↫─☫ Episódio 159
𓆰𓆪 Episódio 159: O Que Está Escondido nas Frestas 𓆰𓆪
Quanto mais sua visão era obstruída, mais seus outros sentidos reagiam de forma aguda. Um braço e uma mão fortes circundaram sua cintura, seus lábios colidiram, uma língua negra roçou o céu de sua boca e explorou seu interior. O aroma doce e o calor o sufocavam, fazendo-o sentir que ia morrer.
“…Não, não é hora disso!”
De repente voltando a si, Cha Eui Jae empurrou o ombro de Lee Sayoung com força. Ele recuou obedientemente e inclinou levemente a cabeça.
— Por quê?
Nesse meio-tempo, Cha Eui Jae cobriu a boca com as costas da mão e recuou às pressas. Só parou quando suas costas bateram num pilar. Pela primeira vez, gaguejou as palavras:
— Ei, você, como… Não, você estava acordado?
Como é que esse cara sabe que eu o beijei?
Era como se o corpo dele estivesse dormindo, mas a mente acordada? Ou será que ele ouviu a conversa que tive com Hong Yeseong mais cedo? Será que estava só fingindo dormir? Mas eu não senti nenhum sinal disso. Será que deixei passar por estar fora de mim? Parecia que uma tempestade se formava em sua cabeça. Então, os ombros de Lee Sayoung tremeram.
— Pfff…
“Mas que…?”
— Hahaha!
Lee Sayoung começou a rir alto. Era raro vê-lo sorrindo tão abertamente. Cha Eui Jae só conseguiu ficar pasmo. Rindo numa hora dessas? Ele tirou a mão da boca e explodiu de raiva:
— Você não vai responder? Você estava acordado?
— Haha… Ah, sério.
Com os olhos se estreitando como se estivesse morrendo de rir, Lee Sayoung engatinhou na direção dele. Cha Eui Jae enrijeceu enquanto pressionava as costas contra o pilar. Ele, que se aproximou de quatro, encontrou seu olhar.
— Eu estava acordado?
— …
— Nem pensar…
Seus lábios se aproximaram da orelha de Cha Eui Jae. Sua voz lânguida sussurrou suavemente:
— Eu só estava te testando.
— …O quê?
Cha Eui Jae encarou sem entender, a boca levemente aberta. Lee Sayoung, que havia baixado a cabeça e rido, deu um beijo estalado em sua bochecha.
— Ainda bem que você usa máscara… O que teria acontecido se não usasse?
— Ei, Lee Sayoung…!
— Todos os seus verdadeiros sentimentos estão…
— Ei, ugh…
— Estampados no seu rosto.
Enquanto Lee Sayoung continuava a beijar seu rosto, a bochecha, a ponta do nariz, os cantos dos olhos, a testa, ele segurou as orelhas e as bochechas de Cha Eui Jae com as duas mãos. Ele agarrou os pulsos de Sayoung, cerrando os dentes. O rosto de pôquer que um dia o sustentará havia desaparecido há muito tempo. É por isso que…
— Você é péssimo em mentir.
Smack.
— Desse jeito… eu não consigo te deixar em paz.
Hah, Cha Eui Jae soltou uma respiração curta. Ele viu seu reflexo nos olhos violeta divertidos dele, cheios de algo desconhecido, mais do que apenas espelhar como um simples reflexo. Mais uma vez, seus lábios se encontraram, e a língua negra invadiu sua boca. Cha Eui Jae não a impediu dessa vez.
Será que estava hipnotizado?
Sua cabeça parecia derreter enquanto o calor continuava a subir.
“Ah, sério…”
Com as orelhas cobertas pelas mãos de Lee Sayoung, ele não conseguia ouvir nenhum barulho externo, mas os sons úmidos e pegajosos ecoavam em seus ouvidos, fazendo cócegas. Lutando para se recompor, Cha Eui Jae conseguiu agarrar a gola do sobretudo dele. O couro frio amassou bagunçado em seu punho.
“Isso está me enlouquecendo…”
Ele se atrapalhou, envolvendo os braços no pescoço de Lee Sayoung. As pontas de seus dedos tremiam. Cha Eui Jae ofegou, abrindo lentamente os olhos. Além de suas pálpebras, Lee Sayoung o encarava. O que ele sentiu naqueles olhos violeta escuros como breu foi,
“…Merda.”
Um desejo claro e vívido.
Um arrepio percorreu sua espinha e sua cintura. Era uma sensação instintiva, mas o arrepio era diferente de qualquer coisa que já sentira. Uma mão grande e fria agarrou sua nuca, e dedos longos traçaram sua cerviz. Cha Eui Jae, agora abraçado por Lee Sayoung, tentou recuperar o fôlego. Os lábios que haviam deixado os seus desceram até seu queixo.
— Por que você está tão tenso…
A voz baixa e rouca de Lee Sayoung soava como se ecoasse de longe. Cha Eui Jae entrelaçou as mãos atrás do pescoço dele. A dor rígida o trouxe de volta aos sentidos, como se finalmente tivesse emergido de debaixo d’água.
“Espera um pouco.”
Ele se lembrou do menino que costumava enrolar os dedos nos seus enquanto estava coberto de bandagens. Mesmo enquanto choramingava de dor, era como se o mundo não tivesse nada além de Cha Eui Jae a que se agarrar, sempre o observando.
“Aquele garoto…”
Cha Eui Jae olhou para a figura escura que o segurava. Braços e corpo fortes abraçavam firmemente Cha Eui Jae, que não era nada pequeno. Com os olhos semicerrados, Lee Sayoung estava concentrado em acariciar sua nuca e seu cabelo. Toda vez que seus longos cílios tremulavam, suas sombras tremulavam junto. Seus lábios, vermelhos e inchados de tanto atrito, e a pinta abaixo do lábio também.
Percebendo o olhar dele, Lee Sayoung ergueu a cabeça. Naquele momento, seus olhos violeta se estreitaram, e seus lábios se moveram na direção dos dele de novo. Cha Eui Jae virou o rosto rapidamente, fazendo o beijo de Lee Sayoung pousar em sua bochecha em vez dos lábios. Uma risadinha ecoou em seu ouvido. Seu coração começou a bater ruidosamente. Seu corpo enrijeceu.
“Essa é a mesma pessoa?”
Aquele garoto, olhando para mim com um olhar tão carregado de desejo? Me vendo de forma sexual? Não faz o menor sentido.
A súbita sensação de dissonância abalou Cha Eui Jae. Será que tinham ficado separados por tempo demais? Lee Sayoung havia crescido tanto que Cha Eui Jae já não conseguia encontrar traços de seu antigo eu, enquanto o próprio permanece estagnado. E o Lee Sayoung adulto o havia superado tanto em altura quanto em porte. E agora…
Ele deseja Cha Eui Jae.
“Merda, tem alguma coisa muito errada aqui.”
Isso não poderia acontecer a menos que o mundo tivesse virado de cabeça para baixo. O único desejo que Cha Eui Jae já teve foi se tornar família daquele garoto. Tornarem-se a única família um do outro, viver juntos, comer juntos, dormir sob o mesmo teto. Teria sido ainda melhor se o garoto se apoiasse nele durante esse processo.
“Mas nisso…”
Não havia nem o menor espaço para esse tipo de contato sexual naquele desejo. Seus pensamentos foram cortados no instante em que uma respiração quente roçou sua orelha. Logo depois, uma dor aguda picou seu lóbulo. Lee Sayoung estava mordendo sua orelha. Em pânico, Cha Eui Jae empurrou a bochecha dele.
— Onde é que você acha que está mordendo?
— No que você está pensando sem mim?
Cha Eui Jae olhou para o rosto de Lee Sayoung. Ainda havia um desejo intenso irradiando de seus olhos. Era tão óbvio que até alguém tão alheio quanto ele conseguia reconhecer de imediato. Ele baixou levemente a cabeça. Estava desconcertado.
“Há quanto tempo ele olha para mim assim?”
É claro que eles já haviam encostado os lábios antes. Mas! Aquelas eram situações anormais em que pensar racionalmente era impossível. Uma vez foi para acalmar Lee Sayoung de uma hiperventilação, e então…
— Hyung.
Uma voz baixa cortou sua racionalização. Cha Eui Jae ergueu a cabeça de supetão. Lee Sayoung inclinava levemente a cabeça.
— No que você está pensando?
— …
No que eu estou pensando?
“Que a nossa relação está completamente fodida, seja lá o que ela for agora.”
Em algum ponto, parece que abotoamos o botão errado. Cha Eui Jae engoliu as palavras que subiram à sua garganta. Não havia como dizer aquilo estando nos braços de Lee Sayoung. Se pronunciasse essas palavras, a mão que vinha acariciando gentilmente seu pescoço o atacaria num instante. É claro que Cha Eui Jae também não ficaria parado, mas…
— Hm?
Lee Sayoung acariciou seu cabelo como se o incitasse a falar. Cha Eui Jae mal conseguiu dizer algo:
— …Só estou me perguntando se isso está certo.
— Isso o quê?
— Ãh, você… e… eu. Isso está certo?
— Então, o quê exatamente?
— Você sabe… esse comportamento.
Cha Eui Jae mal conseguiu reprimir seus instintos patriarcais e conservadores, escolhendo as palavras com cuidado. Mas o que voltou foi um bufo.
— Depois de fazer tudo, você vem falar isso agora…
— O quê?
— Você precisa mesmo parar de pensar demais, Hyung.
A mão que vinha traçando sua cerviz e seu cabelo agora envolveu suas bochechas. Apertando-as de leve, Lee Sayoung fez os lábios de Cha Eui Jae formarem um biquinho enquanto murmurava:
— Com essa cabecinha, o que é que você pensa tanto…
Irritado, Cha Eui Jae deu um tapa nas mãos de Lee Sayoung.
— O que você pensa que está fazendo com o seu hyung?
— Hyung? Ah…
Seus olhos violeta cintilaram. Era um cintilar de mau agouro. Cha Eui Jae percebeu instintivamente que havia algo errado. Infelizmente, só conseguiu reconhecer isso, e não corrigir.
Um sorriso gelado apareceu em seu rosto pálido. Expirando suavemente, Lee Sayoung pressionou a testa contra a de Cha Eui Jae e então pôs para fora a língua negra, mordendo-a de leve.
— Você beija o seu irmão mais novo?
Os olhos de Cha Eui Jae se arregalaram. Foi a coisa mais sacrílega que ele já ouvira. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, ainda em choque, Lee Sayoung continuou resmungando enquanto passava os dedos pelo cabelo dele.
— A gente nem é parente de sangue, e nunca fomos ligados legalmente, então que irmão é esse…?
— Você, você… você…
— Eu não te disse no laboratório… que a sua atitude é contraditória.
— …
— Você devia mesmo pensar em quem eu sou e no que você quer de mim. Para de negar isso para si mesmo.
— …
— E não algo clichê como “família”.
Com um beijo leve na ponta do nariz, Lee Sayoung se levantou. Então, com um giro dramático do sobretudo, foi até o quarto e chutou Hong Yeseong, que ainda estava enrolado como um casulo no cobertor. Kkokko bateu as asas furiosamente, atacando o tornozelo de Lee Sayoung.
Deixado sozinho no chão, Cha Eui Jae pendurou a cabeça entre os joelhos, que havia erguido com os braços. Seu rosto estava vermelho em brasa.
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki