Capítulo 08
↫─Capítulo 8
O carro de Tae-baek deslizou para dentro de um estacionamento subterrâneo. Algo permanecia preso à traseira. Tae-baek continuou descendo, cada vez mais fundo, até chegar ao nível mais deserto.
— O que fazemos agora? — Tae-baek perguntou.
— …
Shin-Hoo não respondeu. Tae-baek olhou para ele. Shin-Hoo, parecendo estranhamente vulnerável, fez beicinho e abriu bem os olhos, como o gato da animação “Gato de Botas”. Apesar de sua aparência atraente, essa mudança abrupta parecia fora de lugar.
Enquanto Tae-baek franzia o nariz, Shin-Hoo disse algo completamente inesperado.
— Eu posso… quebrar o carro?
— …O quê?
— Considere o custo da sobrevivência… É melhor perder seu carro do que morrer.
Shin-Hoo sorriu sem jeito. Tae-baek balançou a cabeça. Ele já estava farto desse carro. Com aquela coisa grudada nele, ele considerou a ideia de atear fogo no veículo.
— Quebre ou queime; eu não me importo. Apenas me diga o que fazer.
— Dê ré e bata em uma parede ou pilar com toda a força que puder. E não saia do carro até que eu mande.
— Entendido.
Tae-baek vasculhou o estacionamento, procurando um local adequado. Ele encontrou um pilar distante e girou o carro. O som dos pneus cantando ecoou por todo o estacionamento.
Mudando para a marcha ré, Tae-baek virou o corpo e segurou o encosto de cabeça do passageiro com a mão direita. Então, ele pressionou o acelerador. O motor rugiu e o carro disparou para trás.
Bang! O carro colidiu contra o pilar.
— Urgh…
O impacto arremessou Shin-Hoo e Tae-baek para frente, com os cintos de segurança cravando-se dolorosamente em seus ombros.
Shin-Hoo rangeu os dentes e virou-se para olhar para trás.
— Kreeik, krik, krrik…
A criatura presa entre o carro e o pilar agitava os braços. Sangue espirrou pelo pilar, indicando que suas costelas e a parte superior do corpo haviam estourado como um balão.
Apesar disso, ela continuava a se mover, agarrando-se viciosamente ao porta-malas.
— Não saia — Shin-Hoo disse a Tae-baek novamente antes de soltar o cinto de segurança. Ele saiu do carro, empunhando as duas facas. Seu coração batia descompassado. Ele já havia enfrentado inúmeros oponentes, mas eram todos humanos. Esta era a primeira vez que encontrava algo assim, e seus pelos estavam arrepiados.
— Ufa… — Shin-Hoo assoprou a franja para fora dos olhos antes de se aproximar da criatura. Ele se movia silenciosamente, com medo de provocá-la com qualquer ruído. No entanto, apesar de seus olhos leitosos, ela parecia enxergar bem o suficiente. Assim que Shin-Hoo se aproximou do carro, ela soltou o porta-malas e soltou um guincho horrível.
O porta-malas exibia vinte marcas de dentes. Tinha uma força incrível — nenhum humano adulto conseguiria abrir buracos tão grandes com uma perfuração.
Shin-Hoo não se apressou. Ele deu um passo para trás e ergueu a faca em sua mão. Então, ele a arremessou com toda a sua força. A lâmina afiada cortou o ar.
Independentemente de suas preocupações, a faca atingiu o pescoço da criatura, fazendo com que o sangue escorresse de sua boca escancarada.
Shin-Hoo esperava que ela morresse logo. Mas não morreu. Ela ainda tentava mordê-lo, borbulhando e engasgando com o sangue.
— …
Shin-Hoo a vigiava de perto enquanto segurava outra faca. Quando ela abriu a boca, ele arremessou a segunda faca. A lâmina afiada perfurou o céu da boca e penetrou profundamente na cabeça.
Com um som de gorgolejo, a criatura parou de se mover.
Shin-Hoo olhou fixamente para ela, tentando determinar se estava realmente morta ou apenas inconsciente. De repente, o carro moveu-se para frente.
Shin-Hoo verificou o interior, preocupado com Tae-baek. Felizmente, Tae-baek estava ileso. Ele deu ré no carro novamente.
O carro atingiu a criatura, esmagando sua cabeça. Sangue havia espirrado por toda parte.
Shin-Hoo fez uma careta diante da cena macabra. Parecia morta o suficiente agora. Mesmo que não estivesse, não poderia morder ninguém porque sua cabeça estava esmagada.
Enquanto Shin-Hoo observava o corpo, a janela do passageiro baixou. Era Tae-baek.
— Posso sair agora?
— Sim. — Shin-Hoo assentiu levemente. Tae-baek saiu rapidamente, espreguiçando-se brevemente antes de desviar o olhar da cena e ter ânsia de vômito. O gosto acre do ácido estomacal subiu por sua garganta.
Sem olhar para trás, Tae-baek indagou: — E agora?
— Bem… nós a deixamos aqui.
Shin-Hoo aproximou-se do corpo. Ignorando as roupas ensanguentadas e as entranhas expostas, ele revistou os bolsos.
— O que você está fazendo? — Tae-baek perguntou, irritado. A curiosidade falou mais alto e ele olhou para Shin-Hoo, apenas para sentir ânsia novamente.
— Só um momento.
Shin-Hoo encontrou uma carteira no bolso da calça do corpo e puxou um cartão de identidade.
[Cartão de Registro de Residente
Kim Myung-ho
870411-0000000
Yongin, Província de Gyeonggi]
— …
Shin-Hoo suspirou enquanto olhava para o documento. Era uma pessoa. A julgar por seus jeans e camisa, não era um soldado. Apenas um civil comum.
Shin-Hoo nunca tinha matado um civil, nem pretendia. Isso era um assassinato?
Shin-Hoo apertou o cartão de identidade com força, as bordas arredondadas cortando dolorosamente sua palma. Ele não conseguia soltar. Ele mordeu o lábio inferior, ouvindo uma voz baixa atrás dele.
— Não é uma pessoa.
— …O quê?
— Isso não é uma pessoa; poderia ter sido, mas quando você a matou, não era.
Tae-baek falou, com o olhar fixo à distância.
— …
Shin-Hoo abriu a boca, mas não disse nada. Então, soltou uma risada seca. Certo, não era mais humano uma vez que começou a comer pessoas.
Shin-Hoo colocou o cartão de identidade ao lado do corpo e puxou a faca. O estacionamento estava silencioso, mas ele não podia deixar a arma para trás caso encontrassem mais criaturas no caminho para o apartamento de Tae-baek.
Segurando a faca manchada de sangue, Shin-Hoo parou ao lado de Tae-baek. Ao ver a faca, Tae-baek estremeceu e deu um passo para trás. Shin-Hoo aproximou-se rapidamente.
— Não se afaste.
Tae-baek suspirou profundamente e esfregou o rosto, tentando resistir à vontade de vomitar novamente.
Eles caminharam rapidamente até a entrada do elevador. Tae-baek passou seu cartão de acesso e a porta se abriu suavemente. Estava silencioso lá dentro — sem gritos ou ruídos de monstros.
Tae-baek apertou o botão do elevador, e Shin-Hoo abriu a saída de emergência e escutou atentamente. Havia apenas o zumbido do ar; nenhum outro som.
Eles chegaram ao apartamento de Tae-baek sem incidentes. O corredor estava silencioso, já que Tae-baek morava sozinho no andar.
Tae-baek destrancou a porta às pressas e entrou. Sentindo o alívio de estar finalmente em casa, seus ombros tensos relaxaram.
Ele tirou os sapatos e entrou na sala de estar. Mas a sombra que o seguia havia sumido. Tae-baek virou-se.
Shin-Hoo estava imóvel diante da porta.
Tae-baek franziu a testa levemente.
— …O que você está fazendo? Não vai entrar?
Ande logo. E se outra daquelas coisas aparecer? Tae-baek estendeu a mão para segurar o pulso de Shin-Hoo, mas Shin-Hoo resistiu e deu um passo para trás. A expressão de Tae-baek endureceu.
Shin-Hoo olhou para Tae-baek com uma expressão conflituosa.
— Você pode ter que ficar aqui por um tempo. Não sabemos se levará uma semana ou um mês para as coisas se acalmarem.
— E daí?
— Se eu ficar, o suprimento de comida acabará mais rápido.
— E daí?
— Se você não me quiser aqui, eu vou embora.
— Para onde?
— Para o meu lugar.
— …
Tae-baek ergueu uma de suas sobrancelhas. Ele estava muito descontente com a sugestão de Shin-Hoo de deixá-lo sozinho. Descalço, ele atravessou o móvel de sapatos e parou perto de Shin-Hoo. A aproximação repentina fez Shin-Hoo perder o fôlego, e então o rosto de Tae-baek se contraiu.
Ele agarrou a manga de Shin-Hoo, como uma criança.
— Eu estou doente.
— …O quê?
— Eu sou muito fraco e frágil. Você não sabe que eu tenho uma doença incurável? Não me viu tendo ânsia de vômito ao ver sangue agora há pouco?
— …
Shin-Hoo não conseguiu encontrar as palavras certas para responder. Tae-baek enterrou o rosto no ombro de Shin-Hoo, seu cabelo loiro sedoso fazendo cócegas na bochecha de Shin-Hoo. Tae-baek queixou-se baixinho.
— Estou tonto agora. Minha visão está embaçada. Como posso ficar sozinho?
— Líder de Equipe…
— Aah…
Tae-baek soltou um gemido suave e desabou no chão. A visão do homem de 1,88m desmoronando como um pedaço de papel era absurda.
O rosto de Shin-Hoo se contorceu de uma maneira incomum. Que cara louco… ele pensou. Por outro lado, Tae-baek havia testemunhado algo horripilante. Shin-Hoo suspirou pelo nariz e entrou.
A porta fechou e trancou com um bipe.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna