↫─☫ Episódio 158
𓆰𓆪 Episódio 158: O Que Está Escondido nas Frestas 𓆰𓆪
Pouco depois, eles estavam sentados um de frente para o outro à mesa. A única diferença em relação a antes era que Lee Sayoung havia tomado o lugar onde Kkokko estava, enquanto Kkokko agora se sentava ao lado de Cha Eui Jae. Com um braço apoiado atrás da cadeira, Lee Sayoung traçava lentamente a borda da xícara com o dedo indicador.
— …Então, resumindo.
Gole. Um gole. O dedo parou. Uma voz letárgica murmurou:
— Você percebeu que tem outra pessoa dentro de mim.
— É.
— E foi procurar o Hong Yeseong para descobrir o que está acontecendo…
Seu dedo negro apontou precisamente para Kkokko.
— E aquele frango desgraçado é o Hong—
— Espera, espera.
Cha Eui Jae rapidamente esticou a mão para tapar a boca de Lee Sayoung enquanto se levantava parcialmente da cadeira. Os olhos violeta se estreitaram. Ele levou um dedo aos próprios lábios com a outra mão e sussurrou “Shh”, como se quisesse enfatizar o ponto.
— A gente não pode dizer isso abertamente. Ainda tem muita coisa para ouvir.
Eles ainda não tinham descoberto como resolver aquilo. Não podiam simplesmente mandar o Hong Yeseong de outro mundo embora sem resolver o problema.
Naquele instante, a mão negra de Lee Sayoung agarrou o pulso de Cha Eui Jae com força, surpreendentemente forte, até para ele. Seus olhos se encontraram. O olhar de Lee Sayoung estava carregado de irritação. Ele afastou a mão de Cha Eui Jae de sua boca e rosnou, cortante:
— Não faz isso.
— O quê? …Tapar sua boca?
Cha Eui Jae se lembrou de algo que Bae Won-woo havia mencionado, Lee Sayoung odiava ser controlado. Cha Eui Jae retirou a mão da boca de Lee Sayoung, embora ele indicasse sua outra mão com um aceno de queixo.
— O “shh”.
Aquela foi uma resposta inesperada. Cha Eui Jae piscou, confuso, mexendo o dedo que havia posto contra os lábios.
— Isto? Por quê?
— …Só não faz. É irritante.
A resposta seca de Lee Sayoung foi seguida de silêncio enquanto fechava os olhos. Ele parecia completamente exausto. Sempre fora temperamental e difícil de lidar, mas agora parecia ainda pior, provavelmente porque tinha acabado de acordar de um coma de três meses. Cha Eui Jae estalou a língua baixinho.
“Certo, ele tem todos os motivos para estar instável…”
Ele não era mais apenas Lee Sayoung— era essencialmente duas pessoas em um só corpo. Lidar com um ele já era difícil o suficiente, e agora eram dois. Cha Eui Jae massageou o pescoço distraidamente enquanto seus instintos gritavam um alerta.
“O Lee Sayoung já é uma coisa, mas…”
Ele se lembrou de como os dedos de Lee Sayoung haviam deslizado por sua palma, o olhar dele completamente focado em Cha Eui Jae como se nada mais existisse. Aquela aura estranha e desgastada… o “Lee Sayoung” que já não parecia inteiramente humano.
E então…
Cha Eui Jae ergueu o olhar para Lee Sayoung. O outro, pressionando os dedos contra a têmpora, piscou como se percebesse o olhar dele. Cha Eui Jae desviou rapidamente os olhos, mas a atmosfera do outro lado da mesa ficou tensa. Se fosse uma pessoa comum, teria desmaiado só pela pressão. Droga, agora ele nem podia olhar para Lee Sayoung sem motivo. De um jeito ou de outro, Lee Sayoung era um problema.
Cha Eui Jae suspirou, dedilhando a borda da almofada.
“Isso vai ser exaustivo…”
Nenhum dos dois ia facilitar as coisas, isso estava claro. E ficar preso no meio? Ele é que ia sofrer mais. Nisso, Kkokko, que estivera quieto empoleirado sobre uma pilha de almofadas, abriu o bico.
— Posso falar agora?
— Se for sobre o estado do Lee Sayoung.
— Claro que é. Enfim, por algum motivo, as almas deles ainda não se fundiram completamente.
Lee Sayoung afastou uma mecha de cabelo do rosto e perguntou:
— Qual é o motivo?
— …
— …
Um silêncio constrangedor se seguiu. Lee Sayoung ergueu uma sobrancelha. Kkokko lançou um olhar para Cha Eui Jae, que rápida e discretamente cutucou Kkokko na lateral com o dedo. Sentindo a cutucada afiada, Kkokko respondeu mecanicamente:
— É só o que eu disse— algum tipo de interferência externa, um acidente infeliz, se preferir… Eu realmente não sei os detalhes!
Ele sabia.
— Ei, se você não sabe, pula essa parte. Não adianta insistir com uma causa desconhecida. Não vai dar em nada.
Ia dar em alguma coisa.
— …
Lee Sayoung lançou um olhar desconfiado para ele, mas Cha Eui Jae apenas sorriu. Afinal, nem mesmo Lee Sayoung poderia reclamar de alguém sorrindo, certo?
Felizmente, a tática funcionou. Depois de encarar o rosto dele por um longo momento, Lee Sayoung suspirou e virou a cabeça. Aproveitando a oportunidade, Cha Eui Jae cutucou Kkokko de novo. A galinha de cerâmica despejou palavras como uma secretária eletrônica.
— A verdade é que não existe solução clara agora. Não é como antes, quando mexer nisso causaria uma explosão, mas as coisas ainda estão instáveis. E o sistema provavelmente está observando.
— Você acha que eu vim até aqui para ouvir isso?
— Mas é a verdade. Aliás, como você está se sentindo?
Kkokko se virou para Lee Sayoung.
— Como está seu corpo? Vê alguma coisa incomum? Tem tido problemas com a memória?
— …
Lee Sayoung apertou os lábios com força. Uma casca que havia se formado em seus lábios rachou e começou a sangrar de novo. Cha Eui Jae e Kkokko esperaram pacientemente que ele continuasse. Por fim, Lee Sayoung pressionou os dedos contra a têmpora e falou devagar:
— …Minhas memórias estão todas embaralhadas. As minhas e… as de outra pessoa, tudo misturado.
— …
— Quer que eu seja mais honesto?
Os olhos violeta de Lee Sayoung ardiam como fogo, como se quisessem consumir Cha Eui Jae inteiro. Inclinando-se sobre a mesa, ele cuspiu as palavras em voz baixa:
— Mais cedo, eu achei que você estivesse morto.
— …
— Tinha sangue escorrendo pela sua cabeça e pescoço… Hah, porra. Achei que tinha perdido a cabeça.
De repente, Cha Eui Jae se lembrou do dia no monumento memorial, quando Lee Sayoung tocou sua cabeça e sua têmpora, o rosto branco de medo…
Com uma respiração curta, Lee Sayoung enterrou o rosto nas mãos.
— Quando eu percebo que isto é real, fica… melhor. Mas quando eu acordo… é aí que fica ruim.
Uma sombra cruzou seu rosto pálido. Lee Sayoung pressionou a mão contra o peito.
— Eu consigo senti-lo dentro de mim… outra versão de mim. Mas não parece estranho… É como se ele afirmasse ser eu também. Ele é parecido comigo.
Seus lábios vermelho-sangue se torceram num sorriso amargo.
— Nojento…
— …
— Bom…
Lee Sayoung se levantou lentamente. Enfiou as mãos nos bolsos de seu sobretudo de couro preto, depois inclinou a cabeça, olhando para Kkokko.
— Satisfeito agora? Hong Yeseong.
O ar pareceu congelar. Momentos depois, um vento feroz se levantou. Uuuung. Uma janela branca e brilhante apareceu diante dos olhos deles. Os olhos de Kkokko se arregalaram enquanto ele abria freneticamente o bico.
— Espera, você me ouviu ou não? Se falar assim abertamente, eu vou ser expulso—
— Eu sei.
Lee Sayoung curvou os lábios num sorriso cruel.
— Eu fiz de propósito. Para me livrar de você.
— Seu desgraçado ingrato!
Hong Yeseong bateu as asas de raiva, mas Lee Sayoung apenas o olhou de cima com olhos frios.
— Eu não preciso da sua ajuda. Eu sei melhor do que ninguém.
— Você o quê?
Lee Sayoung fechou a mão em torno da própria garganta, como se estivesse se estrangulando.
— Eu sei exatamente o que ele quer… melhor do que ninguém.
— …
— Então some daqui.
Hong Yeseong lançou um olhar ressentido para Cha Eui Jae.
— Amigo, o que você fez criando esse garoto?
Cha Eui Jae ficou pasmo.
— Por que eu estou sendo xingado de repente?
— O Lee Sayoung que eu conhecia não era tão mal-educado!
Cha Eui Jae não teve resposta para isso. Ele conhecia o Lee Sayoung de quem Hong Yeseong falava— aquele que usava avental e o recebia em casa com um omelete enrolado. Cha Eui Jae não conseguiu evitar uma leve tontura.
“Viver longe de mim o mudou tanto assim?”
Naquele instante, um aroma doce chegou, e uma respiração quente fez cócegas na orelha de Cha Eui Jae. Lee Sayoung, que havia se aproximado, se inclinava para sussurrar.
— Não é isso.
— …
— Eu sempre fui mal-educado.
— …
— Eu só fingia ser gentil.
Sua voz baixa roçou a orelha dele. Um arrepio percorreu sua espinha. Justo quando Cha Eui Jae estremeceu, Hong Yeseong gritou:
— Chega! Eu vou embora antes de ser expulso!
Um clarão de luz branca irrompeu do corpo de Kkokko. Quando se dissipou, Cha Eui Jae rapidamente pegou Kkokko no colo. Ele piscou os olhos pretos. A inteligência que antes residia em seus olhos pretos como contas havia sumido. O que restava diante dele era apenas uma galinha de porcelana reluzente— não Hong Yeseong, mas o verdadeiro Kkokko.
— Cocó?
“Droga, ele me deixou pra trás!”
Cha Eui Jae tremeu com uma sensação aguda de traição. Ele o considerara um amigo, mas agora Hong Yeseong havia fugido, abandonando-o sozinho com o insuportável Lee Sayoung!
Kkokko bateu as asas freneticamente e escapou das mãos de Cha Eui Jae. Então, desapareceu no quarto, provavelmente para se aninhar ao lado de Hong Yeseong, que descansava sob um cobertor. Finalmente, estavam sozinhos. Lee Sayoung falou suavemente:
— Hyung.
Cha Eui Jae não respondeu, baixando a cabeça. Seu coração pesava. Lee Sayoung, imperturbável, passou os dedos pela nuca exposta dele.
— A cor do seu cabelo…
Os dedos negros de Lee Sayoung deslizaram pelas mechas cinzas, fazendo leves cócegas. A cabeça de Cha Eui Jae estremeceu levemente com a sensação. Depois de brincar com os fios curtos por um momento, Lee Sayoung murmurou para si mesmo:
— Ficou mais branco.
— …Sério?
— É…
As palavras de Lee Sayoung sumiram. Cha Eui Jae ergueu a cabeça para checar a cor do próprio cabelo, apenas para se ver encarando diretamente os olhos violeta de Lee Sayoung.
— Então… Hyung.
— …
Lee Sayoung se ajoelhou sobre um joelho diante de Cha Eui Jae. Lentamente, sua mão se estendeu para cobrir os olhos dele. A escuridão caiu sobre ele. Os lábios de Cha Eui Jae se entreabriram em expectativa. Ele ouviu uma risada suave, como se em aprovação. Algo quente e áspero roçou seus lábios— uma mistura do gosto metálico de sangue e um toque de doçura.
Entre seus lábios unidos, uma risada baixa escapou.
— Ah, agora eu entendi…
— …
Lee Sayoung se afastou um pouco, mordiscando levemente o próprio lábio inferior.
— Você me beijou, não foi? Enquanto eu estava dormindo.
Ah, merda.
— Agora eu sei.
Antes que Cha Eui Jae pudesse responder, algo macio deslizou entre seus lábios. Sua resposta se dissolveu no emaranhado de suas línguas. Ele apertou os olhos.
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki