↫─☫ Episódio 199
𓆰𓆪 Episódio 199: Múltiplos Pensamentos 𓆰𓆪
As palavras que passaram por sua mente eram as que ele vira no site da Prometheus. Que a humanidade precisa impedir o fim. Que eles precisam reunir suas forças para detê-lo. Um calafrio subiu por sua nuca. Se o que Lee Sayoung disse era verdade, aquilo não era um sinal de que o fim já estava chegando?
— Então… você nem sabe quando ele vai chegar…?
— Não sei. Ninguém vai saber. Mas…
Seus olhos violeta contemplaram o vazio escuro.
— Nossos mundos estão se fundindo cada vez mais… Então ele provavelmente virá mais rápido do que o que eu vivi.
— …
— O mundo que deveria ter desaparecido está ficando para trás e se fundindo. À medida que o seu mundo assume a forma do destruído… mais pessoas vão começar a se lembrar de memórias do passado. É assim que funciona o medo gravado na alma.
E, à medida que isso acontece, o fim virá mais rápido. Cha Eui Jae engoliu em seco. Sua garganta parecia inchada, como se fosse difícil passar. Lee Sayoung bateu levemente na têmpora com os dedos negros.
— Seria sensato se preparar bem. Embora a própria preparação seja difícil…
Era um dilema. Para impedir o fim, eles precisavam unir suas forças. Mas quanto mais fizessem isso, mais o fim se aceleraria. Cha Eui Jae suspirou. Era avassalador. Um problema que não podia ser resolvido facilmente. Mas, mesmo que fosse assustador, tinha que ser feito. Ele já não havia jurado levar aquilo até o fim?
Lee Sayoung, que olhava para Sayoung aninhado nos braços de Cha Eui Jae, inclinou levemente a cabeça.
— É isso. Assim que você sair daqui… que tal procurar a Yoon Gaeul?
Um nome inesperado surgiu. Cha Eui Jae arregalou os olhos e ergueu o olhar.
— A Gaeul… a estudante?
— Ah, ela ainda é estudante lá?
Cantarolando baixinho, Lee Sayoung murmurou:
— Ela é uma das poucas que sobreviveram até o fim depois que o mundo foi varrido pelo fim. Junto comigo. A maioria dos outros morreu. Mas ela sobreviveu, de algum jeito. Isso merece elogio. Sobreviver é uma habilidade, afinal.
Era um comentário cortante. Lee Sayoung apontou para algo com os dedos negros. Cha Eui Jae baixou a cabeça para olhar para onde ele apontava. O relógio em seu pulso. O ponteiro dos segundos do relógio velho e gasto ainda tiquetaqueava diligentemente, como se sinalizasse o tempo restante.
— Foi a Yoon Gaeul que me contou sobre o relógio também.
— O quê?
— Um dia, ela veio e disse que talvez fosse possível voltar o tempo usando o relógio. Que havia um relógio entre suas coisas que poderia fazer isso.
— …
Ele se lembrou dos olhos dela, brilhando dourados por trás dos óculos. Será que Yoon Gaeul conseguira ler vestígios do primeiro mundo até no mundo destruído? Num mundo pacífico, ela teria sido a única a ler as memórias do fim?
Lee Sayoung ficou de lado.
— Já que ela sobreviveu até o fim… o medo gravado na alma dela deve ser profundo. Tente conversar com ela. A Yoon Gaeul parecia gostar bastante de você, afinal.
— …
— Bom… parece que eu disse tudo o que precisava.
Com um aceno de mão, a barreira negra ao redor deles se ergueu. As ruínas brancas os cercaram.
O mundo destruído. Cha Eui Jae olhou para Lee Sayoung com um olhar complexo. Lee Sayoung não evitou seus olhos e sustentou o olhar. Seus lábios secos se moveram levemente.
— Meus pensamentos não mudaram. Ainda não acho que você consiga impedir o fim.
— …
— Esse fato provavelmente nunca vai mudar. Eu vi o fim, e você já morreu uma vez. Você não vai conseguir me convencer.
Cha Eui Jae também sabia disso. O Lee Sayoung diante dele era o único sobrevivente do fim. Por mais que Cha Eui Jae pregasse sobre impedi-lo, aquilo não ressoaria nele. No mundo dele, Cha Eui Jae já havia morrido, e o mundo havia perecido. Lee Sayoung, tendo perdido tudo para o fim, estava apenas à deriva.
— Mesmo assim…
Seu olhar violeta baixou. Em seus olhos, despidos da cor original, havia um reflexo de si mesmo. Outra versão de si, uma que não fora traída, que provara a confiança.
— Eu acredito em você…
— …
— Porque confirmei que o que fiz não foi em vão.
Um vento branco uivou. A figura de Lee Sayoung começou a se desvanecer na distância. Pouco depois, o vento ficou tão forte que era difícil ficar de pé. Segurando Sayoung junto a si, Cha Eui Jae gritou contra o vento:
— Ei, Lee Sayoung! Espera! Ei!
— …
O vento pareceu se acalmar um pouco. Aproveitando o momento, Cha Eui Jae gritou:
— Você, a gente se encontrou na fenda do Mar do Oeste?
— …
A escuridão que o envolvera, cortando sua visão cor de sangue, e a voz que ecoou pelo espaço imóvel. Cha Eui Jae ergueu a voz.
— Era você naquela vez? Só responde isso antes de ir! Ei!
Não houve resposta. O vento uivou mais alto. Ele deu um passo em direção a ele, mas Sayoung se mexeu em seus braços. Ele parou imediatamente. Sua visão oscilou de forma estonteante. Droga. Cha Eui Jae apertou os olhos.
…No momento em que abriu os olhos de novo.
O quarto que surgiu à vista era bem mais desolado do que o do sonho. Parecia que ele voltara direito. Cha Eui Jae soltou um suspiro de alívio, mas então parou.
A primeira coisa que notou foi o corpo grande pressionado firmemente contra o seu. Cha Eui Jae tentou se erguer agarrando a cama, mas não conseguiu por causa do corpo enroscado em sua cintura e pernas como uma cobra. Poderia ter usado força para se soltar, mas…
Droga, esse cara tem um aperto forte. Com esforço, Cha Eui Jae torceu o corpo para olhar para a “cobra” enroscada nele. Lee Sayoung estava dormindo, a boca levemente aberta. Ele conseguia ouvir o som fraco de uma respiração suave.
— …
Ele parece tão tranquilo e bonito assim. Tomado de irritação, Cha Eui Jae não resistiu a apertar a bochecha de Lee Sayoung sem motivo. O rosto delicado se franziu levemente. Com um gemido, as pálpebras de Lee Sayoung tremeram enquanto se moviam lentamente. Sob elas, olhos violeta vívidos apareceram.
— …
— …Acordou?
Os olhos de Lee Sayoung piscaram devagar, como se respondessem. É, parece que voltamos direito. O alívio tomou conta de Cha Eui Jae, mas durou pouco, pois as mãos em torno de sua cintura o puxaram ainda mais perto. Seus olhos se arregalaram. Estar cara a cara assim, o constrangimento foi subindo aos poucos.
— …Ei, que tal a gente levantar? Tem muita coisa que eu preciso te contar…
Um beijo suave pousou em seu queixo. Os olhos dele se arregalaram de vez. De novo isso?! Mas os lábios não pararam, roçando o queixo, a bochecha e a ponte do nariz. Cha Eui Jae estendeu a mão para afastá-lo.
— Agora não é hora disso—
— Hah, quando é que é hora…
A voz baixa e rouca de Lee Sayoung murmurou. Seus olhos violeta brilharam de forma afiada. Antes que Cha Eui Jae pudesse reagir, os lábios dele tomaram os seus. Uma língua negra forçou passagem pela fresta entre os lábios chocados de Cha Eui Jae, atacando ferozmente como se fosse devorá-lo. O som escorregadio das línguas se misturando encheu seus ouvidos, como se o derretesse.
Ah, sério!
Cha Eui Jae pôs a mão na testa de Lee Sayoung e o empurrou para trás. Sayoung o fuzilou com um olhar inconfundivelmente irritado, sem nem tentar esconder o desagrado. Cha Eui Jae se sentou de supetão, igualando o olhar com seu próprio tom irritado.
— Ei, que diabos você está fazendo assim que acorda?!
— Beijando.
— E por que diabos você está fazendo isso?!
Os olhos de Lee Sayoung faiscaram. Era o olhar de alguém que vinha esperando para dizer algo. Ele rangeu os dentes e murmurou amargamente:
— Você não sabe o quanto eu me segurei. Tudo por causa de um desgraçado louco…
O “desgraçado louco” provavelmente era o próprio “Lee Sayoung”. Cha Eui Jae foi recuando devagar, preparando-se para escapar da cama. Mas Lee Sayoung também era um caçador de nível S. Ele estreitou os olhos.
— Aonde você pensa que vai?
— …Pegar água.
— …
— E-eu estou com sede.
A desculpa que simplesmente escapou funcionou inesperadamente. Lee Sayoung soltou um suspiro profundo, baixou a cabeça e saiu da cama lentamente. Enquanto agarrava a maçaneta, avisou:
— Nem pense em ir a lugar nenhum. Fica bem aqui.
Seu rosto, agora bem mais radiante do que quando adormecera, parecia o de alguém que finalmente encontrara algum tipo de acordo consigo mesmo. Depois que ele saiu, Cha Eui Jae suspirou aliviado e começou a arrumar os cobertores. Então um pensamento lhe ocorreu.
“Pensando bem…”
Olhando para trás, apesar da personalidade áspera, Lee Sayoung era surpreendentemente bem relacionado. Embora a Guilda Pado fosse um grupo pequeno e de elite, sua influência era bem grande, reunindo apenas os melhores. O jeito como Bae Won-woo tratava Lee Sayoung como um irmão mais novo, Kang Ji-soo brincando com ele, até suas interações com a Honeybee, e sua relação visivelmente mais próxima com Jung Bin em comparação com o segundo mundo. Embora Lee Sayoung jamais admitisse, qualquer pessoa de fora conseguia ver claramente.
‘“Segundo a Diretora, não foram o Jung Bin e o Bae Won-woo que o apoiaram logo depois do despertar?”
E não era só isso. Ele parecia ter muitas interações com Hong Yeseong, encontrara Nam Woo-jin várias vezes e parecia se dar bem com Seo Min-gi. Quanto ao Abridor Romântico aquele ainda era um mistério.
Ainda assim, só por isso dava para ver o quanto ele era diferente do Lee Sayoung do segundo mundo, que tinha zero habilidades sociais. Aquela versão não se importava com mais ninguém, focando apenas em Cha Eui Jae.
De onde vinha a diferença? Enquanto Cha Eui Jae revisava cuidadosamente as diferenças, sua boca se abriu levemente. Ele nem precisou pensar muito para perceber a maior diferença.
Será que…
“Porque eu não estou lá… ele realmente desenvolveu habilidades sociais?”
Por que isso soa plausível?
Não, essa deve ser a resposta. Devo ficar feliz com isso ou não? O fato de que sua mera presença pudesse alterar alguém tão drasticamente deixou seus sentimentos uma bagunça. Cha Eui Jae enterrou o rosto nas mãos. Ficou assim mesmo quando ouviu a porta se abrir.
Uma voz cheia de incredulidade perguntou:
— O que você está fazendo? …Sua cabeça está doendo?
— …Não.
— Então?
— …Eu só estava pensando em como é difícil criar um filho.
— Rá.
Lee Sayoung soltou uma risada zombeteira.
— Parece que você finalmente está começando a entender minha dor.
Uma sensação fria tocou o dorso da mão de Cha Eui Jae, que ainda cobria o rosto. Lentamente, ele abriu os dedos para espiar. Lee Sayoung estendia uma garrafa de água de 500ml.
Ele tinha um sorriso suave no rosto.
— Achei isso na geladeira, mas não sei se é seguro beber… Não deve ter estragado graças à pedra de preservação.
— …
— Cheira primeiro. Se parecer estranho, eu vou comprar uma nova.
Por algum motivo, o coração de Cha Eui Jae vacilou. Ele pegou a garrafa da mão dele. A superfície da garrafa estava fria. Na água cristalina, o rosto sorridente de Lee Sayoung pareceu se refletir, e Cha Eui Jae fechou rapidamente os olhos.
* * *
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki