↫─☫ Episódio 166
𓆰𓆪 Episódio 166: Convocação 𓆰𓆪
Lee Sayoung franziu levemente a testa.
— …Matthew? Por quê?
— O médico continua examinando-o, mas o estado dele não melhora. Seja por causa daquela maldita droga ou de outra coisa, nem poções nem habilidades de cura estão funcionando…
— …
A ponta do dedo enluvado traçou a borda da xícara. O Matthew se feriu? Ele já não estava morto? Não me lembro de ouvir nenhum relatório sobre problemas com a segurança dele. Pensamentos que eram seus e que não eram se emaranhavam numa bagunça. Ele soltou um longo suspiro, e um chiado escapou de sua máscara de gás.
“Nesse ritmo…”
Parecia improvável que ele conseguisse trabalhar direito por um tempo. Lee Sayoung fechou o punho com força antes de soltá-lo.
Aquela sensação de movimento atrasado, a sensação desagradável de que seu corpo não era de fato seu, não dava sinal de desaparecer. Se baixasse a guarda nem que fosse um pouco, uma presença indesejada o empurraria para o lado e tomaria o controle de seu corpo. Mesmo depois de se agarrar a Cha Eui Jae em casa e mal recuperar uma sensação de controle, continuava assim.
Honeybee, que vinha resmungando com a testa profundamente franzida, ergueu o olhar. Estreitou os olhos enquanto examinava a máscara de gás.
— …Você me ouviu? Sobre as drogas e o Matthew? Eu pedi que ele te passasse isso.
— Para quem?
Do que ela estava falando? Drogas? Existia mesmo algo como drogas? A mente de Lee Sayoung parecia enevoada, como se tateasse numa névoa densa. Era como ser uma criança perdida, vagando sem rumo. De um jeito desagradável.
Honeybee, apoiando o queixo na mão, perguntou:
— Vocês não estão trabalhando com o J? Sua guilda. O J disse que ia passar a mensagem.
— …J?
J. Cha Eui Jae. Ele ficara elegante de terno. Ao se lembrar da imagem dele de pé ao seu lado não fazia muito tempo, sua mente finalmente começou a se mexer. O Hyung mencionou algo assim?
— …Ah.
Lee Sayoung finalmente soltou um pequeno suspiro de compreensão. Agora que pensava nisso, parecia que o Hyung tinha dito algo do tipo. Quando ele agarrou Cha Eui Jae, que estava rondando perto da porta, o que ele disse? Algo sobre o Matthew e como era importante passar adiante.
É claro que aquilo entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Ele estava tonto demais para se importar com os assuntos de outro homem. Na verdade, ele ignorara de propósito, irritado por o Hyung estar falando de outra pessoa na frente dele.
Lee Sayoung respondeu com indiferença:
— Eu ouvi.
— Mesmo?
— Só precisava de um lembrete.
Ele de fato ouvira. Só deixara escapar. Honeybee o fuzilou com desconfiança. Lee Sayoung deu de ombros e bateu de leve na têmpora.
— Não estou exatamente no meu juízo perfeito esses dias. Desculpe por isso.
— Você nunca esteve no seu juízo perfeito.
— Haha…
— Não aja como se algum dia tivesse estado. Todo mundo sabe que você é louco.
Honeybee retrucou com rispidez e tirou uma pequena pasta do inventário, entregando-a a ele. Enquanto passava rapidamente os olhos por ela, algumas palavras chamaram sua atenção. Guilda Samra, drogas, Matthew, vício… todas palavras-chave familiares. Ele torceu os lábios num sorriso.
— …Você andou aprontando algo interessante.
— Me passe as informações relacionadas às drogas. É isso que eu quero.
Lee Sayoung inclinou a cabeça enquanto espiava Honeybee por cima da pasta.
— E se eu passar?
— Está perguntando sério? A gente acaba com eles. Encontramos uma pista para tratar o Matthew também.
— Não… isso não é da minha conta.
Tump. Uma mão enluvada pousou a pasta sobre a mesa. Lee Sayoung entrelaçou as mãos e apoiou o queixo nelas. Sua máscara de gás se inclinou levemente enquanto ele pendia a cabeça para o lado.
— Estou perguntando… o que você vai me dar em troca.
— …
— Ah. Você não estava planejando pegar essa informação valiosa de graça, estava? É mesmo tão cara de pau e irracional assim?
Bam!
Honeybee socou a mesa e se levantou, fuzilando Lee Sayoung com o olhar. Seus olhos castanhos e brilhantes faiscavam de raiva.
— Não me irrite desse jeito. Eu não pretendia pegar de graça. O que você quer?
— Hmm, deixa eu ver…
Lee Sayoung respondeu sem esconder o tédio.
— Sinceramente, não há muita coisa que eu queira…
— O quê?
— Duvido que você pudesse me dar o que eu realmente quero, de qualquer forma.
— …
— …Em outras palavras, esse acordo nunca ia dar certo.
Justo quando Honeybee estava prestes a dizer algo, os olhos violeta de Lee Sayoung se estreitaram atrás das lentes.
— Mas eu vou te dar a informação. O Matthew precisa ser salvo… é.
O punho que estava prestes a acertar sua máscara de gás parou pouco antes de seu rosto. A mão de Honeybee tremeu enquanto ela a fechava e abria antes de murmurar entre dentes:
— Você… realmente me irrita. Isso foi pior do que o Gyu-Gyu agora há pouco. Sabia?
— Não tenho tido muitas chances de aprontar ultimamente.
Lee Sayoung tirou uma caneta do bolso interno do sobretudo. Rabiscou um número de telefone na capa da pasta e a deslizou até Honeybee.
— Você vai receber uma ligação desse número dentro de alguns dias. Esteja lá. E garanta que ninguém te siga.
— Entendido.
— Mas não agora. Eu também tenho coisas a fazer.
— Eu sei por que você está aqui. Está atrás do Mackerel, não está? Aquela matéria é do Mackerel, não é?
— …
— Nunca pensei que o grande Lee Sayoung acabaria sendo carregado pelo J.
Honeybee zombou enquanto guardava a pasta de volta no inventário.
— Aha… então é isso que todo mundo pensa.
Mas, contrariando as expectativas dela, os olhos estreitados só pareceram sorrir mais. Que diabos? Eu queria ferir o orgulho dele, então por que está sorrindo? Honeybee franziu a testa. Talvez ele realmente não esteja em seu juízo perfeito, como disse antes. Lee Sayoung riu baixinho ao responder:
— Eu só vim agradecer.
— O quê?
Sem mais explicações, Lee Sayoung acenou com a mão, dispensando-a.
— Se já terminou, é melhor ir. Você não pode ficar fora por muito tempo.
— Hunf, eu já ia embora mesmo.
Quando se virava para sair, Honeybee girou de volta e disparou, ríspida:
— E trate de atender a droga do seu telefone daqui em diante. Entendeu? Não vá se enfiar em algum lugar e me fazer ir te procurar de novo.
— …O quê?
Lee Sayoung, que vinha esfregando distraidamente a xícara, ergueu o olhar.
Honeybee algum dia fora procurá-lo pessoalmente? Não. Mas ele sabia. Sabia exatamente a que ela se referia. Um fragmento de memória veio à tona, tênue em meio aos pedaços despedaçados. Uma época em que ele havia se trancado num espaço escuro, mal se agarrando à vida. Quem abriu a porta e entrou foi…
Honeybee, depois de ajeitar o cabelo e amarrar o lenço, olhou de volta para ele com curiosidade.
— Por que está me olhando assim? Tem alguma coisa para dizer?
Quando ela entrara pela porta, seu cabelo estava uma bagunça, cortado de forma irregular.
— …
Algumas mechas longas escaparam de baixo do lenço. Honeybee estalou a língua e juntou de volta as mechas longas e irregulares. A mistura de cabelo bem cortado e cabelo desigual se entrelaçava e se cruzava.
Eu é que sou o louco? Ou…
— Você lembra do que acabou de dizer? Você.
— O quê? Claro que lembro. Eu não sou nenhum peixinho-dourado. Eu disse para você atender o telefone regularmente.
— E depois disso?
— Depois disso? Hmm, eu disse para não se enfiar em algum lugar e me fazer… hã?
Honeybee, que vinha falando com confiança, parou no meio. Seus dedos, que davam o nó, congelaram de repente. A confusão nublou seus olhos castanhos e brilhantes.
— Né? Que estranho. Eu já fui te procurar alguma vez? Acho que não…
— …
— …Ah, isso está me deixando louca. O que há de errado comigo ultimamente?
Honeybee esfregou as têmporas, o rosto empalidecendo. Não parecia algo que ela tivesse dito intencionalmente. As palavras escaparam inconscientemente, uma cena dos fragmentos da memória do hóspede indesejado. Honeybee conhecia aquele momento. Lee Sayoung se levantou. A barra de seu sobretudo preto esvoaçou.
— Parece que você não é a única. Neste caso.
Ela deu um passo atrás, agora na defensiva. Lee Sayoung falou de forma sinistra:
— Me conte.
— Por que eu deveria?
Lee Sayoung tirou as luvas. Seus dedos enegrecidos seguraram a caneta sobre a mesa. Ssssk, a caneta começou a derreter num líquido negro.
— Caso contrário, não posso te dar a informação…
— O quê? Ei, você vai mesmo agir assim?
— Só me conte. Vou acreditar em qualquer coisa maluca que você disser.
Mordendo o lábio, Honeybee suspirou fundo e respondeu rapidamente:
— Tá bom. Ultimamente, eu tenho visto coisas estranhas. Coisas que eu nunca fiz saindo de repente da minha boca. Como se eu estivesse perdendo a cabeça. Satisfeito agora?
— Como o quê?
— Puta que pariu…
Honeybee bagunçou o cabelo com força antes de apontar o dedo bem para o centro da máscara de gás de Lee Sayoung.
— Se contar para alguém, eu te mato. Entendeu?
— Entendi. Agora anda logo e me conta.
Mesmo tendo prometido, ela hesitou em falar, andando de um lado para o outro na sala por um bom tempo. Lee Sayoung esperou pacientemente. Se soubesse que ia demorar tanto, teria trazido o Hyung junto. Quanto mais a demora se prolongava, maior ficava sua ansiedade. Não só o medo de perder o controle, mas também,
“Por favor, não arranje mais encrenca…”
A ansiedade era, na maior parte, como a de um dono de cachorro com um pet extremamente agitado. O próprio Cha Eui Jae achava que estava agindo de forma bastante racional, mas, pelo que Lee Sayoung conseguia ver, ele era uma bagunça completa. Era como se vários parafusos estivessem soltos, e ainda assim, de algum modo, como um robô, ele cumprisse ordens perfeitamente. Em certos aspectos, era até autodestrutivo.
Enquanto esperava Honeybee começar a falar, Lee Sayoung enviou uma mensagem de texto.
[Vai demorar um pouco.]
[Pode seguir alguém chamada Jang Mi-sook.]
[Chego logo.]
Não demorou muito para uma resposta chegar.
[Hyung: Entendido.]
Felizmente, parecia que ainda não havia acontecido nenhum acidente. Justo quando Lee Sayoung batia distraidamente na tela do celular, Honeybee finalmente falou.
— …Eu vejo o rosto de uma pessoa viva, mas de repente ele parece ter sido dilacerado por um animal, apodrecendo.
— …
Lee Sayoung não respondeu, apenas ouvindo as palavras dela. Honeybee mordeu o lábio e murmurou:
— Sabe o que eu vi recentemente? Eu estava conversando com o Jung Bin e, de repente, o pescoço do Jung Bin estava meio decepado, pendendo por um fio. Achei que tinha sido amaldiçoada ou algo assim.
— Não era uma maldição?
— Não, não era.
— …Quando começou a acontecer?
— …
As botas pretas dela bateram no chão.
— Desde o Dia da Mudança.
Honeybee e Lee Sayoung estavam ambos tensos, uma atmosfera frágil como vidro rachado os envolvendo. Apenas os peixinhos-dourados vermelho-vivos no aquário nadavam em paz.
Lee Sayoung afrouxou as tiras da máscara de gás e a tirou, colocando-a sobre a mesa. Cabelo desgrenhado, olhos violeta e lábios pálidos foram revelados em sequência. Com o rosto totalmente exposto, Lee Sayoung inclinou a cabeça e perguntou:
— E eu?
— …
— Quando você olha para o meu rosto, o que vê?
Honeybee observou Lee Sayoung lentamente. Inclinou levemente a cabeça antes de responder:
— Você… parece o mesmo de antes.
— …Hmm. É mesmo?
— Não, espera. Não é bem isso.
Os olhos castanho-claros dela se encheram de curiosidade.
— A cor dos seus olhos… está um pouco mais clara. Violeta-claro?
— …Ah.
Lee Sayoung soltou uma exclamação baixa, torcendo os lábios num sorriso. Mas seus olhos estavam cheios de desagrado.
— Irritantemente preciso.
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki