↫─☫ Episódio 164
𓆰𓆪 Episódio 164: Convocação 𓆰𓆪
A mulher sorriu amplamente, os lábios se curvando num sorriso brincalhão.
— Ai, ai, olha só, esqueci de me apresentar. Meu nome é Jang Mi-sook. Pode me chamar de “Tia”, mas eu não me importaria se me chamasse de “Noona” também.
— …
— Hohoho! Foi ousado demais?
Cha Eui Jae abriu levemente a boca e então, sem perceber, levou a mão para checar a máscara de gás. Ainda bem que seu rosto estava escondido. Ele mordeu o lábio. Assim que ouviu a palavra “Tia”, sentiu como se o chão tivesse sumido sob seus pés.
— …
Cha Eui Jae se pegou estudando o rosto de Jang Mi-sook. As mãos perfeitamente normais dela também. É claro que a mulher diante dele não tinha nenhuma semelhança com sua tia. É assim que devia ser.
— Vamos, vamos indo. Ele está esperando. Sinceramente, ele não tem paciência nenhuma, nem um pingo…
Resmungando, Jang Mi-sook se virou e começou a andar. Cha Eui Jae estava prestes a segui-la como se estivesse em transe, mas seus pés pararam de repente. Seu rosto se franziu por trás da máscara de gás. O que prendia seus pés no lugar não era outra coisa senão o pensamento das consequências caso desobedecesse às ordens de Lee Sayoung.
Não é que ele tivesse medo de Lee Sayoung, de jeito nenhum. É só que…
“Ele não vai me dar um sermão por agir por conta própria de novo…”
É tão difícil apaziguar um Lee Sayoung emburrado!
O pensamento de ter que passar um bom tempo acalmando-o era desanimador. Ele já conseguia ouvir a voz sarcástica de Sayoung na cabeça…
“Ah, é mesmo…? E aí?”
“Ah… é assim, é?”
“Muito bem… Você sabe que isso não é elogio, né?”
Droga. Cha Eui Jae cerrou os dentes.
“Isso é como estar algemado.”
Se alguém tinha tentado colocar uma algema nele, conseguiu. O normalmente impulsivo Cha Eui Jae estava agora, de fato, pensando. Ele arrastou a sola do sapato no chão, continuando a pensar.
É melhor ficar parado do que sair vagando por um lugar desconhecido. Afinal, a única coisa que ele sabia sobre aquele mercado de peixes era que, em algum lugar dele, havia um homem chamado Mackerel. A diferença de informação era grande demais.
Na verdade, ele não estava nada animado em seguir as ordens de Lee Sayoung. Mesmo assim, uma coisa era clara. Agora, ele tinha pessoas a quem recorrer mesmo que não agisse sozinho. Pessoas como Lee Sayoung ou Seo Min-gi. Ele tinha a convicção de que, mesmo que não fizesse nada, eles o ajudariam.
— …
Jang Mi-sook, que andava à frente, se virou com uma expressão confusa.
— O que você está fazendo aí parado? Vamos indo.
— Bom…
Cha Eui Jae pigarreou antes de falar, hesitante:
— O Líder de Guilda… me mandou esperar aqui.
— O quê?
— Desculpa.
Uma gargalhada explodiu diante dele. Jang Mi-sook ria tanto que sua voz ecoou por todo o mercado de peixes. Ela enxugou as lágrimas dos olhos depois de uma longa crise de riso.
— Minha nossa, fazia tempo que eu não ouvia uma dessas. Você deve ser novato?
— …
É mesmo motivo para rir? Antes que ele conseguisse processar a confusão, seu celular vibrou. Jang Mi-sook apontou para ele com um aceno.
— Por que não confere? Aposto que chegou uma mensagem.
Cha Eui Jae tirou o celular do bolso do paletó e o ligou. Exatamente como ela disse, havia uma mensagem esperando por ele. Na verdade, não era só uma.
O remetente era…
[Sayoung: Vai demorar um pouco.]
[Sayoung: Pode seguir alguém chamada Jang Mi-sook.]
[Sayoung: Chego logo.]
[Lee Sayoung.]
Cha Eui Jae hesitou por um momento antes de seus dedos se moverem para enviar uma resposta.
[Entendido.]
Bipe. Enviada. No momento em que ele guardou o celular de volta no bolso.
— Ainda assim, gosto que você seja cauteloso. Confiança é uma virtude importante, especialmente nestes tempos caóticos.
— …
— Ficar parado também foi a decisão certa. Até aqui é uma zona segura.
— …O quê?
— Você vai ver.
Jang Mi-sook sorriu calorosamente, como se perguntasse se agora ele confiava nela. Ela balançou levemente a cabeça, apontando para o fone intra-auricular.
— Ah, enfim, vamos indo. Ele está me enchendo para eu me apressar.
O mercado de peixes era uma masmorra.
Não uma metáfora— uma masmorra literal. Por trás da máscara de gás, os olhos de um azul vívido de Cha Eui Jae varriam a área. A cada passo que ele dava, os arredores se reconfiguravam.
Uma loja que vendia peixe vivo virava uma barraca vendendo tempurá recém-frito, e depois outra vendendo mariscos. Ele tentou encontrar um padrão, mas não havia nenhum. Parecia mudar de acordo com os caprichos do mestre do lugar. A cada passo, havia um som de rangido, como cubos girando e se encaixando, o suficiente para deixá-lo tonto.
Aquele lugar era um labirinto vivo.
— Você não está tão surpreso, hein? A maioria das pessoas desmaia quando vê isso pela primeira vez.
— Ah… não, eu fiquei surpreso.
Cha Eui Jae respondeu mecanicamente, e Jang Mi-sook caiu na gargalhada.
— Você é péssimo em mentir!
— …
Eu sou mesmo tão ruim em mentir? Cha Eui Jae fez um leve beicinho. Jang Mi-sook apontou para a ruela lateral que mudava em tempo real.
— Quer saber de uma coisa divertida? Aqui tem até um centro de achados e perdidos.
— Um centro de achados e perdidos? …Sério?
— Claro! Novatos que não sabem de nada entram aqui achando que podem comprar e vender informação, mas aí se perdem. Acontece dezenas de vezes por dia.
Jang Mi-sook, familiarizada com a cena, movia-se com destreza pelos caminhos emaranhados. Sem guia, seria inevitável se perder. Agora ele entendia por que Lee Sayoung o havia avisado para ficar parado. Se tivesse saído vagando sozinho, poderia ter ido parar naquele achados e perdidos. Argh, que pesadelo.
“Ainda bem que obedeci.”
Cha Eui Jae mudou de assunto do nada.
— Então, o que quem vem pela primeira vez deve fazer?
— Tem que fazer o check-in primeiro! Depois espera até ser designado um guia.
— …Imagino que nem todo mundo recebe um.
Cha Eui Jae olhou em volta. No cenário em constante mudança, os lojistas faziam seu trabalho com calma, mas seus olhos eram afiados. Olhos de comerciantes.
— Você pega as coisas rápido. Isso mesmo. Este lugar funciona à base de informação. Só quem é considerado portador de informação valiosa recebe um guia. As guildas recebem um guia cada. Por isso, você é um caso único. Devia ter me procurado assim que chegou.
— …Ninguém me falou nada disso.
— Hohoho, graças a isso eu me diverti um pouco.
— …
Cha Eui Jae perguntou a contragosto:
— Todos os lojistas são despertos?
— Alguns são, outros não.
— Como vocês garantem a segurança dos que não são?
— Segurança?
Jang Mi-sook olhou para trás, para ele, e caiu na gargalhada de novo. A essa altura, a risada escandalosa dela já havia se tornado tão familiar que seria estranho sem ela.
— Ah, não se preocupe! Este lugar é mais seguro que a maioria.
— …
— Chegamos.
Ela parou diante de uma loja que parecia bastante com as outras que ele tinha visto. Aquários com água circulando constantemente, peixes nadando dentro, os cheiros salgados e fortes do mar.
A placa pendurada no teto piscava. Na placa branca, as palavras “Pescados Jangmi” estavam escritas em letras cor-de-rosa.
— …Ah, você chegou.
Uma voz sombria ecoou. Cha Eui Jae procurou a origem da voz. Um jovem de cabelo desgrenhado estava curvado, lavando uma faca. Havia uma aura sombria ao redor dele, como se girasse apenas nas suas imediações. Ele vestia uma roupa colorida: um avental de vinil azul brilhante, botas vermelhas e luvas de borracha cor-de-rosa. Era difícil ver seu rosto por causa da franja longa.
Jang Mi-sook deu tapinhas nas costas de Cha Eui Jae.
— Este é meu filho. Diga olá.
— O quê? Ah, olá.
O filho dela assentiu em silêncio. Jang Mi-sook deu uma risadinha.
— Ele é meio tímido… Entre e sente-se. Filho! Fatia um linguado pra gente.
— Tá…
O filho largou a faca, pegou uma rede e caminhou até o aquário arrastando os pés de um jeito desajeitado. Cha Eui Jae balançou a cabeça.
— Não precisa do sashimi…
— É costume comer alguma coisa quando se vem aqui. Agora, entre!
Antes que percebesse, Cha Eui Jae estava sentado direitinho numa almofada. As mãos de Jang Mi-sook se moviam com uma velocidade incrível enquanto ela o empurrava para dentro do cômodo, limpava a mesa, arrumava os talheres, colocava a garrafa d’água, os copos e os lenços umedecidos. É claro que Cha Eui Jae conseguiria igualar a velocidade dela, mas…
“Ela é desperta?” Seus olhos acompanhavam de perto cada movimento dela. Ele planejava usar aquilo em seu trabalho de meio período no restaurante de sopa de ressaca. Mas logo seu olhar parou.
“…Eu provavelmente não vou mais voltar para o restaurante.”
Cha Eui Jae encarou sem expressão os acompanhamentos sendo colocados diante dele. Ele sentia falta da iluminação fraca do restaurante de sopa de ressaca e do alimentador automático de pets— não, do autosserviço automático de kimchi e acompanhamentos, mais do que nunca.
“Espero que todos estejam bem…”
Nunca imaginou que sentiria falta daqueles clientes habituais que eram como inimigos para ele. Onde será que estavam comendo agora? Estariam todos passando fome? Embora seu tempo como caçador fosse bem maior que seu tempo como funcionário de meio período, ele não conseguia evitar uma pontada de nostalgia.
— Aqui está o sashimi de linguado!
Um prato branco surgiu de repente em sua visão distraída. Estava cheio de sashimi branquíssimo e firme. Droga, parecia delicioso. Cha Eui Jae saiu do devaneio. Jang Mi-sook sorriu radiante.
— Vou fechar a porta para você tirar a máscara e aproveitar.
Como era de se esperar da guia de guilda da Pado. Ela era atenciosa.
Deslizar.
A porta se fechou.
Cha Eui Jae ergueu o olhar. Aquele cômodo era um espaço fechado. No entanto, havia um homem sentado diante dele. O filho de Jang Mi-sook.
O cabelo azul-escuro que encobria seu rosto era de um índigo profundo.
— …
Sem o menor sinal de surpresa, Cha Eui Jae desembrulhou e separou um par de hashis de madeira. O som deles se partindo foi nítido e claro. E então,
Fuuush—!!
Sem o menor sinal de choque, ele pegou com os hashis algo que vinha voando em direção ao seu rosto. Cha Eui Jae franziu a testa e conferiu o que havia apanhado. Era um cartão de visita rígido.
[Mercado de Peixes de Noryangjin]
[Mackerel]
Cha Eui Jae leu o conteúdo do cartão e suspirou. Amassou o cartão no punho, sua postura antes ereta se curvando naturalmente.
— Ei.
— …
— Você sabe quem eu sou, não sabe?
— …
A cabeça de cabelo índigo assentiu levemente, para cima e para baixo. Claro que sabia. Cha Eui Jae arremessou o cartão amassado direto na cabeça dele.
— Que diabos você pensa que está fazendo, jogando coisas na mesa?!
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki