↫─☫ Episódio 151
𓆰𓆪 Episódio 151: O Que Se Reflete no Espelho 𓆰𓆪
Honeybee, que teve o ombro agarrado, falou com uma expressão perplexa:
— Exatamente o que eu disse. Foi há umas quatro horas. Houve um avistamento do Lee Sayoung em Incheon. Bom, você conhece o Lee Sayoung. Ele ia sempre a Incheon e se movia como bem entendia. Achei que ele estivesse só usando isso como desculpa para fazer outra coisa de novo, mas…
Observando a reação de Cha Eui Jae, ela ergueu as sobrancelhas.
— Será que ele realmente tinha um problema de saúde?
— Você tem foto?
— É do Canal dos Caçadores, então não tem foto…
— Seo Min-gi!
— Já estava ouvindo.
Seo Min-gi de repente enfiou a cabeça para fora da sombra de Cha Eui Jae. Honeybee levou um susto.
— Mas que— por que essa pessoa está aqui?
— No momento, o cliente é meu mestre. Vou verificar o Canal dos Caçadores e os boatos, então, por favor, verifique seu celular, senhor. Se a Honeybee estiver certa, o senhor deve ter recebido algumas mensagens.
Seo Min-gi, meio submerso na sombra, esticou o braço e entregou um celular. Era um celular de contato que Seo Min-gi havia recuperado. Assim que foi ligado, uma enxurrada de notificações de chamadas perdidas apareceu. Todas elas eram de…
[Jung Bin]
— …
Cha Eui Jae mordeu o lábio. Era como se o chão sob seus pés estivesse girando. Depois de um momento de hesitação, ele apertou o botão de chamada. O tom de discagem ecoou por um longo tempo, e os pensamentos de Cha Eui Jae acompanharam, um atrás do outro.
“É verdade que o Lee Sayoung acordou?”
De repente?
Claro, ninguém sabia quanto tempo levaria para ele acordar. Disseram que esperar era a melhor opção. Mas acordar sem nenhum sinal prévio e, ainda por cima, ir direto para Incheon sem contatar ninguém?
Sem me contatar?
— …
Bipe. A ligação se conectou naquele momento.
— Jung Bin.
— Ah, J… Você já saiu da masmorra? Está machucado em algum lugar?
A voz de Jung Bin soava exausta. Cha Eui Jae inconscientemente esfregou o sapato numa pedra.
— Acabei de saber. O Lee Sayoung…
— Ah, então você soube. Então vou direto ao ponto.
Jung Bin pigarreou.
— O Lee Sayoung foi avistado pela primeira vez na cidade de Incheon há 4 horas e 30 minutos e parece estar em movimento desde então. Segundo o relatório da Guilda Pado, ele foi visto pela última vez perto da região do Mar do Oeste. Hum. Mais especificamente, perto do Memorial da Fenda do Mar do Oeste.
— …
O aperto de Cha Eui Jae no celular ficou um pouco mais forte.
— Eu deveria ter ido, mas não consigo sair daqui agora… Me desculpe. Também não posso mobilizar ninguém da Agência de Gerenciamento de Despertos.
No momento em que a Agência de Gerenciamento de Despertos se mover, todos os olhos estarão em Lee Sayoung. Cha Eui Jae esfregou distraidamente as pontas do cabelo e murmurou:
— Não, obrigado por me avisar. Eu vou.
— Sim, então…
Jung Bin encerrou a chamada às pressas. Cha Eui Jae segurou o celular por um momento antes de passar a mão pelo cabelo com força.
De Mokpo a Incheon?
Se tivesse o pergaminho de Hong Yeseong, poderia se mover instantaneamente, mas o único pergaminho que tinha já havia sido usado para chegar a Mokpo. Cha Eui Jae olhou em volta e cruzou olhares com Honeybee. Ela devia ter vindo de Seul. Percebendo isso, Cha Eui Jae perguntou rapidamente:
— Honeybee, o que você pegou para chegar a Mokpo?
— Vim de helicóptero da guilda… mas ainda assim demorou bastante. Hmm, seja lá o que for, não é urgente?
— …
— Você não vai se satisfazer com a velocidade do helicóptero, não é?
Ela estava certa. Se não houvesse um jeito imediato de se locomover, a frustração só aumentaria. Essa situação era toda porque Hong Yeseong era excepcional demais. Cha Eui Jae cerrou os dentes.
De repente, algo bateu no tornozelo de Cha Eui Jae. Era Seo Min-gi, que havia emergido pela metade da sombra.
— Felizmente, a questão do transporte parece resolvida, senhor.
— O quê?
— Assim que o avistamento foi relatado no canal dos Caçadores, o Abridor Romântico foi procurar o líder de guilda. E acontece que ele está por perto agora.
Abridor Romântico. Sua habilidade era abrir portas que levavam a outros lugares. Seo Min-gi ajeitou casualmente os óculos escuros, que reluziram ao captar a luz.
— Um indivíduo talentoso deve ser usado no lugar certo.
Cha Eui Jae lhe deu um joinha em aprovação.
***
— Sim, então…
Jung Bin encerrou a chamada e soltou um suspiro longo. Seu rosto, normalmente calmo e composto, agora estava afogado, com manchas de vermelhidão florescendo por ele. Ele tirou o paletó e arregaçou até os antebraços as mangas levemente chamuscadas da camisa, revelando cicatrizes que marcavam seu braço direito.
Ele estava em um cômodo enegrecido. Não, para ser preciso, era um cômodo comum, mas havia perdido sua cor original por causa das chamas e da fuligem. As únicas coisas que mantinham a aparência original eram Jung Bin e outro homem.
No fundo do cômodo, um homem estava ajoelhado, firmemente amarrado por correntes negras. Um par de óculos tortos era visível sob sua cabeça baixa. Um gemido baixo escapou de seus lábios. Jung Bin afastou o cabelo desgrenhado.
— Está começando a recobrar os sentidos?
O homem ergueu lentamente a cabeça.
— Matthew.
Uma expressão curiosa cruzou seu rosto severo.
— …Onde é isto?
— Este é o porão da Guilda Seowon. A Honeybee te trouxe aqui. Ela disse que te trouxe porque estava preocupada com vazamento de informação caso você fosse levado à Agência de Gerenciamento de Despertos. O Nam Woo-jin disse que seria demais para ele lidar sozinho, então me chamou.
Jung Bin deu um sorriso amargo.
— Infelizmente, não posso negar o risco de vazamento de informação…
— É mesmo…
— Você não recobrou a compostura apesar de todos os nossos esforços, então tivemos que te conter. Me desculpe.
Matthew, cujo nome verdadeiro era Mok Tae-oh, piscou com cansaço e inclinou levemente a cabeça para trás. Ele assentiu devagar, e seus óculos tortos caíram no chão.
— …Obrigado. Estou começando a recobrar os sentidos.
— Não se dê o trabalho de me agradecer. Vou fazer questão de que você me pague isso dez vezes.
Uma voz descontente interrompeu, acompanhada do som de uma porta sendo aberta com um chute. Era Nam Woo-jin, vestindo um jaleco branco. Seus olhos claros estavam cheios de irritação.
— Se aquele funcionário público não tivesse aparecido a tempo, você teria incendiado o prédio inteiro. Incluindo os livros valiosos. Vai demorar um bom tempo para tirar o cheiro de queimado.
— …
Mok Tae-oh assentiu em silêncio. Jung Bin perguntou:
— O que aconteceu, assim de repente? Você teve dificuldade de controlar suas habilidades?
Até então, Jung Bin conhecia Mok Tae-oh como alguém mais obcecado do que qualquer um em controlar suas habilidades. Até assar marshmallows e lulas fazia parte de seu treinamento de controle. Nam Woo-jin, que havia tomado posição ao lado de Jung Bin com os braços cruzados, interveio:
— É isso que eu vim perguntar. Matthew, você tomou algum tipo de droga?
Os olhos de Jung Bin se arregalaram.
— Droga? Você não quer dizer…
— Sim. A que estamos investigando esse tempo todo. Ele está viciado nessa droga. Eu sei que você não a tomaria por vontade própria.
Mok Tae-oh, que vinha piscando com cansaço, perguntou:
— A Honeybee… onde ela está? Ela está machucada?
— Ela te largou aqui e foi embora, dizendo que tinha algo para encontrar. Não está machucada. Estava totalmente equipada com traje resistente ao fogo.
Nam Woo-jin, que vinha respondendo com fluidez, estreitou os olhos e apontou o dedo.
— Responda minha pergunta primeiro. Alguém como você— onde foi que colocou as mãos na droga? Para perder o controle a esse ponto, você deve ter tomado uma quantidade significativa. Você não notou nada estranho?
Atrás de Nam Woo-jin, um menino pequeno apareceu, empurrando um carrinho. Sobre o carrinho havia várias seringas e medicamentos cuidadosamente organizados. Jung Bin perguntou, preocupado:
— Você consegue desintoxicá-lo?
— Não sei. Vou ter que tentar para descobrir. Ei, Matthew! Não perca o foco e responda à minha pergunta.
— Isso…
Mok Tae-oh expirou um longo bafo quente. Então, justo quando seus olhos pareciam prestes a revirar, ele os virou completamente.
Jung Bin gritou:
— Droga, para trás!
Bum—!!
***
Bum—!!
Um sapato preto chutou violentamente uma porta marrom-escura. A porta separava dois mundos diferentes— um lado levava ao mar aberto, enquanto o outro era margeado por restaurantes de frutos do mar iluminados por neon. Abridor Romântico, que segurava a maçaneta, oscilou fracamente.
— Cuidado… cuidado com a porta… Ugh.
Mas Cha Eui Jae não tinha o luxo de checar o estado dele. Agarrando seu ombro trêmulo, ele exigiu:
— Ei. Cadê o Lee Sayoung? Onde ele está?
— A-a fenda do Mar do Oeste… o memorial… ugh…
Ao ouvir a resposta de que precisava, Cha Eui Jae o soltou e começou a correr. Seo Min-gi ergueu o desmoronado Abridor Romântico e olhou para a porta que levava a Mokpo.
— Você também vai usar a porta, Honeybee?
— …Não, estou bem. Preciso voltar de helicóptero.
Honeybee afastou o cabelo loiro e se virou.
— Não esqueça de passar a mensagem para o Lee Sayoung.
Tump, tump, tump. Os restaurantes de frutos do mar que margeavam a estrada à beira-mar começaram a desaparecer a cada passo que Cha Eui Jae dava. Os letreiros de neon que turvavam sua visão e as músicas de amor que perfuravam seus ouvidos foram sumindo aos poucos. Os arredores foram ficando cada vez mais silenciosos, com apenas o bater de seu coração ecoando em seus ouvidos. Cha Eui Jae cerrou os dentes, o cabelo cinza chicoteando no vento.
Tump.
Eu não posso me atrasar de novo.
Tump.
Por favor!
Tump!
Finalmente, Cha Eui Jae diminuiu o ritmo, recuperando o fôlego. Diante dele havia um monumento de pedra imponente, um memorial às vítimas da fenda do Mar do Oeste. Era a primeira vez que o via pessoalmente.
O nome no topo do monumento era…
[J]
— …
Dentro da grade de segurança que cercava o memorial, uma figura escura estava encolhida. A barra de um sobretudo preto jazia jogada no chão. Cha Eui Jae o chamou com cautela.
— …Lee Sayoung?
A figura escura ergueu lentamente a cabeça.
Cabelo preto desgrenhado, olhos violeta espiando por entre as mechas, um rosto sem cor e lábios ensanguentados de tanto serem mordidos. Era Lee Sayoung. Tomado pela emoção, Cha Eui Jae não conseguiu conter as palavras.
— Se você acordou, devia ter entrado em contato comigo, ou pelo menos falado com os outros membros da guilda…
Mas ele não conseguiu terminar a bronca. Parou onde estava. Lee Sayoung, ainda pálido, o encarava sem expressão. E aquele rosto parecia como se…
…como se ele tivesse visto um fantasma.
— S-Sayoung?
Cha Eui Jae chamou seu nome de novo com cautela. Como se aquele fosse o sinal, Lee Sayoung se levantou lentamente e cambaleou na direção dele. Cha Eui Jae pulou rapidamente a grade e correu para amparar seus ombros vacilantes. Seus olhos pareceram se encontrar.
Um dedo frio e enegrecido tocou a bochecha de Cha Eui Jae. Lee Sayoung continuou tateando, sentindo o lado esquerdo da testa dele, sua têmpora, e passando pelo cabelo. As pontas de seus dedos tremiam incontrolavelmente. Cha Eui Jae cobriu cuidadosamente a mão de Lee Sayoung com a sua.
— O que há de errado com você?
Naquele momento,
Ploc…
Uma lágrima deslizou por sua bochecha pálida e caiu.
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki