↫─☫ Episódio 205
𓆰𓆪 Episódio 205: Colapso 𓆰𓆪
Cha Eui Jae alternava o olhar entre dois celulares. Doze chamadas perdidas de Lee Sayoung e mensagens de Jung Bin. Ele soltou um suspiro profundo e esfregou a testa contra o volante. Não queria nada além de correr até a Guilda Seowon e interrogar Nam Woo-jin, perguntando se ele sabia de algo. Mas…
— Faça o que quiser. Porque agora a hesitação criou raízes em você.
A voz de Lee Sayoung, ecoando em momentos como aquele— a única e exclusiva algema de Cha Eui Jae.
É, tá bom. Lee Sayoung, você venceu.
Cha Eui Jae ergueu a cabeça. Yoon Gaeul o olhava com olhos ansiosos. Tirando o boné, que se empurrara para cima por ele ter apoiado a testa no volante, ele falou:
— Gaeul, você tem algum lugar para ir?
— Algum lugar para ir? …Bom, talvez para casa?
— Seus pais não vão achar estranho?
— Ah, os dois estão no trabalho, então…
— Então eu te dou uma carona.
— Hã? Hum, bom, não tenho certeza, mas… você não tem mais coisas para investigar?
— Tenho, mas…
Cha Eui Jae murmurou enquanto esfregava o polegar no celular que mostrava as chamadas perdidas de Lee Sayoung.
— Tem alguém esperando.
— …
Ele lhe entregou o outro celular.
— Pode me dar seu número? Eu entro em contato se surgir mais alguma coisa.
— Ah, claro.
Yoon Gaeul digitou rapidamente seu número. Cha Eui Jae o salvou e soltou um suspiro curto.
***
Depois de deixar Yoon Gaeul, Cha Eui Jae estacionou o truck num beco a certa distância da Guilda Pado. Tecnicamente, foram os peixinhos-dourados que estacionaram para ele.
Depois que colocou a máscara e trocou de roupa, os peixinhos-dourados partiram com o truck por conta própria. A habilidade deles era realmente útil. Estalando os lábios, Cha Eui Jae caminhou em direção ao prédio da Guilda Pado.
No momento em que entrou no saguão, embora ninguém ousasse se aproximar, ele conseguia sentir— os olhares de todos na sala grudados nele. Não havia má vontade nem hostilidade, mais curiosidade. Afinal, ele era o número um do ranking e o assunto de um escândalo profundo com o Líder de Guilda.
“Droga.”
Cha Eui Jae tirou um cartão de acesso do bolso interno da jaqueta e o passou na entrada. Era um cartão emitido temporariamente. De algum modo, os cochichos ao redor pareceram ficar mais altos, mas ele se esforçou para ignorá-los enquanto desaparecia rapidamente de vista.
Na época em que Lee Sayoung estava dormindo, Cha Eui Jae usava a porta privada dos fundos da guilda, graças à ajuda de Bae Won-woo. Não havia nada a ganhar com J ficando muito tempo num só lugar. No entanto, Lee Sayoung havia proibido o uso da porta dos fundos e lhe entregara um cartão de acesso.
— De agora em diante, use a entrada da frente.
— …
— Hmm… por que essa cara?
— Estou bem do jeito que está.
— Não é melhor andar com confiança? Você não é um rato…
“Seu desgraçado—”
Se não fosse por aquele último comentário, poderia ter sido uma memória até agradável. Lee Sayoung sempre tinha um jeito de acrescentar palavras desnecessárias para irritá-lo.
Cha Eui Jae entrou no elevador, inseriu o cartão e apertou o botão do último andar. A vista lá fora recuou rapidamente. Quando a porta se abriu, ele sentiu a presença de alguém.
— Opa? É o J!
Kang Ji-soo acenou entusiasmada. Bae Won-woo e Kang Ji-soo estavam agachados diante do escritório do Líder de Guilda. Cha Eui Jae deu um pequeno aceno e perguntou enquanto se aproximava:
— O que vocês dois estão fazendo aqui?
— O Líder de Guilda nos expulsou.
— …
— Parece que estão sendo informados de alguma coisa. Onde você estava, J?
— Ah… ãh, na Agência de Gerenciamento de Despertos.
— Eca.
Kang Ji-soo fez um gesto de ânsia, e Bae Won-woo olhou para ele com uma expressão estranhamente solidária. A Agência era tão ruim assim? Tendo passado a maior parte de sua vida de caçador com a Agência, Cha Eui Jae inclinou a cabeça.
— Por quê?
— Ah, é só que toda vez que a gente vai, ouve todo tipo de sermão e acaba pagando multas. O Capitão Jung Bin— enfim, é assustador quando eles ficam bravos.
— É, a Diretora é assustadora.
— Hmm, eu também acho.
Ah, verdade. Cha Eui Jae se lembrou de sua conversa com Ham Seok-jeong. Ela mencionara que Jung Bin e Bae Won-woo haviam trazido Lee Sayoung. Então Bae Won-woo também fora afiliado à Agência em algum momento? Como Cha Eui Jae não sabia disso, devia ter sido depois da fenda do Mar do Oeste. Ele perguntou:
— A Diretora disse que você fazia parte da Agência de Gerenciamento de Despertos, trabalhando com o Jung Bin.
— Sério? Rá… bom, eu não fazia parte oficialmente.
Bae Won-woo coçou a cabeça com um sorriso sem graça.
— Por causa da fenda do Mar do Oeste… bom, faltava gente, então recrutaram caçadores. Foi meio que um trabalho de mercenário.
— Ah, entendi…
— Trabalhei com o capitão brevemente naquela época. Aí a gente pegou o Lee Sayoung e, quando o pirralho disse que queria montar uma guilda, eu o segui.
— Por quê?
Alguém como Bae Won-woo poderia ter conseguido um cargo decente até dentro da Agência. Com aquela experiência, poderia ter entrado em qualquer guilda respeitável. Então por que seguiu um novato como o recém-desperto Lee Sayoung? Bae Won-woo olhou em volta antes de sorrir sem jeito.
— Bom… eu estava preocupado com a saúde dele e… o sonho dele era grande.
— Sonho?
— Ele disse que ia reabrir fendas fechadas.
— …
— Não é uma ideia extraordinária? Reabrir fendas fechadas. É algo que só uma criança sonharia, não as mentes endurecidas dos adultos.
Reabrir uma fenda fechada. Qualquer um com bom senso entenderia as implicações daquela afirmação.
“Reabrir a fenda do Mar do Oeste.”
E o que quer que estivesse lá dentro…
Naquele momento, a porta se abriu silenciosamente. Uma cabeça de cabelo preto com óculos escuros apareceu. Seo Min-gi. Ele olhou para os dois agachados diante da porta e depois para J, que estava de pé ali, e disse:
— O Líder de Guilda manda dizer ao Vice-Líder de Guilda que ele anda falando demais do passado porque está velho. Hora de parar com isso.
— Ei! Fala isso na frente de outra pessoa e você leva uma surra por chamar alguém de velho!
A cabeça de cabelo preto desapareceu lá dentro, mas surgiu de novo.
— Ele diz que não se importa.
— Ah, sério.
— Além disso, o Líder de Guilda diz que tanto o Vice-Líder de Guilda Bae Won-woo quanto a Caçadora Kang Ji-soo devem voltar aos seus postos, e que só o J deve entrar.
— Viu? Ele só quer ficar com o J só para ele de novo!
— Líder de Guilda! Você sabe que tem que terminar aquela papelada até o fim do dia, né?
— Ele diz para sumirem daqui agora.
— Esse cara… é como se ele estivesse usando o Líder de Guilda como desculpa para dizer o que quer.
— É, eu estava pensando a mesma coisa, Ji-soo.
— Ele diz para calarem a boca.
— Ei, você vem comigo. Isso é ridículo.
— Não violência… ai!
Seo Min-gi foi arrastado pela gravata. Mesmo sendo puxado, ele cruzou olhares com Cha Eui Jae e piscou através dos óculos escuros. O que era aquela piscada? Deixou Cha Eui Jae inquieto. Dando um aceno rígido, ele entrou com cautela pela porta entreaberta.
Dentro do espaçoso escritório do Líder de Guilda, Lee Sayoung estava sentado à sua mesa, usando camisa sem gravata, as mangas arregaçadas até os cotovelos. Ele folheava uma pasta, mas ergueu o olhar quando Cha Eui Jae entrou. Era a roupa diferente? Por algum motivo, se sentiu incomumente tenso. O olhar de Lee Sayoung percorreu lentamente do topo da cabeça dele até os pés, e seus olhos violeta se estreitaram atrás dos óculos.
— Parece que você se divertiu, hein? Não atendendo minhas ligações.
Apoiando o queixo nas mãos entrelaçadas, ele falou. Cha Eui Jae, sentindo-se estranhamente na defensiva, respondeu de forma mais seca do que o normal.
— Ei, como eu poderia atender uma ligação enquanto conversava com uma pessoa mais velha?
— Eu atendo.
Isso é porque você é mal-educado. Cha Eui Jae engoliu as palavras. Empurrando os óculos que escorregavam, Lee Sayoung apoiou o queixo nas mãos de novo. A caneta entre seus dedos longos se mexeu.
— E então?
— Como assim, e então?
— Sobre o que vocês conversaram?
Por que parecia que Lee Sayoung já sabia de tudo? Cha Eui Jae coçou a cabeça e respondeu:
— Só falamos dos velhos tempos. Por quê?
— Você podia ter me contado também… Eu fiquei preso aqui o dia inteiro.
Lee Sayoung o chamou com um gesto de mão. Cha Eui Jae estalou a língua.
— O quê, acenando a mão para uma pessoa mais velha assim?
— Então, não vem?
— …
Quando Cha Eui Jae finalmente começou a caminhar até lá, uma risadinha baixa escapou dos lábios de Lee Sayoung. Cha Eui Jae parou diante dele, com a mesa entre os dois. Era impressão sua ou o olhar dele parecia mais travesso do que o normal? Cha Eui Jae engoliu em seco, nervoso. Uma mão pálida e delicada se estendeu diante dele, a palma para cima. Uma cicatriz longa e fina atravessava o centro daquela palma bonita e pálida.
— …O quê?
— Sua mão.
Ele queria a mão dele? Cha Eui Jae colocou a mão sobre a de Lee Sayoung. Sayoung tirou os óculos, colocou-os de lado e puxou gentilmente a mão de Cha Eui Jae em sua direção. Então pressionou a palma de Cha Eui Jae contra sua bochecha, fechando os olhos. Os olhos dele se arregalaram. A bochecha fria e macia preenchendo sua palma e as cócegas leves dos cílios roçando seus dedos o deixaram inquieto. Os lábios dele se moveram para falar.
— Agora me sinto um pouco melhor…
Ver Lee Sayoung descansar o rosto em sua mão despertou um sentimento quente e suave no fundo do peito de Cha Eui Jae, como uma brisa gentil de primavera. Ele apertou com força a outra mão, escondida atrás das costas. Então.
— …Mas.
Os dentes de Lee Sayoung roçaram levemente a parte carnuda da palma de Cha Eui Jae. Cha Eui Jae franziu a testa. E agora? Lee Sayoung abriu lentamente os olhos.
— Você comeu alguma coisa com a Ham Seok-jeong? Tipo comida de rua?
Ah, droga.
— Tem cheiro doce…
Claro que tem, já que ele mexeu o tteokbokki cem vezes com aquela mão!
Cha Eui Jae respondeu com naturalidade, tentando disfarçar.
— É, comi numa barraquinha de rua perto de lá.
— Entendi… Você deve ter comido bem. Considerando que estava de máscara.
— …
Enquanto Cha Eui Jae virava a cabeça sem jeito, Lee Sayoung mordeu seu pulso. Não doeu. Ele olhou com satisfação para as marcas fracas de dentes deixadas no pulso de Cha Eui Jae antes de soltar um suspiro dramático, como se fosse de propósito.
— Sinceramente, você está sempre mentindo… E ainda é péssimo nisso.
— O quê.
— Deixa pra lá. Vou deixar essa mentira passar. Nem vou perguntar o que você estava fazendo.
O que está acontecendo? Não pode ser. O que você está tramando agora? Cha Eui Jae estudou Lee Sayoung com desconfiança. Lee Sayoung apenas sorriu, fazendo cócegas de leve na mão dele.
— Mas.
Como esperado, tem alguma coisa. Não tem como esse cara deixar algo assim passar tão fácil. Cha Eui Jae fuzilou Lee Sayoung através da máscara, curioso para ver que exigência absurda ele faria desta vez. Lee Sayoung entrelaçou os dedos deles, levando a mão de Cha Eui Jae aos lábios.
— Na assembleia geral, entre comigo.
— …
— Usando as roupas que eu preparei.
Cha Eui Jae sentiu os lábios de Lee Sayoung se curvarem num sorriso contra o dorso de sua mão.
— Não como meu secretário, mas como J.
* * *
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki