↫─☫ Episódio 157
𓆰𓆪 Episódio 157: O Que Está Escondido nas Frestas 𓆰𓆪
Cha Eui Jae encarou o sorriso confiante de Hong Yeseong, congelado no tempo, sem saber o que dizer. Os dois haviam feito uma promessa em um passado do qual ele não conseguia se lembrar.
“Para salvar o mundo.”
Cha Eui Jae abriu e fechou o punho. Era aceitável esquecer uma promessa tão importante? Teria feito algo cruel demais com Hong Yeseong?
Então, ele de repente falou:
— Ei, ei, não leva tão a sério. Essa promessa foi por minha causa, sabia? Você não queria fazer, mas eu insisti e insisti até você aceitar.
Os olhos de Cha Eui Jae se arregalaram.
— O quê?
— Bom… não sei se você percebe isso agora, mas eu tenho uma tendência a trocar de interesse bem rápido. Não consigo focar em uma coisa por muito tempo. Enjoo fácil. Se parece uma obrigação, eu não quero fazer. Eu só quero me divertir.
Havia um brilho travesso sob a superfície de suas emoções.
— Mas salvar o mundo é diferente.
— …
— Eu já te vi salvar o mundo várias vezes, sabia?
— …
— Parecia muito maneiro. Então pensei que dessa vez eu ia junto enquanto você salva o mundo.
Empolgação se insinuou na voz de Hong Yeseong.
— Então, o que achou? Ajudou? Só eu posso fornecer deduções e informações de primeira linha assim, não é?
O Hong Yeseong da fotografia desbotada em preto e branco estava sorrindo. Ele provavelmente vinha sorrindo esse tempo todo. Cha Eui Jae mal conseguiu forçar as palavras que subiam por sua garganta.
— Obrigado.
— …
— Você se manteve preso aqui… só para cumprir essa promessa.
Cha Eui Jae conhecia melhor do que ninguém a solidão que acompanha o isolamento, quão precioso era o calor dos outros.
O Cha Eui Jae do primeiro mundo não deve ter se sentido sozinho. Mesmo depois de perder Lee Sayoung, ele pôde decidir salvar o mundo porque Hong Yeseong estava ali ao seu lado. Devia ter sido por isso que, em vez de enlouquecer, ele decidiu voltar o tempo e recuperar Lee Sayoung.
Mas quantas pessoas teriam olhado para dentro da fotografia de Hong Yeseong depois que ele se aprisionou nela? Talvez Cha Eui Jae fosse o primeiro. O “Cha Eui Jae” do mundo anterior tinha morrido cedo, afinal. Ele falou:
— Eu…
— Ah, deixa pra lá. Vamos parar com as coisas pesadas por aqui. O estado do Lee Sayoung é mais importante, não é… né?
A luz na atmosfera mudou de foco. Hong Yeseong murmurou:
— Parece que o Lee Sayoung está acordando. Aquele cara tem um instinto afiado.
— Acordando? Espera um pouco.
— Ai, ai, ele provavelmente está batendo a sua cabeça na mesa agora.
— O quê? Ei, você—
— Vamos lá!
Antes que ele pudesse terminar a frase, Cha Eui Jae sentiu algo agarrar sua cabeça e puxá-la para cima. Ele engoliu os palavrões enquanto era arrastado.
Com um arquejo, Cha Eui Jae despertou de repente como se emergisse debaixo d’água, e instintivamente prendeu a respiração.
Olhos roxos o encaravam diretamente.
Cha Eui Jae rapidamente ergueu o tronco. Parecia que havia perdido a consciência, desabado sobre a mesa. O céu azul do entardecer havia sido engolido pelo pôr do sol.
Parecia que bastante tempo tinha passado. Cha Eui Jae correu os olhos ao redor. Lee Sayoung, que estava com a cabeça inclinada e o observava, continuou encarando sem desviar o olhar. Seus olhos afiados pareciam prontos para devorá-lo. Ele chamou com cautela:
— …Sayoung? Você acordou?
— …Hah.
Um escárnio curto escapou. Então, o rosto de Lee Sayoung se abriu num sorriso radiante, os olhos se curvando em meias-luas. O brilho daquele sorriso fez Cha Eui Jae desviar o olhar. Lee Sayoung perguntou suavemente, com voz macia e gentil:
— Você devia estar muito cansado, né?
— Não… Bom…
— É, bom… Eu entendo. Você tinha motivos para estar cansado…
Cha Eui Jae, que vinha evitando seu olhar, pegou um vislumbre da tela do celular de Lee Sayoung.
[J, Redefinindo o Ranking Número 1.]
[As Jogadas Ousadas de J Continuam… O Que Se Passa na Cabeça Dele?]
[Herói J: Como Ele Voltou da Fenda do Mar do Oeste.]
Parecia que Lee Sayoung tinha pesquisado “J” no portal de notícias. A tela estava cheia de manchetes sobre J. Um arrepio percorreu a espinha de Cha Eui Jae, do pescoço até a cintura.
“Ah, merda.”
— Eu entendo. Você tem trabalhado tanto… Certo?
Lee Sayoung, que estava agachado, se sentou direito e se inclinou para frente, com as mãos apoiadas no chão. Ele se inclinou para trás na mesma medida em que Lee Sayoung avançava.
— Não, é que… Você desabou de repente.
— Eu desabei mesmo.
— E a situação do mundo parecia bem séria, não parecia?
— Suponho que sim.
— Ia dar muito falatório com a ausência do ranking número dois…
— Entendo. Então você entrou em cena?
— Não, é que… eu conheço os monstros que estão aparecendo agora melhor do que ninguém.
— Ahá…
Lee Sayoung soltou um suspiro longo e passou a mão bruscamente pelo cabelo.
— Então você estava tão cansado que adormeceu aqui com a cabeça na mesa? Sem nem se deitar?
— Não, eu não dormi porque estava cansado.
— Que dedicação…
Era injusto. Mas como ele poderia explicar que estava tendo uma conversa secreta com Hong Yeseong, que no momento possuía o corpo de Kkokko, e com os outros de um mundo diferente? Não podia sobrecarregar alguém que tinha acabado de acordar com aquilo.
Cha Eui Jae olhou para Kkokko. Fez um gesto, esperando alguma ajuda, mas Kkokko já havia virado o corpo e estava sentado de costas para ele. As costas pequenas e redondas lembravam um velho resmungando: “Não quero ver”.
“Esse maldito…”
Cha Eui Jae o fuzilou com o olhar. Toda a sua gratidão evaporou. No fim, não teve escolha senão recorrer à sua jogada habitual.
Cha Eui Jae esticou os braços e os envolveu no pescoço dele, puxando-o. Apesar da irritação anterior, ele veio sem resistência. Eui Jae, segurando Lee Sayoung de forma desajeitada, gaguejou uma pergunta:
— Seu corpo… está bem?
— …
— Você estava chorando tanto mais cedo que achei que tivesse acontecido alguma coisa.
— Eu já disse que não estava chorando.
— Ei, eu vim aqui para perguntar uma coisa. Aquela coisa dentro de você…
— …Eu sei.
Lee Sayoung respondeu secamente, envolvendo os braços na cintura dele. Então, com um suspiro baixo, esfregou a cabeça no pescoço dele.
— O Hong Yeseong estava desmaiado do meu lado, aliás.
Como sempre, as palavras de Lee Sayoung não eram tão fofas quanto suas ações. Cha Eui Jae acariciou mecanicamente sua cabeça, vendendo a honra do Hong Yeseong adormecido.
— Ele apagou de repente enquanto falava. Provavelmente bebeu demais ontem à noite.
— …Sério? Então, ele disse alguma coisa?
— Ainda não.
Eles continuaram conversando baixinho, abraçados. Quanto tempo haviam ficado abraçados quando uma vibração foi sentida atrás deles? Era o celular de Lee Sayoung. Ele afrouxou os braços da cintura de Cha Eui Jae e checou a tela. Uma careta vincou seu rosto.
— …Já volto. Preciso atender essa ligação.
— Tá. Pode ir.
Lee Sayoung desapareceu nos fundos da casa de telhado de palha. Nenhum som podia ser ouvido, mesmo quando Cha Eui Jae aguçou os ouvidos. Será que ele tinha saído da barreira? Cha Eui Jae chutou de leve a esteira onde Kkokko estava sentado.
— Ei, traidor.
— Traidor? Eu prefiro que você me chame de verdadeiro amigo que deu a vocês dois um tempo a sós.
— Cala a boca. Me conta mais sobre o Lee Sayoung.
— Para isso, a gente teria que voltar para aquele espaço. O assunto é delicado demais para discutir aqui.
Quanto mais falavam, pior ficava. Se Lee Sayoung voltasse e encontrasse Cha Eui Jae deitado sobre a mesa de novo, quem sabe como ele reagiria dessa vez? Ele pensou rápido e, baixando a voz para um sussurro, perguntou:
— Certo. Então, você sabe alguma coisa sobre a Prometheus? Qualquer coisa, só desembucha.
Kkokko, que havia inclinado levemente a cabeça, também cobriu o bico com a asa e respondeu:
— Não sei.
Cha Eui Jae não esperava aquela resposta. Depois de agir como um sábio que sabia de tudo, agora Kkokko se fazia de desentendido? Cha Eui Jae o encarou com desconfiança.
— Por que você não sabe? Você agia como se soubesse de tudo.
— Bom, esse tipo de gente não deixou muito rastro no meu mundo. Um nome grandioso desses? Eu só vi em Mitologia Grega e Romana para Crianças.
O olhar desconfiado de Cha Eui Jae permaneceu fixo em Kkokko. Sentindo a desconfiança, Kkokko bateu no braço de Cha Eui Jae com a asa.
— Olha, estou te falando, eu só descobri esses caras depois de ficar te observando neste mundo.
— E quanto à droga que faz os Despertos mudarem?
— De jeito nenhum. Este mundo é especialmente brutal.
— …
Os olhos deles se encontraram. Uma organização que não existia no mundo anterior agora aparecia neste. Cha Eui Jae murmurou baixinho:
— Então, isso também pode ser outro efeito colateral?
— Parece que sim, não é?
— Droga. Como é que isso é um efeito colateral? Por que todo mundo enlouqueceu junto?
— Eu também não sei. Isso é algo que você tem que descobrir sozinho. Agora, me dá mais nurungji.
Cha Eui Jae obedientemente ofereceu outro pedaço de nurungji.
— Ei. Mais uma pergunta.
Kkokko, que vinha bicando o nurungji, ergueu o olhar com uma inclinação curiosa de cabeça.
Não importava quanto tempo passasse, Cha Eui Jae não conseguia se acostumar a ouvir a voz de Hong Yeseong saindo de um rosto tão fofo. Talvez estivesse pior dessa vez porque ele acabara de ver a imagem congelada de Hong Yeseong naquela fotografia. Quebrando um pedaço do próprio nurungji, Cha Eui Jae perguntou, atrapalhando-se:
— Você… sempre foi o Kkokko? Você era aquele que ficava cacarejando também?
Kkokko deixou cair o pedaço de nurungji que segurava no bico. Um olhinho de feijão se arregalou de choque.
— Você está perguntando isso seriamente?
— Só responde. Eu preciso rever meu passado.
— Amigo… que tipo de pessoa você acha que eu sou?
Kkokko inclinou a cabeça, indignado. Observando-o, Cha Eui Jae se sentiu igualmente irritado. Aquela criatura reluzente, redonda e adorável estava se comportando de forma esquisita demais. Kkokko bateu as asas.
— É só temporário que eu estou pegando emprestado o corpo do Kkokko. Como isto foi feito pelo Hong Yeseong, foi fácil habitar. Mas eu não tenho o hábito de fazer isso.
— Por que você não voltou no corpo dele? Não seria mais fácil?
— Tem um motivo complicado para isso…
Kkokko piou, gingando até o adormecido Hong Yeseong, que estava deitado com o braço apoiado numa almofada, estalando os lábios enquanto dormia. Observando a cena, Cha Eui Jae ponderou por um momento. Como seria olhar para o próprio corpo tão de perto, da perspectiva de outro?
— O garoto é meio estranho, não é? Tipo, falta um parafuso nele.
— Cof!
Pego de surpresa pelo momento repentino de autorreflexão, Cha Eui Jae tossiu com força, cobrindo a boca. Kkokko, impassível, continuou falando.
— Mas não tem jeito. Uma alma que deveria ser inteira foi dividida. Então, com a alma incompleta, alguma coisa fatalmente vai faltar.
— O quê? Mas o Lee Sayoung… espera.
Cha Eui Jae ergueu a cabeça de supetão. Não havia sinal de Lee Sayoung.
Não, isso era…
— O que foi?
Cha Eui Jae rapidamente agarrou o bico de Kkokko. Ele se debateu, batendo as asas com raiva, mas, ao perceber a tensão, manteve o bico firmemente fechado.
Não era que ele não conseguisse sentir Lee Sayoung— era mais como se Lee Sayoung estivesse deliberadamente escondendo sua presença. Os olhos de Cha Eui Jae brilharam brevemente em azul e, naquele instante, Lee Sayoung se revelou. Parado em silêncio, Lee Sayoung enfiou as mãos nos bolsos do sobretudo e curvou os lábios num sorriso.
— Hmm… Eu achei que fosse culpa minha.
— …
— Pensei que talvez, enquanto eu dormia, você tivesse ficado tão sozinho que desenvolveu o hábito de falar com galinhas…
— …
— Então…
Com passos silenciosos, Lee Sayoung se aproximou, agachando-se levemente para ficar na altura dos olhos dele. Seus olhos violeta cintilavam de divertimento.
— Quem é esse cara?
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki