↫─☫ Episódio 170
𓆰𓆪 Episódio 170: Convocação 𓆰𓆪
Lábios macios tocaram os seus, e uma língua espessa passou pela fresta entreaberta, explorando o interior de sua boca. Não havia hesitação em seus movimentos, como se já tivesse feito aquilo várias vezes. Como se pretendesse devorá-lo por inteiro, duas mãos grandes envolveram seu rosto, esfregando suas bochechas e fazendo cócegas em suas orelhas.
Farfalhar. Seu aperto no pufe se intensificou. Seu corpo se contorceu instintivamente.
Eu não consigo respirar.
Era como estar sendo devorado. Um formigamento agudo desceu por sua espinha. Cha Eui Jae estendeu as mãos, tateando para agarrar o corpo sobre ele. Quando segurou os ombros firmes, os lábios se separaram com um som úmido. Um polegar pressionou entre seus lábios.
— Respira.
Ah. Um pequeno som de surpresa escapou. Ele devia estar prendendo a respiração sem perceber. Quando as vias aéreas de repente se liberaram, uma pequena tosse escapou. Seu peito subia e descia a cada tossidinha. Lábios roçaram sua bochecha.
— Achei que você já tivesse se acostumado…
Uma voz gentil perguntou:
— Quando você vai se acostumar com isso?
Seu corpo tremeu. Quando a tosse diminuiu, a mão que acariciava seu rosto deslizou por seu pescoço e pousou em seu peito.
Tum, tum, tum. Seu coração batia mais rápido do que nunca sob a mão grande. Um calor morno pressionava seu coração. Cha Eui Jae cobriu os olhos com o braço e tentou estabilizar a respiração. Uma voz tingida de riso sussurrou em seu ouvido:
— Você tem que respirar pelo nariz.
— Tira a mão…
— Seu coração está batendo rápido demais…
Naquele momento, uma tensão percorreu todo o seu corpo.
Ah, droga. Cha Eui Jae praguejou em silêncio para si mesmo. Como uma pessoa viva poderia esconder o som dos próprios batimentos? É impossível, a não ser que se esteja morto. Uma risadinha baixa chegou a seus ouvidos. A mão pressionando seu coração parecia uma pedra pesada. Mas, em vez de se sentir sufocado, ele estranhamente se sentia à vontade.
“Espera um pouco.”
Cha Eui Jae recuperou o fôlego, os olhos se arregalando. O som fraco de passos que ele ouvira ao longe agora ficava mais alto. Cha Eui Jae estava prestes a se sentar, agarrando a mão em seu peito, quando—
Toc, toc. Houve uma batida na porta.
— Com licença, hyung-nim? Posso entrar?
O som das respirações deles, pesadas na escuridão, parou abruptamente. Cha Eui Jae revirou os olhos, procurando a máscara. Percebendo que a atenção de Cha Eui Jae havia mudado, Lee Sayoung o fuzilou com o olhar.
Mas Cha Eui Jae não tinha presença de espírito para ler a expressão. De jeito nenhum ele deixaria os fãs do J, os Mackerels, o verem assim! Ele rapidamente estendeu a mão e agarrou a máscara que estava no chão.
Justo quando ia colocá-la, seu queixo e seu pulso foram agarrados. Cha Eui Jae sussurrou com urgência:
— O que você está fazendo?
— Eu é que pergunto. O que você está fazendo agora?
— Estou tentando cobrir meu rosto!
— Tsc.
Lee Sayoung zombou.
— A gente nem começou ainda.
— Como assim “nem começou”! Sai de cima! Tem alguém entrando.
— Então tranca a porta.
— Eu vi aquele cara atravessar a parede. Se você não deixar ele entrar, ele vai atravessar a parede.
— Ah… então você viu isso também?
Cha Eui Jae o fuzilou com o olhar.
— “Você viu isso também?” Como ousa falar comigo informalmente— você está louco?
— Hah…
Lee Sayoung soltou seu pulso com um gesto brusco. Ao mesmo tempo, seu cabelo macio roçou o pescoço de Cha Eui Jae. Houve um som de ranger quando Cha Eui Jae cerrou os dentes.
— Por que tem tanta gente atrapalhando…?
Ele deveria mesmo ficar chateado com isso? Cha Eui Jae ficou perplexo. Aquele não era o espaço dos Mackerels, para começo de conversa? Não é nem um lugar apropriado para esse tipo de coisa…
“Droga, no que é que eu estou pensando?”
Cha Eui Jae gritou em silêncio, segurando a cabeça. Qual é o lugar apropriado para isso, afinal? Claramente, ele estava completamente sob algum tipo de feitiço naquela escuridão. Ele rapidamente enfiou a máscara no rosto. Seu coração, que batia descontrolado, começou a se acalmar.
Quando apertou o controle para ligar o projetor, a luz inundou a sala. Cha Eui Jae olhou para Lee Sayoung, que ainda estava sobre ele.
Lee Sayoung, que havia enterrado o rosto no pescoço de Cha Eui Jae, ergueu lentamente a cabeça.
Qualquer um podia ver que ele estava emburrado. Seu desagrado era evidente, e até seu pescoço estava vermelho de calor. Quando Cha Eui Jae estendeu a mão, fingindo ajeitar o cabelo bagunçado de Lee Sayoung, ele o colocou atrás da orelha. Através das mechas de cabelo preto, a ponta de uma orelha vermelha apareceu. Uma risadinha suave escapou.
— Por que você está rindo?
— Bom… parece que você também precisa de uma máscara de gás.
— …
Toc, toc. Outra batida veio da porta.
— Com licença~ Clientes? Se não responderem, vamos simplesmente abrir a porta e entrar. É urgente.
Cha Eui Jae ergueu a voz para responder:
— Espera só um segundo!
— Ah, hyung-nim! A gente achou que você tinha dormido. Estávamos prestes a chamar um chaveiro. Pode abrir a porta, por favor?
O Mackerel mais novo falou num tom educado. Cha Eui Jae jogou uma máscara de gás para Lee Sayoung e se levantou. O rosto corado de Lee Sayoung rapidamente desapareceu atrás da máscara. Cha Eui Jae esfregou a nuca, sem jeito, e estava prestes a agarrar a maçaneta quando Lee Sayoung, mexendo na tira da máscara, chamou:
— Espera, Hyung…!
Clique.
— …
— …Hã?
Cha Eui Jae olhou de volta para dentro da sala e então voltou a atenção para os Mackerels parados na porta agora aberta. O Mackerel mais velho gaguejou “Ãh, ãh”, enquanto o mais novo rapidamente cobriu os olhos do irmão com a mão.
— Hah…
Lee Sayoung soltou um suspiro profundo, como se tivesse vindo se acumulando no fundo do peito. Ele se aproximou e parou firme atrás de Cha Eui Jae. Um dedo cutucou dolorosamente suas costas.
— Por que… ah.
Só então Cha Eui Jae tomou consciência de sua aparência. O cabelo, bagunçado pela disputa de antes, e a camisa, meio desabotoada até a clavícula, graças ao trabalho de Lee Sayoung. A camisa e o paletó estavam amarrotados além do reconhecível, e a gravata— onde é que ele tinha jogado aquilo? Em sua mente, um campo de flores desabrochou, acompanhado de uma voz misteriosa.
Ah~ Tô fodido~
Usando nada além do uniforme de combate quando era J, e vestindo casualmente moletom e avental como funcionário de meio período— esse era o carma cobrando a conta. Ele nunca prestava atenção em roupas, então! Mas seus instintos de sobrevivência, que brilhavam mais nos momentos de crise, entraram em ação. Cha Eui Jae se apoiou no batente da porta, adotando uma pose despreocupada.
— Desculpa. A gente teve um pequeno desentendimento.
— Como?
— Uma briguinha.
— Uma… uma briga?
O Mackerel mais velho, cujos olhos ainda estavam cobertos, gaguejou. Cha Eui Jae respondeu com naturalidade:
— Eu mostrei a ele um vídeo de quando ele era criança, e ele de repente pulou em cima de mim, dizendo para eu não assistir. Aí a gente teve um pequeno embate.
— …
O olhar que queimava sua nuca era intenso. Parecia que podia abrir um buraco na parte de trás de seu crânio. Bom, tecnicamente, não era mentira. O que eles tinham acabado de fazer também era um tipo de embate, não era? As palavras fluíam tão suavemente como se sua língua estivesse untada.
— É a primeira vez que eu brigo de terno, então não sabia como arrumar depois. Mas nada na sala quebrou.
— B-brigas n-não são permitidas.
— É. Desculpa.
— Não, n-não precisa se desculpar… Poderia… t-tirar a mão?
— Ah, certo~ Foi mal.
O Mackerel mais novo sorriu e tirou a mão dos olhos do irmão. O olhar do Mackerel mais novo, que cruzou brevemente com o de Cha Eui Jae, era bastante malicioso, mas Cha Eui Jae o reprimiu em silêncio com um punho cerrado. Enquanto abotoava a camisa, perguntou:
— Então, qual é a notícia urgente?
— Ah! A notícia urgente. Bom… tchã-rã.
O Mackerel mais novo estendeu de repente um tablet. Uma foto estava sendo exibida. Cha Eui Jae apertou os olhos. Lee Sayoung, que estava atrás dele, inclinou a cabeça para olhar por cima do ombro de Cha Eui Jae. Na foto…
— …O que é isso?
Uma sala de cirurgia totalmente branca, com um homem deitado na mesa, conectado a várias máquinas. Seu corpo estava coberto de cortes de faca. E, de pé diante da mesa, segurando um bisturi numa mão e uma aura branca brilhante na outra, estava um homem. O bisturi estava prestes a ser cravado no homem sobre a mesa.
Um jaleco branco e longos cabelos brancos presos numa única trança. Cha Eui Jae já havia visto alguém vestido assim antes.
— …Nam Woo-jin?
— Na mosca!
— Por que uma foto do Nam Woo-jin?
— Olha com mais atenção quem o doutor está dissecando. Você pode não tê-lo conhecido pessoalmente, mas provavelmente viu o rosto dele no vídeo que acabei de te mostrar.
— …Ah.
— Tsc.
Lee Sayoung estalou a língua. Seu braço contornou o peito de Cha Eui Jae, dando zoom na imagem. Cha Eui Jae também reconheceu o homem de olhos fechados.
— Matthew. Onde vocês conseguiram essa foto?
— Tem um site na dark web. É para quem apoia a Pro… Prometheus. Não dá nem para se cadastrar sem convite e indicação.
O Mackerel mais novo interveio:
— O líder de guilda Lee Sayoung, que ficou enfurnado por três meses, deveria começar pelo básico. Bom… o site abriu depois do Dia da Mudança, mas no começo não se falava muito dele. Mas então…
O Mackerel mais novo pegou o tablet de volta e tocou em algo antes de entregá-lo de novo. Uma tela preta com uma chama ardente apareceu, seguida de linhas de texto branco em vários idiomas.
[O apocalipse deve ser evitado pelo poder humano.]
A mesma frase se repetia em vários idiomas. Cha Eui Jae franziu a testa. O Mackerel mais novo deu de ombros.
— Umas duas semanas atrás, o número de membros começou a disparar.
Duas semanas atrás. Isso coincidia com a época em que o sumiço de Lee Sayoung começou a vir à tona, e as ações de J passaram a ser tidas como garantidas.
— …
— Essa foto também veio desse site. Parece que tem apoiadores até dentro da Guilda Seowon, né?
— Como vocês entraram?
— Se a gente não conseguisse entrar em lugares assim, como poderíamos nos chamar de informantes? Vejamos…
O Mackerel mais novo tocou na tela várias vezes e então uma animação flamejante se acendeu. Uma página de fórum apareceu, exibindo idiomas do mundo inteiro. Ele tocou na bandeira da Coreia, e um fórum em coreano apareceu.
Um instante depois, uma pequena janela pop-up com longas linhas de texto vermelho apareceu no centro da tela.
[Não tema se testemunhar a paisagem do apocalipse que já chegou.]
[É a prova de que você foi escolhido pelo apocalipse.]
[Não confie no sistema que espalha caos e destruição pelo mundo.]
[Não confie nos caçadores que lutam usando o poder do sistema.]
[Confie apenas em si mesmo, que testemunhou o apocalipse. Só pelo poder humano podemos superar o fim.]
— Que tipo de seita…
Sempre houve gente pregando sobre o fim do mundo. Depois do Dia da Fenda, quantos profetas do apocalipse haviam surgido? É claro que nenhum deles jamais acertou. Cha Eui Jae clicou no “X” para fechar o pop-up. Outra janela logo apareceu, com um texto ainda mais vermelho do que antes.
[Não confie no herói J.]
[Ele é um traidor que abandonou o mundo e fugiu.]
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki