↫─História Paralela 3
↫─História Paralela 3
— Tudo bem.
Sem hesitação, Shinu se virou e se afastou, deixando Taebaek com uma expressão que praticamente gritava “estou muito irritado”.
— O que é isso? Você simplesmente vai embora desse jeito?
Ao ouvir a reclamação de Taebaek, Shinu parou, girou nos calcanhares e voltou. Ele se aproximou e envolveu o pescoço de Taebaek com os braços. Taebaek, como se estivesse esperando por isso, imediatamente abraçou a cintura de Shinu. Seus lábios se encontraram.
Shinu pretendia que fosse um beijo breve — apenas um selinho leve, um simples gesto de “se cuida” e “volto logo”. É assim que as despedidas costumam ser, certo? Um toque rápido e gentil de lábios.
Mas Taebaek parecia ter outros planos. Segurando a cintura de Shinu como se pretendesse esmagá-la, Taebaek se inclinou para frente e deslizou a língua para dentro. O calor e a maciez da língua de Taebaek fizeram as costas de Shinu darem um sobressalto instintivo. Ignorando a reação, Taebaek explorou a boca de Shinu como se fosse seu próprio território, com vestígios sutis de creme dental se misturando ao beijo.
Não parando por aí, as mãos de Taebaek vagaram ousadamente, apertando a bunda de Shinu. Uma das mãos até deslizou por baixo do casaco de Shinu para traçar círculos provocantes ao longo de sua cintura antes de puxá-lo para mais perto, de modo que seus quadris se pressionassem.
Taebaek praticamente o devorou, reivindicando seus lábios e seu corpo sem reservas até que os lábios de ambos queimassem. Só então ele se afastou, deixando os dois sem fôlego.
— Haa…
Shinu levou as costas da mão aos lábios corados, que pareciam insuportavelmente quentes. O calor parecia se espalhar até o couro cabeludo, bem através do cabelo que Taebaek havia secado com tanto cuidado mais cedo. Se tivessem ido um pouco mais longe, ele tinha certeza de que teriam acabado fazendo sexo ali mesmo na entrada. Sério…
Shinu olhou feio para Taebaek com frustração, mas Taebaek apenas lhe deu um sorriso angelical e acenou alegremente.
— Se cuida, lindo. Eu te busco quando você terminar. Vamos ter um ótimo jantar e depois transar a noite toda.
Shinu não pôde deixar de cair na risada. Ele nunca conseguiria vencer Taebaek. No amor, pelo menos, Shinu era como um novato de nível três, enquanto Taebaek era um veterano de nível máximo. Antes mesmo de ter a chance de resistir, ele se via totalmente envolvido no ritmo de Taebaek.
Era desorientador às vezes, mas, acima de tudo, era cativante.
Shinu segurou Taebaek pelo colarinho e o puxou para perto, plantando um beijo profundo e firme em seus lábios antes de soltá-lo. Antes que Taebaek pudesse revidar, Shinu abriu a porta rapidamente e saiu.
Clique. A porta se fechou atrás dele. Sorrindo abertamente, Shinu caminhou levemente em direção ao elevador. Ser despedido por alguém, saber que alguém estava esperando que ele voltasse, ainda o preenchia com uma sensação de felicidade.
Os cantos de sua boca continuavam a se curvar para cima, e ele os pressionava para baixo com o polegar e o indicador, mas assim que parava, eles se erguiam novamente. No fim, Shinu desistiu e se permitiu sorrir.
Dentro do elevador, Shinu olhou de volta para a porta do apartamento, apenas para ver Taebaek colocando a cabeça para fora através da porta entreaberta, acenando com entusiasmo. Taebaek até mandava beijos no ar. Shinu cobriu o rosto com uma das mãos e riu baixinho.
Ele já estava ansioso por aquilo.
A noite que passariam juntos,
A vida que compartilhariam,
Seus momentos simples e comuns.
—
Primavera Fria
Abril de 2025, Nova York, EUA
O vento cortante que roçava suas orelhas suavizou e, antes que percebessem, a primavera chegou. A luz suave do sol cobria os arredores, e as flores, que estiveram encolhidas contra o frio, começaram a desabrochar totalmente. No entanto, vestígios do inverno ainda persistiam aqui e ali.
Folhas secas espalhadas pelo chão, manchas de neve enegrecida apegando-se teimosamente a pontos sombreados onde a luz do sol custava a chegar, e o calafrio no ar que os fazia se encolherem durante as manhãs e os finais de tarde. Mas quando o sol brilhava alto no céu do meio-dia, realmente parecia primavera.
Shinu e Taebaek foram dar uma caminhada no Central Park. Eles admiravam a grama verde fresca, as flores delicadas e ocasionalmente avistavam pássaros desconhecidos. Eles também observavam as pessoas rindo calorosamente, como se a própria vida fosse a coisa mais deliciosa do mundo.
Taebaek segurava a mão de Shinu enquanto tomava um smoothie com um nome bizarro chamado Monster Shake. Shinu olhou para a mistura que estava sendo tomada com entusiasmo. Ele tinha assistido à preparação: chocolate em pó, caramelo, chantilly e até mesmo — inacreditavelmente — uma fatia inteira de bolo de chocolate.
Taebaek o havia recebido com a empolgação de uma criança. O preço era igualmente chocante. Mesmo por seu tamanho enorme, custava mais de 15.000 won em termos coreanos. Shinu, tomando seu café preto quente, balançou a cabeça em descrença.
Ele nunca imaginou que um dia estaria preocupado com os níveis de açúcar no sangue de seu namorado.
— Taebaek-ah.
— Hm?
— Talvez eu não te ame tanto assim se você ficar com barriga. Eu gosto do meu namorado em forma, sabe.
— ……
Diante daquelas palavras, Taebaek soltou o canudo que estava tomando. Seu rosto se contraiu como se seu mundo tivesse acabado de desabar. Seus olhos castanhos se encheram de confusão.
— Do nada? Por quê? Eu pareço gordo? Acho que não…
Ele instintivamente esfregou o estômago para verificar. Sob sua mão, seu abdômen firme o cumprimentou. Seguindo o exemplo de Shinu, ele havia se aventurado em todos os tipos de exercícios sempre que tinha tempo livre, e seu corpo só havia melhorado com isso. Ao contrário de Shinu, que lutava para ganhar massa apesar de treinar intensamente, Taebaek era naturalmente dotado. Mesmo um esforço casual resultava em músculos se acumulando rapidamente.
Havia até mesmo debates calorosos em um fórum de fitness sobre se o corpo de Taebaek era resultado de esteroides ou pura genética. Seu físico era impressionante o suficiente para atrair atenção, e o próprio Taebaek estava confiante nele.
Então por que Shinu estava dizendo isso de repente? Inclinando a cabeça, Taebaek logo percebeu que o olhar de Shinu estava fixo no milkshake. Sentindo-se estranhamente encabulado, ele abaixou o shake lentamente.
— Beba apenas a metade e jogue o resto fora.
Shinu apontou em direção ao shake com um aceno de queixo.
— … Metade?
— Sim.
— Mas… parece um desperdício. E mesmo se eu terminar isso, não vou ficar com barriga…
Taebaek resmungou, fazendo bico como uma criança a quem foi negado um doce. A cena era lamentável, mas Shinu permaneceu firme.
— Essa metade ainda é quase do tamanho grande. Metade é mais do que suficiente.
Tamanho grande. Esse era um termo que Shinu não conhecera durante a maior parte de sua vida. Mas quando trabalhou como guarda-costas de Taebaek em Seul, seguindo-o por inúmeros cafés, ele havia memorizado todos os tamanhos de bebidas. Com base nesse conhecimento, a bebida que Taebaek segurava não era apenas extra grande — era maior do que extra grande. Parecia um daqueles tanques de oxigênio que os mergulhadores carregavam. Por que alguém pagaria dinheiro por algo assim estava além de sua compreensão.
— ……
Diante da postura inflexível de Shinu, Taebaek não teve escolha a não ser assentir. Shinu, como se estivesse recompensando uma criança bem-comportada, deu um tapinha gentil nas costas de Taebaek.
Eles caminharam de mãos dadas, apreciando a vista do Central Park. Depois de passear por cerca de um terço do parque, eles se acomodaram em um banco com vista para um amplo gramado verde.
Shinu levantou brevemente o gorro para se refrescar antes de puxá-lo para baixo novamente. Estava quente demais para um gorro, mas ele não podia tirá-lo. Suas orelhas vermelhas atrairiam atenção demais.
O mundo ainda estava profundamente desconfiado dos “Devoradores”. O vírus continuava sendo uma ameaça persistente, e as criaturas monstruosas continuavam a chegar às praias de todo o mundo.
Shinu soltou um suspiro suave, e Taebaek, sentado bem ao seu lado, começou a abaná-lo com sua mão grande. O gesto foi tão cativante que Shinu não pôde deixar de abrir um pequeno sorriso.
Os dois passaram uma tarde agradável observando as pessoas e conversando amenidades. Poucas cidades no mundo eram tão diversas quanto Nova York e, sentados ali, eles sentiam como se estivessem viajando pelo mundo sem sair do lugar.
Taebaek tomava seu milkshake com uma cautela exagerada, dando puxadas pequenas e deliberadas no canudo. Normalmente, ele o teria engolido com entusiasmo, mas sabendo que só podia tomar a metade, estava saboreando cada gota.
Com a mão livre, ele massageava distraidamente a coxa de Shinu, totalmente imerso na tarde preguiçosa. Mas então, algo estranho chamou a atenção de Taebaek, interrompendo sua tranquilidade.
O gramado do Central Park estava sempre movimentado. Com a primavera tendo acabado de chegar, o clima quente atraiu uma multidão ainda maior do que o habitual. Toalhas de piquenique de cores vivas pontilhavam a grama, onde as pessoas deitavam, sentavam ou se esparramavam para aproveitar o sol. Livros, telefones e câmeras preenchiam suas mãos, enquanto crianças e cachorros passavam por entre eles, movendo-se livremente sem nenhuma preocupação.
Mas bem ao longe, atrás de uma família de quatro pessoas sentada junto aproveitando sanduíches, algo preto estava mancando em direção a eles. Parecia uma pessoa coberta de imundície, imunda e encharcada de terra. Lentamente, muito lentamente, aproximava-se mais.
Taebaek estreitou os olhos, forçando-se para ver a silhueta mal visível com mais clareza. E, estranhamente, o vulto escuro entrou em um foco mais nítido.
Roupas manchadas de sangue. Órgãos internos derramando-se abaixo da cintura. Uma barriga grotescamente distendida, como se tivesse engolido uma bola de boliche. Um tornozelo faltando, fazendo com que mancasse com um andar irregular. Orelhas brilhando em carmesim, vívidas o suficiente para chamar a atenção mesmo de longe. Uma mandíbula que se estendia de forma impossível, como se pudesse engolir o céu, antes de se fechar abruptamente. Dentes serrilhados e retorcidos como os de um jacaré.
— ……
Taebaek inspirou bruscamente.
Era um Devorador. O Devorador estava se movendo em direção às pessoas. Mesmo vendo-o claramente, mesmo registrando o que era, Taebaek não conseguia se mover. Shinu estava bem ali ao lado dele. Ele podia sentir a presença de Shinu de forma vívida, mas não conseguia soltar as palavras.
E então, mais mukbos começaram a surgir por entre as árvores densas, um por um. Eles avançavam em direção às pessoas sorridentes e despreocupadas, com seus olhos pálidos e brancos fixos nelas. Sua carne podre pendia frouxamente, exalando um odor tão vil que Taebaek quase podia cheirá-lo de onde estava sentado.
Um Devorador finalmente alcançou a família. Parado diante deles, abriu bem a boca, direcionando sua bocarra escancarada para a filha pequena. Além dos lábios enegrecidos, sua garganta era visível, um poço cavernoso de escuridão. Os dentes afiados emolduravam a cena enquanto a cabeça pequena parecia ser sugada para mais perto, centímetro por centímetro.
No entanto, ninguém corria. Ninguém gritava. Ninguém sequer sussurrava.
Você precisa correr. Se esconder. Escapar.
Rápido. Agora mesmo. Neste exato momento…
O coração de Taebaek trovejava em seu peito, a batida rápida fazendo seu sangue correr tão depressa que o deixou tonto. Justo quando tentou dar um pulo do banco, Shinu segurou sua mão e a balançou suavemente.
— Taebaek-ah?
A voz suave e baixa fez Taebaek sobressaltar-se violentamente. Ele apertou os olhos para fechá-los, depois os abriu novamente.
Os Devoradores haviam sumido. As criaturas que estavam vagando pelo gramado não podiam ser vistas em lugar nenhum. Elas haviam desaparecido, sem deixar vestígios. O parque estava tão pacífico e quente quanto antes.
Foi então que Taebaek percebeu que o que tinha visto não era real — era uma alucinação.
Pela primeira vez, ele havia experimentado uma visão tão vívida e realista.
Ele passou a mão pelo cabelo, com a palma da mão úmida de suor frio.
— O que aconteceu?
Shinu perguntou baixinho, seu tom contido com preocupação. Seu rosto, emoldurado pelo capuz de seu suéter grosso, estava cheio de preocupação. Taebaek forçou um sorriso e balançou a cabeça.
— Nada. Não é nada.
— ……
O cenho de Shinu se franziu ligeiramente. Não é nada. Um momento atrás, Taebaek estava sorrindo, aproveitando alegremente seu milkshake. Agora, seu rosto estava pálido, desprovido de qualquer cor, como se tivesse visto um fantasma. Claramente, algo estava errado.
Shinu mudou seu olhar para onde Taebaek estava olhando. Mas não havia nada fora do comum — nenhuma figura suspeita, nenhuma perturbação estranha, absolutamente nada.
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna