↫─Capítulo 55
ᯓ ✈︎ Capítulo 55
Não consegui abrir os olhos direito devido ao líquido pegajoso espalhado pelo meu rosto. Quando tentei limpá-lo enquanto piscava os cílios, Saheon hyung rapidamente bloqueou minha mão.
— Deixa que eu limpo.
A mão grande do hyung limpou ao redor dos meus olhos, onde o sêmen estava espalhado. Foi um toque caloroso e afetuoso. Era tão gentil que era difícil acreditar ser a mesma pessoa que acabara de praticar todo tipo de ato pervertido.
As ações dele me fizeram lembrar da infância. Seja tirando alguma coisa do canto da minha boca enquanto eu comia, limpando-me depois que eu brincava na rua e voltava todo sujo, ou lavando meu rosto pela manhã, por instrução da nossa tia, quando dormíamos juntos… hyung sempre limpava meu rosto delicadamente com suas mãos grandes, soltando aqueles sonzinhos fofos.
Aquele hyung carinhoso tinha acabado de jogar sêmen no meu rosto. Enquanto outra onda de ressentimento tomava conta de mim, minha respiração continuava pesada.
Ele passou a mão pelo meu rosto, limpando o que ainda estava ali, mas alguns vestígios permaneciam. A sensação pegajosa na pele era incômoda, como se um fio de cabelo tivesse ficado grudado ali. Lágrimas de alívio escorreram lentamente pelas minhas bochechas. Afinal, eu havia escapado do medo de que hyung tivesse realmente enlouquecido.
— Por que você está chorando? Não chora.
Diferente de antes, dessa vez havia sinceridade naquilo. Mas eu me lembrava muito bem de ele ter dito: “Chorar me deixa ainda mais excitado.”
O hyung durante o sexo e o hyung de agora pareciam pessoas diferentes. Lembrar de como fiquei assustado por ele parecer alguém desconhecido fazia meu corpo tremer.
Olhei para Saheon hyung com a expressão de alguém que acabara de ser traído. Se fosse comparar a um gato, seria como alimentá-lo com um líquido nojento em vez de seus petiscos favoritos. Se fosse comparar a um papagaio, seria como colocar pó de borracha em seu comedouro no lugar da comida. Eu não conseguia resumir em uma única palavra o choque e a indignação que ele havia me causado. Ainda assim, várias analogias absurdas como aquelas continuavam surgindo na minha cabeça.
Saheon hyung me olhou com os cantos da boca caídos, como se estivesse preocupado ou triste. Mas eu conseguia perceber o riso que ele tentava esconder. Ao notar que, por trás daquela expressão, ele claramente me achava fofo, encarei-o com ainda mais ferocidade.
— Ai, meu Deus, o que eu faço? Cheongmyeong está chorando, o que eu faço?
Ele murmurou no mesmo tom, mantendo a expressão enquanto me abraçava. Enterrei o rosto no ombro dele, enxuguei o resto das lágrimas e resmunguei com ferocidade:
— …Hyung, você é esquisito.
— Esquisito?
— Sai daqui. Eu vou embora.
Saheon hyung não conseguiu esconder o quanto me achava fofo. Ainda me abraçando, pressionou firmemente os lábios contra a minha têmpora. A cada toque de seus lábios quentes, meu corpo tenso ia relaxando. Eu estava começando a me deixar levar pelos beijos quando criei coragem e despejei duras palavras:
— Pervertido.
Ouvi-o rir baixinho. Encarei-o com ainda mais raiva pelo canto do olho, mas tudo o que consegui ver foi o lóbulo da orelha dele.
Ele me deu mais um beijo com um estalo, depois fingiu estar magoado ao se afastar um pouco. Minha visão ainda estava parcialmente bloqueada pelo quepe que eu continuava usando. Saheon hyung primeiro tirou o quepe e, em seguida, passou as costas da mão pela minha franja, ajeitando-a.
O ar fresco tocou minha testa. Meus olhos, inchados de tanto chorar, mal conseguiam ficar abertos. Fechei-os devagar, sentindo-os arder por causa do inchaço..
Depois de beijar cada uma das minhas pálpebras inchadas, Saheon hyung levantou-se. Ele estava com as roupas praticamente perfeitas.
Com um gesto simples, guardou o seu pau para dentro das roupas, tornando impossível adivinhar o que acabou de acontecer. Em contrapartida, eu continuava sentado, curvado, vestindo apenas a camisa amassada dele, parecendo um potro recém-nascido que mal conseguia se manter de pé.
— Consegue ficar de pé?
Saheon hyung segurou meu braço para me ajudar a levantar. Movi minhas pernas doloridas como alguém que mal conseguia se sustentar. Ele me amparou enquanto eu avançava debilmente, quase me arrastando.
Desabei de bruços na cama dele. Meu corpo ainda tremia, talvez pelos reflexos do sexo que acabou de acontecer. A sensação do cobertor contra minha bochecha era aconchegante. Além das marcas da gravata que ainda permaneciam no meu pulso, pude ver Saheon hyung entrando no banheiro.
Deitado na cama macia, eu havia perdido completamente as forças e estava prestes a apagar. Até o incômodo da camisa havia deixado de importar. Com os olhos embaçados, olhei vagamente na direção do banheiro, de onde vinha o som da água corrente.
O som ritmado da água não foi suficiente para impedir que o sono tomasse conta do meu corpo relaxado. Já meio inconsciente, senti uma presença grande se aproximando de mim. Mas eu estava completamente sem forças e não conseguia sequer me importar com o que estava acontecendo. Apenas deixei que acontecesse.
— Você vai pegar um resfriado.
Senti o colchão afundar ao meu lado quando o hyung se sentou na cama. Ele me puxou facilmente para os braços, como se eu não pesasse absolutamente nada. A posição, meio deitado, me trouxe uma estranha sensação de estabilidade.
Acompanhei passivamente tudo o que ele fazia, como um fantoche cujas cordas haviam sido cortadas. Uma toalha morna e úmida tocou meu rosto, relaxado, sem força sequer nos músculos faciais, com a boca entreaberta e os olhos fechados. Ele limpou todos os fluidos corporais que haviam formado, quase imperceptivelmente, uma fina película sobre minha pele. O toque cuidadoso desceu suavemente até debaixo do meu queixo, afastou-se e seguiu em direção à camisa que eu vestia.
Mesmo semidormido, lembrei vagamente que precisava lavar a camisa. Saheon hyung teria que usá-la novamente quando saísse, às quatro horas. Abri a boca e murmurei:
— …Lavanderia…
— Tudo bem, eu tenho uniforme reserva.
Saheon hyung respondeu, entendendo perfeitamente o que eu havia dito. Ele se mexeu, fazendo o colchão ondular levemente, e usou as duas mãos para desabotoar a camisa, um botão de cada vez. Mesmo aberta, ela ainda carregava o cheiro familiar de sua colônia.
Ele a tirou com movimentos práticos. Ouvi o som abafado do tecido batendo no chão, como se ele simplesmente tivesse jogado a roupa de qualquer jeito. Depois de me despir por completo, Saheon hyung me vestiu com uma camiseta larga e uma calça, antes de me cobrir confortavelmente com o cobertor.
Pelo modo como se acomodou ao meu lado, usando o braço como travesseiro, parecia que não pretendia mais me incomodar. O alívio por tudo aquilo ter acabado, misturado à certeza de que Saheon hyung devia ser completamente maluco, acabou me empurrando ainda mais para o fundo da inconsciência.
A mão de Saheon hyung agarrou meu pulso onde as marcas da gravata permaneciam. Ele estava tão gentil quanto de costume, acariciando suavemente as marcas vermelhas com o polegar.
— Devo passar algum remédio? Parece que vai desaparecer depois que você dormir, já que é só uma marquinha fraca…
Saheon hyung pressionou levemente os lábios contra as marcas e, casualmente, entrelaçou os dedos aos meus. Com a outra mão, que me abraçava quase por completo, afagava suavemente meu cabelo.
— Ah, não quero ir trabalhar.
Meu corpo, sem forças havia muito tempo, movia-se conforme ele o guiava. Saheon hyung ajustou nossa posição até me deixar deitado, com a cabeça apoiada em seu ombro. Embora eu pudesse sentir o osso duro de seu ombro junto à minha têmpora, eu já flutuava entre o sonho e a realidade.
— Devo colocar meu Cheongmyeong na minha mala?
Saheon hyung fez uma brincadeira boba com a maior seriedade do mundo. Franzi a testa e murmurei algo indistinto. Eu queria dizer para ele parar de falar besteira, mas as palavras não saíram direito. Ainda assim, não tinha dúvidas de que hyung conseguiria adivinhar o que eu queria dizer só pelo contexto.
Felizmente, minha fé pareceu ser correspondida. Saheon hyung, que vinha soltando uma risadinha baixa, moveu cuidadosamente o indicador e o polegar, como se estivesse medindo a distância entre minha testa e meu queixo.
— Às vezes eu acho que seria legal se você pudesse encolher até caber na palma da minha mão.
Depois de terminar a medição, ele levou a mão até o meu nariz. Beliscando-o de brincadeira, hyung murmurou com a voz rouca:
— Aí eu poderia te colocar no meu bolso sem ser pego, né? Não… você poderia disparar o alarme na segurança. Aí, durante a revista, eles mandariam que eu esvaziasse os bolsos. Então, desde o começo, eu te esconderia bem ao lado do meu pau. Eles não podem tocar lá… Se tocassem e perguntassem o que é, eu diria que fiquei de pau duro imaginando coisas com um pequenininho sexy no avião logo de manhã…
Franzi ainda mais a testa e resmunguei, insatisfeito, interrompendo as palavras que pareciam sair da boca de alguém completamente fora de si.
De repente, lembrei do que meus pais, que eram professores, costumavam dizer. Segundo eles, quando uma pessoa fica obcecada por desejos sexuais excessivos, acaba pensando apenas nisso, e o cérebro deixa de se desenvolver de maneira saudável.
Será que isso também tinha acontecido com Saheon hyung? Aquele momento em que fiquei confuso e assustado enquanto ele avançava imprudentemente passou mais uma vez pela minha cabeça. Franzi a testa, apertando os olhos, e tentei desaparecer da frente dele, mas, sem forças, tudo o que consegui fazer foi me virar de costas.
— Onde você vaiiii? Não vaaaai.
Saheon hyung, que vinha murmurando coisas assustadoras, de repente sussurrou de um jeito fofo e me abraçou por trás. O peso que me envolvia firmemente pelas costas transmitia uma sensação de estabilidade, mas não conseguia apagar minha certeza de que hyung tinha enlouquecido. O cheiro familiar que vinha dele fez meu nariz coçar.
— …Eu vou.
Murmurei, movendo os lábios com dificuldade. Foram palavras ditas como se eu estivesse tentando convencer a mim mesmo. A respiração suave da risada de hyung roçou minha orelha. Ele pressionou os lábios contra a minha nuca.
— Só dorme aqui.
Aparentemente sem forças, eu havia feito pausas entre as palavras, então Saheon hyung pareceu interpretar meu “eu vou” como “vou para o meu quarto”, em vez de “eu vou para casa”. Decidi falar de forma mais simples, deixando as palavras fluírem através dos meus lábios pesados, seguindo o fluxo da minha consciência.
— Só… um pouquinho… eu…
Um toque caloroso e afetuoso pousou sobre minha cabeça. Hyung soltou apenas uma risada fraca, provavelmente achando que eu estava fazendo manha por estar com sono. Ele não pareceu me levar a sério.
Mas eu estava falando sério.
Devo ter cochilado em algum momento. Os sons constantes ao lado da cama me puxaram dos sonhos de volta à realidade, e o beijo suave depositado na minha testa me trouxe a pouco mais da metade da consciência.
Minhas pálpebras estavam pesadas demais, então mantive os olhos fechados por um tempo. Ao longe, ouvi o som das rodinhas de uma mala sendo arrastada, acompanhado pelo clique de sapatos sociais, seguido pelo som da porta da frente sendo trancada.
Junto com a constatação de que as quatro horas mencionadas por hyung para a partida eram da madrugada, e não da tarde, veio a percepção de que a guerra fria que eu havia declarado não fora levada a sério de jeito nenhum.
Com o coração irritado, xinguei profundamente Saheon hyung antes de adormecer novamente.
Quando acordei de manhã, meus olhos estavam muito inchados. Olhando para o meu pulso, as marcas da gravata quase haviam sumido, como hyung dissera, mas não totalmente.
Olhando-me no espelho, parecia um baiacu. Com o rosto todo inchado, escovei os dentes e levantei a blusa para conferir as marcas espalhadas pelo meu corpo. Aquilo já estava quase virando um hábito. Novas marcas de mordida estavam gravadas sobre as manchas que já se misturavam.
Depois de encarar por um instante as marcas deixadas pelo hyung, movi os pés. A penteadeira logo entrou no meu campo de visão. Todos os objetos que eu havia derrubado estavam cuidadosamente organizados em um canto, como se alguém tivesse parado para arrumá-los. Ainda assim, meus olhos começaram a arder.
Mordi a parte macia de dentro da boca e encarei o topo da penteadeira. Sentindo meus olhos arderem e minha visão começar a ficar turva, franzi a testa e me segurei, enquanto o encontro sexual da noite anterior voltava mais uma vez à minha mente.
Hyung, que vinha falando aquelas sacanagens, havia se masturbado na minha frente e agido como um verdadeiro assediador. Parecia alguém que só queria o meu corpo. E, com rapidez e perspicácia, percebi que minha hipótese provavelmente estava certa.
Sentindo que o esforço de me controlar, franzindo a testa, seria em vão, desviei o olhar rapidamente e pisquei várias vezes. Meu humor afundou, ficando sombrio.
Saí do quarto dele e entrei no meu, logo ao lado. Peguei a mochila que usava para a faculdade, abri o zíper e fui até o armário. Enfiei algumas roupas de qualquer jeito e, em pouco tempo, a mochila já estava cheia. Depois de fechar o volume estufado, cujo zíper mal conseguia alcançar, deixei escapar um suspiro profundo.
De alguma forma, os acontecimentos de ontem pareciam ter sido como um balde de água fria, arrancando-me de repente de um sonho doce.
Será que o problema tinha sido eu aceitar como algo bom tudo o que ele fazia? Mais chocante do que termos tido uma relação sexual era o fato de hyung ter me tratado com descaso. A ideia de que ele poderia mudar de atitude e voltar a agir como ontem a qualquer momento me dava calafrios.
A ideia repentina de que eu deveria sair de casa foi, naturalmente, amadurecendo até se transformar na decisão de me afastar por um tempo e pensar sobre tudo com mais calma.
Olhei para a bagagem que havia arrumado, com o rosto sombrio, e peguei o celular. Havia uma mensagem de Saheon hyung no aplicativo. Abri a conversa e vi o que parecia ser uma selfie tirada em frente ao portão de embarque.
[ Queria te colocar aqui dentro.]
[Já estou com saudades, Cheongmyeong.]
Em vez de mostrar seu rosto bonito, que continuava atraente mesmo de madrugada, ele parecia estar fazendo questão de destacar o bolso do casaco logo abaixo, justamente por causa daquilo.
Mordi o lábio inferior enquanto pensava no que responder.
Ainda assim, seria melhor avisar ao hyung de que eu iria sair de casa por um tempo, para que ele não se preocupasse caso eu desaparecesse sem dizer nada, como da última vez. Movi lentamente os dedos e digitei:
[ Vamos dar um tempo para pensar sobre nós dois.]
✈︎ જ⁀➴ Continua ✈︎ જ⁀➴
◆ Tradução, revisão e raws Nat ◆