↫─☫ Episódio 55
𓆰𓆪 Episódio 55 𓆰𓆪
Gentileza Inesperada
O sofá era incrivelmente macio. Hoje em dia, até os cobertores são feitos de subprodutos de masmorra, então talvez esse sofá também fosse? Cha Eui-jae desesperadamente tentou mudar seus pensamentos e aceitar a situação.
Era desconfortável ocupar um assento mais confortável que o do anfitrião, mas ele não conseguia continuar discutindo ali. Se fizesse isso, poderiam acabar quebrando o sofá e ambos teriam que dormir no chão.
Não que ele pretendesse, mas acabou contribuindo para quebrar a cama. Não podia se dar ao luxo de quebrar mais um móvel. E certamente não tinha o dinheiro para pagar por isso.
“Bem, o mais velho deveria ceder…”
Cha Eui-jae, racionalizando com sua própria mentalidade antiquada, estava curtindo a maciez do sofá quando Lee Sayoung jogou dois travesseiros e dois cobertores nele. Cha Eui-jae instintivamente pegou e resmungou.
— Não preciso de dois.
— Só pega o que eu te der.
Atrás de Lee Sayoung, cobertores e travesseiros estavam empilhados como uma colina. “Onde ele conseguiu tudo isso?” Cha Eui-jae pensou inconscientemente no quarto de dormir de alta classe da Guilda Pado. Bem, pelo menos Lee Sayoung não ficaria sem cobertores, mesmo que Cha Eui-jae tivesse dois de cada.
Depois de confirmar que Cha Eui-jae tinha se deitado com um travesseiro e um cobertor, Lee Sayoung começou a arrumar sua própria roupa de cama no chão.
Após empilhar vários cobertores para fazer um colchão macio, deitou-se em um travesseiro. Bateu palmas uma vez e todas as luzes da casa se apagaram. Encarando o teto escuro, Cha Eui-jae murmurou.
— …Dorme bem.
Nenhuma resposta veio de volta. Não esperava uma, de qualquer forma. O sofá era macio, o cobertor era suave e o travesseiro apoiava seu pescoço com a firmeza e altura certas. Era uma bela cama que ele não experimentava há muito tempo.
Mas isso significava que conseguiria dormir confortavelmente… não.
Relutantemente, Cha Eui-jae mordeu o lábio e falou.
— Lee Sayoung, você tá dormindo?
— E você?
Não era uma voz sonolenta. Era a voz clara que ele tinha ouvido momentos antes. Por que tinha que responder tão prontamente? Ouvir a voz de outra pessoa deixou os pensamentos emaranhados um pouco mais claros e trouxe sua mente de volta à realidade. Piscando, Cha Eui-jae falou de novo.
— Também não consigo dormir.
— Você devia estar cansado.
— Por quê?
— Depois de todo o caos que causou…
Lee Sayoung riu baixinho, como se fosse ridículo, mas não havia malícia.
— Não foi grande coisa. — Cha Eui-jae respondeu casualmente.
Houve outro breve silêncio entre eles. Era muito mais suportável que antes. Cha Eui-jae encarou o teto e falou de novo.
— E o Choi Go-yo? Ele vai ficar bem?
— Bem… de Incheon para Seul. — Houve uma pausa, como se estivesse escolhendo as palavras cuidadosamente antes de continuar. — Ele deve ficar bem até amanhã à noite.
— A penalidade é mais forte do que eu pensava.
— A habilidade é boa demais para usar infinitamente.
— Certo…
Continuaram falando esporadicamente. Conversas, geralmente, não conseguem continuar infinitamente sem pausas, então o silêncio inevitavelmente se seguia. Mas Cha Eui-jae não tinha mais medo dele. Sentiu que conseguiria afastar qualquer coisa tentando se infiltrar nas lacunas.
Dessa vez, Lee Sayoung falou primeiro.
— Hyung.
— Sim?
— Você sabe que eu ainda tenho a carta?
— Carta? Que carta?
— Você me deu, mas você não lembra?
Cha Eui-jae tentou lembrar, mas nada veio à mente. Ele não se lembrava de ter dado nada que pudesse ser chamado de carta. O farfalhar de Sayoung soou como se estivesse se virando. Cha Eui-jae também virou o corpo em direção ao sofá.
Lee Sayoung estava deitado de lado, apoiando o queixo com a mão, olhando para Cha Eui-jae. Havia uma expressão divertida em seu rosto bonito.
— Toca nelas e você morre.
— …Ah.
Será que era a ameaça que ele escreveu no cartão de visita? Parecia que tinha encontrado a pessoa certa para dar. Enquanto Cha Eui-jae olhava com o rosto azedo, Lee Sayoung riu baixinho e abaixou a cabeça.
De repente, uma luz azul cruzou sua visão diagonalmente. Um lado da sala de estar tinha janelas do chão ao teto, e a luz fraca do amanhecer estava entrando. Será que o tempo passou tão rápido assim? Cha Eui-jae esfregou o rosto seco e perguntou.
— Que horas são?
— Bem… por volta das 4h30?
— …
— Por quê? Você vai abrir a loja?
— Ei, a loja precisa ser aberta.
— Faz o Bae Won-woo fazer isso.
— Ele consegue?
— Depois de tudo que comeu, ele deveria pelo menos conseguir fazer sopa de ressaca…
Murmurando bruscamente, Lee Sayoung também se levantou. Cha Eui-jae esticou o corpo depois de se levantar. O tempo estava apertado, mas, com suas novas habilidades, conseguiria se preparar rapidamente para o expediente.
As roupas que usou ontem tinham sido levadas por Lee Sayoung para lavar, então teve que pegar emprestado as roupas de novo hoje. Depois de vestir uma gola alta preta e calça social preta que Sayoung escolheu para ele, os dois entraram no elevador juntos.
Sim, juntos. Cha Eui-jae ficou num ângulo distante do outro homem, grudado no canto espaçoso do elevador. Lee Sayoung zombou.
— Por que você não chega mais perto?
— Estou confortável aqui.
— Depois de quebrar minha cama e pegar minhas roupas.
— Não fala coisas que podem ser mal interpretadas.
— Por que você tá agindo assim quando a gente já fez de tudo…?
— Cala a boca.
Cha Eui-jae não tinha nenhuma intenção de ser acompanhado, mas o elevador no prédio da Guilda Pado, onde os aposentos de Lee Sayoung ficavam localizados, exigia uma identificação de membro da guilda para operar, como um hotel. Até a escada exigia a identificação de membro da guilda para abrir a porta.
Então, Cha Eui-jae não teve escolha a não ser levá-lo junto, como uma enorme ferramenta de acesso. Além disso, o que Lee Sayoung disse deixou Cha Eui-jae ainda mais cauteloso.
— Você é famoso, sabia?
— Eu? Por quê?
— Acha que alguém nessa guilda não experimentou sua sopa de ressaca?
— …
— E se membros da guilda perguntarem por que o funcionário tá aqui?
“Meu rosto ser conhecido na Guilda Pado foi porque você pagou adiantado cinco milhões de won em sopa de ressaca…” Cha Eui-jae achou absurdo, mas não era hora de discutir sobre isso.
E se eles encontrassem alguém? Mesmo sendo 4h da manhã, e se encontrassem?
Ele não tinha desculpas. Não podia dizer que estava entregando sopa de ressaca. Sempre tinha deixado claro que o restaurante não fazia entregas e, se dissesse isso, poderia ter que dar uma coletiva de imprensa sobre favoritismo para o Líder de Guilda.
Enquanto Cha Eui-jae ponderava, notou o vidro do elevador refletindo. O vidro da frente fazia parecer uma porta. Devia só quebrar… e pular para fora? Não se machucaria seriamente. O problema era…
— Hyung?
— Deixa pra lá…
O custo do vidro. Com a dívida de quebrar a cama, Cha Eui-jae guardou seus pensamentos e focou à frente. Considerou usar sua habilidade de passos silenciosos, mas ela só escondia sua presença, não sua aparência, o que era inútil nesse espaço confinado.
Assim que o elevador chegou ao primeiro andar com um sinal sonoro, uma voz sinistra foi ouvida.
— Droga, saindo da masmorra e já está amanhecendo… Ah, Líder de Guilda?
— Vai dormir um pouco antes de ir trabalhar… Ah? Bom dia! Levantou cedo, né… uh?
— …Hã?
Todos os olhares se voltaram para os dois. Especificamente, ficaram surpresos ao ver Lee Sayoung primeiro e, ao erguerem a cabeça, notaram Cha Eui-jae preso no canto. Caçadores voltando de uma invasão de masmorra estavam ali, assim como Bae Won-woo, enxugando o suor depois de uma corrida matinal.
— Hã? Não é o funcionário? O que te traz aqui?
Bae Won-woo se aproximou da porta do elevador com uma saudação encantada, mas, vendo Lee Sayoung parado no centro, pareceu confuso. Cha Eui-jae, com um rosto como se sua alma tivesse saído do corpo, murmurou nomes de flores.
— Ah… sim… bem… sim…
— Hã?
— Haha… foi só como aconteceu.
O que aconteceu? Cha Eui-jae também não sabia. Só Lee Sayoung ficou parado despreocupadamente no centro, encarando o sujeito. Claro, Bae Won-woo, tão desligado quanto sempre, continuou falando.
— Mas o que te traz aqui, funcionário?
— …
— Por que você tá aqui?
Lee Sayoung não disse nada. Bae Won-woo, não obtendo nenhuma resposta do líder de guilda, se virou para Cha Eui-jae. O funcionário explicaria, com certeza, mas com ele foi igual.
Enquanto o silêncio se estendia, a curiosidade dos caçadores crescia. As habilidades de observação aguçadas de Bae Won-woo notaram o traje incomum do funcionário. A gola alta preta e a calça social pareciam algo que o líder usaria.
“O quê?”
Aquela gola alta não era algo que Lee Sayoung tinha usado recentemente? A percepção proibida atingiu a mente de Bae Won-woo. O funcionário estava… usando as roupas do líder? E logo o cara que odiava emprestar roupas ou ter visitas? Descendo junto com o funcionário?
Os olhos de Bae Won-woo se arregalaram de choque. Apontando um dedo trêmulo para Lee Sayoung, ele gaguejou.
— Ei, ei, ei, ei, ei, o que é isso? Hã? Ei, o que é isso?
— Bae Won-woo.
— Ei, cara! O que tá acontecendo? Explica!
— Que tal correr mais duas voltas ao redor do Rio Han?
Na superfície, era uma sugestão educada, mas a mensagem subjacente de Lee Sayoung era “suma”. Até alguém tão desligado quanto Bae Won-woo conseguia entender isso.
Porém, Bae Won-woo se agarrou persistentemente aos dois, recusando-se a ir embora. Sua tenacidade era formidável, digna de um tanque.
“…Nesse ritmo, não vou chegar na loja até depois das 5.”
Finalmente, Cha Eui-jae tomou uma atitude. Saiu do canto e casualmente passou o braço ao redor dos ombros de Lee Sayoung. Os membros da Guilda Pado, parados na frente deles, silenciosamente engasgaram. Lee Sayoung arregalou os olhos para Cha Eui-jae, mas ele o ignorou.
Então, ele bateu de leve no ombro de Sayoung, exibindo um sorriso amigável.
— Teve um pouco de confusão ontem à noite, mas o Líder de Guilda gentilmente me ajudou, haha.
— Confusão? Que tipo de confusão? Alguém quebrou outra mesa?
O ombro sob a mão de Cha Eui-jae se contraiu levemente. Ele balançou a cabeça com uma expressão séria.
— Não posso entrar em detalhes agora, mas o Líder de Guilda foi uma grande ajuda.
— O Sayoung fez isso?
O rosto de Bae Won-woo estava cheio de confusão. Ele queria acreditar no funcionário do restaurante, mas não conseguia entender por que Lee Sayoung o ajudaria. Cha Eui-jae desferiu o golpe final.
— Bem, já que eu sou o funcionário do restaurante que o Bae Won-woo gosta tanto, acho que ele cuidou de mim.
— O quê? …Sério?
Infelizmente, Bae Won-woo foi facilmente influenciado pela conversa mole de Cha Eui-jae. Lee Sayoung friamente ignorou o olhar levemente comovido de Bae Won-woo. De qualquer forma, Cha Eui-jae habilmente escapou do elevador, como se estivesse desviando de um ataque de monstro, acenando com a mão.
— Tenho que abrir o restaurante logo, então vou indo. Nos vemos na loja!
— Ah? Ah, tchau então, funcionário!
Bae Won-woo acenou o braço musculoso energicamente. Depois de Cha Eui-jae ir embora, Bae Won-woo se virou de volta para Lee Sayoung com uma expressão perplexa.
— Então, por que o funcionário tava aqui? Você realmente o ajudou com alguma coisa?
Lee Sayoung, que tinha ficado em silêncio, estalou a língua e respondeu friamente.
— Você realmente não é nada útil.
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna, Flower&Yuki