↫─☫ Episódio 203
𓆰𓆪 Episódio 203: Colapso 𓆰𓆪
Nam Woo-jin piscou lentamente. Yoon Gaeul fechou os punhos com força.
— Eu… você pode não acreditar em mim, mas eu vi o mundo anterior. Era um pouco diferente do nosso… mas nós estávamos lá, e o fim veio. O J lutou desesperadamente… e fracassou. Então eles voltaram o tempo. Usando o relógio.
— …
— No último momento, o relógio que o J segurava não quebrou. O J foi o último a segurá-lo… Então, se conseguirmos encontrar aquele relógio… talvez possamos voltar o tempo também. Poderíamos ter mais uma chance.
Yoon Gaeul terminou de falar, a respiração ofegante. Nam Woo-jin respirou fundo. Até respirar parecia difícil para ele, mas ele se forçou a responder.
— Se isso for possível…
— …
— Seria um milagre.
— …
— E agora… nós precisamos de um milagre. Mas…
Seus olhos, ardendo em branco, contemplaram Yoon Gaeul em silêncio. Os punhos cerrados dela tremiam. Nam Woo-jin inclinou levemente a cabeça. Seus dedos esqueléticos mal se moveram.
— Você está hesitando.
Yoon Gaeul mordeu o lábio. Nam Woo-jin expirou pesadamente, fechando os olhos.
— Claro que está. Voltar o tempo significaria desistir deste mundo…
— …
— Então, aqui vai minha opinião.
Nam Woo-jin juntou lentamente as mãos esqueléticas.
— Não podemos desistir deste mundo apenas com base no nosso julgamento. As pessoas ainda estão lutando contra o fim. Não podemos simplesmente abandoná-lo.
Yoon Gaeul começou a dizer algo, mas fechou a boca. Nam Woo-jin cabeceou, quase como se cochilasse.
— Entendo o que você está pensando. Está se perguntando qual é o sentido de lutar se não podemos vencer o fim de qualquer forma… que tudo vai ser destruído.
— Sim, é isso mesmo.
— Mas.
Nam Woo-jin apoiou o queixo afiado na mão. Um sorriso torto se espalhou por seu rosto esquelético.
— Nosso fracasso vai lançar a base para o sucesso. Eu acredito nisso.
— …
— Você chegou a uma solução por causa disso, não foi? Não sei como, mas você viu o J voltar o tempo como último recurso.
— …
— Vamos guardar isso também como nosso último recurso.
Seus olhos, ardendo em branco, vasculharam o ar e então se fixaram em algo. Era exatamente onde Cha Eui Jae estava. Será que ele conseguia vê-lo? Não, isso não podia ser. Era impossível.
Então, um sorriso radiante apareceu em seu rosto sem vida. Seus lábios ressecados se moveram.
— O fim vem em silêncio. Sem razão nem propósito. Ele simplesmente chega. Para tirar a vida de tudo. Como se fosse a ordem natural das coisas. Como um desastre natural.
— …
— Não há como evitá-lo. Mas podemos reduzir os danos.
— …
— Para descobrir como… precisamos continuar lutando até o fim.
Seu dedo ressecado apontou para Cha Eui Jae. O sussurro de Nam Woo-jin o atingiu como um raio.
— Nós vamos descobrir.
Os olhos de Cha Eui Jae se abriram de repente.
Fooon! A buzina estridente soou. Cha Eui Jae arquejou e voltou a si. O truck havia entrado numa estrada cheia de carros. Aquilo não era a biblioteca escura. Cha Eui Jae virou rapidamente para a direita. Yoon Gaeul, que estava desabada, soltou um gemido fraco ao abrir os olhos.
— Argh… hã?
Yoon Gaeul piscou, olhando em volta, e então cruzou olhares com Cha Eui Jae. Sua boca se abriu levemente. Ela coçou a cabeça, sem jeito.
— A gente… a gente viu…
— …
— A mesma coisa… certo?
— …Provavelmente.
Cha Eui Jae encarou sem expressão a estrada cheia de carros. “Nós vamos descobrir.” As últimas palavras de Nam Woo-jin ecoaram por todo o seu corpo. Ele soube instintivamente.
Aquelas palavras eram claramente dirigidas a ele.
“Ele estava falando comigo…”
Cha Eui Jae apertou mais o volante.
***
Um garoto de jaleco branco se apressava pelo corredor. Cada vez que passava por alguém, baixava a cabeça em cumprimento, e a pessoa retribuía o gesto. Quanto mais fundo ia, menos pessoas encontrava. Quando não havia mais ninguém por perto, ele abriu a porta no fim do corredor e desceu um lance interminável de escadas.
No fundo havia uma porta de ferro firmemente selada. O garoto encostou um cartão de acesso no leitor ao lado dela. Tump… A porta de ferro se abriu lentamente.
Era uma prisão imensa.
Mãos cobertas de espinhos se estendiam por entre as grades, dispostas em círculo ao redor de uma mesa cirúrgica no centro.
— Ei, toca aqui.
Alguém estava agachado diante das grades, batendo a mão contra a mão espinhenta. Um uivo ecoou de dentro. Sob as lâmpadas fluorescentes pálidas, havia um homem de jaleco branco com longos cabelos brancos, e uma mulher usando um boné puxado para baixo sobre o rosto. O garoto tirou uma pasta de dentro do jaleco.
— Mestre, chegou uma carta da Agência de Gerenciamento de Despertos.
— Deixa aí.
Nam Woo-jin indicou com o queixo. A mulher deu de ombros.
— Eu resumo para você. Querem que você compareça à próxima assembleia geral.
— Então você também recebeu uma?
— Provavelmente mandaram para todo mundo que costuma comparecer. E ei, para de incomodar aquelas pobres almas e vem para cá, vai?
— Eu só estava brincando com eles porque pareciam entediados~
O homem agachado diante das grades se levantou. Seu cabelo azul-claro reluziu na luz, tornando-se branco. Gyu Gyu— Ban Gyu-min —enfiou as mãos nos bolsos da jaqueta de pelo e veio andando com gingado.
— Sinceramente, mesmo depois de virarem essa bagunça, ainda dá para chamar eles de hu—
Clang—
Um som metálico agudo soou. A ponta de uma rapieira brilhante estava apontada precisamente para sua garganta. Um brilho assassino faiscou nos olhos de Honeybee. Gyu Gyu ergueu as duas mãos em rendição. A voz de Honeybee era um rosnado baixo e ameaçador.
— Olha a sua boca…
— …Quase cometi um erro. Desculpa?
Nam Woo-jin, ocupado trabalhando com as mãos, disparou irritado:
— Parem de brigar, idiotas. Não consigo me concentrar.
— Ah, foi mal.
— …
Honeybee suspirou e baixou a rapieira. Nam Woo-jin estalou a língua, irritado, e continuou seu trabalho. Deitado na mesa cirúrgica, banhado por uma luz pálida, estava Matthew. Embora espinhos se projetassem de várias partes de seu corpo, ele ainda mantinha a forma humana. Honeybee roía a unha do polegar, nervosa.
— …Como ele está? Houve alguma melhora? Você acha que vai funcionar?
— …
— Usei tudo o que estava na lista que consegui com o Lee Sayoung. Raspei tudo o que pude. Se isso não funcionar…
— Honeybee.
Nam Woo-jin suspirou, endireitando-se.
— Não fique ansiosa demais. Apressar as coisas não vai ajudar.
— Mas…
Honeybee murmurou fracamente, e então soltou um suspiro profundo. Deu tapas em ambas as bochechas com força suficiente para produzir um som seco.
— Não, o doutor tem razão. Não adianta ficar agitada. O Matthew não vai acordar só porque eu estou assim.
— …
— É melhor eu ir. Preciso me preparar para a assembleia. Conto com você para cuidar do Matthew.
— Entendido. Deixa ele comigo.
Enquanto se virava para caminhar a passos largos em direção à porta de ferro, Honeybee olhou para trás. Gyu Gyu ainda estava parado ali. Honeybee franziu a testa.
— Por que você não vem?
— Hã? Eu também tenho que ir?
— Nosso contrato ainda não acabou. Me segue!
— Tá, tá… entendi~
Gyu Gyu deu um pequeno aceno de cabeça para Nam Woo-jin e seguiu Honeybee. A porta de ferro se fechou com um baque pesado. A alguns passos de distância, o garoto perguntou baixinho:
— Tem algo em que eu possa ajudar?
— Agora não.
— O senhor está bem?
— …Estou bem.
Nam Woo-jin tossiu baixinho, os ombros tremendo.
— É estranho…
Os olhos límpidos do garoto brilharam, esperando que mais palavras viessem.
Nam Woo-jin ergueu a mão contra a luz do teto. Estava ressecada, como a de uma múmia. Sua pele se agarrava aos ossos, mal se sustentando. Ele piscou e abriu os olhos de novo. Sua mão parecia normal. Era uma ilusão? Uma alucinação? Ele fez um gesto atrás de si, e uma pequena figura se aproximou.
— Como eu pareço?
— 1,78 m de altura, constituição magra, longos cabelos brancos, óculos, olhos brancos, leve postura de cabeça projetada para frente…
— Não, não, não assim.
Nam Woo-jin fechou e abriu o punho. Sua mão voltara a ser a de uma múmia. Ou talvez seus olhos o estivessem enganando. Ele se virou. O garoto continuava parado ali, esperando suas ordens. Nam Woo-jin abriu bem os braços e perguntou:
— Eu pareço uma múmia para você?
— Não, Mestre. Seu peso diminuiu aproximadamente 300 gramas desde a semana passada, mas não há mudanças visíveis na sua aparência.
— …Sério?
— Sim. Há algo errado?
— Talvez.
Nam Woo-jin olhou ao redor antes de pegar um bisturi para refletir luz em seus olhos. Seu rosto, com a pele enrugada e grudada ao osso, e as órbitas fundas encararam de volta. Apenas seus olhos, brilhando com aquela chama branca, permaneciam inalterados. Nam Woo-jin murmurou para si mesmo com um suspiro:
— Seja lá o que for, alguma coisa deu terrivelmente errado.
* * *
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki