Capítulo 09
↫─Capítulo 9
Shin-Hoo examinou o corredor largo e longo. O corredor luxuoso e limpo parecia exatamente com o de um hotel. Não um lugar decorado com antiguidades, mas um hotel sofisticado e de estilo moderno. As pinturas penduradas esporadicamente não eram paisagens refinadas, mas arte contemporânea nítida.
Foi um momento que o fez perceber que Han Tae-baek era verdadeiramente um chaebol. O interior da casa provavelmente seria ainda mais luxuoso.
Shin-Hoo reajustou sua pegada na faca e atravessou o corredor, mas por algum motivo, Han Tae-baek não o seguiu. Shin-Hoo se virou para olhar. Han Tae-baek ainda estava sentado no chão. Ele parecia bastante patético.
— Por que você não me ajuda a levantar?
Han Tae-baek perguntou com o rosto emburrado.
— Uh… minhas mãos estão sujas.
Shin-Hoo ergueu as mãos como se fosse mostrá-las. Elas estavam tão cobertas de sangue que sua cor de pele original não podia ser vista em lugar nenhum. Era um contraste gritante com Han Tae-baek, que estava impecável. Se ele tocasse em Han Tae-baek, sem dúvida deixaria manchas de sangue naquele terno magnífico, que valia centenas ou milhares de dólares.
— …
Han Tae-baek manteve a boca fechada. Então, como se nada tivesse acontecido, ele se levantou de um salto e entrou na casa, passando por Shin-Hoo. Erguendo uma sobrancelha, Shin-Hoo o seguiu.
Logo, uma sala de estar enorme apareceu. O teto era tão alto que ele se perguntou se iluminaria adequadamente se as luzes distantes fossem acesas.
A TV era tão grande quanto uma tela de cinema, com um pouco de exagero, e o sofá de couro preto parecia muito caro, brilhando suavemente. O tapete no chão era felpudo e parecia macio, mas por algum motivo, parecia estranho pisar nele.
Han Tae-baek dirigiu-se para a cozinha além da sala de estar.
— Você quer algo para beber?
— Ah… sim. Obrigado.
Shin-Hoo o seguiu hesitante. A casa de outra pessoa é um lugar desconfortável. Mesmo para Shin-Hoo, que havia viajado para vários países em operações, era desconfortável. Não era uma casa qualquer, mas a casa de seu superior, o que a tornava ainda mais.
A cozinha estava imaculada. Não havia sinal de uso. Parecia entrar em uma casa modelo.
Enquanto Han Tae-baek colocava água na chaleira e procurava por chá, Shin-Hoo colocou cuidadosamente a faca que segurava na borda da mesa de jantar. O som da faca e de sua palma se separando com um ruído úmido devido ao sangue foi audível. Beber chá com essas mãos parecia que acabaria indo para o seu nariz em vez de sua boca.
— Posso usar o banheiro?
— Sim, a segunda porta no corredor.
Han Tae-baek respondeu enquanto pegava as xícaras. Shin-Hoo saiu silenciosamente da cozinha.
O banheiro era tão luxuoso quanto a sala de estar e o corredor. Shin-Hoo sabia que Han Tae-baek morava sozinho. Ele não conseguia entender por que o banheiro era tão espaçoso, ou por que havia duas pias.
Shin-Hoo tirou o paletó e o colocou ao lado da pia, dobrando as mangas. As mangas de sua camisa também estavam encharcadas de sangue. Sangue é difícil de lavar. Pensar na lavanderia o fez suspirar.
Ele ligou a água com o cotovelo. A água jorrou vigorosamente. Quando tocou as mãos de Shin-Hoo, tornou-se vermelho brilhante.
Shin-Hoo ficou parado com uma expressão vazia, com as mãos submersas na água.
Vivenciar as mãos encharcadas de sangue é raro, mesmo para um soldado. Hoje em dia, não se luta com facas. A maior parte é feita à distância, com armas. A maior parte do sangue que manchava suas mãos não era de inimigos, mas de camaradas feridos. Ocasionalmente, era o seu próprio.
Shin-Hoo olhou fixamente para o ralo, sugando a água avermelhada. Um som de gorgolejo ecoou surdamente em seus ouvidos. Um cartão de identidade onde se lia “Kim Myung-ho” flutuou em sua mente. O som e a sensação da faca perfurando o palato ainda estavam vívidos.
Shin-Hoo cerrou o punho com força. A placa de identificação dentro de sua camisa social picou sua pele. Naquele momento, alguém bateu na porta do banheiro. Shin-Hoo ergueu a cabeça rapidamente.
— Líder de Equipe Han?
Mesmo enquanto perguntava, seus olhos examinaram o banheiro rapidamente, procurando algo que pudesse ser usado como arma.
— Sim, sou eu. Você não está fazendo suas necessidades, certo?
Felizmente, a voz de Han Tae-baek foi ouvida. Tinha um tom calmo. A tensão nos ombros rígidos de Shin-Hoo diminuiu.
— Não, não estou. Há algo errado?
Assim que ele respondeu, a porta do banheiro se abriu. Han Tae-baek, colocando a cabeça para dentro, sorriu sem jeito. Então ele se aproximou de Shin-Hoo com passos longos.
Shin-Hoo inclinou a cabeça em confusão enquanto Han Tae-baek ligava a água na outra pia e começava a lavar as mãos.
Shin-Hoo olhou para ele, sem entender suas ações. Han Tae-baek, bombeando muito sabonete líquido, disse: — Eu vim lavar minhas mãos também.
— Este é o único banheiro nesta casa grande?
— Não, mas…
— Mas?
— Estou com medo de ficar sozinho…
— …
— Sinto que algo como aquilo de antes pode pular de algum lugar. Se eu soubesse, teria morado em uma casa menor. Não tenho medo de pessoas, mas fantasmas, monstros, essas coisas me assustam.
Han Tae-baek soltou um som de “ugh”, seus ombros largos e grossos tremendo. Era ao mesmo tempo divertido e lamentável, dado o quão aterrorizado ele deve ter ficado.
Shin-Hoo estalou a língua silenciosamente e seguiu o exemplo de Han Tae-baek, usando sabonete líquido. O sabonete caro criou uma espuma densa com um aroma sutil de ervas. O sangue foi lavado rapidamente.
Seu humor anteriormente sombrio melhorou significativamente.
Han Tae-baek colocou uma caneca de chocolate quente espesso na frente de Shin-Hoo. Um marshmallow no formato de um ursinho de pelúcia flutuava no líquido marrom com aparência deliciosa.
Shin-Hoo debateu se deveria beber ou não, temendo um choque de açúcar. Mas ele não podia ignorar o gesto de Han Tae-baek, então tomou um gole.
A doçura rica cobriu sua língua. Enquanto descia pela garganta, o açúcar se espalhou por seu corpo. Sua mente clareou. Shin-Hoo franziu a testa brevemente, depois relaxou rapidamente a expressão, preocupado que Han Tae-baek pudesse notar. Ele mexeu em seu telefone, procurando por qualquer notícia sobre o “algo”, mas ainda não havia nada digno de nota.
A essa altura, aquela criatura estranha deveria ter causado um alvoroço não apenas na Coreia, mas em todo o mundo. No entanto, estava estranhamente quieto. Apenas por precaução, ele ligou para o capitão, mas ouviu apenas a inquietante mensagem automática: — O número discado não está em serviço.
Enquanto a frustração aumentava no rosto de Shin-Hoo enquanto ele tocava em seu telefone, Han Tae-baek apoiou o queixo na mesa, perdido em pensamentos. Então ele murmurou para si mesmo:
— O que era aquela coisa mais cedo? Comeu uma pessoa, então era um zumbi?
— Um zumbi?
Shin-Hoo franziu a testa. Ele sabia o que era um zumbi. O tipo que morre e volta à vida se for mordido. Eles comem pessoas e não morrem a menos que você atinja suas cabeças ou os queime.
Na escola, após as provas finais, durante uma aula de artes, ele assistiu a um filme de zumbi. Era um filme americano, mas ele não conseguia se lembrar do enredo geral. Ele apenas se lembrava vagamente da aparência e das características repugnantes dos zumbis.
Mas aquilo era… um filme de fantasia, não era? Como usar varinhas mágicas, heróis voando pelo céu, protagonistas viajando no tempo. Era fantasia, algo que não poderia acontecer na vida real. Um ser imortal, uma pessoa que come pessoas. No entanto, tendo acabado de encontrar tal ser há poucos minutos, ele não podia descartar as palavras de Han Tae-baek como bobagem.
Shin-Hoo procurou pela palavra “zumbi” em seu telefone. Todos os tipos de imagens nojentas surgiram.
Han Tae-baek, tomando um grande gole de chocolate quente, continuou:
— Não é um zumbi? Talvez não. Zumbis geralmente não abrem a boca daquele jeito. Eles se movem muito devagar e não são muito fortes.
— Não existe um “geralmente”. É uma ilusão criada por humanos, em primeiro lugar.
— Hum… isso é verdade também.
— …
— Pensando bem, os zumbis coreanos se moviam muito rápido. Como a nação do “rápido-rápido”.
Han Tae-baek estreitou os olhos, lembrando-se de um filme de zumbi coreano que havia visto. Shin-Hoo suspirou profundamente e largou o telefone. Discutir sobre aquela criatura não traria nada de útil.
Shin-Hoo se levantou.
— Posso dar uma olhada na casa?
— Sinta-se à vontade.
Han Tae-baek concordou prontamente. Quando Shin-Hoo pegou a faca, Han Tae-baek, enojado, pegou uma caixa de lenços e puxou alguns. Ele então usou o lenço para remover a faca encharcada de sangue da mão de Shin-Hoo e a jogou na lata de lixo.
Enquanto Shin-Hoo franzia a testa por ter sua arma retirada repentinamente, Han Tae-baek lhe entregou uma faca de cozinha grande. Era muito mais afiada e tinha um cabo pesado, tornando-a bastante ameaçadora.
— Obrigado.
— Faça isso rápido. O mais rápido possível.
— Sim.
Segurando a faca de cozinha, Shin-Hoo saiu da cozinha.
A casa de Han Tae-baek era simplesmente… impressionante. Onde quer que ele abrisse uma porta, não conseguia evitar exclamar “uau” ou “incrível” como um homem velho. Ele pretendia verificar se havia invasores, ver se havia esconderijos, identificar armas em potencial e encontrar uma boa cobertura, mas acabou apenas desfrutando de um tour pela casa.
Especialmente no escritório e no closet, pareciam um mundo diferente, tornando difícil sair.
Levou 30 minutos para verificar seis quartos, dois closets e três banheiros.
Shin-Hoo voltou para a cozinha, parecendo cansado. Han Tae-baek estava digitando algo em seu laptop, que trouxera do escritório. A TV estava ligada, exibindo um documentário em um canal de radiodifusão pública sobre refeições do campo.
Shin-Hoo sentou-se à frente de Han Tae-baek e engoliu o chocolate quente agora frio. Tinha um gosto melhor frio do que quente. Ele lambeu sutilmente o lábio inferior, que cheirava a doce, e olhou para Han Tae-baek.
— Você está trabalhando agora?
— Não. Transferindo dinheiro.
— Transferindo? Você quer dizer uma transferência bancária?
— Sim, convertendo dinheiro para dólares e enviando para bancos nos EUA e na Alemanha.
Shin-Hoo ergueu as sobrancelhas. Não fazia sentido organizar seus ativos nesta situação, mas ao mesmo tempo fazia. Sua conta bancária, com alguns zeros, era sem dúvida diferente da de Han Tae-baek, que tinha inúmeros zeros.
Mas ainda assim… Ele estava tendo ânsias de vômito ao ver sangue há poucos instantes…
Han Tae-baek cruzou os braços e inclinou-se para trás na cadeira quando o olhar frio de Shin-Hoo encontrou o seu.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna