↫─☫ Episódio 81
𓆰𓆪 Episódio 81𓆰𓆪: A Vida é Como um Bumerangue
(10)
— Sim, está tudo bem.
Uma voz suave sussurrou. Braços quentes envolveram seu corpo.
— Agora está tudo bem.
Por trás da visão que se desfazia, uma luz branca se estilhaçou.
— Eu…
— …Está na hora.
Lee Sayoung abriu os olhos. No momento em que viu o teto branco, ele rapidamente se sentou e tirou as luvas das mãos.
Bang! Algo pesado caiu e colidiu com uma superfície dura. Lee Sayoung rapidamente examinou seus arredores. Os fios conectando seu corpo às máquinas foram arrancados, deixando as máquinas espalhadas bagunçadamente no chão. Uma voz com um suspiro veio de perto dele.
— Você vai quebrar a esse ponto? Por que não estilhaça tudo de uma vez?
Era Nam Woo-jin. Ele estava sentado numa escrivaninha, de costas, fazendo algo. Mas Lee Sayoung não baixou a guarda. Seus olhos roxos afiados se voltaram pra um canto. Parado ali, Jung Bin rapidamente ergueu as duas mãos e falou.
— Lee Sayoung-ssi, sou eu, Jung Bin. Este é o laboratório de Nam Woo-jin-ssi no porão da Guilda Seowon. Eu te trouxe aqui depois que você perdeu a consciência no salão do leilão.
— …
A aura afiada que parecia pronta para matar, se acalmou um pouco. Só então Lee Sayoung percebeu que estava deitado num beliche num laboratório. Nam Woo-jin murmurou rispidamente.
— É melhor você pagar direito por tomar minha cama de laboratório.
— Claro. Este lugar é seguro, Lee Sayoung-ssi. Você se lembra de alguma coisa?
A última memória deixada em meio à dor terrível…
“Sayoung.”
Uma mão trêmula podia ser sentida em suas costas, mesmo através do sentido fraco.
“Ei, Lee Sayoung.”
A voz, normalmente calma e sem hesitação, estava quebrada e rouca. O toque incomumente quente, e todas aquelas sensações fragmentadas eram…
“Cha Eui-jae.”
Lee Sayoung apressadamente vasculhou o bolso e tirou o celular. Felizmente, a bateria permanecia. Cha Eui-jae, Cha Eui-jae… Lee Sayoung digitou o número que havia memorizado e enviou uma mensagem curta.
[Estou bem]
Enviado. Ele esperou por um longo tempo, mas nenhuma resposta veio. A ansiedade subiu por seu pescoço.
— Então.
Clap, uma palma e voz afiadas cortaram seus pensamentos. Lee Sayoung virou a cabeça em direção à voz. Nam Woo-jin havia girado sua cadeira para encará-lo, cruzando as pernas e apoiando o queixo na mão.
— Você estilhaçou minhas máquinas, ameaçou pessoas, checou seu celular, e parece que terminou suas mensagens urgentes.
— …
— Vamos conversar? Esse cara não dá explicações adequadas.
Jung Bin, de braços cruzados, deu de ombros.
— Lee Sayoung-ssi precisa de uma explicação detalhada também.
Lee Sayoung arrancou bruscamente os fios conectados ao seu corpo. Nam Woo-jin gemeu.
— Você sabe quanto isso custa? Trate com cuidado.
— Me mande a conta. E quem te disse para me conectar a isso?
— Espero que você considere o quão surpreso eu fiquei quando Jung Bin irrompeu aqui com você. Como está seu corpo?
— Bem.
— Hmm.
Nam Woo-jin examinou Lee Sayoung, que estava sentado no beliche, com seus olhos brancos. Depois de um tempo, ele acenou e começou a murmurar para si mesmo.
— Você parece bem. Se você aceita o poder do sistema durante o despertar, todos os ferimentos pré-despertar se curam… embora seu caso tenha uma diferença significativa entre os estados pré e pós-despertar. A força de recuperação deve ser proporcional ao grau do despertar.
— …Nam Woo-jin.
Lee Sayoung afastou o cabelo dos olhos e falou em voz baixa.
— Não passe dos limites.
— …Meu erro. Entendi.
Um breve silêncio se seguiu. Lee Sayoung, esfregando os olhos com irritação, falou.
— Jung Bin, explique a situação.
— Sim. Enquanto eu estava numa conversa individual com Gyu-Gyu, Kang Ji-soo-ssi veio até mim e eu retornei sozinho. Quando cheguei ao local, você já estava caído. Depois de avaliar a situação, desamarrei as correntes e te dei o veneno que Nam Woo-jin-ssi forneceu.
Os olhos de Nam Woo-jin reluziram.
— Ajudou com a recuperação rápida?
Lee Sayoung acenou levemente.
— Ajudou um pouco.
— Bom. Se eu conseguir mais veneno, vou mandar pra Guilda Pado.
— Os outros caçadores foram cuidados pela HB, então, depois de dar instruções gerais, te trouxe para a Guilda Seowon. Todos já retornaram às suas respectivas guildas.
— Até o Bae Won-woo?
— Sim.
— …
Lee Sayoung recostou-se na cama com os braços o apoiando. Seus olhos, escaneando o ar, logo focaram em Jung Bin.
— Você ouviu o recado?
— A que recado você está se referindo?
— …Suponho que você não teve tempo de ouvir.
Lee Sayoung sorriu, um sorriso arrepiante que Jung Bin recebeu com um gentil.
— Eu disse que cobraria essa dívida em dobro, lembra?
— Eu não tinha ouvido isso antes, mas estava preparado. Foi meu descuido que causou isso.
— Sim… Gosto de como você é comunicativo.
Lee Sayoung girou o pescoço rígido. Sua voz lânguida exigiu.
— Me conte a conversa que você teve com Gyu-Gyu, do início ao fim.
***
Desde o dia seguinte à Exposição do Artesão que parecera uma semana, Cha Eui-jae rapidamente retornou à sua rotina pacífica. Acordando de madrugada para servir sopa de ressaca aos caçadores. Cuidando de Park Ha-eun enquanto preparava os ingredientes, tocando o negócio à noite e fechando a loja tarde da noite.
Contudo, depois da Exposição do Artesão, Cha Eui-jae se via encarando o vazio com mais frequência. Toda vez, ele pensava em Lee Sayoung. A sensação do corpo frio e duro que segurara ainda estava vívida. Estaria Lee Sayoung bem? Sempre que tais pensamentos surgiam, ele checava a mensagem de texto que Lee Sayoung enviara.
Sayoung: Estou bem.
“Bem uma ova.”
Cha Eui-jae não confiava naquela mensagem. Mesmo que Lee Sayoung não tivesse recuperado a consciência, ele teria escondido esse fato do público. Os poderosos devem sempre parecer inabaláveis. Então aquela mensagem poderia ter sido enviada por outra pessoa para ocultar a condição de Lee Sayoung.
A ansiedade inexplicável corroía sua mente constantemente. Cha Eui-jae repetidamente desligava e ligava o celular, hesitando em responder.
E no momento perfeito, como se mirasse o momento ansioso de Cha Eui-jae, Choi Go-yo apareceu. Era tarde da noite, depois que a loja havia fechado.
Enquanto Cha Eui-jae estava sentado no salão, mexendo no celular sem nem tirar o avental, Choi Go-yo conseguiu destrancar a porta trancada por dentro e irrompeu, acenando os braços. Ele gritou energeticamente.
— Olá, Hyung!
Felizmente, o instinto que ele desenvolvera no Porto de Incheon não havia fugido completamente, e Choi Go-yo rapidamente baixou sua tensão depois de notar o humor de Cha Eui-jae.
— Ahem, você se lembra? No dia da Exposição do Artesão, levei sua avó ao hospital. Vim te contar sobre isso. Ia vir na hora, mas andei ocupado.
— Ah…
Droga, como ele pôde esquecer do hospital com tudo o que está acontecendo?
“Você está totalmente louco, Cha Eui-jae.”
O rosto de Cha Eui-jae se contorceu de raiva, e os ombros de Choi Go-yo encolheram. Ele se agarrou à porta de aço, tremendo enquanto perguntava.
— P-posso te contar agora?
— Sim, por favor. Como está minha avó?
— Sim, trouxe cópias do diagnóstico e da prescrição!
Choi Go-yo rapidamente entregou os documentos e começou a explicar o que aconteceu no hospital como se estivesse fazendo rap. Cha Eui-jae passou os olhos pelos documentos rapidamente enquanto ouvia a explicação de Choi Go-yo. Felizmente, a condição do joelho dela não havia piorado, e parecia que medicação constante iria melhorar.
— É isso!
— Obrigado.
— Hehe, de nada.
A resposta suspirosa de Cha Eui-jae fez Choi Go-yo coçar a cabeça timidamente. Observar seu rosto trouxe memórias nítidas da entrega da porta espacial à mente de Cha Eui-jae. E o rosto de Lee Sayoung, que ele vira assim que abriu a porta.
Droga. Conforme o rosto de Cha Eui-jae enrijeceu instantaneamente, Choi Go-yo rapidamente apagou o sorriso e endireitou a postura. Independentemente disso, Cha Eui-jae perguntou com cautela.
— Como está o Sayoung…?
— S-Sayoung?
Os olhos de Choi Go-yo se arregalaram. Droga. Cha Eui-jae rapidamente corrigiu o honorífico.
— Lee Sayoung. Ele não me contatou para nenhum trabalho ultimamente.
— Ah, você quer dizer o Líder da Guilda. O termo era tão desconhecido, não peguei de primeira. Eu também não sei!
Claro, Choi Go-yo não foi de nenhuma ajuda. Enquanto Cha Eui-jae se arrependia de perguntar, Choi Go-yo vasculhou atarefado o bolso.
— Hehe, ele gosta de agir solo… Será que foi trabalhar hoje? Só um momento.
— …Não é contato direto, é?
— Não! Tem um mural anônimo da Guilda Pado. Normalmente, quando o líder da guilda aparece, a equipe de secretariado nos avisa.
— Ah.
Depois de passar os olhos pela tela, Choi Go-yo entregou o celular.
— Quer ver? É divertido.
— Segurança não é importante?
— Ai, é só o pessoal perguntando o que tem de almoço no refeitório e às vezes zoando o líder da guilda.
Cha Eui-jae pegou o celular e rolou para baixo. Ao seu lado, Choi Go-yo começou a explicar animadamente.
— Como tenho um nível de segurança relativamente alto, consigo ver a maioria das postagens.
A primeira postagem que chamou sua atenção era a seguinte;
《Postagem Anônima da Guilda Pado》
[※Por favor, use modos ao postar!]
[※Postagens que não seguirem as regras podem ser deletadas sem aviso.]
Título: [Anônimo] Então, o que aconteceu no evento JYJ?
O 240 não aparece para trabalho desde o evento JYJ
É um círculo fechado, então não tem como conseguir informação
O Fantasma da Sopa de Ressaca diz que não sabe
E a Ji-soo também diz sem comentários
Estou morrendo de curiosidade
Ele ainda não apareceu para o trabalho. A condição dele está mesmo tão ruim assim? Será que ele nem recuperou a consciência? Cha Eui-jae esfregou a nuca e franziu a testa.
“Será que eu deveria ir checar ele eu mesmo?”
Cha Eui-jae rolou para baixo, se perguntando se havia alguma informação útil nos comentários. Uma frase chamou sua atenção.
Comentários (10)
— Parece que a HunterNet também está sob um apagão de informação?
— É, normalmente teria um monte de postagens de gabolice disfarçadas de depoimentos, mas não tem nada dessa vez
— Nenhum artigo de notícia também ~ será que o 240 ganhou alguma coisa?
— Estava ansioso por isso, que decepção
— Não, meu primo foi ao evento JYJ. Ele acordou para descobrir que já tinha acabado, e estava deitado num salão com a Vespa checando a presença com uma espada
— Nossa
— Que diabos? É algum tipo de inferno para que matarem vespa?
— Por favor, só conta a história toda
— Por favor, faz uma postagem separada pra isso
— Protesto contra tudo
Vespa… será que isso significa Honeybee? Honeybee estava checando a presença com uma espada? Essa frase tentadora tornou impossível para Eui-jae desviar o olhar. Ele rapidamente atualizou a página. Felizmente, o comentarista havia postado um novo tópico.
Título: [Anônimo] Deletando em 10 minutos
Yae-syeong fez coisas de Yae-syeong
Mas ele bateu numa parede logo na primeira frase. O que essa frase bizarra, com toda a ortografia errada, deveria significar? Cha Eui-jae rapidamente desistiu de interpretá-la sozinho e decidiu buscar ajuda de outra pessoa.
— …Ei, o que significa “Yae-syeong”?
— Yae-syeong?
Olhando a postagem, Choi Go-yo deu uma risadinha.
— Ah, você está lendo aquela. É engraçada. “Yae-syeong” se refere a Hong Ye-seong. É gíria.
— Gíria?
— Prevenção de busca. Para não aparecer, mesmo que alguém pesquise.
Yae-syeong significa Hong Ye-seong. Então, a primeira linha…
Hong Ye-seong fez coisas de Hong Ye-seong.
“Merda.”
Só pela primeira frase, ele já conseguia perceber. Esse comentário era sobre a história de verdade.
* * *
↫。。⛧ Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna,Flower&Yuki
☆⋆。 Gostou do capítulo? Apoie a autora na plataforma oficial para demonstrar o seu carinho! 。⋆☆
⚠️ Aviso: Todos os fatos, personagens e situações retratados nesta obra são inteiramente fictícios. Não contendo nenhuma relação com a realidade. ⚠️