↫─☫ Episódio 165
𓆰𓆪 Episódio 165: Convocação 𓆰𓆪
Tump!
Apesar de ser um bolo de papel, o som foi tão surdo quanto o de levar uma bolada de beisebol. O jovem, como se tivesse levado um choque elétrico, tremeu e se agachou no chão, segurando a cabeça. Cha Eui Jae apontou o dedo para o jovem encolhido.
— Hoje em dia os caçadores são só estilo e nenhuma substância, hein?
No instante seguinte, ele se levantou num pulo e socou a parede. Bam—! Um soluço foi ouvido em meio ao som explosivo. Bem ao lado do ponto onde ele havia socado, outra cabeça azul-marinho deslizou para fora da parede. O jovem que emergia da parede também desabou no chão.
Cha Eui Jae recolheu o punho e olhou de um para o outro, do homem caído a seus pés para o outro que ainda se contorcia no chão, segurando a cabeça.
A cor do cabelo, o formato do corpo e até os rostos deles, à primeira vista, eram impressionantemente parecidos. Tanto que alguém poderia suspeitar que eram a mesma pessoa. Cha Eui Jae apertou os olhos.
— …Que porra é essa?
— Aaaaah…
— Está tudo bem aí dentro?
Jang Mi-sook chamou em voz alta. O jovem agachado e Cha Eui Jae ergueram o olhar ao mesmo tempo. Eui Jae agarrou o jovem pelo cangote e indicou a porta com o queixo, sinalizando para que ele respondesse com sabedoria. O jovem assentiu repetidamente e respondeu:
— Está tudo bem.
— Mesmo?
— Sim, está tudo certo. Não se preocupe.
Os passos de Jang Mi-sook foram sumindo aos poucos. Cha Eui Jae soltou o pescoço que vinha agarrando. O jovem esfregou o pescoço, onde um hematoma já começava a se formar, e resmungou:
— As informações estavam todas erradas. Disseram que você era gentil e manso, mas você saiu distribuindo socos sem aviso.
— Quem mandou você se esconder na parede feito um rato?
— Eu não esperava que você fosse atacar logo de cara.
— Aquilo não foi um ataque; foi uma imobilização. Como eu ia saber se você era inimigo ou não?
— Faz sentido.
— Eu tinha que eliminar a ameaça em potencial.
— Você está fazendo sentido demais; não me deixa nada para dizer.
O jovem se aproximou do outro rapaz ainda encolhido no chão e se agachou diante dele. Lado a lado, eles pareciam ainda mais idênticos. O primeiro pensamento que veio à mente de Cha Eui Jae foi…
“Clones?”
Foi isso. Talvez porque ele tivesse visto tantas coisas estranhas na vida. Cha Eui Jae dirigiu uma pergunta a eles:
— Então, qual de vocês é o Mackerel?
— Qual?
O jovem agachado lutou para ficar de pé. Quando o outro jovem, que vinha tagarelando, afastou a franja longa, um rosto bonito foi revelado. Seus olhos azul-marinho, da mesma cor do cabelo, cintilavam de divertimento.
— Nós dois somos o Mackerel.
Depois que a situação se acalmou, Cha Eui Jae e os dois que alegavam ser o Mackerel se sentaram frente a frente à mesa.
Era estranhamente perturbador ver dois rostos idênticos sentados lado a lado. O Mackerel que havia sido atingido pelo cartão de visita ainda irradiava uma atmosfera sombria enquanto se encolhia, enquanto o outro Mackerel, que tivera o pescoço agarrado, segurava casualmente uma garrafa de soju numa mão e uma de refrigerante de limão na outra, pesando as opções.
— O que vai querer? Soju? Refrigerante?
— Refrigerante.
— Pode deixar.
O Mackerel que serviu o refrigerante com as duas mãos empurrou o copo em direção a Cha Eui Jae com um sorriso radiante.
— Toma um gole e prova o sashimi. Meu hyung é muito bom em fatiar peixe.
A palavra “hyung” chamou a atenção de Cha Eui Jae. Ele pegou os hashis e perguntou:
— Vocês dois são irmãos?
— Somos gêmeos idênticos. A gente não é exatamente igual? É como se olhar no espelho o tempo todo.
— …
O Mackerel sombrio assentiu em silêncio. Embora o cabelo longo cobrisse seu rosto, o formato do corpo e os vislumbres do rosto mostravam que eles realmente se pareciam bastante. O Mackerel falante desenhou duas formas humanas no ar.
— Bom, para nos apresentarmos brevemente… Somos os Mackerels. Somos corretores de informação. Eu cuido de todos os negócios e do atendimento aos clientes. Meu hyung é tímido, então ele trabalha nos bastidores. Quando as pessoas falam do Mackerel, estão falando de mim. A maioria nem sabe que somos dois.
— Para alguém tão tímido, ele está sentado aqui numa boa.
— Bom…
O Mackerel mais novo passou o braço pelo ombro do irmão e o empurrou em direção a Cha Eui Jae. Os olhos azul-marinho do Mackerel mais velho, grandes e redondos, espiaram por entre a franja desgrenhada antes que ele recuasse de supetão, tremendo. O Mackerel mais novo deu uma risadinha.
— Nós somos fãs do J. Principalmente meu hyung.
— Hã?
O Mackerel mais velho se atrapalhou para tirar um par de óculos de armação de chifre e colocá-los. O Mackerel mais novo fez beicinho.
— Mas você jogou um cartão de visita num fã. E ficou violento.
— Ei, quem jogou primeiro?
— Velho rabugento.
A essa altura, ele estava pasmo. A cara de pau desse cara! Cha Eui Jae simplesmente havia retribuído o favor ao pirralho desrespeitoso que jogara algo em seu rosto durante o jantar. O Mackerel mais novo acenou a mão, e o buraco que Cha Eui Jae abrira na parede foi substituído por uma parede nova, como se a própria loja tivesse mudado.
Aquela devia ser sua habilidade de desperto. Acalmando a raiva, Cha Eui Jae perguntou:
— Vocês dois são despertos?
Os dois Mackerels trocaram olhares. O Mackerel mais novo coçou a nuca, parecendo preocupado.
— Uau… Você veio mesmo sem saber de nada. Isso é novidade. O Lee Sayoung não te contou nada?
— Nada.
— Nenhuma regra nem nada?
— Não.
Os Mackerels começaram a cochichar entre si. A julgar pela reação de Jang Mi-sook e pela resposta do Mackerel mais novo, parecia que Cha Eui Jae tinha vindo sem saber de algo que aparentemente era óbvio. Será que Lee Sayoung o deixou no escuro de propósito?
“…É assustador pensar que o Lee Sayoung pode ter feito isso de propósito.”
Cha Eui Jae olhou em volta, ansioso. Nos filmes, não é nesse momento que você deveria negar, dizendo que ele jamais faria algo assim? Mas, conhecendo Lee Sayoung, não estava fora de questão. Ele sempre fora cheio de segredos, mais ainda do que Cha Eui Jae. Era enfurecedor. Ele conseguia até adivinhar o tipo de desculpa que Lee Sayoung usaria.
“Você não vai estar comigo o tempo todo, né?”
“Eu explico tudo quando chegar a hora.”
“Você não confia em mim…”
Droga. Cha Eui Jae cerrou os dentes. Eu conheço o Lee Sayoung bem demais!
Enquanto Cha Eui Jae fervia com a atitude enfurecedora de Lee Sayoung, os Mackerels continuavam cochichando entre si. A voz do Mackerel mais novo subiu um pouco.
— Então o Lee Sayoung simplesmente jogou o J aqui e foi embora? Que cara de pau é essa? Eles realmente não se dão bem? Então por que estão juntos? Ou o Lee Sayoung só quer ver o J destruir o mercado de peixes inteiro? Isso é algum tipo de vingança?
O tom daquelas palavras parecia um pouco estranho. Isso não era basicamente tratar o J como uma bomba-relógio ambulante? Uma das sobrancelhas de Cha Eui Jae se ergueu. Embora não estivesse visível por trás da máscara de gás.
— Ah, não. Espera um pouco.
O Mackerel mais velho gaguejou, finalmente falando. Ele mexeu os dedos e murmurou:
— Tinha um cliente urgente procurando por ele. Então eu os conectei.
— Ah, certo. Número da sala?
— Sala 4.
— Eles ainda estão conversando?
— S-sim. Ainda em conversa.
— É mesmo? …Então é hora de atrair uns clientes.
A postura do Mackerel mais novo mudou. Era o olhar de um comerciante, o mesmo que Cha Eui Jae vira incontáveis vezes no caminho até ali. Os olhos azul-marinho do Mackerel mais novo brilharam com energia enquanto ele sussurrava de forma astuta:
— Então, senhor.
Ele juntou as mãos com um sorriso gentil.
— Em que posso ajudá-lo?
— O quê? Assim de repente?
O Mackerel mais novo estendeu dois dedos longos.
— Existem dois tipos de pessoas que põem os pés no mercado de peixes. As que compram informação e as que a vendem.
— …
— Qual das duas você é, J? Qualquer uma serve. Você parece ter muitas informações valiosas.
— Não.
— Hmm?
— Tem uma terceira opção.
Cha Eui Jae deu um piparote com os hashis. A luz do teto se estilhaçou. Com um estalo, o cômodo mergulhou na escuridão. Ele aproveitou o breve momento para tirar a máscara de gás e colocar sua máscara preta.
Ele estalou os dedos, o som ecoando nitidamente.
Uma voz distorcida falou:
— Aquele que veio aqui para dar uma surra em vocês.
Uma sombra escura se lançou sobre os Mackerels.
***
Um momento antes, no Mercado de Peixes.
A barra de um sobretudo preto esvoaçou. Embora os arredores tivessem se transformado numa bagunça caótica, os passos continuavam sem hesitação.
Depois de caminhar por algum tempo, uma pequena guarita de segurança surgiu à vista. Um idoso, que cochilava, sentiu uma presença e abriu os olhos. Uma mão vestida numa luva de couro preta tirou do inventário uma velha placa de madeira e a apresentou. A placa tinha o caractere de “morte (死)” gravado.
— Vim encontrar alguém.
— Hmm, siga para a sala 4.
O velho murmurou enquanto deslizava a placa de madeira numa fenda dentro da guarita. A porta firmemente fechada se abriu lentamente, revelando um longo corredor com luzes vermelhas piscando. Lee Sayoung começou a caminhar devagar. Entre as longas paredes, havia uma única abertura adornada com uma cortina de contas.
Quando ele ergueu as contas densamente penduradas, as pequenas contas tilintaram sobre seu cabelo. A salinha, banhada em luz vermelha, continha uma mesa quadrada com duas cadeiras e um longo aquário ocupando uma parede. Dentro do aquário, alguns peixinhos-dourados de um vermelho vivo nadavam energicamente.
Uma das cadeiras já estava ocupada. Cabelos loiros cintilavam sob um lenço amarrado na cabeça. A mulher abaixou um pouco os óculos escuros, revelando os olhos.
— Finalmente você chegou?
— …
— É realmente difícil ver esse seu rosto precioso.
Era a Honeybee.
Lee Sayoung não respondeu e caminhou tranquilamente, sentando-se na cadeira em frente à Honeybee e cruzando as pernas. Como se fosse a deixa, uma figura sombria apareceu e colocou uma xícara diante deles. Vapor subia da xícara. Quando o vapor se dissipou, Lee Sayoung falou primeiro.
— Você deve ter recebido a notícia de que eu vinha.
— Pode relaxar; não houve vazamento. Eu só vim aqui todos os dias. Até você chegar.
— …Todos os dias?
— Havia um bom motivo.
Honeybee desamarrou o lenço. Seu cabelo, que estava preso, caiu em cascata.
— Pedi ao Mackerel que me conectasse com você caso você aparecesse.
— Deve ser urgente.
— É. E sério também.
Honeybee bateu levemente na mesa antes de falar:
— O Matthew está em estado crítico.
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki