, estava um pouco rouco. Se por perplexidade ou por excitação, Sihu não tinha como saber.
— Não entendo muito de jazz.
— Meu curso é de música clássica. Só gosto mais de jazz.
Quando os olhares se cruzaram, Yejun assentiu uma vez. Significava que qualquer coisa serviria.
— …Não é que eu entenda de música. Mas, se estiver tudo bem, Piazzolla, “Inverno”.
— “Inverno”.
— Consegue?
Yejun já abria e fechava a própria mão repetidamente. Ele olhou alternadamente para o copo pousado na mesa e para Sihu, e fez uma expressão de quem entendeu.
— Consigo, sim. Por isso, hyung, beba mais um pouco de água. Se ficar mais bêbado, vai passar mal.
Ao terminar de falar, Yejun caminhou até o piano. O gesto de abrir e fechar o punho continuava. Era a mão que tocara a de Sihu.
Observando o garoto que agia como se lamentasse, Sihu sorriu sem emitir som. E, quando Yejun se concentrou por inteiro na execução, bebeu o vinho que restava.
Que ficaria mal se bebesse mais. Não envelheci em vão a ponto de não saber disso. Sihu engoliu o vinho junto com um riso. E, desfrutando da embriaguez mais intensa, apreciou a música que envolvia o bar inteiro.
De Yejun, tocando piano sozinho, emanava luz. A cada movimento flexível daqueles dedos longos, notas de dinâmica controlada explodiam.
Depois de golpear as teclas com intensidade uma vez, Yejun logo baixou o som e inclinou levemente a cabeça para trás. Sihu percebeu que ele estava de olhos fechados, com os cantos da boca ligeiramente erguidos.
— …
O título da peça era, sem dúvida, “Inverno”, mas o que exalava da execução de Yejun era um calor que fazia pensar no verão. Sihu sentiu, vividamente, as notas que lhe penetravam os ouvidos aquecerem seu baixo-ventre.
Yejun tornou a curvar o corpo sobre as teclas. O que se assentava nos olhos fixos apenas nas teclas era uma excitação lânguida.
É obsceno. Tanto quando inclina a cabeça a ponto de expor o pomo de adão quanto agora, com esse olhar que percorre as teclas de modo pegajoso. É bastante sensual.
Chegando a esse ponto, Sihu admitiu em silêncio que estava completamente bêbado. Percorrer sexualmente com o olhar alguém que toca piano — não estava em seu juízo perfeito.
E então percebeu que, sem se dar conta, exalava o aroma de alfa. O que impregnava o ar era o seu feromônio de fragrância amadeirada. Uma concentração tal que, se houvesse ali um único ômega, ele sufocaria de repente a ponto de desmaiar.
Sihu ajustou o feromônio de imediato e tensionou as pernas cruzadas. Ao esfregar a parte inferior do corpo, dura feito pedra, o membro entre suas pernas ficou pesado rapidamente. Tendo bebido, o normal seria estar mole, e no entanto o pau excitado se erguia rígido.
Não estava tão fora de si a ponto de segurá-lo e se masturbar. Por isso Sihu apenas manteve o corpo imóvel, com o olhar fixo em Yejun. Esperando que, em algum momento, aquilo esfriasse por si só.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna