↫─☫ Episódio 53
𓆰𓆪 Episódio 53 𓆰𓆪
Gentileza Inesperada
— Você acabou parecendo um mendigo, não foi, Hyung?
— É. É meio demais para um mendigo entrar no escritório do Líder de Guilda, não acha? Só pega as coisas e vai.
Ele apontou para a longa fileira de homens amarrados atrás dele. Os lábios de Lee Sayoung se apertaram. Voltou para sua mesa, fixou o olhar em Cha Eui-jae e apertou o botão do microfone conectado ao escritório da secretária.
— …Diz pra equipe de pesquisa trazer novas amostras e mandar um veículo de transporte pro portão da frente da Guilda Pado.
— Uh, com licença? Um veículo de transporte?
— Um que consiga carregar cerca de vinte despertos de uma vez. Não, só diz pra eles trazerem o maior, e vão entender.
— …Sim, vou repassar isso imediatamente.
Lee Sayoung tirou a mão do botão do microfone e se inclinou sobre a mesa, soltando um suspiro profundo entre os lábios.
— …A mensagem.
— O quê?
Cha Eui-jae piscou. Ele parecia uma bagunça, como se tivesse sido mergulhado em água e depois rolado na lama. Lee Sayoung batucou os dedos na mesa.
— Por que não checou a mensagem?
— …Você mandou uma?
Lee Sayoung olhou de relance para Cha Eui-jae. Tinha respondido àquela mensagem maluca assim que chegou, e ele não tinha visto? Os lábios de Lee Sayoung se contorceram. Fingindo não saber, é?
— Aah… Fingindo que não sabe?
— Não, ei, não estou fingindo. Eu realmente não vi. A tela do meu celular tá quebrada.
Cha Eui-jae puxou o aparelho do bolso e mostrou. Exatamente como disse, a tela estava completamente estilhaçada, como se tivesse sido atingida com um martelo.
Lee Sayoung olhou ao redor pela porta aberta dentro do contêiner. Ao redor dos homens amarrados estavam espalhadas várias ferramentas e armas. Embora não estivessem manchadas de sangue, a maioria estava quebrada ou entortada.
— …
Então, voltou os olhos para Cha Eui-jae. Seu rosto estava tão claro quanto de costume, mas o cabelo e moletom estavam encharcados; seu cabelo, normalmente arrumado, era uma bagunça emaranhada, e seu avental estava coberto de pegadas e marcas de pauladas. Era um desastre completo.
Embora Lee Sayoung não conseguisse dizer a verdadeira força de Cha Eui-jae, era improvável que um desperto capaz de bloquear seus ataques fosse espancado a esse ponto, a menos que tivesse deixado acontecer de propósito.
— …
Enquanto isso, Cha Eui-jae estava tirando várias mochilas pretas pesadas do inventário e empilhando no escritório do Líder de Guilda, colocando a que estava nas costas por último. Ainda assim, nunca deu um passo além da soleira da porta.
Será que ele achava que era realmente um mendigo por ter sido chamado de um? Lee Sayoung não escondeu sua irritação.
— O que está fazendo?
— Espera um pouco… Tudo nessas mochilas são drogas. Eles estavam falando de três unidades ou algo assim, mas não sei o que são as unidades. De qualquer forma, você vai descobrir.
— …
— Ei, Abridor Romântico-ssi. Quando acha que vai desmaiar?
— …Hã?
— …Parece que você vai desmaiar logo.
Choi Go-yo já estava deitado no chão do contêiner. Mal conseguia mover a boca e estava num estado semi-morto. Seus olhos estavam desfocados e prestes a fechar. Cha Eui-jae estalou a língua e fez um gesto para o Líder de Guilda.
— Entra e tira essa pessoa daqui.
Lee Sayoung inclinou levemente a cabeça com um rosto amuado.
— Não posso entrar aí.
— Hã?
— Essa porta é de mão única.
— …Mão única?
— Acho que o Go-yo não explicou. Essa porta só funciona para sair, não para entrar.
Cha Eui-jae olhou pro Abridor Romântico, depois para a porta e, enfim, para Lee Sayoung.
Àquela altura, ele já conseguia ver claramente que tipo de pensamentos malucos estavam passando pela cabeça bonita de Cha Eui-jae. Nem se deu ao trabalho de esconder seu desdém e falou com uma expressão carrancuda.
— O quê? Planejando ficar aí esperando até o Go-yo desmaiar?
Seu rosto arrumado ficou amuado. Ele geralmente fazia essa expressão quando alguém acertava na mosca.
— Não, eu só pensei que não precisava mesmo sair daí…
— Ah.
— Se eu simplesmente entregar as coisas e esses caras para você, já era, não é?
— Como espera chegar de Incheon até o restaurante? O quê? Quer que eu chame um táxi com o cartão da empresa de novo?
— Com a taxa adicional noturna, levaria duas horas… Seria bem caro.
Ele parecia estar seriamente contemplando isso.
“Esse cara é uma bagunça”, Lee Sayoung pensou. Não só sua aparência atual, mas, julgando pelas suas ações, sua mente provavelmente também era uma bagunça. Ele era inacreditavelmente imprudente, egocêntrico, incrivelmente antiquado, e agia como se tivesse vidas de sobra para arriscar.
— Ainda assim…
Cha Eui-jae escovou o cabelo molhado para trás e sorriu.
— Isso não foi nada mal, né?
De alguma forma…
Assistindo ele sorrir, mostrando os dentes, Lee Sayoung se virou abruptamente.
— Entra antes que a porta feche.
— Se eu só jogar esses caras pro seu lado…
— Só escuta o que eu falo pela primeira vez.
Quando afiou o tom, Cha Eui-jae finalmente empurrou Choi Go-yo pro escritório, arrastando os homens amarrados como peixes e, por fim, entrou na sala.
No momento em que o último homem cruzou a soleira, Choi Go-yo, que tinha aguentado teimosamente, soltou um último suspiro.
— Argh.
Ao mesmo tempo, a porta que tinha estado levemente aberta desapareceu, e a porta do escritório do Líder de Guilda voltou ao seu lugar. Lee Sayoung deitou Choi Go-yo e os outros lá fora antes de voltar para encontrar Cha Eui-jae, ainda desajeitadamente parado e olhando ao redor.
— Vamos ouvir isso primeiro… — Lee Sayoung perguntou, cruzando os braços. — Por que você entrou lá de propósito?
— Hm? Achei que poderia pegar algo se eu mexesse as coisas. — Cha Eui-jae falou casualmente e deu de ombros. — Mas não encontrei nada útil.
— Não havia necessidade de ir tão longe. O que te designei foi vigilância simples. Temos outro pessoal especializado para supressão.
— Consegui responder mais rápido que eles hoje.
As ações de Cha Eui-jae foram de fato uma grande ajuda. Embora o departamento de investigação e os membros da Guilda Pado perseguissem os traficantes, eles só chegavam até a parte da perseguição. Essa foi a primeira vez que eliminaram completamente os traficantes e confiscaram tudo. Com essa quantidade de drogas, a Guilda Seowon e a equipe de pesquisa da Guilda Pado conseguiriam extrair dados valiosos.
Lee Sayoung fez um gesto para Cha Eui-jae.
— Certo. Vamos.
— Claro, tô indo. Oi Nexby, procura o terminal de ônibus mais próximo.
Cha Eui-jae chamou no celular rachado. Àquela altura, Nexby já era praticamente seu companheiro permanente. Porém, Lee Sayoung, ainda parecendo irritado, inclinou a cabeça incredulamente e encarou o celular.
Àquela altura, já conseguia perceber que Sayoung sempre inclinava a cabeça quando estava descontente. Incapaz de continuar ignorando, Cha Eui-jae perguntou, sem conseguir esconder sua expressão azeda.
— O que foi agora?
— Eu só… fico imaginando se você tá fazendo isso de propósito.
— O quê?
— Por que tá procurando um ônibus?
— Tenho que ir para casa. Se eu esperar mais, os ônibus vão parar de circular.
— Com essa aparência?
Lee Sayoung o olhou de cima a baixo, como se estivesse zombando dele. Só então Cha Eui-jae olhou para si mesmo. Cabelo e moletom molhados, avental coberto de pegadas.
Ele estava bem, mas sua aparência era uma bagunça. Qualquer um que o visse pensaria que tinha passado por algo sério. Alguém de bom coração definitivamente se aproximaria e perguntaria o que tinha acontecido!
Percebendo isso, Cha Eui-jae silenciosamente colocou o celular de volta no bolso. Suspirou profundamente e escovou o cabelo molhado para trás.
“Se não tivesse ficado encharcado, eu simplesmente iria.”
Na verdade, ele pensou que poderia usar seus passos silenciosos para escapar sem ser notado. Justo quando Cha Eui-jae estava prestes a se dirigir discretamente para a porta, Lee Sayoung puxou uma folha A4 amassada do inventário. Era o botão de fuga de emergência de Hong Ye-seong que ele tinha visto antes.
Sem dar a Eui-jae uma chance de recusar, Sayoung agarrou seu braço e rasgou o papel. Momentos depois, estavam em pé na frente do restaurante de sopa de ressaca.
— …Isso não é um item precioso?
— Tá tudo bem. É um conjunto de dez.
— …
Cha Eui-jae relutantemente abriu a porta do restaurante e se dirigiu ao pequeno quarto anexado aos fundos da loja, que estava lotado de caixas de presente recebidas recentemente, com um cobertor e travesseiro dobrados perfeitamente de um lado. A menos que movesse todas as caixas, Cha Eui-jae não conseguia se deitar adequadamente.
Mas, para ele, mesmo esse tipo de quarto era suficiente. Estava realmente grato. Comparado a dormir em cima de cadáveres de monstros e usar o sangue deles como cobertor nas fendas, isso era muito melhor. Um quarto com paredes e teto, um lugar para se deitar, um cobertor e um travesseiro. Era um espaço ideal.
Claro, essa era só a sua opinião. Lee Sayoung olhou ao redor, pensando se uma pessoa realmente conseguiria viver num lugar assim.
— Você dorme aqui?
— Não fez toda a verificação de antecedentes antes? Você me viu saindo daqui antes.
Era sobre o dia em que ele apareceu no meio da noite e sentou no salão. À réplica de Cha Eui-jae, Lee Sayoung respondeu bruscamente.
— Eu não sabia que o interior do quarto era assim.
Típico do número um do ranking, ele devia ter crescido mimado. Mas Cha Eui-jae também tinha sido assim uma vez, então não se deu ao trabalho de criticar e simplesmente respondeu.
— Se tem um cobertor, travesseiro, um chão e um teto, o que mais você precisa?
— …
— …Por quê?
Lee Sayoung estava o encarando. Seu rosto delicado estava começando a mostrar um olhar de desaprovação.
— Você tem um hobby de autopunição ou algo assim?
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna, Flower&Yuki