↫─☫ Episódio 169
𓆰𓆪 Episódio 169: Convocação 𓆰𓆪
Cha Eui Jae congelou no lugar, segurando a máscara de gás. Ele só queria provocá-lo um pouco, mas aquela reação era inesperada.
É mesmo algo para se ficar tão constrangido? Ou espera— o Lee Sayoung estava mesmo constrangido? Por algum motivo, as pontas dos dedos de Cha Eui Jae formigaram e, antes que percebesse, sua mão estremeceu.
— …
Lee Sayoung respirou de forma áspera algumas vezes e então arrancou a máscara de gás de volta. Seu rosto avermelhado estava prestes a desaparecer atrás dela quando Cha Eui Jae rapidamente agarrou sua mão. Uma voz baixa e cerrada veio em seguida:
— Sai.
— Ei, espera. Fica parado um segundo.
— Tira a mão.
— Por que você está tentando colocar de volta?
— O que você tem a ver com isso? Eu… quero usar.
O peito de Lee Sayoung arfava sob o sobretudo, e agora ele bufava de frustração, o rosto ficando ainda mais vermelho sob a máscara meio escondida.
Não havia nenhum vestígio da meninice que Cha Eui Jae um dia vira no rosto de Lee Sayoung. As maçãs do rosto afiadas, a mandíbula definida e os olhos mais fundos pertenciam inteiramente a um homem adulto.
Enquanto isso, a entrevista entre os repórteres e o jovem Lee Sayoung continuava na tela.
[— Isto é uma declaração de que vai fundar sua própria facção?]
[— Sim.]
[— Pode nos dizer por que não escolheu a Guilda Samra?]
[— Porque sim.]
[— Algum pensamento sobre seus objetivos futuros?]
[— Isso é mesmo necessário?]
Um murmúrio de admiração escapou dos repórteres, e Cha Eui Jae, quase por reflexo, murmurou um baixinho “Oh”. Ele apertou ainda mais a máscara de gás. Lee Sayoung soltou um palavrão baixo.
— Porra…
— …Pfft.
— Você acha isso engraçado agora?
— …Não?
— Eu realmente não entendo.
Lee Sayoung murmurou com rispidez. O jovem Lee Sayoung na tela disparava uma fala chocante atrás da outra. Era difícil acreditar que alguém de dezoito anos pudesse ter tanta audácia.
Cha Eui Jae, no meio de sua disputa com Lee Sayoung, também estava hipnotizado pela tela. Não conseguia evitar; Lee Sayoung tinha um talento para capturar a atenção das pessoas, para o bem ou para o mal.
— Haah…
Com uma expressão entediada, o jovem Lee Sayoung apoiou o cotovelo no plataforma e o queixo na mão, suspirando deliberadamente alto o bastante para todos ouvirem. O engraçado era que tudo o que ele fazia parecia saído direto de um filme.
Fosse o cabelo penteado para trás com cuidado, o terno perfeitamente ajustado, ou talvez os cílios longos, os olhos violeta sonolentos ou os lábios carnudos levemente entreabertos…
“Mas que…”
Por que estou olhando tão de perto? Cha Eui Jae rapidamente saiu daquele transe e, de repente, uma constatação o atingiu.
Lee Sayoung era mal-educado desse jeito desde a primeira vez em que estava deitado, enrolado em bandagens! Com certeza os outros já deviam ter notado isso em sua personalidade.
Sem conseguir conter a pergunta que crescia dentro de si, Cha Eui Jae finalmente perguntou:
— Você já foi criticado pela sua atitude?
O aperto na máscara de gás afrouxou, e Cha Eui Jae aproveitou a oportunidade para arrancá-la e jogá-la num canto. Mas, em vez de ficar bravo, Lee Sayoung apenas o encarou com uma expressão incrédula, embora o rosto ainda estivesse corado.
— …Porra, é sério que é isso que você quer saber agora?
— Bom… as pessoas não costumam ser criticadas por agir assim? Você ficou de boa?
— Que diabos há de errado com você?
— Você não fica curioso?
— Larga essa maldita curiosidade.
— Você está falando informalmente de novo.
— Argh, essa sua obsessão com formalidade.
Lee Sayoung rangeu os dentes. Um estalo veio de seus nós dos dedos, e seu corpo estava tão tenso que parecia que ele engatinharia para buscar a máscara de gás a qualquer segundo. Cha Eui Jae decidiu mudar de assunto.
— Você não usava a máscara de gás na época?
— …
— Vai, pelo menos isso você pode responder.
— …Não usava.
— Por que não?
— …Disseram que seria melhor não usar na minha primeira aparição pública.
Fazia sentido. Primeiras impressões são cruciais. Embora a máscara de gás certamente chamasse atenção, não era algo que conquistasse as pessoas. Se ele tivesse aparecido usando aquilo, as pessoas poderiam ter achado que era algum lunático— exatamente como Cha Eui Jae achou quando se conheceram no beco dos fundos.
— Escolha inteligente.
— …
Cha Eui Jae olhou de novo para a tela. O jovem Lee Sayoung, oscilando na fronteira entre a adolescência e a vida adulta, fazia o possível para responder às perguntas, apesar da expressão entediada. É claro que suas respostas não eram exatamente sinceras.
Teria sido divertido ver aquilo pessoalmente.
— Eu perdi a chance de ver isso com meus próprios olhos.
Talvez fosse de se esperar, mas o arrependimento que escapou da boca de Cha Eui Jae vinha de um lugar mais profundo— a parte dele que queria ver a jornada pela qual Lee Sayoung passara enquanto ele vagava pela fenda do Mar do Oeste.
Ele estava curioso. O que tinha acontecido com Lee Sayoung? Pelo que ele passou? O que ele pensava? Cha Eui Jae não queria só fragmentos de informação; queria saber tudo.
— Eu realmente perdi…
Ele sentiu uma estranha sensação de perda. Uma parte dele lamentava não ter estado presente na jornada de Lee Sayoung.
Talvez ele só quisesse se agarrar um pouco mais à imagem do jovem Lee Sayoung. Seu aperto nos pulsos de Lee Sayoung afrouxou. Lee Sayoung não desperdiçou a oportunidade.
— Hã—?
De repente, uma força forte agarrou seu braço, e sua visão girou. Instintivamente, Cha Eui Jae se preparou para rolar e amortecer a queda, mas não foi necessário. Uma mão grande já sustentava sua nuca.
Aquela mão grande pousou delicadamente a cabeça de Cha Eui Jae sobre o pufe. Antes que percebesse, ele estava deitado no pufe, e Lee Sayoung estava montado sobre ele. J piscou. O rosto sombreado de Lee Sayoung acima dele estava vermelho.
— Por que você…?
A mão de Lee Sayoung se moveu em seguida, procurando o controle remoto para desligar o projetor. Bipe. A luz foi diminuindo lentamente, e o vermelho do rosto de Lee Sayoung se dissolveu na escuridão. Uma escuridão completa desceu.
— …
Respirações suaves se aproximaram. O som do sobretudo longo farfalhando, tecido roçando em tecido. A mão de Lee Sayoung pousou sobre o abdômen de Cha Eui Jae. Instintivamente, ele prendeu a respiração, contraindo o abdômen.
A mão que pressionava seu abdômen se moveu, desabotoando habilmente os botões do paletó bem fechado de Cha Eui Jae. Então subiu, os dedos alcançando o nó de sua gravata.
Dedos deslizaram pelo nó. Cha Eui Jae agarrou nervosamente o pufe acima da cabeça. O pufe estalou sob seu aperto.
— Sayoung…
— Fica quieto.
A gravata deslizou suavemente para fora. Cha Eui Jae podia sentir as cócegas do tecido roçando seu pescoço enquanto era puxado. Por que ele está fazendo isso de repente? Antes que Cha Eui Jae pudesse organizar os pensamentos, dedos enluvados já mexiam na gola de sua camisa. Um a um, os botões se abriram.
Dois botões depois, Cha Eui Jae finalmente recobrou os sentidos e agarrou a mão enluvada de Lee Sayoung.
— Por que você está abrindo minha camisa? O que está acontecendo?
— Eu disse para ficar quieto…
Lee Sayoung resmungou, irritado. Quem é que deveria estar irritado agora? Cha Eui Jae ficou sem palavras.
Naquele momento, uma dor aguda atravessou seus dedos. Cha Eui Jae congelou. Lee Sayoung estava mordendo seus dedos, mordiscando-os com força.
“Você é um cachorro?”
Cha Eui Jae engoliu as palavras que subiam por sua garganta. Sinceramente, ele não podia falar muito, considerando que ele também já tinha mordido os dedos de Lee Sayoung antes.
Então, algo quente e úmido roçou seus dedos. Cha Eui Jae reprimiu um gritinho. Lee Sayoung estava lambendo seus dedos agora. Os dedos dele se curvaram involuntariamente. Ele gaguejou uma pergunta:
— P-por que, por que você está fazendo isso?
Algum dia, eu vou abrir o cérebro dele e dissecar o seu raciocínio. Cha Eui Jae não conseguia acompanhar a linha de pensamento de Lee Sayoung. Toda vez que a língua dele roçava seus dedos, uma sensação de cócegas fazia Cha Eui Jae se contorcer. Ele mordeu seus dedos uma última vez antes de soltá-los. Cha Eui Jae recolheu a mão às pressas.
— Liga o projetor de novo.
— …Você é mesmo inacreditável.
O rosto de Lee Sayoung se aproximou. Cha Eui Jae se apoiou nos cotovelos, prestes a se sentar, mas parou. Sem aviso, lábios pressionaram o topo de sua máscara.
Os lábios desceram lentamente em direção à parte da boca da máscara, parando perto dela. Cha Eui Jae prendeu a respiração. Ele não conseguia sentir o beijo, mas sabia que Lee Sayoung estava pressionando os lábios contra ele.
— Você fala demais…
— …
Uma mão enluvada deslizou entre a máscara e o queixo de Cha Eui Jae. Clique. A máscara se ergueu levemente, sem resistência. Os dedos negros acariciaram delicadamente a pele por baixo, traçando seu queixo e seus lábios. A voz de Lee Sayoung, um pouco trêmula, perguntou suavemente:
— Você lembra? Daquela vez. Quando você levantou um pouco a máscara para me deixar tocar seu rosto.
Cha Eui Jae engoliu em seco involuntariamente. O polegar de Lee Sayoung pressionou seu lábio inferior.
— Naquela noite… Você não sabe o quanto eu perdi o sono por causa disso.
— …
— Eu ficava me perguntando como seria seu rosto por baixo da máscara…
A mão que acariciava seu rosto agora não se parecia em nada com a mão do menino de antes.
— Eu…
A máscara, antes só um pouco erguida, agora foi removida por completo. Clac. Ela caiu no chão com um som distinto.
— Eu gosto de nós… porque somos especiais.
Esta mão era muito maior e mais firme do que a de sua memória e, acima de tudo…
— Mais do que qualquer outro Lee Sayoung e Cha Eui Jae.
Era gentil.
Se o vazio do tempo nos trouxe até onde estamos agora,
Se a perda nos fez quem somos,
Um calor, como uma onda, envolveu seus lábios. Cha Eui Jae fechou os olhos e aceitou aquele calor.
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki