↫─☫ Episódio 58
𓆰𓆪 Episódio 58 𓆰𓆪
Se o Corpo É Forte, a Mente Não Sofre.
A suposição de que as coisas seriam mais fáceis depois de passar no exame de Caçador foi um grande erro. Depois de se tornar um Caçador formal, as coisas que Cha Eui-jae precisava saber dobraram, e as coisas com as quais precisava ter cuidado triplicaram.
A primeira coisa que abriu foi “Um Toque! Como Usar o Mercado de Caçadores”, que Jung Bin tinha lhe dado antes. Ele tinha uma ambição, embora não fosse bem um sonho, de algum dia vender a pedra mágica que possuía e ganhar o prêmio. Para evitar repetir o pesadelo da EZ, ele tinha que ler cada seção cuidadosamente.
Enquanto estava seriamente folheando o conteúdo do livro, seu telefone vibrou brevemente. Vendo o nome na tela, Cha Eui-jae estendeu a mão para checar a mensagem. Fazia um tempo desde que ele ouviu falar de Lee Sayoung pela última vez, que o tinha parabenizado logo depois que passou no exame de Caçador.
Sayoung: Quando você está disponível?
Sayoung: Nam Woo-jin
Nam Woo-jin. Só o nome já bastava. Assim que Cha Eui-jae viu a mensagem, ele ligou para Lee Sayoung. Depois de apenas dois toques, a chamada foi atendida. Com uma voz ligeiramente animada, Cha Eui-jae perguntou diretamente.
— É possível tratar a perna da minha avó?
— Sim. Graças a você, consegui algo…
O som de papel sendo folheado veio baixinho do outro lado do telefone. Depois de um breve silêncio, Lee Sayoung perguntou.
— Daqui a dois dias funcionaria?
— Bem, vou ter que perguntar à minha avó primeiro…
Como sua dor no joelho tinha tornado difícil se mover, ela tinha ficado majoritariamente em casa, então provavelmente não tinha outros planos. Graças à sua habilidade recém-adquirida, Cha Eui-jae tinha se tornado bastante eficiente em preparar materiais, então não deveria haver nenhum problema. Ele assentiu.
— Deve estar tudo bem.
— Então, vamos nos encontrar na Guilda Seowon nesse horário.
Embora a conversa parecesse ter terminado, Lee Sayoung não desligou o telefone. Periodicamente, o som de uma respiração quieta podia ser ouvida do outro lado. Enquanto Cha Eui-jae lia as “Regras de Uso do Mercado de Caçadores” com o telefone entre o ombro e a orelha, ele afastou o aparelho e checou se a ligação ainda estava ativa. Com uma voz intrigada, perguntou.
— …Tem algo mais a dizer?
— …Não. Nos vemos então.
Lee Sayoung foi o primeiro a desligar. Cha Eui-jae olhou fixamente para a tela da ligação encerrada por um momento, depois imediatamente ligou para a casa da avó e de Park Ha-eun. O telefone não tocou por muito tempo antes de uma voz animada atender.
— Alô. Quem é?
O rosto de Cha Eui-jae inconscientemente se iluminou com uma expressão calorosa. Respondendo à voz alegre de Park Ha-eun, sua voz naturalmente subiu meio tom.
— Ei, Ha-eun. É o tio. A vovó está em casa?
— Sim!
— Você pode passar o telefone para ela?
A voz de Park Ha-eun chamando a avó foi desaparecendo. No momento em que Cha Eui-jae terminou de ler as regras de uso e começou a ler as precauções e casos de fraude do Mercado de Caçadores, houve um som fraco de tosse e a presença de alguém se aproximando do outro lado da linha.
— Sim. O que houve?
— Ah, vovó. Está livre por volta das 14h depois de amanhã?
— Não tenho nada programado.
Embora fosse como ele esperava, Cha Eui-jae se sentiu um pouco mais feliz. Ele rapidamente foi direto ao ponto.
— Então, que tal ir ao hospital?
— Hospital? Por quê?
— Seu joelho não está bem. Ouvi dos clientes regulares que há um bom hospital para dor na perna. A taxa de consulta é barata também.
Em vez de explicar que o sétimo colocado na Coreia do Sul e o único curandeiro de grau A a trataria pessoalmente, Cha Eui-jae simplificou como “um hospital que é bom com pernas”. Bem, ele já foi especialista em ortopedia, então não era mentira. Havia um médico e ele era bom em tratar pernas. Isso era o suficiente, não era? Cha Eui-jae se justificou e esperou pela resposta do outro lado.
— Não precisa.
— Por que, vovó?
— Qual é o sentido de ver um médico? Consigo andar bem o suficiente do jeito que está.
Quando a avó suspirou e respondeu, Cha Eui-jae ajustou levemente sua postura e falou gentilmente.
— Mas, vovó, você precisa ficar saudável rapidamente para poder vir ao restaurante de sopa. Os clientes regulares sentem muita saudade sua.
A avó fazia sopa para ressaca no restaurante há 30 anos. Ela tinha feito isso mesmo antes do Dia da Fenda e continuado sem mudança depois. A tigela quente de sopa para ressaca que ela tinha oferecido a um estranho levou Cha Eui-jae a ficar ali.
Sem ela, ele teria vagado pela cidade desconhecida e tido uma morte anônima. Cha Eui-jae tinha certeza disso. Ele queria retribuir o favor que salvou sua vida. Batucou os dedos na mesa e falou em um tom ligeiramente sombrio.
— Você pode confiar em mim e ir só uma vez?
— …
— Se tomar o remédio, vai se sentir melhor…
— …Tudo bem.
— Sério?
A senhora respondeu gentilmente, aparentemente cedendo a Cha Eui-jae. A preocupação em seu coração aliviou consideravelmente.
— Sim. Depois de amanhã às 14h, certo?
— Sim, por volta das 14h ou 14h30. Vou buscá-la.
— Certo. Se ficar cansado trabalhando no restaurante, só feche e descanse. Saúde é o mais importante.
— Sim, vovó.
Cha Eui-jae desligou o telefone e se espreguiçou. Ele se sentiu bem por algum motivo.
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Dois dias depois, chegou o horário de preparação. Enquanto Cha Eui-jae estava prestes a pendurar a placa, a figura de alguém, já parado perto da porta, acenou. Fazia um tempo desde que ele tinha visto o rosto mascarado de preto e se sentiu, de alguma forma, contente.
— Olá, hyung.
— Você chegou?
— Onde está a vovó?
— Em casa. As pernas dela estão incomodando.
— Está tudo bem. Vamos usar o botão de fuga de qualquer jeito.
Cha Eui-jae quase comentou sobre quantos botões de fuga ele tinha usado até agora, considerando que cada conjunto tinha dez, mas se conteve. Embora fosse uma condição de transação, hoje ele era quem precisava. Decidiu passar por aquele dia da forma mais tranquila possível.
— Posso trazer a Ha-eun também?
— Ha-eun? …Ah.
Lee Sayoung inclinou a cabeça e depois reconheceu o nome com uma pequena exclamação.
— Sua sobrinha?
— É. Não posso deixá-la sozinha.
— Certo, vou avisá-los.
Sayoung assentiu e Eui-jae espalhou as mãos, como se para mostrar que estava pronto, e colocou a mão no ombro de Sayoung, que sorriu enquanto o som de ar escapando vinha de sua boca. Enquanto tirava uma das obras-primas de Hong Ye-seong de seu inventário e rasgava o botão, eles foram instantaneamente transportados para a casa da avó e de Park Ha-eun.
Enfrentando Lee Sayoung, Cha Eui-jae rapidamente se virou e foi em direção à porta da frente. Park Ha-eun, que estava esperando ansiosamente por eles, pulou e agarrou sua mão, escondendo-se levemente atrás dele como crianças costumam fazer ao conhecer estranhos.
Uma mão áspera afagou gentilmente seu cabelo enquanto ele explicava o caminho para o hospital que se especializava em tratar pernas — Guilda Seowon, na verdade. Lee Sayoung ficou parado alguns passos atrás o tempo todo.
“…Hm?”
Dentro da máscara de gás, seu olhar baixou até a altura da cintura. Park Ha-eun estava meio escondida atrás de Cha Eui-jae, seus olhos brilhando enquanto o observava. Lee Sayoung encontrou seu olhar indiferente, depois voltou sua atenção para o chamado de Cha Eui-jae.
— Lee Sayoung, vamos.
Ele se aproximou lentamente, tirando outro botão de fuga; já tinha usado dois hoje, mas não hesitou.
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O prédio da Guilda Seowon era um arranha-céu alto no coração da cidade. Na entrada, Lee Sayoung gesticulou para o segurança, que brevemente ouviu instruções através de um fone de ouvido antes de se curvar.
— Bem-vindo, Líder de Guilda, Lee Sayoung, da Guilda Pado. O Líder de Guilda, Nam Woo-jin, está esperando por você.
— Onde ele está?
— Na biblioteca central.
Depois de receberem seus crachás de identificação, foram autorizados a entrar. Park Ha-eun, que estava animada desde a partida, agarrou o crachá em volta do pescoço e brincou com ele. Uma vez lá dentro, o lobby moderno e elegante deu lugar a uma cena completamente diferente.
[Verificando permissão de entrada…]
[Verificação de identidade completa para Lee Sayoung e grupo de três.]
[Bem-vindos à Guilda Seowon.]
Cha Eui-jae esperava um ambiente parecido com um hospital, já que Nam Woo-jin, um ex-médico, trataria sua avó. Mas o que se desdobrou diante dele foi uma grande biblioteca.
Park Ha-eun ficou boquiaberta, olhando ao redor maravilhada. As prateleiras imponentes estavam abarrotadas de incontáveis livros, e caçadores da Guilda Seowon, usando braçadeiras amarelas de bibliotecário, empurravam carrinhos de livros pelos corredores.
Cha Eui-jae também olhou ao redor enquanto se moviam. Os ladrilhos do chão e o formato das estantes eram familiares. Se ele se lembrava corretamente, esse era o mesmo lugar que tinha visto em fragmentos das memórias de Yoon Ga-eul. Parecia que a biblioteca da Guilda Seowon tinha servido como um acampamento base para sobreviventes, mesmo depois do apocalipse. Embora estivesse quase destruída no outro mundo…
Lee Sayoung, caminhando rapidamente, falou.
— O Nam Woo-jin deve estar na estante central.
— A estante central?
Navegando pelo labirinto de estantes, eles entraram num espaço aconchegante, parecido com um salão cercado por grandes estantes de livros. No centro havia uma escada levando do primeiro ao segundo andar, e nessa escada estava um homem de costas, usando um jaleco.
Com longos cabelos brancos presos e usando um jaleco branco, o homem sentiu a presença deles e virou a cabeça. Lee Sayoung assentiu e o homem desceu lentamente.
— Vocês chegaram mais cedo do que eu esperava.
O homem enfiou o livro que estava segurando debaixo do braço e falou em cumprimento. A voz baixa ao lado de Cha Eui-jae chamou o homem de cabelo branco.
— Nam Woo-jin.
Diante deles estava Nam Woo-jin, classificado em 7º lugar na Coreia do Sul e um curandeiro de grau A.
↫。。⛧ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna, Flower&Yuki