↫─☫ Episódio 178
𓆰𓆪 Episódio 178 𓆰𓆪: Frequência
Tum.
“Hã?”
Tum, tum, tum. De repente, seus batimentos começaram a soar alto. Estranhamente. Nada havia mudado, mas algo parecia diferente.
Cha Eui Jae esfregou o peito. Enquanto isso, Lee Sayoung já havia dado um passo à frente. Sua voz lânguida, misturada a um aroma doce, pairava no ar. Sob as luzes fortes do corredor, só sua silhueta negra estava no campo de visão dele.
— Eu ia incluir uma entrevista com a diretora, mas ela ficava recusando…
— …
— O Jung Bin também recusou, provavelmente por ordem da diretora. Então eu fiquei meio irritado.
— …
— Ah, mas o Song Jo-heon foi surpreendentemente fácil. Acho que foi por causa da gestão de imagem… Ele aceitou na hora.
Havia um tom estranhamente brincalhão em cada palavra que ele dizia. Pele pálida aparecendo por entre o cabelo preto, um pescoço marcado por hematomas em forma de mão, o sobretudo balançando e o perfil afiado do nariz e dos lábios visível quando ele virava levemente a cabeça— os olhos violeta de Lee Sayoung estavam inteiramente focados em Cha Eui Jae. A emoção naqueles olhos…
— …Hyung?
— …
— O que foi?
Cha Eui Jae se pegou olhando para Lee Sayoung com outros olhos. Lee Sayoung sempre tivera ombros tão largos? Sempre fora tão alto? Agora ele era meia cabeça mais alto que Cha Eui Jae, que já não era baixo. Quando J não o seguiu e ficou paralisado, Lee Sayoung se virou para encará-lo.
Estranhamente, não havia vestígio do menino cuja vida Cha Eui Jae um dia salvara. Diante dele estava um homem completamente adulto. Sem pensar, Cha Eui Jae perguntou:
— Por que você fez aquilo?
— Fiz o quê? Ah, o documentário?
— É.
Lee Sayoung piscou como se Cha Eui Jae tivesse dito algo estranho. Sua resposta foi tão natural, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
— Eu te disse. Fiz porque gente burra ficava esquecendo você.
— Os mortos estão fadados a ser esquecidos. Com o tempo, tudo…
— Quem disse que alguém morreu… Argh, por que você está agindo assim de repente?
— De qualquer forma, todos sabiam que eu estava morto. Até ergueram uma pedra memorial.
— Você está com tanta fome que está perdendo o juízo?
Lee Sayoung disparou, irritado. Descruzando os braços, apontou o dedo para o rosto dele. Além de sua mão, aqueles olhos violeta penetrantes encaravam Cha Eui Jae diretamente.
— Quem agarrou minha mão primeiro foi você, Cha Eui Jae.
Cha Eui Jae se lembrou do rosto que encontrara nas ruínas. Mal se agarrando à vida, com batimentos fracos, o peito subindo e descendo debilmente, os lábios se movendo em silêncio. Um apelo silencioso por salvação.
— Por favor, me salve.
Cha Eui Jae estendera a mão. E,
— Está tudo bem.
Ele agarrara a mão murcha e deformada, derretida pelo veneno, sem a menor hesitação.
Cha Eui Jae piscou. A mão murcha não estava em lugar nenhum. Em vez disso, uma mão grande e forte apontava diretamente para ele. Lee Sayoung falou como se cuspisse as palavras.
— Você me prometeu que voltaria.
— …
— Eu só cumpri minha promessa.
Cha Eui Jae entreabriu levemente os lábios. Ele achava que tinha sido um pedido tão egoísta. Naquela época, Cha Eui Jae não tinha certeza nenhuma de que sequer sobreviveria. Ele só estendera a mão para a única mão a que podia se agarrar, assim como alguém se afogando agarra qualquer coisa ao alcance.
Mas aquele menino.
Aquele Lee Sayoung .
Mesmo agora, depois de oito anos, ele não havia soltado sua mão.
Cha Eui Jae sentiu a garganta se fechar, incapaz de falar. Qual era a base dessa fé inabalável? A fonte dessa crença sem fim? Lee Sayoung suspirou, afastando a mão do rosto dele. Começou a mexer no próprio cabelo com os dedos negros.
— Satisfeito agora?
— …
— Se entendeu, vem. A gente precisa comer alguma coisa. Isso não está bom…
Lee Sayoung estalou a língua e se virou. Mas Cha Eui Jae não conseguia se mover. Não, ele não conseguia se forçar a se mover.
— …
Era como se o chão sob seus pés estivesse derretendo. As pontas de seus dedos das mãos e dos pés formigavam. Seu coração batia cada vez mais rápido, a ponto de deixá-lo sem fôlego. Sua cabeça parecia em branco.
Cha Eui Jae mal conseguia engolir. Ele respirava, piscava, engolia— cada ação natural parecia forçada. Cada sentido de seu corpo estava aguda, intensamente focado em uma única coisa. Em Lee Sayoung .
Os movimentos de Lee Sayoung , enquanto ele se virava de volta, apareciam em câmera lenta.
Ele piscou. A cada piscada, seus longos cílios tremulavam. Seus lábios carnudos se entreabriram levemente. Seu peito subia e descia de leve. Suas sobrancelhas se moveram um pouco, e a testa se franziu levemente. Sua cabeça se inclinou um pouco para a direita, fazendo o cabelo balançar. Aquele aroma doce encheu o ar. As pontas negras de seus dedos, apoiadas na bochecha, tremeram levemente.
Cha Eui Jae cobriu a máscara com as duas mãos. Mesmo que pudesse bloquear a visão, não conseguia bloquear o olfato nem a audição.
— Hyung?
A voz curiosa de Lee Sayoung o chamou. Os dedos de Cha Eui Jae se agitaram contra a máscara. Droga.
“Por que isso está acontecendo de repente?”
Cha Eui Jae exalou uma respiração um pouco ofegante. Ele se sentia sufocando, apesar de não estar debaixo d’água.
Se continuasse encarando Lee Sayoung assim, logo desabaria. Teve um instinto súbito e agudo de que aquilo não podia continuar. Sem perceber, deu um passo atrás. Então examinou rapidamente os arredores. Avistou a porta de saída de emergência ao lado do elevador de onde tinham vindo. A luz verde de emergência piscava.
— …Hup.
Cha Eui Jae inspirou bruscamente. E então,
Tap, tap, tap!
Ele disparou em direção à saída de emergência. Lee Sayoung , que o encarava incrédulo, cerrou os dentes e passou a mão pelo cabelo.
— Mas que… O que você está fazendo agora?!
Cha Eui Jae começou a descer correndo a longa escadaria. Pouco depois, ouviu o som de passos descendo pesadamente atrás de si. Estavam em seu encalço. Ele conseguia ver de relance o sobretudo de Lee Sayoung esvoaçando atrás. Ele gritou:
— Por que você está agindo assim? Ficou louco?
Eu sinto que vou enlouquecer se não fizer isso! Por quê!
Cha Eui Jae cerrou os dentes e começou a saltar vários degraus de uma vez. Tump, tump, tump— suas pernas aguentavam bem. Mas Lee Sayoung também não estava longe. Droga. Ele achou ter ouvido um palavrão atrás de si, e então os passos pareceram ganhar ritmo. Ele devia estar pulando também. Foi aí que Cha Eui Jae gritou:
— Não me segue!
— Me diz por que você está agindo assim! Perdeu o juízo? Ou de repente se sentiu culpado?
— Não é isso, então para de me seguir!
— Como eu vou saber se você não diz nada?!
— Você também não diz nada!
— Você está mesmo tendo essa conversa agora? Que diabos você está fazendo?
Lee Sayoung estava furioso.
— Se tem algo para desabafar, pelo menos faça isso num lugar tranquilo e pessoalmente! Isso faz algum sentido, ter essa conversa enquanto desce correndo a escada?!
Ele tinha razão. Cha Eui Jae estava prestes a responder, mas olhou rapidamente para baixo. E congelou. Alguém estava parado junto à porta da saída de emergência, boquiaberto, observando-os.
A julgar pelo uniforme e pelo crachá, parecia ser um membro da Guilda Pado. Ah, eu não pensei nisso. Depois de toda essa gritaria, é claro que alguém ia vir ver o que estava acontecendo!
Cha Eui Jae cerrou os dentes e moveu os pés ainda mais rápido. Tump, tump, tump— ele conseguia ouvir Lee Sayoung soltando um suspiro frustrado atrás de si. A presença atrás dele parecia ainda mais perigosa.
— Você vai parar? Até onde está planejando correr?
Até o inferno!
— Para agora! Senão, como a gente vai conversar, droga!
Mas quanto mais Lee Sayoung pressionava, mais teimoso Cha Eui Jae ficava. Ele não parou. Quanto mais descia, mais pessoas sentia ao redor, e mais membros da Guilda Pado saíam para ver o que estava acontecendo.
Eles arfavam de choque ao ver Cha Eui Jae com sua máscara preta, e gritavam de medo ao ver Lee Sayoung , cheio de fúria, perseguindo-o.
5º andar, 4º andar, 3º andar— estavam se aproximando do saguão. Cha Eui Jae relembrou rapidamente a planta do prédio da Guilda Pado de sua última visita. Se saísse pela porta principal, olhos demais estariam sobre ele. Precisaria se esconder em algum lugar, escapar pelos fundos ou atravessar uma janela. Ótimo. Plano perfeito.
2º andar,
1º andar.
Iiih! Suas botas deslizaram no piso liso. Cha Eui Jae agarrou a maçaneta da porta da saída de emergência. Clac. Ela chacoalhou em sua mão; a porta estava trancada.
Ele olhou para cima para avaliar a situação. Lee Sayoung não parecia nem um pouco cansado, exceto pelo cabelo bagunçado. E era a expressão mais fria que Cha Eui Jae já vira no rosto dele. Seu coração batia de forma errática. Ele não sabia dizer se era por ter descido dezenas de lances de escada ou por causa dele .
Cha Eui Jae agarrou a maçaneta com força. Sem hesitar, chutou a porta.
Bum—!!
Uma luz forte entrou. Cha Eui Jae examinou rapidamente os arredores. Graças ao vidro, o amplo saguão da Guilda Pado era totalmente visível, junto com a vista externa.
Além da entrada principal, havia uma multidão. Num canto do saguão, havia um café interno da empresa, onde vários caçadores da Guilda Pado estavam sentados. Ele reconheceu alguns rostos. Até cruzou olhares com Bae Won-woo, que, em choque, cuspiu o café.
Uma aura ameaçadora pairava atrás dele. Se fosse pego, morreria. Cha Eui Jae disparou para frente. Lee Sayoung , que saíra atrás dele, gritou com urgência:
— Espera, Hyu…!
Lee Sayoung olhou brevemente ao redor e engoliu a palavra “Hyung”, percebendo onde estavam. Em vez disso, chamou por um nome que um dia repetira muitas vezes, muito tempo atrás.
— J!
J olhou para trás, mas só por um breve momento. Voltou a correr como se sua vida dependesse disso. Lee Sayoung absorveu a cena do saguão e soltou uma risada amarga.
— Ah… isso está me deixando louco, sério.
— Ah…
Bae Won-woo soltou um suspiro atordoado. Não tinha sequer mais café para cuspir.
Naquele momento, uma cabeça preta surgiu de repente da sombra de Lee Sayoung . Era Seo Min-gi, usando seus habituais óculos escuros. Ele puxou lentamente a parte de cima do corpo para fora e colocou uma sacola de papel no chão. Tinha o logo de um restaurante coreano próximo. Seo Min-gi piscou, confuso, olhando ao redor.
— Hã?
— …
— Líder de Guilda? Por que o senhor está no saguão? Não estava no seu escritório?
— …Imediatamente.
— Como?
Lee Sayoung , agora observando a figura de Cha Eui Jae desaparecer rapidamente até virar um ponto preto na distância, apontou para ele.
— Vai atrás dele. Agora!
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki