↫─☫ Episódio 201
𓆰𓆪 Episódio 201: Colapso 𓆰𓆪
Uma figura negra semelhante a uma poça apareceu diante da porta grande. Logo, uma cabeça redonda surgiu da poça, seguida por um corpo inteiro que emergiu lentamente. Seo Min-gi sacudiu a roupa e agarrou a maçaneta.
— Com licença, Líder de Guilda!
Sem esperar resposta, Seo Min-gi escancarou a porta. A primeira coisa que chamou sua atenção foram umas costas largas, firmes como uma montanha, e uma cabeça de cabelo ruivo. Os donos das costas e do cabelo ruivo se viraram para olhar. Eram Bae Won-woo e Kang Ji-soo. Seo Min-gi baixou a cabeça rapidamente.
— Ah, vocês dois também estão aqui. Bom dia.
Kang Ji-soo acenou.
— Ei. O que foi? Entrando assim de supetão.
— Tenho um assunto urgente a relatar.
— Haa…
Um suspiro irritado escapou de entre as duas pessoas. Seo Min-gi inclinou a cabeça para encontrar a origem do suspiro. Lee Sayoung estava sentado em uma escrivaninha, usando óculos, com pilhas de documentos e aparelhos eletrônicos espalhados por ela, quase sem deixar espaço vazio. Ele franziu levemente a testa.
— O que é desta vez?
Justo quando Seo Min-gi ia responder, Kang Ji-soo cruzou os braços, numa postura atrevida parecida com a do irritado Lee Sayoung.
— Líder de Guilda, em vez de arrumar briga, seria melhor virar mais uma página. A equipe de pesquisa anda te enchendo para você dar sua opinião. Disseram que vão ficar de tocaia até você responder.
— Os documentos oficiais da Agência de Gerenciamento de Despertos e da Agência de Gerenciamento de Fendas também precisam da sua atenção. Você tem que resolver isso antes da Assembleia Geral.
— Vocês não conseguem cuidar dessas coisas sozinhos?
— Eu já cuidei das questões triviais. O que sobrou são as coisas que você precisa olhar pessoalmente.
— Haa…
Mesmo suspirando, Lee Sayoung obedientemente virou a página do documento que segurava. Seo Min-gi olhou dos documentos grossos em sua mão para as pilhas imponentes de papéis sobre a mesa. Não parecia haver tanto trabalho ali antes.
— Por que ele está sendo enterrado vivo em trabalho?
— Ele já tinha três meses de tarefas acumuladas, mas anda correndo de um lado para o outro desde que acordou.
Bae Won-woo estalou a língua. Seo Min-gi perguntou, curioso:
— Vocês não conseguiram cuidar de parte disso?
— Acumulou tudo de novo. Você vivia correndo atrás do J, não é? Vocês dois pareciam estar se divertindo muito.
— E as coisas estavam normais quando o J não estava por perto? Não, de jeito nenhum. Tem sido uma loucura… Enfim, ele está correndo atrás do que eu não consegui dar conta.
— Que pena. Mas eu realmente preciso relatar algo com urgência. Vocês se importariam de sair um pouco?
— Hã? É algo que a gente não pode ouvir?
— Isso quem decide é o Líder de Guilda.
Lee Sayoung indicou a porta com o queixo.
— Saiam um pouco.
— Sim, senhor.
— Ai, mas eu estou curiosa.
Embora resmungassem, os dois obedeceram rapidamente e deixaram a sala. Seo Min-gi olhou ao redor do escritório do líder de guilda. O habitual cabelo cinza-cinzento não estava à vista.
— Onde está o J?
— Foi encontrar a Ham Seok-jeong.
— Você não foi junto desta vez, pelo visto.
— Eu não sou um cachorro… Não fico seguindo ele para todo lado.
— …
— Então, o relatório?
— Ah, a gente entregou informações sobre o laboratório da Prometheus para a Honeybee, certo? O Mackerel também estava de olho, mas…
— Sim.
— Foi tudo destruído. A Honeybee até chamou o Gyu Gyu e vasculharam o lugar até o último centímetro.
— …
— Eles resgataram alguns caçadores no processo, mas a maioria estava no estágio final dos experimentos e perdeu a noção de si. Foram transferidos para o porão da Guilda Seowon.
Lee Sayoung ergueu uma sobrancelha. Quando Seo Min-gi estendeu os documentos, ele os arrancou com brusquidão. Seus olhos violeta percorreram as palavras através dos óculos.
— Algum laboratório ou pesquisador sobrevivente?
— Tudo o que estava na lista que demos a eles foi completamente destruído. Eu não esperava que agissem de forma tão agressiva. Eu devia ter levado em conta o quanto a Honeybee estava cega de raiva.
Franzindo a testa, Lee Sayoung massageou a têmpora. Um suspiro profundo lhe escapou.
— Vai ser mais difícil rastreá-los agora…
***
A porta dos fundos da sala de aula se abriu de repente durante o segundo intervalo, horário em que todos começavam a sentir fome. Yoon Gaeul ergueu o olhar. Min-ji, que viera correndo, sussurrou com urgência:
— Ei! Emergência! Emergência! O food truck de tteokbokki chegou!
Da-yeon e Su-yeong, que estavam deitadas sob cobertores, se ergueram como zumbis.
— Um truck? Tipo um food truck?
— Foi o que eu ouvi. Estão vendendo tteokbokki em copinhos de papel. O pessoal está enlouquecendo, dizendo que é delicioso. Pediram para espalhar a notícia.
— Mas o portão da escola vai estar vigiado.
— Sabe aquela cerca baixa? Aquela que um louco bateu e deixou um amassado? Eles estacionaram o truck bem na frente dela. Vamos, né? Vamos.
— …
Aquela cerca verde. Era impressão dela ou parecia estranhamente familiar? Era o mesmo lugar onde J havia aparecido antes. Yoon Gaeul fingiu não se importar, mas ouviu atentamente. Logo ali, de todos os lugares? Seria coincidência?
— E… ouvi dizer que o cara é super gato.
Yoon Gaeul estreitou os olhos, desconfiada.
— Quão gato ele pode ser?
— Talvez as pessoas só estejam com os padrões baixos agora?
— Não, disseram que ele está de máscara, mas dá para ver que é muito bonito. Tipo, sério mesmo.
— Argh, diz logo que ele tem uma boa personalidade.
— Qual é! Estou curiosa! Vamos logo! Gaeul, vamos. É o meu desejo.
Min-ji agarrou o braço de Yoon Gaeul e puxou. Yoon Gaeul revirou os olhos e coçou a têmpora com a parte de trás da lapiseira.
— Argh, tá bom… Vamos.
— Isso!
Afinal, Yoon Gaeul ainda era uma estudante do ensino médio em fase de crescimento.
Quando chegaram à cerca, o lugar já parecia deserto, como se as pessoas tivessem varrido a área. O chão em frente à cerca, onde muita gente passava, estava sem grama. Exatamente como Min-ji dissera, havia um truck estacionado do outro lado da cerca.
No truck estava um homem de cabelo preto, usando máscara branca. Vestido com um moletom preto, um boné preto e um avental preto— toda a roupa dele era preta. Ele parecia suspeito de todos os ângulos, mas… as amigas dela estavam focadas demais no tteokbokki para notar. Enquanto isso, Yoon Gaeul se perdeu na nostalgia, encarando o avental.
“Esse avental parece familiar…”
J também costumava usar um avental assim. Aquele passado parecia estranhamente distante. O homem mexeu o tteokbokki na chapa de ferro com uma concha, e um gemido escapou dos lábios dela.
— Nossa, estou com tanta fome.
— Isso parece incrível…
O cheiro do tteokbokki era o mais delicioso que ela já sentira. O aroma apimentado dava água na boca, e os bolinhos de arroz, cobertos por um molho vermelho brilhante, reluziam. Até Yoon Gaeul, que não estava com fome, se pegou engolindo saliva. O homem baixou a cabeça educadamente para as estudantes aglomeradas atrás da cerca.
— Sejam bem-vindas.
…O quê?
A cabeça de Yoon Gaeul se ergueu de supetão. Aquela voz soava estranhamente familiar. Ela ajeitou os óculos, esfregou os olhos e apertou-os para ver melhor o homem. Seu cabelo preto e áspero, a máscara branca e os olhos escondidos sob o boné… Nisso, o homem ergueu levemente a cabeça. Os olhares deles se encontraram diretamente.
Seu olhar sombreado e frio. Seus olhos escuros brilharam brevemente em azul. Yoon Gaeul reprimiu um grito. Isso não pode estar acontecendo.
“É o J!”
O homem rapidamente baixou a cabeça de novo. Acontece que aquele cabelo preto era uma peruca. Não admira que parecesse tão seco! Yoon Gaeul, que estava um pouco atrás das amigas, se apressou a se pressionar contra a cerca.
— E-eu vou pular.
— Hã? Tem certeza?
— Estou de calça de educação física… Vou ficar bem!
— Quer um empurrãozinho? Te ajudamos a passar?
— Não, não. Ando malhando ultimamente.
— Caramba… essa garota está vivendo bem demais.
— Ãh, todo mundo quer tteokbokki, né? Um copo para cada?
— Isso!
Yoon Gaeul respirou fundo e agarrou a cerca. Embora parte dela pensasse que deveria agir com naturalidade, lutando para passar por cima da cerca para que as amigas não desconfiassem, esse pensamento logo sumiu. Ela agarrou a cerca e a saltou com facilidade. Uau, isso foi insano. Ouviu as amigas exclamarem de surpresa enquanto se apressava a se encostar no truck.
Para algo montado às pressas, o food truck era bem equipado. Tirando a placa improvisada de preços, rabiscada num pedaço de papel com “Copo de Tteokbokki 1000 wons”, e o rádio velho e ultrapassado no canto, tudo estava surpreendentemente bem montado. Uma música que Yoon Gaeul não reconhecia tocava no rádio. Ela baixou a voz e sussurrou:
— O que você está fazendo aqui? Por que está aqui assim?
— Bom, sabe, seria estranho um cara ficar à toa na frente de um colégio feminino…
J— Cha Eui Jae —baixou um pouco a máscara e sorriu sem graça. Um gritinho pareceu vir de trás deles.
— Eu não podia exatamente aparecer disfarçado de novo… Precisava vir discretamente desta vez.
— Da última vez, você veio numa van. Aquilo parecia melhor, sinceramente.
— …Desta vez eu não podia pedir ajuda à Guilda Pado nem a outras pessoas. Então aqui estou.
— E você está fazendo isso em vez disso?
Yoon Gaeul engoliu em seco ao olhar para o tteokbokki brilhante. Isso era sério! Cha Eui Jae, agora com a máscara de volta no lugar, murmurou, constrangido:
— …É ridículo? O cara do Mackerel disse que essa era a melhor opção.
Sinceramente, era uma jogada genial, considerando os hábitos alimentares das estudantes do ensino médio. Até Yoon Gaeul, que normalmente ficava enfurnada na sala de aula, fora atraída para fora pelo tteokbokki. Yoon Gaeul murmurou:
— …Acho que é um golpe de gênio.
— Que bom ouvir isso, então.
— Você fez o tteokbokki sozinho?
— Fiz. Quer que eu sirva para você?
— Sim, por favor…
Quando Yoon Gaeul assentiu, Cha Eui Jae mexeu habilmente o tteokbokki e começou a encher um copo. Depois de um breve silêncio, ele falou enquanto continuava trabalhando.
— Tenho algo a te perguntar.
— S-sim, pode perguntar.
— Você mencionou antes que, desde o seu despertar, vinha ouvindo uma voz, mas que depois de visitar o mundo arruinado a voz desapareceu… Você disse que achava que era outra Gaeul.
Naquela van preta, com J e Lee Sayoung dentro, Yoon Gaeul explicara sua situação depois de checar o estado de Lee Sayoung.
— Mas… depois que voltei do mundo arruinado, nunca mais ouvi essa voz. Fiquei pensando nisso. O mestre artesão disse, não foi? Que a mesma alma se fundiria…
Yoon Gaeul assentiu obedientemente.
— Sim, isso mesmo.
— Posso falar com a outra Gaeul? Ou você poderia tentar se lembrar de algo?
A cabeça de Yoon Gaeul se ergueu de supetão. Naquele momento, um copo de papel grande lhe foi entregue. Instintivamente, ela o pegou. Havia um pequeno post-it colado no copo. A caligrafia combinava com a da placa de preços rabiscada na parede.
Estava escrito: [Apocalipse.]
Os olhos de Yoon Gaeul se arregalaram. Cha Eui Jae rapidamente levou um dedo aos lábios. Yoon Gaeul engoliu em seco, nervosa. Ele sussurrou:
— Se ela ainda estiver aí dentro, pergunte a ela sobre o relógio.
— …
— Pergunte como ela soube da existência dele. A Gaeul daquele mundo.
* * *
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki