↫─Capítulo 56
ᯓ ✈︎ Capítulo 56
Como em todos os dias de aula, Choi Hyun-oh entrou em contato comigo quando cheguei ao ponto de ônibus, mais ou menos no mesmo horário de sempre. O conteúdo da mensagem também era sempre o mesmo. Ele perguntava se eu pretendia pegar o ônibus que estava chegando, e nossos horários nunca deixavam de coincidir.
Pegávamos o mesmo ônibus para a faculdade, assistíamos às aulas da manhã, almoçávamos no refeitório com alguns colegas próximos que tinham as mesmas disciplinas naquele dia e, enquanto Choi Hyun-oh fumava, eu conversava com ele para passar o tempo antes de seguirmos para a próxima aula.
Naquele dia, não foi diferente. Os horários transcorreram como sempre, sem nenhum imprevisto. A única diferença era que eu passei a manhã inteira inquieto, concentrado na possibilidade de sentir a vibração do celular no bolso.
Meu celular, que raramente recebia ou enviava mensagens, costumava permanecer em silêncio. Mas nunca havia prestado tanta atenção àquele silêncio quanto naquele dia.
Além disso, como as aulas daquele dia eram apenas disciplinas de formação geral, parecia ainda mais fácil me perder em pensamentos. Para piorar, o tema da aula de “Educação de Gênero para Estudantes da Universidade de Korea City” era “Relacionamentos baseados no respeito mútuo”.
Para alguém que não conseguia parar de pensar em uma determinada pessoa, aquilo era como jogar lenha na fogueira. Embora eu tentasse não dar tanta atenção ao assunto, já que havia decidido me afastar primeiro, no fim não consegui resistir e discretamente conferi o celular.
[Nenhuma mensagem.]
Pelo visto, a sensação de não ter sentido nenhuma vibração não estava errada. Coloquei o celular de volta no bolso, pressionando os lábios com um gosto amargo.
Saheon hyung havia partido por volta das quatro da manhã, então já tinham se passado cerca de nove horas. Para onde ele teria ido? Enquanto pensava em quais países ficariam a aproximadamente nove horas de viagem, concluí que hyung já poderia ter chegado a praticamente qualquer lugar.
Meu humor ficou ainda mais sombrio depois de olhar o celular. Eu precisava inventar motivos para justificar a falta de resposta de Saheon hyung, adicionando um motivo atrás do outro.
Mesmo que tivesse saído às quatro da manhã, havia o tempo até o aeroporto e o tempo necessário para se preparar para o voo. Saheon Hyung havia me mandado uma mensagem por volta das seis… Então já tinham se passado sete horas.
Calculei o tempo ansiosamente e soltei um suspiro silencioso. Pensando bem, eu nem sabia para onde hyung estava indo.
《 Ele nem sequer me contou…》
Depois que minha mente começou a seguir por esse caminho negativo, tudo passou a parecer distorcido. Eu me sentia incomodado por estar esperando uma resposta depois de ter sido eu quem mandou primeiro uma mensagem dizendo que deveríamos nos afastar. Por isso, estava prestes a desligar completamente o celular.
Quando pressionei o botão de energia por alguns segundos, apareceu um botão vermelho. Eu já ia tocá-lo, mas, no último instante, mudei de ideia.
Se hyung tentasse entrar em contato comigo e encontrasse o celular desligado, poderia pensar que eu tinha ido embora sem avisar de novo.
Depois de concluir minha própria racionalização de que estava fazendo aquilo por causa do hyung, e não por mim, decidi me contentar em colocar o celular no modo “Não Perturbe”.
No entanto, tornando toda aquela justificativa ainda mais inútil, não recebi nenhum contato até o fim da aula. Eu sabia que ele estava trabalhando, mas, de alguma forma, aquilo me dava a sensação de que eu havia perdido o lugar para onde poderia voltar.
Depois que a aula terminou, Yoo Do-jin disse que tinha algo para resolver com o pessoal da Educação Física e foi embora, enquanto Choi Hyun-oh e eu seguimos naturalmente para o ponto de ônibus.
Diferentemente de mim, que estava todo agasalhado com um moletom forrado de fleece e uma jaqueta acolchoada, Choi Hyun-oh vestia apenas uma jaqueta. Caminhando com as mãos enfiadas nos bolsos e tremendo de frio, reclamou:
— Está congelando! Já está quase em abril. Até quando vamos ter que usar essas jaquetas acolchoadas? Dizem que as cerejeiras estão prestes a florescer, mas, nesse ritmo, acho que vai nevar primeiro.
Com a mente concentrada no peso do celular dentro do bolso da minha jaqueta, apenas assenti vagamente em concordância.
Choi Hyun-oh, que havia entrado apressadamente no abrigo do ponto de ônibus, olhou para minha mochila estufada e perguntou:
— Isso não está pesado?
— Está…
Passei o polegar pela alça larga da mochila. Ela estava abarrotada com as roupas que eu havia enfiado de qualquer jeito.
Choi Hyun-oh observou cuidadosamente a mochila, cujo zíper estava esticado ao limite, e perguntou:
— Por que você colocou tanta coisa aí? Vai dormir na rua?
— Ah, só… Estou pensando em ir para casa hoje.
Murmurei vagamente, mas Choi Hyun-oh apenas arregalou os olhos, sem demonstrar nenhuma desconfiança.
— Ah, é? Ah, certo. Como amanhã nao tem aula, vai ser bom descansar no fim de semana.
Foi então que um vento cortante soprou, bagunçando nossos cabelos. O cabelo descolorido de Choi Hyun-oh, que naquele dia estava especialmente desgrenhado, esvoaçou com força. Encolhendo os ombros e soltando um gemido de quem estava morrendo de frio, ele perguntou:
— Você vai direto para lá? Então hoje não vamos poder pegar o mesmo ônibus.
— Acho que não… Ah, preciso pegar aquele!
Perdido em pensamentos, corri em direção ao ônibus vermelho que estava prestes a passar. Ouvi Choi Hyun-oh se despedir atrás de mim. Acenei com a mão antes de subir no ônibus.
Era um ônibus que eu havia escolhido lembrando das vezes em que, durante os tempos de escola, ia brincar com meus amigos perto de Hanshidae. Deixei passar distraidamente umas três paradas antes de conferir o aplicativo de mapas. Felizmente, eu estava no caminho certo.
A viagem até minha casa era longa. Era preciso fazer uma baldeação, e só o trajeto do primeiro ônibus levava duas horas.
No começo, ouvi música e conferi algumas vezes se ainda não havia nenhuma mensagem de Saheon hyung. Mas, quando as músicas da minha playlist deram uma volta completa, comecei a sentir sono. Por fim, cochilei no ônibus de bairro depois da baldeação, mas, por um milagre, consegui acordar justamente no ponto em frente à nossa casa. Desci às pressas, e um vento frio soprou com força, como se estivesse tentando me fazer acordar.
Embora eu não tivesse morado com Saheon hyung por tanto tempo, voltar para casa dava a sensação de estar retornando depois de uma eternidade. Caminhei pelo caminho familiar, que de alguma forma parecia um pouco diferente.
O apartamento onde eu morava desde que nasci começou a surgir ao longe. Acelerei um pouco o passo. Sentia minhas bochechas, desprotegidas pelas roupas, ficarem vermelhas por causa do frio.
Digitei a senha na velha porta de entrada, que carregava as marcas do tempo, e apertei o número familiar do andar. O elevador rapidamente me levou ao destino.
Quando as portas se abriram, a cena familiar apareceu diante de mim, acompanhada até mesmo daquele cheiro de poeira velha e abafada.
Por hábito, olhei para o apartamento vizinho. Era algo que eu fazia mesmo antes de perceber que tinha uma paixão unilateral por Saheon hyung. As portas do elevador se fecharam, trazendo um silêncio completo, mas não ouvi nenhum som.
Olhei para a janela acima da escada e percebi que o pôr do sol já estava começando a cair. Depois de encarar a porta do apartamento vizinho por um tempo, senti um arrepio e rapidamente me dirigi para nossa casa.
A essa hora, meus pais provavelmente ainda não estariam em casa. Meu palpite estava certo.
Quando entrei depois de digitar a senha, que já não me era tão familiar, fui recebido apenas pelo silêncio. Pelo visto, meus pais ainda não haviam voltado do trabalho.
Depois de colocar cuidadosamente minha jaqueta acolchoada sobre o sofá, fui naturalmente para a cozinha. De repente, eu estava morrendo de fome.
O relógio preso à parede da sala marcava seis e meia da tarde. Só a viagem de ônibus havia levado duas horas e, contando o tempo de deslocamento, aquela jornada facilmente tinha chegado a três horas.
Estalei a língua inconscientemente. Balancei a cabeça e decidi preparar o jantar no lugar dos meus pais, que logo voltariam do trabalho.
Abri a geladeira e encontrei uma quantidade enorme de kimchi, mas nenhum outro acompanhamento. Também não havia nenhuma sopa ou comida pronta sobre o fogão.
Depois de remexer nas poucas coisas que havia nos compartimentos da geladeira, encontrei alguns vegetais e decidi fazer um curry simples.
Nossa família sempre mantinha curry em pó em casa, e isso não havia mudado nem durante o período em que morei com Saheon hyung.
Piquei os vegetais que haviam sobrado em pedaços grandes, tirei a carne do congelador e a refoguei. Depois, acrescentei primeiro os vegetais mais duros sobre a carne já dourada.
Enchi uma panela com água misturada ao curry em pó e, de repente, uma dúvida surgiu: Será que havia arroz pronto?
— Esperto, esperto… Lee Cheongmyeong…
Murmurando elogios para mim mesmo, abri a panela elétrica de arroz. Felizmente, estava cheia. Pelo horário, provavelmente era o arroz que havia sido feito naquela manhã. Mexi os vegetais uma vez para evitar que grudassem e abaixei o fogo. Agora parecia que era só esperar ferver.
Depois de terminar o preparo, fui naturalmente para a sala. Liguei a televisão, assisti à reprise de um programa de variedades e até descasquei e comi as tangerinas que estavam sobre a mesa. Aquele momento era incrivelmente confortável.
《Então é por isso que dizem que é tão confortável voltar para a casa dos pais.》
Foi um pensamento quase inconsciente que passou pela minha cabeça. Parei por um instante, refletindo sobre o que acabara de pensar. Havia alguma coisa estranha naquela frase.
Minha contemplação, enquanto mastigava uma tangerina, não durou muito. Ouvi alguém digitando a senha na porta de entrada. Larguei a tangerina que estava comendo e corri para a entrada. Ouvi a voz acolhedora da minha mãe.
— De quem são esses sapatos…? Meu Deus, Cheongmyeong. Filho, você está aqui? O que aconteceu?
Minha mãe me olhou com uma expressão genuinamente surpresa. Pensando bem, eu não havia sequer avisado que viria. Depois de aparecer de repente sem dizer nada, sorri sem jeito e usei a mesma desculpa que havia dado a Choi Hyun-oh.
— Amanhã não tenho aula… Então pensei em dormir aqui hoje.
— Você devia ter ligado antes. Eu teria comprado alguma coisa gostosa. Cadê o Saheon?
Minha mãe perguntou naturalmente sobre Saheon hyung.
Eu jamais conseguiria dizer algo como: “Ele parece ter ficado meio estranho. Nós transamos ontem à noite, mas hyung fez umas coisas pervertidas, como um tarado, então decidi me afastar por um tempo”, nem mesmo sob tortura.
Por isso, apenas sorri sem jeito e inventei uma desculpa.
— Ele está em um voo.
— Imagino. Por que eu fiz uma pergunta tão óbvia? Você fez curry? Está com um cheiro delicioso.
— Fiz. Ainda não está pronto.
O curry havia reduzido um pouco mais desde antes. Como eu já estava na cozinha, mexi uma vez para evitar que grudasse.
Minha mãe acenou com as mãos, fazendo-me parar.
— Você veio passar a noite depois de tanto tempo e ainda está fazendo curry? Vou pedir para seu pai comprar carne no caminho para casa. Ah, será que devemos chamar a tia também? Ela vive dizendo que está com saudade de você.
— Mas eu já fiz…
— Curry fica ainda melhor no dia seguinte. Só termine de cozinhar e coloque para esfriar. Ah, você está com muita fome?
— Comi um monte de tangerinas… Acho que estou bem.
Se tivesse que escolher entre curry e carne, a segunda opção ganhava de lavada. Embora eu tivesse comido muita carne na casa do hyung, havia um tipo diferente de conforto em comer em casa. Era de alguma forma mais quente e acolhedor.
Minha mãe pediu ao meu pai que comprasse carne no caminho de volta do trabalho e, pouco depois, entrou em contato com os vizinhos. A tia tocou nossa campainha imediatamente. O rosto dela, que eu não via havia algumas semanas, estava cheio de alegria.
— Cheongmyeong, quanto tempo! Meu Deus, você está se dando bem com o Saheon?
A tia, que havia me abraçado apertado, me cumprimentou com a intimidade de sempre. Era um pouco estranho e desconcertante perceber que todos naturalmente me perguntavam sobre Saheon hyung.
Eu jamais poderia contar à tia que nosso relacionamento não apenas havia se tornado sexual, como o hyung também tinha feito coisas pervertidas na minha frente. Por isso, respondi brevemente:
— …Sim.
— Quer que eu faça uma xícara de chá?
— Sim, sim, obrigada. Cheongmyeong, venha sentar também.
Era uma cena que eu via desde criança.
Minha mãe e a tia se sentavam à mesa da cozinha com chá e alguns petiscos e ficavam conversando por muito tempo. Eu costumava brincar com meus irmãos e depois ir até minha mãe para pegar algum doce.
Se havia alguma diferença naquela cena tão familiar, era que eu já não era a criança pequena que sequer chegava à altura de minha mãe sentada. Agora, eu também me sentava à mesa como um adulto.
— O pai do Cheongmyeong disse que vai comprar carne. Se você ainda não jantou, fica para comer com a gente.
— Eu almocei tarde, então ainda não estou com muita fome. Mas, já que o Cheongmyeong está aqui, vou comer um pouco. Só não vou conseguir comer muito.
— Ele disse que só chega depois das oito. Por favor, fique para jantar.
— Bom, já que você insiste…
Olhei rapidamente para o relógio da sala quando minha mãe mencionou o horário. Já fazia mais de doze horas desde o último contato com o hyung. Senti uma sensação desagradável tomar conta de mim, como se estivesse todo molhado depois de levar um banho de água fria.
Levei a mão ao bolso, procurando o celular, e então percebi que aquela sensação familiar não estava ali. Pelo visto, eu o havia colocado no bolso da minha jaqueta acolchoada. Levantei-me em silêncio, tentando não interromper a conversa banal entre minha mãe e a tia, e fui até o sofá.
Tirei o celular do bolso e apertei o botão de energia para verificar se havia alguma mensagem. A tela permaneceu preta. Pressionei o botão com força algumas vezes e então me lembrei de que a bateria já estava bastante baixa desde que terminei de ouvir música no ônibus.
— Mas ainda devia ter uns trinta por cento.
Resmunguei baixinho e apertei o botão novamente, sem necessidade. Pelo visto, o frio havia drenado a bateria mais rápido. Fui até meu quarto, peguei um carregador reserva e conectei o aparelho.
O ícone de carregamento apareceu, indicando que estava carregando normalmente, ao contrário da última vez, quando o celular havia simplesmente morrido.
Foi então que ouvi a campainha. Olhei para a porta, segurando o celular. Minha mãe se levantou e foi até o interfone.
— Acho que é seu tio.
— Ué? Ele não foi fazer trilha com os antigos colegas de escola hoje?
— Então quem poderia ser? Ah? É o Saheon?
Senti meu coração despencar ao ouvir o nome que minha mãe mencionou. Meu coração, que havia parado por um instante, voltou a bater violentamente, como se tentasse compensar o próprio erro. Estranhamente, minha cabeça ficou ao mesmo tempo vazia e quente.
— Kwon Saheon? Por que ele viria aqui sem avisar…?
A tia murmurou, descontente, enquanto minha mãe soltava uma risadinha e caminhava até a entrada. Ouvi vagamente o som da porta se abrindo. Saí sorrateiramente do quarto, como alguém que tivesse acabado de ouvir que um fantasma havia chegado.
— Capitão Kwon, o que traz você aqui? Hoje é o dia em que todo mundo resolve aparecer sem avisar?
— Olá.
A voz de Saheon hyung chegou aos meus ouvidos com mais clareza. Depois de fazer uma saudação um tanto apressada, mas educada, Saheon hyung entrou na casa a passos largos.
Eu estava parado diante da porta do meu quarto quando fiquei cara a cara com Saheon hyung. Assim que me viu, ele veio até mim sem hesitar.
Sem nenhuma expressão no rosto, sua face originalmente fria ficou ainda mais evidente. Meus ombros se encolheram um pouco diante da aura esmagadora de sua estatura. Novamente me senti como um herbívoro diante de um predador. Ele certamente estava bravo.
Cumprimentei hyung com os lábios firmemente cerrados, recuando meio por instinto, meio por não entender por que ele estava agindo dessa forma.
No entanto, o que Saheon hyung fez foi algo que eu jamais teria imaginado. Meu corpo foi puxado contra ele e bateu em seu corpo sólido. Saheon hyung me abraçou com força, como se não se importasse nem um pouco com a reação da tia e da minha mãe.
Na verdade, quem ficou completamente paralisado de vergonha fui eu. Apertando-me com tanta força que mal conseguia respirar, Saheon hyung não disse nada.
Olhei de soslaio para minha mãe e para a tia, tentando descobrir suas reações. A tia, que estava observando Saheon hyung entrar enquanto afastava a cadeira da mesa, gritou furiosa:
— Ei, Kwon Saheon! Você aparece depois de um ano e, em vez de vir primeiro à nossa casa, vem direto para cá? Você é filho de quem?
✈︎ જ⁀➴ Continua ✈︎ જ⁀➴
◆ Tradução, revisão e raws Nat ◆