↫─☫ Episódio 160
𓆰𓆪 Episódio 160: O Que Está Escondido nas Frestas 𓆰𓆪
“Sério, isso está me deixando louco.”
Seus dedos se contraíam involuntariamente. Seu ritmo cardíaco acelerado se recusava a baixar. Tum, tum, tum… Era um tipo de tensão completamente diferente de encarar um monstro. Cha Eui Jae estava claramente agitado. Aquela voz preguiçosa continuava ecoando em seus ouvidos.
— Você beija o seu irmão mais novo?
Você beijaria? Você faria isso se fosse eu?
Seu eu tradicional interno de repente ressurgiu, apontando o dedo para ele. Cha Eui Jae concordou com seu eu tradicional.
É. De acordo com todos os valores que eu construí, eu não posso beijar meu irmão. Mas Cha Eui Jae já havia compartilhado incontáveis…
“Droga…”
…gestos de afeto com Lee Sayoung. Ainda que fosse inevitável, foi ele quem beijou primeiro e, agora mesmo, foi ele quem não desviou daqueles lábios que desciam e os acolheu. Ele gostou do calor que tocou seu corpo. Ele até acolheu aqueles lábios em seu rosto, quase como se estivesse viciado. Um pouco mais…
“Argh, se controla!”
Cha Eui Jae bateu a nuca contra o pilar. A dor aguda mal conseguiu trazê-lo de volta aos sentidos.
“Será que eu finalmente enlouqueci…”
Ele esfregou a nuca e suspirou. Ainda sentia a mão grande em sua nuca. A risada baixa, a voz sussurrante e manhosa. Seus dedos se curvaram. O calor que havia subido não esfriava com facilidade. Seu rosto ardente também não.
A primavera havia chegado, mas a brisa da noite ainda era gelada. O vento fresco fez cócegas em seu cabelo. Em algum lugar, um grilo cantava. Cha Eui Jae virou a cabeça e encarou o céu, vazio. O buraco branco não era visível dentro da barreira.
— Você devia mesmo pensar em quem eu sou e no que você quer de mim. Para de negar isso para si mesmo.
O que exatamente é Lee Sayoung? A ideia que Cha Eui Jae tinha de irmão ou família já não se aplicava. Eles já haviam tomado o caminho errado e chegado longe demais.
Então, em que caminho estamos agora? O que Cha Eui Jae quer de Lee Sayoung?
“Eu…”
Mas, sempre que tentava pensar um pouco mais fundo, aquela língua negra que se agitara em sua boca lhe vinha à mente. Cha Eui Jae esfregou o rosto com força e puxou o próprio cabelo antes de se levantar de repente. A melhor forma de clarear a cabeça é mexer o corpo. Naturalmente, não havia como escapar do olhar de Lee Sayoung.
Lee Sayoung, que vinha cutucando o cada vez mais encolhido Hong Yeseong, inclinou a cabeça.
— Aonde você vai?
— …
Só vou dar uma caminhada, por quê? Cha Eui Jae segurou as palavras que estavam prestes a escapar. No estado em que estava, qualquer coisa que dissesse só o deixaria preso na teia dele. Lee Sayoung, que vinha observando Cha Eui Jae em silêncio, ergueu levemente os cantos da boca.
— Seu rosto está muito vermelho.
— …
Cha Eui Jae não respondeu e virou rapidamente a cabeça.
— Por que você não responde?
— …
— Ah… Você está planejando não falar mais comigo? Depois de tudo aquilo?
Embora sua pergunta fosse afiada, havia um traço de riso em sua voz. Cha Eui Jae ignorou as perguntas e pegou a máscara que havia tirado. Enquanto escondia o rosto atrás da máscara, seu coração acelerado se acalmou um pouco. Só então conseguiu responder normalmente:
— Cala a boca.
Na verdade, nem foi uma resposta tão normal assim. Mas, por algum motivo, Lee Sayoung, que normalmente teria insistido mais, deixou passar, aparentemente de bom humor.
— Claro. Tudo bem.
Naquele momento, Hong Yeseong, que havia evoluído de casulo a tatuzinho-de-jardim, finalmente recobrou a consciência e murmurou:
— Ugh… Para de me bater… Desgraçado louco…
— Ah, você acordou?
— Hã? Essa… essa voz de pirralho é…
Do casulo redondo de cobertor, uma cabeça castanha se projetou. Ainda meio sonolento, Hong Yeseong piscou entre Lee Sayoung e Cha Eui Jae antes de arregalar os olhos de repente.
— Puta merda, que isso? Você acordou? Espera, por que eu estou no cobertor? Há quanto tempo eu estou dormindo?
Das três pessoas e uma criatura presentes, apenas Cha Eui Jae sabia a causa do cochilo repentino de Hong Yeseong. Ele esfregou a nuca e respondeu com indiferença:
— Você apagou depois de beber o sikhye.
— Eu? Sério? Pico de açúcar? Caçador pode ter diabetes? Ah, é, eu ainda preciso contar o que o Lee Sayoung encomendou!
Hong Ye-seong começou a se agitar enquanto se levantava, com Kkokko batendo as asas ao redor de seus pés. Mas Lee Sayoung o interrompeu com um aceno curto de cabeça.
— Tudo bem. Eu já sei o que precisa ser feito.
— Sabe? Como?
— Sei lá.
Uma resposta curta e clara. Hong Yeseong olhou para Lee Sayoung, atordoado, seus olhos límpidos transbordando de lágrimas.
— Então… Você vai me deixar para trás de novo? Depois de me usar assim? Eu estou tão entediado!
— Cocó…
Kkokko, que de algum modo havia acabado no topo da cabeça de Hong Yeseong, também soltou um pio lastimoso com direito a vibrato. Era uma dose dupla de pena. No entanto, Lee Sayoung não era do tipo que se comovia facilmente. Ele olhou para Hong Yeseong com uma expressão torta.
— Desculpa, mas eu acabei de acordar depois de três meses, então preciso avaliar a situação.
— Eu te conto tudo!
— O que um cara que torra crosta de arroz numa montanha saberia sobre o mundo lá fora… né?
Foi um comentário cortante. O corpo de Hong Yeseong tremeu. Kkokko oscilou como um joão-bobo em resposta.
— E-eu sou…
— Bom… Eu sei o que você quer, no entanto.
Lee Sayoung se inclinou lentamente e sussurrou:
— Eu removo o bloqueador de sinal para você.
— Pode ir, senhor!
— Cocó!
— Ai! Desculpa, Kkokko!
Hong Yeseong bateu a cabeça no chão com um baque. Ao mesmo tempo, Kkokko, que havia rolado até o chão, deu-lhe um tapa rápido com a asa branca. O grito lastimoso de Hong Yeseong ecoou por todo o cômodo.
Lee Sayoung puxou o braço de Cha Eui Jae e sussurrou:
— Vamos embora enquanto eles estão distraídos brigando.
— Espera, a gente não devia se despedir? Não é grosseria não fazer isso?
— No momento em que a gente se despedir, nossa estadia aqui vai ser estendida em cinco minutos a cada vez.
Não, obrigado. Eles se entreolharam e assentiram com firmeza antes de pegar rapidamente os sapatos e escapar do ninho de amor de Hong Yeseong.
Clique, assim que saíram da barreira, o cheiro de chuva os recebeu primeiro. Cha Eui Jae estendeu a mão. A garoa suave umedeceu sua palma. A montanha já estava envolta em escuridão. Dentro da barreira, era um entardecer tênue, mas do lado de fora os arredores estavam escuros como breu, provavelmente por causa da chuva.
“Estamos na encosta da montanha.”
É fácil se perder nas montanhas à noite. Cha Eui Jae olhou para Lee Sayoung ao seu lado.
— O Seo Min-gi vai estar esperando no pé da montanha. Vamos descer rápido.
Lee Sayoung assentiu de leve. Cha Eui Jae, cujos olhos já haviam se adaptado à escuridão, começou a andar, lembrando-se do caminho que havia feito na subida. Ao mesmo tempo, prestava atenção à presença que o seguia atrás. Uma voz veio de trás:
— Você ficou com o Seo Min-gi o tempo todo? Enquanto eu estava fora.
— É.
— O que você fez durante três meses?
— …Você não acabou de ver todas as matérias?
— Eu queria ouvir de você.
— Só, sabe… o de sempre. Caçar monstros. Limpar masmorras.
— E me beijar nos intervalos?
— Ei.
Cha Eui Jae estalou ao se virar. Mesmo na escuridão, Lee Sayoung ria baixinho, cobrindo a boca com o punho. O ar úmido da noite encheu seus pulmões. Os olhos violeta de Lee Sayoung brilhavam intensamente mesmo no escuro.
— Você me esperou?
— …
Cha Eui Jae retomou a caminhada. Talvez a chuva tivesse lavado sua hesitação, ou talvez os sentimentos que haviam crescido durante a espera tornassem mais fácil responder.
— Esperei.
— …
A presença que o seguia parou. Cha Eui Jae também parou. Ele esperou que Lee Sayoung diminuísse a distância, mas ele ficou ali parado, como se estivesse enraizado no lugar.
— …
Cha Eui Jae virou a cabeça. Lee Sayoung estava imóvel, como se fosse um só com a escuridão ao redor. Parecia alguém que não sabia para onde ir, ou talvez uma criança que havia se perdido. Seus olhos violeta turvos corriam de um lado para o outro, como se vissem algo desconhecido.
— …Lee Sayoung?
Cha Eui Jae o chamou com cautela. Os olhos que encaravam o vazio se voltaram para ele.
Será que foi “Lee Sayoung” que veio à tona? Mas a atmosfera não mudou. Confuso, ele deu um passo à frente.
— Por que você está agindo assim de repente?
— …Hyung.
— Diga.
— Você segura a minha mão?
Num instante, os arredores se iluminaram num clarão branco. Rumble… O céu rosnou. Parecia que a chuva ia começar a cair para valer. Eles precisavam descer a montanha rápido. Mas Cha Eui Jae estava fixado na expressão no rosto de Lee Sayoung quando a luz brevemente o iluminou. O que veio à tona ali foi…
Ansiedade.
Perguntar sobre isso provavelmente não renderia respostas. Também não havia tempo para discutir. Cha Eui Jae estendeu a mão.
— Só até a gente descer a montanha.
— …Tá.
Uma mão grande se aproximou com cautela e tomou a sua. Um aperto firme envolveu sua mão sem hesitação. O calor se espalhou lentamente do ponto em que suas peles se tocavam. Cha Eui Jae, segurando aquela mão, começou a caminhar devagar.
Lee Sayoung observava em silêncio as costas de Cha Eui Jae enquanto ele caminhava à frente. O cheiro de terra e grama encharcadas de chuva encheu seu nariz e seus pulmões. A chuva encharcava sua cabeça e seu corpo. A mão que segurava a sua era a de Cha Eui Jae. Mas o que os olhos violeta de Lee Sayoung viam era…
Um deserto branco.
— …
Sobre as ruínas do que um dia existira, uma figura negra aparecia e desaparecia repetidamente. Memórias que não eram suas reproduziam em sua mente. Elas lhe diziam que Cha Eui Jae já estava morto.
Mas Lee Sayoung sabia que Cha Eui Jae estava vivo. Ele compreendia que a memória da morte dele não era sua, mas de um invasor. Lee Sayoung se agarrou ao calor da mão em seu aperto. Quanto mais a apertava, mais calor retornava a ele. Aquela era a única prova clara.
Prova de que Cha Eui Jae existia.
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki