↫─☫ Episódio 168
𓆰𓆪 Episódio 168: Convocação 𓆰𓆪
A primeira prioridade de Lee Sayoung era encontrar Cha Eui Jae. Seu olhar, que vagava sem rumo, finalmente se voltou para baixo. Então, ele franziu a testa.
Cha Eui Jae estava meio deitado num pufe macio, encarando Lee Sayoung. A mesinha baixa ao lado dele estava abarrotada de todo tipo de petisco. A máscara preta que ele usava reluzia sob a luz da tela.
“Mas que…”
Ele achou que Cha Eui Jae estaria botando aqueles Mackerels na linha.
Lee Sayoung parou onde estava. Eui Jae puxou outro pufe para perto de si e deu tapinhas no assento ao seu lado.
— Vem sentar.
Por que ele parece tão confortável?
— Hyung~nim~
Naquele instante, o Mackerel mais novo, de cabeça baixa, surgiu segurando um saco de pipoca recém-estourada ainda fumegando. O Mackerel sorriu e se ajoelhou sobre um joelho, oferecendo a pipoca como um buquê de rosas. A expressão de Lee Sayoung azedou ainda mais.
— Hyung-nim, eu trouxe pipoca. Ah? O líder de guilda também está aqui. Prazer em conhecê-lo!
O Mackerel mais novo acenou em cumprimento, mas o gesto passou despercebido por Lee Sayoung. Sua mente estava tomada pela chocante forma de tratamento.
“Hyung-nim?”
Inacreditável. Seus lábios se torceram num sorriso irônico. A julgar pela atitude do Mackerel mais novo, parecia que Cha Eui Jae já havia estabelecido sua autoridade. Ele queria tanto assim ser chamado de “hyung”? Lee Sayoung cruzou os braços. Cha Eui Jae, enquanto isso, desviou o olhar dele e balançou a cabeça.
— Eu já disse, não vou comer.
— Não se preocupe, hyung-nim. Eu saio assim que você começar a comer.
— O que te faz pensar que eu vou tirar a máscara?
— Quer que eu redija um contrato? Você pode ser a parte principal.
— Não, obrigado.
— Ãh, hum…
Desta vez, um Mackerel sombrio apareceu, estendendo nervosamente uma bandeja. Sobre a bandeja havia um copo de sikhye gelado. Ah, ótimo, dei de cara com os dois. Lee Sayoung inclinou levemente a cabeça.
Ele sabia que eles procurariam Cha Eui Jae, mas não esperava que os dois aparecessem. Só mostrava o quanto J era importante para eles…
— O q-que acha disso…
— Por que sikhye de repente?
— É f-feito pelo mestre artesão.
— Por que as coisas daquele cara estão aqui?
— É a-algo que conseguimos numa negociação.
— Pelo amor de Deus. Hyung, com pipoca tem que ser refrigerante.
— Ah… devo ir buscar uma c-coca?
A conversa absurda continuava a espiralar em disparates. Agora que prestava atenção, Cha Eui Jae, de terno, parecia uma espécie de imperador decadente. Jogasse um cobertor vermelho sobre ele, e não seria diferente de um rei. Os dois Mackerels se curvando e bajulando ao lado dele poderiam ser seus eunucos ou burocratas. Lee Sayoung observava a cena se desenrolar de braços cruzados, curioso para ver até onde iriam.
Ele batia o dedo no braço. Mais do que tudo…
“É irritante…”
É claro que ele queria que Cha Eui Jae fosse feliz. Mas mesmo assim.
Enquanto Lee Sayoung o observava em silêncio, chamou Cha Eui Jae num tom mecânico:
— Caçador J.
Cha Eui Jae, que conversava com os Mackerels, imediatamente ergueu a cabeça ao ouvir seu nome de caçador. Apontou para si mesmo, perguntando com um pouco de hesitação:
— …E-eu? Está falando comigo?
Apoiado no batente da porta, Lee Sayoung o olhou fixamente antes de sorrir. Desta vez, chamou de forma mais deliberada, enfatizando cada sílaba:
— Sim, Caçador J.
— …Hã?
Cha Eui Jae largou o controle remoto que segurava. A tensão ficou visível enquanto seus ombros e braços enrijeciam. O Mackerel mais novo sussurrou no ouvido do Mackerel mais velho:
— Acho que a gente não devia estar aqui.
— A gente devia… a gente devia sair?
— Vamos dar o fora daqui.
— T-tá.
Talvez por causa da experiência como corretores de informação, o Mackerel mais novo piscou para Lee Sayoung antes de levar o mais velho embora.
Com apenas os dois restando na sala mal iluminada, Lee Sayoung fechou a porta atrás de si. Tump. Clique. Fez questão de trancá-la. Embora ainda estivesse sob a influência dos Mackerels, e não pudesse escapar completamente de seus olhos atentos…
“Se tiverem algum juízo, não vão espiar por um tempo.”
Lee Sayoung colocou as mãos nos bolsos do sobretudo e se aproximou lentamente. Cha Eui Jae, meio agachado, ergueu o olhar para ele.
Ele já conseguia adivinhar a expressão por trás daquela máscara preta. Aquele olhar perplexo de quem se pergunta: “Por que ele está agindo assim? O que eu fiz de errado?” Só então ele se sentiu um pouco mais satisfeito. O nervosismo no rosto de Cha Eui Jae também era meio fofo.
‘“Esse cara… Não é muito bom com pessoas.”
Então por que atrai tantos esquisitos?
Se você tira os olhos dele por um momento, ele já fez amizade com algum excêntrico. Ele tem senso de cautela ou não? Estava todo inflamado para botá-los na linha, e já baixou a guarda e os seguiu até esse lugar afastado. Será porque está sozinho e anseia por interação? Mesmo assim, como pode ser tão descuidado?
Lee Sayoung começou a analisar os pensamentos de Cha Eui Jae, alheio ao fato de que ele próprio havia sido considerado um “esquisito” no passado. Sem perceber que estava levando seu Hyung à beira do desespero.
Enquanto isso, Cha Eui Jae estava prestes a perder a cabeça.
‘“Que diabos há com ele?”
Caçador J. Era um título que ele ouvira de muitos outros. Em algum momento, as pessoas pararam de usar o “Caçador” e passaram a chamá-lo apenas de “J”. Mas, do passado até agora, mesmo depois do reencontro, era a primeira vez que Lee Sayoung o chamava assim. Droga.
Cha Eui Jae começou a repassar suas ações na mente. Será que fiz algo errado de novo? Eu só segui a Jang Mi-sook até aqui como me mandaram. É porque os Mackerels estavam por perto que ele me chamou assim? Mas precisava me chamar de forma tão fria? A inexplicável sensação de mágoa logo deu lugar à irritação.
Lee Sayoung, caminhando em sua direção como o vilão de um filme de terror slasher, apenas ficou ali parado, observando Cha Eui Jae em silêncio. Por fim, foi J quem quebrou o silêncio.
— …Por que você me chamou assim?
— Hmm? Chamei de quê?
— Você sabe, Caçador J.
— Ah.
Lee Sayoung soltou um pequeno som de compreensão e então riu baixinho.
— Você parece estar se dando bem com os Mackerels. Já estão até se chamando de hyung e tudo…
Esse é mesmo o maior problema aqui? Não havia como acompanhar o raciocínio de Lee Sayoung. Cha Eui Jae segurou a cabeça, frustrado.
— Eu não pedi para eles me chamarem assim. Eles fizeram isso por conta própria.
— Claro, tanto faz. Por que você não está na Pescados Jangmi? E sem a máscara de gás?
— Eu estava lá no começo. Mas aí eles… descobriram que eu era o J?
— Você não disse que ia dar uma surra neles?
— Não, bom, depois de conversar com eles, percebi que não eram tão ruins assim.
Cha Eui Jae se lembrou do que havia acontecido mais cedo.
Na Pescados Jangmi, depois de estilhaçar a luz com os hashis, Cha Eui Jae aproveitara a escuridão para avançar sobre os Mackerels. Eles se debateram como peixes, tentando escapar, mas Cha Eui Jae foi mais rápido. Ele tinha um deles numa gravata quando o Mackerel mais novo, sufocando, gritou:
— Qual é o seu problema?!
— Seus moleques, quem mandou vocês publicarem aquela matéria ridícula?!
— Mas… se a gente não publicar coisas assim, o J-ssi nem nota a gente!
Que fala de história em quadrinhos é essa? Cha Eui Jae ficou pasmo. Ele afrouxou um pouco o aperto, curioso com o que o Mackerel diria em seguida. O mais novo se debateu.
— Outros caçadores fazem reserva só para encontrar a gente, mas, mesmo você estando ativo de novo, J-ssi, você nunca vem nos ver!
Bom… o Seo Min-gi coleta todas as minhas informações de qualquer forma, então eu nunca tive motivo para vir. Em sua mente, uma imagem estoica de Seo Min-gi passou fazendo sinal de V. O Mackerel mais novo cobriu o rosto com as mãos, fingindo chorar.
— A gente tem tanta informação para o J-ssi. Estávamos guardando para o dia em que você finalmente viesse! Como você não entende o que a gente sente? Seu bobo.
— Informação? Que tipo de informação?
— G-gostaria de ir até a sala de vídeo?
— A sala de vídeo?
— Sim. Venha ver por si mesmo antes de decidir. Vamos garantir que a matéria seja retirada e corrigida como falsa. Até amanhã de manhã, tudo vai estar esclarecido.
— Vocês acham que conseguem abafar isso?
— Não se preocupe. Vamos soltar ao mesmo tempo as histórias escandalosas de alguns outros caçadores. Tenho certeza de que você já ouviu falar de Lee Won-ho e Kang Du-chil?
Eram nomes que ele achava ter ouvido em algum lugar. Clientes do restaurante de sopa de ressaca, talvez? De qualquer forma, as táticas experientes desses “corretores” eram algo que nenhum criminoso poderia sonhar em acompanhar. Cha Eui Jae acabou sentado na sala de vídeo, esperando Lee Sayoung chegar.
— Se tentarem alguma gracinha, eu viro esse lugar de cabeça para baixo.
— Eu jamais ousaria, senhor!
Sabendo que tinha força para cumprir aquilo, ele tomara essa decisão.
— …
A expressão de Lee Sayoung por trás da máscara de gás era ambígua, como se não soubesse bem o que pensar daquela situação. Cha Eui Jae deu tapinhas mais uma vez no pufe vazio ao seu lado. Lee Sayoung sentou-se em silêncio na beirada do pufe e olhou para a tela. O projetor piscou do lado direito dele. Cha Eui Jae pegou o controle remoto e o limpou.
— Olha, esses caras me mostraram um monte de coisa. Foi interessante, até útil.
— …O que eles te mostraram?
— A última coisa foi um panorama das mudanças nas dinâmicas de poder entre os rankers e as guildas depois da fenda do Mar do Oeste, e agora isto…
Cha Eui Jae apertou o botão de reprodução. A tela preta mudou para revelar:
[— Você acabou de despertar e imediatamente conquistou o primeiro lugar do ranking. Em qual guilda pretende entrar?]
Clique, clique, clique. Flashes de câmeras dispararam. Um jovem, ainda com traços de menino, estava sozinho no palco, de terno. Seu cabelo preto estava cuidadosamente penteado para trás, e seus longos cílios tremulavam a cada piscada. Apesar de estar diante de incontáveis repórteres e câmeras, não demonstrava sinal algum de nervosismo. Na verdade, parecia entediado, o rosto refletindo um claro cansaço. Seus lábios carnudos se moveram levemente.
[— Não pretendo entrar em nenhuma guilda.]
— Esta é a primeira entrevista que você deu depois de se tornar caçador.
— …
— Uau, você era tão novo, tão novo. Quantos anos você tinha na época? Dezoito?
Tump! A mão de Lee Sayoung, prestes a golpear o projetor sem hesitação, foi segurada com firmeza.
— Ei, por que você está tentando quebrar isso?
— …
Lee Sayoung fechou o punho, as articulações estalando audivelmente. Ele sentiu a tensão no pulso e no braço que segurava. Parecia pronto para golpear Cha Eui Jae a qualquer momento.
Cha Eui Jae, sentindo a pressão aumentar, chegou um pouco mais perto e estendeu a outra mão. Ele já tinha feito aquilo algumas vezes e, a essa altura, estava bastante habilidoso em soltar os fechos da máscara de gás de Lee Sayoung. Deslizando os dedos entre as tiras, ele removeu a máscara que cobria o rosto de Lee Sayoung.
Sob o cabelo preto desgrenhado, seu rosto pálido estava vermelho.
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki