↫─☫ Episódio 209
𓆰𓆪 Episódio 209: Fim 𓆰𓆪
Quando os dois se aproximaram, Ham Seok-jeong sorriu gentilmente.
— Vocês chegaram. O terno ficou bom em você.
Cha Eui Jae não respondeu e simplesmente baixou a cabeça. Era melhor falar o mínimo possível em situações formais. Essa era uma regra de sobrevivência ensinada a ele pela própria Ham Seok-jeong. Ela bateu no assento à sua direita. Cha Eui Jae se moveu para sentar no lugar designado sem pensar muito. No entanto—
Uma mão de repente agarrou seu braço. Uma mão enluvada o segurou com firmeza.
“Mas que—?”
Lee Sayoung, em vez de se sentar, inclinou a cabeça com ar de rebeldia e cruzou os braços, claramente demonstrando desagrado.
— Que generosidade… designar assentos para todo mundo.
— Eu os organizei com cuidado. Sabe, não é ideal sentar gente com rixas uma ao lado da outra.
Provando seu ponto, Honeybee e Gyu Gyu estavam sentados nos assentos mais distantes de Ham Seok-jeong. Quando o olhar de Lee Sayoung encontrou o de Gyu Gyu, ele agarrou os próprios ombros, parecendo prestes a chorar. Mas, quando Jung Bin se inclinou e sussurrou algo em seu ouvido, Gyu Gyu deu de ombros. Honeybee, por outro lado, os olhou com um olhar desdenhoso.
Ham Seok-jeong observou a situação com um sorriso relaxado.
— O quê, está chateado por não poder sentar ao lado do cara que te evitou por três meses? Não gostou?
— Desde quando a gente é tão íntimo… Tanto faz.
Lee Sayoung indicou Cha Eui Jae com o queixo.
— Fui eu que o trouxe aqui… Eu deveria sentar ao lado dele.
Do nada?
Cha Eui Jae arregalou os olhos de surpresa com as palavras de Lee Sayoung. Ham Seok-jeong riu.
— Ah, era esse o problema?
— Ele não teria vindo se não fosse por mim.
Que confiança descarada!
Ham Seok-jeong balançou a cabeça, incrédula.
— Desde quando vocês dois são tão próximos… Tudo bem, faça como quiser.
Ela acenou a mão de forma dispensiva, como quem diz “Faça o que quiser”. Cha Eui Jae, no entanto, não gostou da ideia de sentar ao lado de Lee Sayoung sob os olhares atentos de todos. Ele estava prestes a recusar quando seu olhar cruzou com o olhar mortal de Lee Sayoung. Seus olhos violeta eram ameaçadores. Ele engoliu um palavrão.
“Qual é o problema dele agora?”
De novo. Mais uma vez, o humor de Lee Sayoung estava torcido como um pretzel. Olhares curiosos se voltaram para eles. Hong Yeseong até tirou pipoca não se sabe de onde e começou a mastigar. Sua audição aguçada demais captava cada sussurro: Achei que fosse só para chamar atenção, mas eles são próximos mesmo? Ele agarrou o J daquele jeito. Então aquele boato é verdade…
Se continuasse ouvindo, sua fortaleza mental iria secar. Cerrando os dentes, Cha Eui Jae murmurou baixo o bastante para só Lee Sayoung ouvir:
— Cala. A. Boca.
Lee Sayoung soltou seu braço e arrastou a cadeira que originalmente ficava ao lado de Ham Seok-jeong para o seu lado, colocando-a ao lado da sua. O caçador designado para sentar ao lado de Lee Sayoung arquejou de choque e rapidamente afastou a cadeira inteira. A pessoa ao lado dele fez o mesmo, e depois a seguinte— arrastar, baque, arrastar, baque— o som de cadeiras sendo movidas se propagou pela fila como uma onda.
Com uma única ação, Lee Sayoung havia deslocado metade dos caçadores da sala. Ele deu de ombros, a máscara de gás em seu rosto se inclinando levemente, como se dissesse: “Satisfeito agora?”
“Nada aqui está bem!”
Cha Eui Jae cerrou os punhos trêmulos. Incapaz de gritar, toda a sua raiva foi canalizada para as mãos. Quando foi a última vez que sentira esse nível de raiva de Lee Sayoung? Provavelmente não desde os dias no restaurante de sopa de ressaca, quando Lee Sayoung atrapalhava seu trabalho.
Mas mais atenção sobre ele era ainda mais pesado. Se perdesse a cabeça ali, poderia haver outra matéria amanhã, algo como “J Nocauteia Lee Sayoung em Sala de Conferências”.
Cha Eui Jae fez o possível para agir como se tudo estivesse normal e se sentou na cadeira que Lee Sayoung preparara para ele. Ouviu uma risadinha baixa perto do ouvido.
Foi naquele momento—
— Ah, parece que todos já se reuniram. Até alguns rostos conhecidos! Cheguei tarde demais?
— Não, chegou bem na hora.
— Haha, vocês devem estar trabalhando duro como sempre. Nossa, a sala de reuniões de hoje está impressionante!
Song Jo-heon entrou na sala com um sorriso gentil. Felizmente, a atenção de todos se voltou para ele.
Agora que já não eram o foco, Cha Eui Jae baixou a mão por baixo da mesa grande, estendeu o indicador e o pressionou com força contra a própria coxa, escrevendo letras na carne, aplicando pressão suficiente para causar dor.
Você quer morrer?
Lee Sayoung se virou bruscamente para encará-lo. Cha Eui Jae o fuzilou de volta. Nunca sentira tanto rancor da máscara que cobria seu rosto quanto naquele momento. Os olhos de Lee Sayoung se estreitaram sob as lentes da máscara de gás, como se ele achasse a situação divertida.
Em vez de escrever qualquer coisa, os dedos de Lee Sayoung tocaram a coxa de Cha Eui Jae, fazendo cócegas de forma brincalhona, traçando padrões aleatórios em zigue-zague, como se testasse uma caneta para ver se funcionava, ou rabiscasse bobagens.
— …
Espera, isso é meio…
Enquanto Cha Eui Jae enrijecia, Ham Seok-jeong se levantou.
— Agora que o Líder de Guilda Song Jo-heon chegou, e todos estão presentes… Vamos começar a reunião?
— …
— Não vou desperdiçar o tempo de vocês. Vamos discutir só o necessário e terminar logo.
Song Jo-heon respondeu:
— Isso é o que eu gosto de ouvir.
Ham Seok-jeong olhou friamente para Song Jo-heon. Ele brincou com o cabo da bengala e sorriu gentilmente.
— Certo, vamos acabar logo com isso.
***
— Ah~ esse povo incorrigível~
Uma melodia animada e folclórica preenchia o ar. Shrrrk, shrrrk, uma pedra de amolar afiava uma faca. Enquanto Jang Mi-sook afiava a lâmina ouvindo música trot, ela de repente esticou o pescoço, espiando para fora. O mercado de peixes estava, como sempre, se deslocando constantemente em fragmentos, mas havia poucos vagantes perdidos ou clientes procurando lojas naquele dia.
— Está incomumente quieto hoje. O que está acontecendo?
— Ah… tem uma reunião.
— Uma reunião?
Ela se virou para olhar para dentro do cômodo. Na sala escura, Mackerel, de camisa e calça social, estava deitado, usando uma almofada como travesseiro, teclando no celular. Do celular segurado na horizontal vinha o zumbido do som de um jogo.
— Os figurões estão se reunindo para cochichar entre si. A maioria dos nossos clientes habituais provavelmente está lá.
— Por que você não vai? Você está num ranking bem alto, não está?
— A gente é de uma facção marginal, então não pode ir. Aquele lugar só é acessível aos da seita ortodoxa. E não há necessidade de ir de qualquer forma— a gente consegue descobrir tudo o que foi discutido na reunião depois.
Bocejo, Mackerel abriu bem a boca, se espreguiçando. Jang Mi-sook estalou a língua ao ver Mackerel largado.
— Por que só você está aqui fora? Cadê seu irmão?
— Eu saí para a nossa querida Mi-sook não ficar entediada. Meu hyung ainda está enfurnado no quarto.
— Diz para ele tomar um sol.
— Ah, qual é. Você conhece ele. Sair de casa é um evento e tanto para ele.
Nisso, o celular de Mackerel vibrou alto. Ele se levantou de um salto e levou o celular ao ouvido. Com um tom caloroso, perguntou:
— Alô, hyung? O que foi? Precisa que eu te traga alguma coisa? Ou… você só está com saudade de mim?
—Não… tem algo estranho lá fora.
— …Estranho?
Mackerel estreitou os olhos azul-escuros. Calçou os sapatos, acenou para Jang Mi-sook e atravessou rapidamente o beco, perguntando enquanto andava:
— O que você quer dizer com “estranho”?
—T-tem umas pessoas estranhas segurando placas, numa fila que vai da Estação Noryangjin até a entrada daqui.
— …
— Acho que é a Prometheus.
Mackerel parou onde estava. Sua voz baixou.
— O que está escrito nas placas?
— Dizem que a gente deve impedir o fim do mundo com força humana. Não é só aqui… apareceram em outros lugares também.
— Onde exatamente?
— Nas principais áreas comerciais.
— Eles cronometraram isso para coincidir com a assembleia geral?
Mackerel bagunçou o cabelo bruscamente e começou a correr em direção à saída. Do telefone vinha uma voz trêmula, murmurando confusa:
—C-como eles reuniram tanta gente? Não havia nada no site sobre um encontro.
— Não é esse o ponto agora, hyung.
No momento em que pisou para fora da saída, o que surgiu à vista foi…
Centenas de pessoas vestidas de branco, de pé numa longa fila ordenada.
— Eles estão loucos?
Mackerel ajustou o aperto no celular. Com um piparote dos dedos, alguns peixinhos-dourados apareceram e nadaram tranquilamente em direção à multidão. No entanto, as pessoas não deram atenção aos peixinhos vermelho-vivos. Apenas ficaram ali paradas como robôs, assustadoramente imóveis. Apesar das centenas reunidas, estava estranhamente silencioso, tornando difícil dizer se estavam sequer vivas.
Cada uma delas segurava a mesma placa, com letras vermelhas rabiscadas.
[Vamos nos salvar do apocalipse]
[Superem o fim do mundo com força humana]
[O fim]
O fim?
No momento em que viu as palavras, sua visão embaçou. Sua cabeça girou. O ar ao seu redor pareceu mais pesado.
— …Ah, droga.
Mackerel praguejou baixinho e se encostou no batente da porta, sentindo náusea, como se fosse vomitar. Sua visão oscilou. Ele mal conseguiu falar.
— Hyung…
—O-o que houve?
— Não saia aí fora. Aconteça o que acontecer.
E então,
Tump…
Um silêncio sinistro se instalou, tão quieto que não se ouvia sequer uma respiração.
* * *
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki