↫─☫ Episódio 152
𓆰𓆪 Episódio 152: O Que Se Reflete no Espelho 𓆰𓆪
As lágrimas que começaram a escorrer, gota a gota, logo passaram a cair rapidamente. Cha Eui Jae ficou congelado, ainda segurando a mão de Lee Sayoung.
“Ele está chorando?”
Lee Sayoung?
“Por quê?”
O que poderia fazê-lo chorar assim que me viu? Uma enxurrada de pensamentos borbulhou em sua mente.
“Porque eu não estava lá quando ele acordou?”
Não tem como o Lee Sayoung chorar por algo assim. Cha Eui Jae descartou a primeira possibilidade. Lee Sayoung teria mais chance de ficar irritado ou bravo, mas chorar? Nem pensar. Ou talvez…
“Ele sonhou que eu morria?”
— …
Cha Eui Jae ergueu o olhar da mão que vinha encarando e olhou para Lee Sayoung. Ele engasgou de leve.
O rosto pálido que o encarava de volta estava chocantemente desprovido de emoção. A expressão que antes parecia a de quem tinha visto um fantasma havia sumido por completo. Era como se aquela tivesse sido a última emoção restante.
Ele apenas encarava. Cha Eui Jae. Como se nada mais importasse, aqueles olhos violeta, antes transbordando de tantas emoções, agora refletiam apenas uma pessoa, como um espelho.
Apenas Cha Eui Jae.
— …
Cha Eui Jae abriu a boca para dizer algo, mas a fechou de novo.
Havia algo “errado” no Lee Sayoung diante dele. Se não fosse pelo fluxo constante de lágrimas e pelo calor que emanava da mão que segurava, Cha Eui Jae poderia ter pensado que ele não estava vivo de jeito nenhum— como se de algum modo estivesse…
…separado deste mundo.
Assim que esse pensamento lhe cruzou a mente, sua visão nadou. Uma dor de cabeça latejante o atingiu. Cha Eui Jae fez uma careta, segurando a cabeça. A mão que segurava a dele escorregou como uma cobra.
Lábios manchados de sangue, vermelhos de tanto serem mordidos, se abriram.
— Cha Eui Jae.
Ao ouvir seu nome, o corpo de Cha Eui Jae enrijeceu. Foi uma reação instintiva. A mão enegrecida que o tocara antes envolveu de novo a mão dele, puxando-a suavemente para mais perto. Então, ela traçou lentamente a longa cicatriz em sua palma. Um arrepio percorreu a espinha dele.
— …Eu achei que tudo tinha sido em vão.
— …
— Tudo o que eu fiz…
Um suspiro curto escapou. Cílios longos e carregados de lágrimas tremeram. Através dos olhos espelhados, um leve traço de ternura emergiu.
— Estou aliviado.
— …
— Você parece bem…
Ele baixou a cabeça perto da mão de Cha Eui Jae, parando pouco antes de tocá-la. Seus lábios se moveram, deixando uma pequena fresta.
— …Eu protegi?
— …O quê?
— Claro… provavelmente não protegi.
Lee Sayoung soltou a mão dele e deu um passo atrás. Deixado na mão de Cha Eui Jae estava o relógio que ele havia esquecido. O ponteiro dos segundos seguia tiquetaqueando. Lee Sayoung, com as mãos enfiadas nos bolsos do sobretudo, indicou o relógio com o queixo.
— Cuide bem desse relógio… Ele é importante.
Cha Eui Jae apertou o relógio com força e ergueu o olhar. Enquanto o vento soprava, o cabelo preto e o sobretudo de Lee Sayoung esvoaçavam. Uma sensação estranha subiu pelos pés de Cha Eui Jae.
“Aquele” Lee Sayoung não era o Lee Sayoung que ele conhecia. E, no entanto, também era o “Lee Sayoung que ele conhecia”.
De repente, sua visão embaçou.
Tudo estava vermelho. O cheiro metálico de sangue não se dissipava. Seu corpo estava dormente. Sua garganta seca ardia de dor, mas ele continuava murmurando. Sabia que não suportaria o silêncio.
Não havia ninguém para fazer barulho por ele. A dor física havia se embotado, mas a cena que perfurava seu coração era inescapável…
Flap.
Algo preto cobriu sua cabeça e a parte de cima de seu corpo. A cena vermelha desapareceu, e a escuridão caiu. Cha Eui Jae parou lentamente de murmurar. Ele sentiu a presença de algo vivo.
— …
— …
— …
Um calor morno o tocou através do sobretudo. Alguém sussurrou.
— Volte… Em silêncio… por favor.
Sua mente aturdida despertou de repente. O som das ondas quebrando no quebra-mar e recuando de volta ao mar aguçou seus sentidos. Mas ainda parecia que uma pedra pesada pressionava sua cabeça.
Franzindo a testa, Cha Eui Jae perguntou:
— Você… O que você é? Por que…
— Ah…
Ele murmurou:
— Não consigo aguentar muito mais…
Lee Sayoung, que havia piscado algumas vezes, fechou os olhos. Naquele momento, seu corpo grande perdeu o equilíbrio e desabou. Cha Eui Jae estendeu rapidamente os braços para segurá-lo. O volume pesado caiu sobre ele, mas ele não cambaleou. Logo, um gemido fraco escapou de Lee Sayoung em seus braços.
— Droga…
A voz estava carregada de irritação. Cha Eui Jae olhou para a cabeça de cabelos pretos aninhada em seus braços. Lee Sayoung piscou, como se tentasse compreender a situação, e então arregalou os olhos ao ver Cha Eui Jae o segurando. Seus olhos estavam inchados e vermelhos, e seus longos cílios ainda úmidos de lágrimas.
— …Hyung? O que está acontecendo?
Lee Sayoung, percebendo que era Cha Eui Jae quem o segurava, se endireitou e olhou em volta. Então, notando o monumento memorial atrás deles, franziu o rosto.
— …Incheon? Por que estamos aqui?
— É isso que eu quero saber.
— Como assim…
— Você é que estava aqui. Eu vim te procurar.
Cha Eui Jae suspirou e deu tapinhas nas costas dele, num gesto de conforto. Lee Sayoung, que o encarava confuso, logo enxugou o rosto com a mão. Mas então congelou ao ver as lágrimas na mão. Sua expressão se contorceu de frustração.
— Ah, droga, que porra é essa…
Lee Sayoung esfregou os olhos com os dedos, mas as lágrimas não paravam de cair. Ele esfregou o rosto com força de novo.
— Por que isso está acontecendo…
Quanto mais esfregava, mais vermelhos os olhos ficavam. Cha Eui Jae tomou a mão de Lee Sayoung e enxugou delicadamente a umidade com a manga da jaqueta. Mas as lágrimas não paravam. Quanto mais ele enxugava, mais elas escorriam.
— Por que você ainda está chorando? …Está machucado? Está se sentindo mal?
Os olhos violeta o fuzilaram por baixo da manga. Cha Eui Jae conseguia sentir o alívio escondido sob a irritação e o desconforto.
Olhos cheios de calor.
Não os olhos vazios que antes refletiam apenas Cha Eui Jae.
— …
Lee Sayoung baixou levemente a cabeça para facilitar que Cha Eui Jae enxugasse suas lágrimas, e murmurou:
— …Não sou eu que estou chorando.
— O quê?
— Não é a minha vontade. Não sei por que isso está acontecendo… Droga…
Seu tom era como o de uma criança fazendo birra, exceto pelos palavrões que vinham em seguida.
Lee Sayoung agarrou a mão dele que enxugava seus olhos e a pressionou contra a própria bochecha. Soltou um suspiro curto, enterrando a bochecha e o rosto encharcados de lágrimas na mão firme de Cha Eui Jae. Era quase como uma fera grande buscando conforto. Os cílios molhados roçavam a palma de Cha Eui Jae, fazendo cócegas. Então, um pequeno sussurro veio em seguida.
— Que irritante…
Espera, ele está dizendo que está irritado comigo? Cha Eui Jae estava prestes a retrucar indignado quando Lee Sayoung, como se percebesse sua reação, o fuzilou com o olhar.
— Você não.
— …
Esse cara é igual a um fantasma, pensou Cha Eui Jae, sentindo-se um pouco sem jeito enquanto acariciava gentilmente os olhos de Lee Sayoung com o polegar. Lee Sayoung, que vinha mordendo os lábios, falou:
— …Me abraça.
— O quê?
— Rápido.
Lee Sayoung insistiu. O cara, que costumava ser relaxado e despreocupado na maioria das situações, agora agia com impaciência, o que deixou Cha Eui Jae desconcertado. Cha Eui Jae olhou para Lee Sayoung, que esfregava a bochecha e o nariz em sua mão como se estivesse ansioso, e perguntou com desconfiança:
— Você está mesmo bem—
— Haaa…
Lee Sayoung soltou um suspiro exasperado. Então, agarrou a mão dele e a puxou na sua direção. Cha Eui Jae não resistiu. Sua visão virou de cabeça para baixo. O píer cinzento e o mar giraram, e logo seu campo de visão mudou para o céu acinzentado.
Tump, os dedos negros de Lee Sayoung empurraram levemente seu ombro. Algo frio e duro tocou a nuca de Cha Eui Jae. Ele olhou para cima e para trás. De algum modo, tinha acabado quase deitado, com apenas o ombro apoiado no monumento memorial.
Lee Sayoung pairava sobre ele, sustentando-se com os braços e as pernas. Suas mãos estavam apoiadas no chão perto dos ombros dele. Seu sobretudo preto e seu cabelo cobriam Cha Eui Jae. Lee Sayoung baixou a cabeça. O aroma doce e familiar fez cócegas no nariz de Cha Eui Jae, e ele prendeu a respiração inconscientemente.
Os brilhantes olhos violeta de Lee Sayoung se aproximaram, quase como se fossem devorá-lo.
— Pelo amor de tudo…
— …
— Quando alguém diz alguma coisa… escuta de primeira.
Algo roçou de leve a máscara de Cha Eui Jae e então se afastou. O peso pesado o pressionou de novo, e algo macio e que fazia cócegas tocou sua nuca. Era o cabelo de Lee Sayoung. Lee Sayoung enterrou o rosto no pescoço de Cha Eui Jae, envolvendo firmemente os braços em sua cintura enquanto se deitava sobre ele.
Cha Eui Jae, sinceramente, ficou atônito.
— …Hã?
— Não suspira; só diz meu nome.
Lee Sayoung rosnou. A julgar por sua nuca ainda estar molhada, parecia que as lágrimas ainda não haviam parado. Cha Eui Jae olhou em volta. Felizmente, não parecia haver câmeras de segurança por perto… Bom, mesmo que houvesse, Seo Min-gi provavelmente apagaria as imagens. Com esse pensamento, ele passou os dedos pelo cabelo macio de Lee Sayoung e sussurrou:
— …Lee Sayoung.
A respiração ofegante se acalmou um pouco. Talvez ele estivesse tentando se recompor. Lee Sayoung, que não tinha problema nenhum em falar de qualquer outra coisa, sempre se fechava quando se tratava de assuntos ligados a si mesmo. Por isso era tão difícil decifrá-lo.
O que tinha acontecido, que tipo de sonhos ele teve enquanto dormia, o que ele viu, o que estava pensando. Havia tantas coisas sobre as quais Cha Eui Jae estava curioso. Ele sentia que, se pudesse ouvir tudo e cavar até o fundo, essa ansiedade iria embora. O medo de perdê-lo de novo.
— Sayoung-ah.
Ainda assim, enquanto encarava a miríade de emoções em seus olhos, enquanto sentia a respiração em sua palma e via cada movimento dele estando vivo, a ansiedade de Cha Eui Jae começou a diminuir.
Será que Lee Sayoung percebe? Que não é só a reação dele que é preciosa.
Quanto tempo havia passado? O vento que soprava cessou de repente. O som das ondas se acalmou, e a respiração nos braços de Cha Eui Jae também se estabilizou. Era o som familiar de respiração que ele ouvia toda vez que Lee Sayoung dormia. Cha Eui Jae gentilmente afastou o cabelo de seu rosto com a mão que o acariciava. As lágrimas finalmente haviam parado. Enfim.
Erguendo a cabeça, Cha Eui Jae olhou em volta e avistou uma van preta estacionada no fim do píer. Ele estalou o dedo na direção da sombra projetada por sua mão. Uma figura sombria do tamanho de um dedo se levantou da van, lutando para ficar de pé. Cha Eui Jae enrolou uma mecha do cabelo de Lee Sayoung no dedo e sussurrou:
— Avise seu mestre.
O Lee Sayoung que havia vagado pelo segundo mundo— apenas Yoon Ga-eul o vira pessoalmente. O Lee Sayoung cujos olhos refletiam apenas Cha Eui Jae, com todas as emoções aparentemente arrancadas, e o Lee Sayoung que agora não conseguia esconder as emoções, despejando sua ansiedade e inquietação. Eram diferentes.
Ele precisava descobrir o que estava acontecendo. A máscara preta se inclinou de leve.
— Preciso ir ver a Ga-eul.
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki