↫─☫ Episódio 176
𓆰𓆪 Episódio 176𓆰𓆪: Frequência
— O que você fez?
— …O quê?
— Eu perguntei o que você fez!
Apesar de ter a gola agarrada, Lee Sayoung apenas piscou com uma expressão vazia, sem demonstrar resistência. Ainda não parecia totalmente consciente.
Mas Cha Eui Jae também não estava em seu juízo perfeito. Ele nem conseguira acalmar o coração acelerado, ainda abalado com a declaração chocante de Lee Sayoung , e agora estava diante dessa realidade inacreditável. Os boatos de namoro, que pareciam nada mais do que conversa fiada, tinham explodido a ponto de serem discutidos até no canal dos Caçadores!
“Que diabos aqueles Mackerels fizeram?”
Disseram que uma ligação esclareceria tudo, mas parece que foram só palavras vazias. Cha Eui Jae rangeu os dentes.
“Teria sido melhor se os boatos fossem de que somos inimigos ou rivais.”
Cha Eui Jae , numa tentativa de trazer Lee Sayoung de volta a si, sacudiu a gola que segurava. A cabeça dele balançou fracamente. Logo, Lee Sayoung fez uma careta e segurou a cabeça.
— Hyung…
— Fala direito.
— Dói…
Cha Eui Jae afrouxou o aperto na gola dele . Ou melhor, sua força simplesmente cedeu. Um gemido escapou dos lábios de Lee Sayoung .
Será que fazia tanto tempo que ele não batia em alguém que perdera o controle da força? Mesmo sendo um nível S, ainda poderia doer? Deve doer, né? Enquanto Cha Eui Jae estava perdido em pensamentos, Lee Sayoung ergueu lentamente o corpo e então enterrou o rosto no ombro de Cha Eui Jae .
O cabelo macio roçando nele despertou Cha Eui Jae . Ele rapidamente agarrou o braço que se enrolara em sua cintura como uma cobra.
— Você está tentando se safar de novo sendo fofo, não está?
— …Hã?
Lee Sayoung , que enterrara o rosto no ombro dele, ergueu a cabeça. Com a bochecha apoiada no ombro de Cha Eui Jae , Lee Sayoung o olhou de baixo com uma expressão emburrada.
— Dói de verdade…
— …
Ele está atuando agora ou está realmente machucado? Cha Eui Jae ainda estava inquieto. Ele olhou para o pescoço pálido e esguio de Lee Sayoung e viu marcas vermelhas onde sua mão estivera. Cha Eui Jae coçou a cabeça. Compartilhar um corpo assim era mais desconfortável do que ele esperava.
— Seu pescoço dói?
— Sim, e a cabeça.
Uma pequena tosse escapou. Cha Eui Jae , agora sem jeito, murmurou enquanto olhava para o vazio:
— …Eu meio que te estrangulei.
— Ah…
Lee Sayoung soltou um suspiro suave, estreitando os olhos. Seus dedos negros roçaram as marcas vermelhas no pescoço. Agora que seus sentidos haviam voltado, seus olhos brilhavam de interesse, a opacidade tendo sumido. Seus lábios se curvaram num sorriso.
— Então essa é a sua, é?
— Não, não é!
Cha Eui Jae gritou de repente. Lee Sayoung , ainda esfregando o pescoço, murmurou:
— Estrangular as pessoas é meio… um mau hábito, não acha?
— Quando eu acordei, não era você, era outro cara ali, então o que eu deveria fazer?
— Ah… E você estrangulou sem dizer uma palavra? Isso é bem violento…
— Aquele cara estava dizendo coisas estranhas.
— Que coisas estranhas?
— …
Cha Eui Jae se calou. Ele não queria repetir as palavras vis que haviam sido ditas. Lee Sayoung se remexeu contra sua cintura, cutucando-o para falar. Quando Cha Eui Jae olhou para baixo, a expressão dele estava surpreendentemente calma, apesar de ter sido possuído e atacado.
Bom, provavelmente era melhor explicar tudo agora do que deixar as coisas saírem do controle. Cha Eui Jae resmungou e começou a falar.
— Ele sugeriu que a gente dormisse junto…
— Hã?
Lee Sayoung franziu a testa. Cha Eui Jae se apressou em esclarecer.
— Só dormir! Dormir literalmente! Nada estranho!
— Eu não ia entender errado, mas agora parece que quem teve pensamentos estranhos foi você, Hyung.
— Cala a boca.
Quando Cha Eui Jae fechou o punho e o sacudiu, Lee Sayoung sorriu e fez um X sobre a boca com os dedos. Ergueu as sobrancelhas.
— Entendi, continua. O que aconteceu depois?
— Aí ele pediu para eu estrangulá-lo mais… Quer dizer, aquele cara é louco? Por que alguém ia querer ser mais estrangulado?
— Ah… E você estrangulou de novo? É por isso que meu pescoço está assim?
— Você está doido? Eu soltei na hora.
— Aff…
Lee Sayoung suspirou fundo, piscando devagar como se estivesse exausto.
— E depois, o que mais?
— E depois…
Cha Eui Jae se lembrou do rosto que continuava sorrindo enquanto ele o estrangulava.
Segundo Hong Yeseong, os “fundamentos” deles eram os mesmos. Por “fundamentos da alma”, devia significar a natureza essencial de uma pessoa. Mesmo que vivessem vidas completamente diferentes, se o núcleo não mudasse, seriam o mesmo ser.
Mas…
— …
— Hyung?
— Mas simplesmente parecia…
Mas o Lee Sayoung que ele acabara de enfrentar lhe dava uma estranha sensação de desconforto. Não por causa da sugestão absurda de dormirem juntos ou do pedido pervertido de ser estrangulado. Se alguém lhe perguntasse de onde vinha o desconforto…
De tudo o que compunha Lee Sayoung .
Na verdade, houvera uma estranha sensação de inquietação desde o primeiro momento em que o viu. Seus olhos, como contas de vidro vazias, não refletiam nada além de Cha Eui Jae .
Dizem que os olhos são as janelas da alma. Mas nos olhos daquele Lee Sayoung não havia alma nenhuma. Eles apenas refletiam o que estava diante deles, como um espelho.
E até a energia que ele emanava parecia estranha. Mais como uma masmorra do que como um humano…
— …
— Simplesmente parecia… errado.
Cha Eui Jae terminou a frase, desconfortável. Lee Sayoung baixou o olhar, pensativo, e lambeu os lábios. Enquanto J observava a língua negra dele deslizar pelos lábios vermelhos, um olhar afiado voltou ao seu rosto.
Ele quase se deixara distrair de novo. Esse cara sabia exatamente como distrair as pessoas com a aparência e os toques antes de deslizar para outra conversa feito uma cobra.
Cha Eui Jae agarrou as duas bochechas dele com as mãos. Os olhos de Lee Sayoung se arregalaram enquanto ele o olhava.
— Enfim, o que você fez?
— Você já não sabia disso?
— Diga você mesmo. Antes que eu invada o mercado de peixes.
— O quê… Eu não fiz grande coisa.
Não fez grande coisa? De jeito nenhum o canal dos Caçadores estaria explodindo por nada. Quando Cha Eui Jae o fuzilou com o olhar, Lee Sayoung deu um sorrisinho.
— Eu só fiz o que você fez, Hyung.
— O que eu fiz?
— Quando te vi dormindo, te peguei no colo e te levei para casa.
Lee Sayoung inclinou levemente a cabeça, piscando. Seus cílios tremularam.
— Isso é crime? Eu só fiz o que você fez, Hyung.
Carregou? A mente de Cha Eui Jae evocou uma imagem associada àquela palavra. Uma imagem nebulosa e de baixa resolução se formou em sua cabeça. A foto de J carregando Lee Sayoung . Naquela ocasião, J havia aninhado Lee Sayoung como uma princesa…
“Porra.”
Arrepios percorreram a espinha de Cha Eui Jae . Ele saltou da cadeira e começou a revirar o quarto. Lee Sayoung ficou sentado no chão, apoiando o queixo num joelho.
— O que você está procurando?
— Cadê meu celular?
— Está comigo.
Lee Sayoung tirou o celular dele do bolso e o entregou. Cha Eui Jae arrancou o celular da mão dele e o ligou rapidamente, conectando-se à internet. A manchete na página principal do portal parecia agourenta.
[Qual é a relação entre Lee Sayoung e J? A Guilda Pado permanece em silêncio…]
Com as mãos trêmulas, Cha Eui Jae clicou na matéria. Enquanto o ícone de carregamento girava por vários segundos, a ansiedade de Cha Eui Jae cresceu.
Tap, tap, tap. Ele batia o pé no chão, nervoso. Assim que a matéria terminou de carregar, Cha Eui Jae se viu encarando os olhos dele . Não o verdadeiro Lee Sayoung diante dele, mas o da foto.
O Lee Sayoung da imagem sorria como se já tivesse visto tudo…
— …
E o homem mascarado jazia quieto em seus braços.
Enquanto Cha Eui Jae congelava, Lee Sayoung se levantou com leveza e caminhou para trás dele. Então pressionou os lábios na nuca de Cha Eui Jae , exposta sob o macio cabelo cinza. O corpo dele enrijeceu em resposta.
Ao mesmo tempo, uma notificação de mensagem atrasada apareceu sobre a foto na tela.
O remetente era:
Ha-eun: Tio, a vovó está perguntando se isso é verdade
O corpo nos braços de Cha Eui Jae tremeu. Lee Sayoung pressionou os lábios na ponta do cabelo de Cha Eui Jae mais uma vez.
— Dizem que não se pode nem beber água descuidadamente na frente de crianças.
***
Cha Eui Jae não ficou com raiva, surpreendentemente. Não, talvez fosse mais preciso dizer que ele não tinha energia para ficar com raiva. Ele simplesmente ficou parado, tremendo com o celular na mão por um tempo, e então de repente empurrou Lee Sayoung , que vinha beijando sua nuca. Cambaleando um pouco, caminhou em direção ao banheiro.
Bam!
A porta bateu.
Clique.
Ele a trancou.
Cada ação fluiu naturalmente como água. Lee Sayoung não lhe disse para abrir a porta nem bateu nela. Em vez disso, puxou uma cadeira de onde pudesse ver a porta do banheiro, sentou-se e esperou em silêncio.
Era meio fofo… Se ele queria se isolar, podia ter escolhido o quarto, mas se esconder num canto como o banheiro? Aquilo era tão a cara dele .
Cha Eui Jae não saiu por uma hora inteira e, tirando um ou outro suspiro pesado ou grito abafado, havia pouco som vindo de dentro.
Lee Sayoung , agora sentado ao contrário na cadeira com os braços apoiados no encosto e o queixo em cima deles, revirou os olhos. Uma vez separado de Cha Eui Jae , o hóspede indesejado dentro dele começou a se mexer de novo. Sua consciência, que estivera focada em Cha Eui Jae , lentamente se voltou para o intruso. A voz de Cha Eui Jae ecoou em sua mente.
— Aí ele pediu para eu estrangulá-lo mais… Quer dizer, aquele cara é louco? Por que alguém ia querer ser mais estrangulado?
Lee Sayoung soltou um suspiro curto.
“Por quê, você pergunta…”
Ele sabia por que o intruso havia agido daquele jeito. Apoiando a bochecha no braço, Lee Sayoung relaxou o corpo.
Alguém que vagou sozinho num mundo à beira da destruição por muito tempo poderia continuar normal?
“De jeito nenhum…”
Como uma grande rocha erodida pela água e pelo vento, tanto o corpo quanto a mente teriam se desgastado aos poucos. Uma vez que tudo estivesse desgastado, até as emoções que antes o consumiam teriam sido corroídas também.
Tristeza, raiva, arrependimento— tudo teria desaparecido. E, no lugar disso, ele teria passado cada dia remoendo nada além de seu propósito.
Só restaria a obsessão.
“Estou certo?”
O intruso não respondeu. Mas Lee Sayoung sabia que estava certo. Ele conseguia sentir a outra versão de si mesmo se contorcendo de desconforto.
Como alguém que perdeu tudo, incluindo o próprio corpo, reagiria ao ter um corpo vivo de novo? Certamente ficaria excitado com estímulos que antes pareciam familiares, mas que agora pareciam estranhos. Especialmente se quem fornecesse esses estímulos fosse Cha Eui Jae …
Lee Sayoung tocou o pescoço, que ainda latejava. Não precisava checar para saber que provavelmente havia um hematoma. Fechando os olhos, ele ouviu o som de água correndo— Cha Eui Jae devia ter aberto a torneira.
Havia algo que fizesse alguém se sentir mais vivo do que os estímulos que Cha Eui Jae proporcionava?
“Se fosse eu, também teria pedido mais…”
Lee Sayoung entendia os sentimentos do outro Lee Sayoung . E isso o perturbava profundamente.
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki