↫─☫ Episódio 86
𓆰𓆪 Episódio 86𓆰𓆪: A Vida é Como um Bumerangue
O tremor fraco que só pessoas sensíveis conseguiam sentir gradualmente se intensificou até começar a sacudir os escombros ao redor deles. O ar antes imóvel estava agora em turbulência. Jung Bin, franzindo a testa, sacou seu bastão de supressão preto.
— O que diabos está acontecendo de repente…
Lee Sayoung tirou a máscara de gás.
— Jung Bin, já houve uma mudança repentina numa masmorra de erosão?
— Não houve casos reportados. Esse tipo de masmorra ainda está sob investigação, então qualquer coisa pode acontecer, mas…
— …
— Deve haver uma causa. Mudanças repentinas assim não acontecem sem alguém tocar ou descobrir algo.
— …Concordo com isso.
Lee Sayoung suspirou irritado. Naquele momento, houve um som de estalo, e uma rachadura preta apareceu no céu pálido. Lee Sayoung e Jung Bin simultaneamente olharam pra cima pro céu.
Uma janela branca do sistema apareceu diante deles.
[A masmorra reage ao título!]
[A masmorra está sendo reestruturada!]
— …O quê?
Bang! Um trovão alto ribombou como se o céu estivesse prestes a desabar. Baque, o chão em que estavam começou a se erguer. Até os dois graus S, que haviam mantido o equilíbrio até então, cambalearam. Uma poderosa força desconhecida os varria. Jung Bin estendeu a mão pra Lee Sayoung…
Mas não conseguiu alcançá-lo.
Quem sabe quanto tempo se passou.
Jung Bin lentamente abriu os olhos. Pisca, pisca. Enquanto lutava pra mover as pálpebras pesadas, sua visão finalmente focou no chão de terra branca.
O chão? Ele moveu o braço e se sentou. Ele deve ter perdido a consciência enquanto estava deitado no chão. Apesar de conseguir suportar dor considerável, Jung Bin franziu a testa diante da dor latejante em seu corpo.
— …Ugh.
Ele soltou um gemido curto e finalmente conseguiu se levantar. Sua última memória era… reestruturação de masmorra. Mas o que exatamente é reestruturação de masmorra? Ele nunca havia ouvido falar de tal fenômeno. Poderia uma masmorra já aberta ser reestruturada?
“Primeiro, preciso me reagrupar com Lee Sayoung…”
Se mover sozinho numa masmorra desconhecida é suicídio. Enquanto Jung Bin virava a cabeça, ele ouviu um gemido pequeno. Poderia ser Lee Sayoung? Jung Bin rapidamente se virou em direção à fonte do som.
Mas em vez de Lee Sayoung, havia…
— Ugh… Estou morrendo… Droga… Que diabos é isso?
Um trilheiro em roupas de trilha azul brilhante estava deitado de bruços no chão, murmurando como um zumbi. Ao lado dele, uma mulher de calça de dormir estava no chão, com ânsia de vômito. E uma galinha redonda de aparência boba estava piando ao redor deles. A aparência deles parecia familiar, tanto que Jung Bin, incomumente, abriu a boca em espanto.
— …Hong Ye-seong? Yoon Ga-eul?
— …Ei, garota. Estou no inferno? Por que eu ouço a voz do Jung Bin?
— U-ugh…
— É. Parece o inferno para você? Eu acho que sim também…
— …
— Có-có!
A galinha de cerâmica cantou alto enquanto fazia contato visual com ele. Jung Bin só conseguia encarar boquiaberto a cena inacreditável.
***
J respirou fundo de olhos fechados. O ar familiar preencheu seus pulmões. O ar na Fenda era silencioso, sem sabor e sem cheiro, mesmo que houvesse cadáveres e sangue por toda parte. Graças a isso, os corpos dentro da Fenda não se decompunham.
Isso é uma sorte, J pensou. Tornava mais fácil encontrá-los entre os corpos não decompostos.
J começou a mover seu corpo, começando pelas pontas dos dedos, checando por quaisquer ferimentos. Na Fenda, onde monstros podiam aparecer a qualquer momento, ele só podia confiar em seu próprio corpo. Pessoas morrem, armas se deterioram. Sangue, gordura e óleo embotam até as lâminas mais afiadas…
Só depois de garantir que tudo estava bem, J abriu os olhos, pronto para encarar o inferno mais uma vez.
Mas…
O que entrou em vista não eram as ruínas manchadas de sangue carmesim.
— …O quê?
J olhou ao redor com uma expressão confusa. Não havia pilhas de corpos nem monstros. Em vez disso, cinza branca estava empilhada bem alta nos prédios desmoronados e escombros. Examinando urgentemente seus arredores desconhecidos, ele notou um boné de baseball branco levemente amassado deitado sozinho.
Ele definitivamente lembrava de ter visto aquele item. Aquele…
“…A Yoon Ga-eul não estava usando aquilo?”
E o bastão longo e robusto deitado ao lado dele.
“Aquilo pertencia a Hong Ye-seong.”
Ah. Soltando uma exclamação curta, ele abruptamente se levantou, seu estômago revirando incessantemente. Droga. Cha Eui-jae agarrou o peito, tentando estabilizar sua respiração.
Isto não era dentro da Fenda do Mar do Oeste. Cha Eui-jae rapidamente organizou suas memórias confusas. O alerta do sistema havia anunciado sua entrada na masmorra subterrânea de Jongno 3-ga junto com Yoon Ga-eul e Hong Ye-seong. Depois de desbloquear um título… a janela do sistema ficou branca, anunciando a reestruturação da masmorra. Ele lembrava claramente da sensação do raio caindo e do aperto no braço de seu companheiro desaparecendo antes que ele pudesse compreender a situação.
Cha Eui-jae pegou o boné de baseball e o bastão. Não havia sinal de seus donos, presumivelmente varridos durante a reestruturação da masmorra.
“Onde estão Yoon Ga-eul e Hong Ye-seong?”
Não havia sinal de nenhum humano ao redor. Mordendo o lábio, Cha Eui-jae fechou os olhos com força e depois os abriu.
<Olhos do Rastreador!>
Seus olhos azul-celeste rapidamente escanearam os arredores. Monstros, monstros, monstros, monstros… Em meio aos incontáveis monstros, uma luz ardente se destacava. Chamas violeta. Cha Eui-jae conhecia seu dono.
Lee Sayoung.
“Por que ele está aqui?”
Antes que a pergunta pudesse se formar totalmente, seus pés já estavam se movendo. Cha Eui-jae começou a correr, levantando a cinza branca. O cenário de ruínas e inúmeras luzes cintilavam passando por seus olhos azuis brilhantes. Monstros, monstros, monstros. A masmorra reestruturada estava fervilhando de monstros, os mesmos de que ele havia enjoado de ver na Fenda do Mar do Oeste.
Screech!
Com um guincho, um monstro vagando por perto avançou pra cima dele. Sem parar, Cha Eui-jae pulou e empalou a cabeça do monstro com o bastão. Baque! Em vez de sangue, cinza branca jorrou da cabeça do monstro.
Ações rápidas e concisas, conservando energia e maximizando eficiência.
Embora não tão proficiente quanto Lee Sayoung, havia quatro luzes significativas reunidas. Duas deviam ser Yoon Ga-eul e Hong Ye-seong, e se Lee Sayoung estava aqui, significava… infelizmente, eles haviam entrado na masmorra onde Lee Sayoung e Jung Bin já haviam chegado como equipe de vanguarda. A outra luz brilhante perto de Yoon Ga-eul devia ser Jung Bin, presumivelmente. A aura quente e dourada era única de Jung Bin. A outra era desconhecida. Mas antes que mais pensamentos pudessem se formar, a visão da chama de Lee Sayoung capturou sua atenção.
Embora não pudesse ter certeza sem ver por si mesmo, seus instintos aguçados, seus pés no chão, seu corpo correndo— tudo sobre Cha Eui-jae lhe dizia.
“Preciso chegar até o Sayoung.”
Ele não sabia por quê. Cha Eui-jae balançou seu bastão nos monstros que se aproximavam, esmagando suas cabeças como tofu. O impacto familiar e surdo e a vibração do bastão o mantinham respirando. Cha Eui-jae parou de pensar, seguindo seus instintos e correndo.
***
Em meio à masmorra subitamente emaranhada e às ruínas desconhecidas se erguendo do chão, Lee Sayoung, enquanto incinerava monstros e examinava os arredores, se instalou numa parte relativamente intacta das ruínas. O espaço coberto de cinza branca evocava um estranho desconforto que ele não queria mais ver. Lee Sayoung se apoiou na parede e deu uma respiração curta. Ele não conseguia conter a irritação crescente.
“Jung Bin vai encontrar o caminho até aqui por conta própria, droga…”
Nada era do seu agrado. Só por causa de um desmaio, Jung Bin o levara a Nam Woo-jin, e desde então, Lee Sayoung não conseguira lidar com nenhum outro assunto e teve que fazer um tour pelas masmorras de erosão.
“Eu não queria dever nada a ninguém…”
Nam Woo-jin, obcecado em observar a origem do mundo, cavaria qualquer coisa uma vez que conseguisse uma pista. Até os membros da guilda Seowon haviam sido mobilizados pra investigação, mas lugares aonde eles não podiam ir tinham que ser cuidados por Jung Bin ou Lee Sayoung. Esse era o contrato que haviam feito. Ele precisava terminar rápido e voltar.
Bem quando Lee Sayoung cerrava o punho ansiosamente, uma energia ferozmente afiada e intensa se aproximava rapidamente. Cuidadosamente, ele se moveu até a abertura conectando ao exterior.
Os olhos de Lee Sayoung se arregalaram. Em meio à cinza branca rodopiante parecida com neve, algo cinza corria diretamente em sua direção. Poderia ser? Apesar de pensar que não poderia ser verdade, seu coração acelerado era incontrolável. Mas por que ele estaria aqui? Isto era uma masmorra. Perguntas e confusão rodopiavam.
Ainda assim, Lee Sayoung chamou seu nome.
— …Cha Eui-jae.
— Lee Sayoung!
A voz respondendo a ele perfurou seus ouvidos como um raio. Lee Sayoung só conseguia observar vazio enquanto Cha Eui-jae, espalhando cinza branca, corria em sua direção.
— Você…
— Você está bem?
— Ah.
— Não, está tudo bem. Sou eu.
Cha Eui-jae, irrompendo pelas ruínas, de repente jogou o bastão que segurava. Sua mão forte agarrou a bochecha de Lee Sayoung, virando sua cabeça pra lá e pra cá. Lee Sayoung, incapaz até de pensar em afastar sua mão, apenas encarou o rosto de Cha Eui-jae.
Ofegante, um rosto pálido como a morte, e olhos brilhando como o oceano. Ele não conseguia tirar os olhos daqueles olhos azuis. Inúmeros pensamentos se chocaram como ondas.
Por que você está aqui?
Como você entrou aqui?
Você sabe que tipo de lugar é este?
Quem é você para perguntar se estou bem?
Contudo,
— Seu merda… por que você está numa masmorra quando recentemente desmaiou? Você está louco?
A mão que envolvia seu rosto era tão quente, e a voz perguntando se ele estava bem era tão… familiar.
O calor da mão em seu rosto e a voz familiar perguntando se ele estava bem enviaram um arrepio inexplicável pelo corpo de Lee Sayoung. Ele não pôde deixar de tremer. Palavras que ele queria dizer continuavam subindo à sua garganta, só pra afundar de novo. Parecia como se ele estivesse sendo temperado em lava derretida, seu corpo inteiro queimando. A boca de Lee Sayoung se moveu sem som, querendo dizer tanta coisa mas incapaz de formar as palavras. Da bagunça emaranhada de pensamentos que estivera enterrada por tanto tempo, uma emoção clara emergiu.
Alegria.
Ele o havia encontrado.
Lee Sayoung abriu a boca para falar. Mas naquele momento, uma mão firme cobriu seus lábios. Os olhos de Lee Sayoung se arregalaram mais uma vez. A pessoa que ele estivera procurando não estava olhando para ele. Aqueles olhos afiados estavam focados nas ruínas lá fora.
— …Fique quieto.
Ele…
— …
— Está tudo bem, só fique quieto.
Baque, baque, baque.
Passos enormes preencheram as ruínas.
* * *
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↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna,Flower&Yuki
⚠️ Aviso: Todos os fatos, personagens e situações retratados nesta obra são inteiramente fictícios. Não contendo nenhuma relação com a realidade.⚠️