↫─☫ Episódio 87
𓆰𓆪 Episódio 87𓆰𓆪: A Vida é Como um Bumerangue
Pó caiu dos objetos precariamente empilhados que haviam sido deslocados. Os passos enormes que sacudiam tudo ao redor deles pausaram brevemente por perto antes de lentamente se afastarem.
Baque… Baque… Baque… Até o som desaparecer completamente, Cha Eui-jae encarou a luz do dia pálida e gelada além das ruínas. Uma sensação de letalidade quietamente refinada pairava no ar.
Um rosto que ele nunca havia visto antes.
Lee Sayoung bateu em sua mão com os dedos. O olhar de Cha Eui-jae, que estivera focado lá fora, se deslocou para ele. Foi só então que Cha Eui-jae pareceu perceber que estivera cobrindo a boca de Lee Sayoung. Cuidadosamente removendo a mão, ele articulou uma pergunta silenciosa com uma expressão suavizada.
“O que houve?”
Lee Sayoung falou em voz alta.
— Não vá.
— O quê?
— Fique aqui.
Cha Eui-jae permaneceu em silêncio. Ele ouviu além das ruínas por um momento antes de se levantar em um salto. Então, ele sorriu para Lee Sayoung, o mesmo sorriso que havia mostrado uma vez no escritório do Líder da Guilda.
— Está tudo bem, não vai demorar.
Ele se abaixou para pegar o bastão que havia jogado de lado. Normalmente, ele teria feito um esforço para ocultar suas intenções, dizendo que só ia dar uma olhada ou tomar um ar fresco, sabendo que ninguém acreditaria nele.
Lee Sayoung quietamente observou Cha Eui-jae. À primeira vista, ele parecia inacreditavelmente calmo para alguém dentro de uma masmorra.
Contudo, o suor frio escorrendo por sua têmpora, sua tez pálida, e seu aperto excessivamente firme no bastão, tornando as pontas dos dedos brancas, contavam uma história diferente. Reações fisiológicas não podiam ser escondidas só controlando expressões faciais.
— …
Ele estava com medo.
De quê?
Seus olhos se encontraram de novo. Cha Eui-jae sorriu mais uma vez.
— Sério, está tudo bem. Volto logo.
Aquele sorriso, Lee Sayoung realmente detestava.
A confiança infundada de Cha Eui-jae e sua tendência de se atirar de cabeça nas coisas provavelmente tinham uma razão. As pessoas ao seu redor deviam tê-lo encorajado, chamando-o de herói e dizendo que ele tinha que salvar todo mundo porque era forte. E quanto mais imprudentemente ele agia, mais eles deviam gostar. Tornava-o mais fácil de manejar.
Lee Sayoung gentilmente puxou a barra do robe cinza dele. Embora a força não fosse muita, Cha Eui-jae não a ignorou e se virou para Lee Sayoung. Seu rosto sombreado mostrava um traço de perplexidade.
Cha Eui-jae era esse tipo de pessoa. Ele não conseguia ignorar uma mão estendida pedindo ajuda. Ele era alguém que constantemente se consumia, nunca recuando mesmo que custasse sua vida. Se era esse o caso…
— Hyung.
Alguém tinha que ser um grilhão forte para impedi-lo de sair correndo imprudentemente. Lee Sayoung decidiu se tornar aquele grilhão.
Um grilhão exclusivamente para J, que era fraco contra os fracos.
***
— Hyung.
— O que é?
Cha Eui-jae respondeu em voz baixa ao chamado quieto de Lee Sayoung. Sua atenção, contudo, estava inteiramente no monstro que havia aparecido momentos antes.
Seus passos, respiração e gritos estavam vividamente gravados em suas memórias. O monstro que acabara de aparecer era o Sasquatch, o primeiro monstro que J havia derrotado no Dia da Fenda.
“Ainda assim… não é um particularmente perigoso.”
O Sasquatch era um monstro ameaçador com seus punhos massivos, mas seus movimentos eram lentos devido à sua constituição pesada. Além disso, sua cabeça era coberta de pelo desgrenhado, tornando-o lento para reagir e mal conseguindo notar qualquer coisa menor que ele mesmo. Se eles escondessem bem sua presença, poderiam evitar a detecção pelo Sasquatch com a ajuda do cobertor de papel-alumínio de Hong Ye-seong.
“Talvez fosse melhor matá-lo antes que ele chegue mais perto…”
A masmorra havia sido reconstruída em resposta ao título desbloqueado, “Conquistador da Solidão”. Cha Eui-jae olhou ao redor. A masmorra se parecia com o cenário da Fenda do Mar do Oeste tanto que era difícil acreditar que não fosse o mesmo espaço. Ao recuperar os sentidos, ele momentaneamente a confundira com ainda estar dentro da fenda.
Seria o aparecimento do Sasquatch uma coincidência? Conforme seus pensamentos se prolongavam, Lee Sayoung suspirou alto e baixou o olhar, atipicamente.
— Estou sentindo dor.
Por um momento, Cha Eui-jae duvidou de seus ouvidos. Lee Sayoung realmente disse isso? Mas no momento seguinte, ele examinou o corpo de Lee Sayoung, se perguntando se Jung Bin o havia amarrado com correntes de novo. Felizmente ou infelizmente, ele estava ileso.
— Você está sentindo dor?
— Sim… Estou tonto.
Lee Sayoung murmurou, piscando seus cílios longos. De alguma forma, seu rosto pálido parecia ainda mais pálido.
Será que ele descansou direito desde a Exposição do Artesão? Ele não parecia estar dormindo bem também. A ansiedade enrolada dentro dele estava lentamente erguendo a cabeça. Cha Eui-jae segurou o bastão um pouco mais firme até fazer um som de rangido.
— …Você mesmo mandou a mensagem dizendo que estava bem, certo?
Foi uma pergunta inesperada. Lee Sayoung encarou Cha Eui-jae por um momento antes de responder.
— Sim, mandei… Por quê?
Era um alívio. Talvez sua preocupação fosse infundada. Cha Eui-jae rapidamente examinou Lee Sayoung de cima a baixo.
— Você não recebeu tratamento da Guilda Seowon? Jung Bin te levou lá.
Lee Sayoung acenou lentamente.
— Recebi, mas talvez seja porque a masmorra foi reestruturada…
Ele se calou preguiçosamente, apoiando a cabeça contra a parede.
— Se eu descansar um pouco, vou ficar bem. Vamos nos mover juntos daqui a pouco… Você também precisa sair daqui.
— …
— E… precisamos encontrar Jung Bin.
— …Jung Bin? Ele está aqui também?
Cha Eui-jae fingiu ignorância. Lee Sayoung acenou levemente. Ainda bem. A luz que ele vira antes devia ser Jung Bin. Isso significava que eles tinham um pouco mais de tempo pra esperar Lee Sayoung se recuperar. Jung Bin podia ser confiável. Ele conseguia lidar com o Sasquatch também.
Cha Eui-jae se sentou ao lado de Lee Sayoung, agarrando seu bastão, mantendo uma distância de cerca de uma cabeça. Ele olhou além das ruínas e murmurou.
— Desculpe, mas não posso esperar muito. Se demorar demais, vou te carregar e nos mover.
— Certo…
Lee Sayoung respondeu suavemente, inclinando a cabeça levemente em direção a Cha Eui-jae.
— Mas… sabe, Hyung.
— O quê?
— É um pouco estranho.
— O quê?
— Como você veio para cá… por qual razão?
— …
— Esta masmorra não abre suas portas só com uma licença de caçador.
“Droga.”
Cha Eui-jae fez uma careta. Lee Sayoung era irritantemente perspicaz. Era uma pergunta comum que ele deveria ter antecipado, mas ele estivera focado demais em correr pra cá pra pensar numa resposta. Mesmo que tivesse pensado a respeito, não teria bolado uma desculpa plausível. Que razão um desperto comum teria para entrar numa masmorra invasiva?
Além disso, esta masmorra… Cha Eui-jae se lembrou.
“Não estava sob o controle da Guilda Pado?”
Isto era uma bagunça completa. Cha Eui-jae se preparou mentalmente. Se você não sabe a resposta, tem que improvisar, mas as perguntas de Lee Sayoung eram como questões dissertativas, impossíveis de adivinhar.
A tensão em seu rosto se transformou num olhar descontente. Evitando o olhar de Lee Sayoung, que examinava seu rosto, Cha Eui-jae murmurou.
— Bem, você sabe.
— Mesmo que o inspetor da masmorra não seja da nossa guilda, eles não teriam administrado descuidadamente com seu histórico de trabalho…
Aquele inspetor provavelmente foi nocauteado pelo golpe de Kkokko. Desculpe, Sr. inspetor. Cha Eui-jae virou levemente a cabeça pra contar as rachaduras na parede fraturada. Conforme Cha Eui-jae permanecia em silêncio, Lee Sayoung pressionou mais.
— Uma pessoa ocupada administrando um restaurante entrando numa masmorra assim… por qual razão… Hyung, saberia dizer?
— …O restaurante andou fraco ultimamente.
A breve defesa de Cha Eui-jae não foi uma boa escolha. Lee Sayoung, que havia fechado os olhos, sorriu com zombaria.
— Ah, é mesmo? Achei que talvez você tivesse vindo minerar pedras mágicas, já que não conseguia receber seu pagamento sendo secretário…
— …
Lee Sayoung, agora com os olhos abertos, calmamente observou o rosto de Cha Eui-jae. Seus olhos roxos, desprovidos de luz, escrutinaram o rosto emburrado de Cha Eui-jae.
— O Hyung é realmente…
Seus olhos não estavam normais. Logo, ele provavelmente diria algo como “Você está louco?” ou “Você é idiota?” Enquanto Cha Eui-jae se preparava para a zombaria inevitável, Lee Sayoung suspirou e murmurou.
— Com quem você veio pra cá?
“Ah, qual é.”
Lee Sayoung tinha um talento para fazer as perguntas mais irritantes, as que ele não conseguia responder. Isso não era culpa dele? Mesmo que ele quisesse responder direito, cada pergunta que Lee Sayoung fazia cutucava seus pontos fracos, tornando impossível responder com clareza.
Cha Eui-jae silenciosamente encarou o chão marcado com inúmeras pegadas brancas. Logo, um corpo frio e firme se apoiou lentamente nele. Cabelo macio fez cócegas em seu ouvido.
Enquanto Cha Eui-jae se endireitava, uma voz suave sussurrou.
— Não tem como Nam Woo-jin vir aqui ele mesmo… aquele cara é um fantasma de biblioteca.
— …
— Ele te pediu? Para investigar aqui?
Lee Sayoung estava completamente fora do alvo. Cha Eui-jae estava prestes a retrucar com algo como “Corta essa.”
Quando de repente, telas brancas apareceram uma após a outra diante de seus olhos.
[…Verificação do sistema completa…]
[Reestruturação de masmorra completa.]
[Um novo grau foi atribuído à masmorra.]
[O novo grau para masmorra subterrânea de Jongno 3-ga é grau S+.]
* * *
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↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna,Flower&Yuki
⚠️ Aviso: Todos os fatos, personagens e situações retratados nesta obra são inteiramente fictícios. Não contendo nenhuma relação com a realidade.⚠️