Capítulo 07
↫─Capítulo 7
O elevador se aproximava da garagem. Shin-Hoo, com um laptop debaixo do braço, segurava duas facas, uma em cada mão. Tae-baek pegou gentilmente o laptop dele e o carregou.
— Diretor Lee, o que você acha que está acontecendo aqui? Você não acha realmente que é um golpe, acha?
— Espero que não, mas é possível.
Ele só conseguia pensar em três razões: o controle da internet, o chamado do capitão e pessoas atacando outras.
— Então, para onde vamos? Para o aeroporto? Um bunker? A delegacia?
— Para o local do Líder de Equipe Han.
Assim que Shin-Hoo terminou de falar, o elevador chegou à garagem com um sinal sonoro. Normalmente, Tae-baek sairia primeiro, mas hoje Shin-Hoo o fez. Ele vistoriou o estacionamento silencioso. Não havia ninguém à vista, então parecia que os executivos ainda não haviam descido.
— …Minha casa?
Com uma expressão intrigada, Tae-baek seguiu Shin-Hoo para fora.
— Sim. Se houver um golpe, seu lugar será o mais seguro. Regimes militares ou ditaduras não mexem com os ricos; eles visam cidadãos comuns primeiro. Eles tentam coagir os abastados com palavras em vez de armas, porque poder e dinheiro são seus objetivos finais.
— Isso é… perspicaz.
— Nenhuma pessoa sã pensaria em assumir um país com armas. De qualquer forma, eles não vão invadir seu apartamento de alto padrão, então vamos para lá.
Tae-baek assentiu e apertou a chave do carro. Naturalmente, ele abriu a porta do motorista. Shin-Hoo cerrou os lábios antes de soltar um suspiro.
— Você vai dirigir?
— Hum… Você dirige bem, Diretor Lee?
— Não o suficiente para usar a palavra ‘bem’.
— Então eu farei isso.
Shin-Hoo não acrescentou mais nada. Era melhor sair dali um pouco mais cedo do que discutir. Os dois rapidamente afivelaram os cintos de segurança.
— Você conhece alguma saída além da habitual? Como uma rota de emergência ou algo que saia por trás do prédio?
— Sim, conheço.
— Bom. Ignore os sinais e apenas dirija direto.
— Ok.
Tae-baek pisou fundo no acelerador.
‘Algo’
Eles aceleraram suavemente por cerca de cinco minutos após deixarem o prédio. Felizmente, a atmosfera era muito diferente da rua principal e da rua atrás da Teerã-ro. Os carros ainda se moviam pacificamente em suas respectivas rotas. Estavam a apenas um quarteirão de distância, mas era diferente.
Mas apenas cinco minutos. Dentro de cinco minutos, a situação mudou completamente.
Um carro avançou de frente em direção ao carro de Tae-baek, dirigindo na contramão.
— Opa…
Tae-baek desviou imediatamente. Os pneus cantaram contra a superfície da estrada, produzindo um som áspero e estridente. Seus corpos reagiram violentamente ao impacto da manobra.
Tae-baek olhou irritado para o carro com o qual quase colidira. Apesar disso, seu pé já estava pronto para pisar no acelerador novamente. No entanto,
— …
Ao olhar para trás, ele se esqueceu do acelerador.
— Por que não estamos nos movendo…
Shin-Hoo, apressando Tae-baek, virou a cabeça para ver o que ele estava olhando. Ele também prendeu a respiração momentaneamente.
O carro que avançava contra eles colidira com um poste de utilidade pública e parara. O para-choque fora destruído e o para-brisa estilhaçado pelo impacto. Uma fumaça espessa e branca subia do capô amassado.
Através da fumaça, viram uma figura estirada sobre o capô após ser arremessada pelo para-brisa. Era uma cena de acidente horrível.
No entanto, o silêncio de Tae-baek e Shin-Hoo não se devia ao acidente em si. Era por causa do ‘algo’ em cima do motorista.
‘Algo’.
Tinha a aparência geral de um homem humano, com uma cabeça, dois braços e duas pernas, mas não podia ser chamado de humano.
‘Algo’ estava sem metade do ombro. Um braço estava mal preso, com músculos e pele pendurados, como se estivesse prestes a cair. Mesmo o braço intacto estava flácido, arrastando-se no capô como se não pudesse se mover, embora estivesse inteiro.
Além disso, seu lado estava severamente cavado, como se uma fera tivesse arrancado uma grande mordida. A fumaça obscurecia a ferida aberta, o que era uma pequena misericórdia, dada a aparência horrível que devia ter.
Mas o verdadeiro horror era a cabeça. Sua boca, para ser preciso. A boca estava grotescamente aberta, como um personagem de Pac-Man, com a parte de trás da cabeça dobrando-se para trás, resultando em uma abertura de mais de 30 centímetros de largura. Os cantos de sua boca estavam rasgados em pedaços.
Dentes ensanguentados eram visíveis dentro da bocarra escancarada. Não eram longos, mas serrilhados como lâminas de serra, assemelhando-se a dentes de tubarão e parecendo extremamente fortes.
E com aqueles dentes… Estava roendo o motorista, que estava estirado no capô.
O corpo humano é estranhamente grande. Pense em um pudim ou pão do tamanho do seu próprio torso. Pareceria enorme. Quantas pessoas devorariam ansiosamente algo tão grande?
No entanto, este ‘algo’ estava consumindo a metade superior de um corpo humano em apenas algumas mordidas. Cada vez que abria a boca, pedaços do tamanho de metade de uma cabeça caíam. Era tão simples e rápido quanto morder uma fatia de bolo.
Croc, croc. Esguicho, esguicho. Todos os tipos de sons horripilantes enchiam o ar.
Quando terminou de comer metade do corpo do motorista, sua barriga havia inchado até o tamanho da de uma mulher grávida. A carne do motorista consumido estava saindo pelo buraco em seu lado.
Apesar disso, parecia insatisfeito, mordendo a coxa do motorista. Como não estava usando os braços ou as pernas para nada, seu tronco continuava se curvando para baixo e voltando para cima bruscamente, espalhando sangue e tecido por toda parte a cada movimento.
Logo, restaria pouco do corpo. Não levaria muito tempo para terminar o resto.
— Vamos… vamos embora.
Shin-Hoo sussurrou e tocou o braço de Tae-baek. Tae-baek, com os lábios firmemente cerrados, girou o volante e pisou no acelerador. No entanto, os pneus derraparam e cantaram alto contra o pavimento.
Ambos prenderam a respiração ao mesmo tempo. Lentamente, viraram as cabeças. O ‘algo’ que devorava o motorista virou a cabeça. Seus olhos leitosos e opacos fixaram-se penetrantemente em Shin-Hoo e Tae-baek.
Shin-Hoo segurou a faca com firmeza. Tae-baek rangeu os dentes e acionou brevemente o freio antes de pisar no acelerador de novo. Finalmente, o carro disparou para frente.
Ao mesmo tempo, o ‘algo’ saltou em direção a eles. Não foi um movimento particularmente rápido, então não atingiu o carro. Mas conseguiu morder a borda do porta-malas, seus dentes perfurando o metal.
Tae-baek verificou o retrovisor. A visão da criatura agarrada ao porta-malas, com a cabeça parcialmente exposta, deu-lhe calafrios por todo o corpo. Mesmo que sua carne não tivesse sido mordida, ele sentiu uma dor fantasma, como se algo o estivesse ferindo.
— Você consegue se livrar dele?
Shin-Hoo perguntou.
— Vamos tentar.
Tae-baek pisou mais fundo no acelerador, fazendo o carro acelerar rapidamente. Eles serpentearam pelo tráfego ainda normal, sacudindo a traseira violentamente.
O ‘algo’ balançava desamparado de um lado para o outro, recusando-se a soltar. Em vez disso, fazia ruídos de mastigação enquanto mordia mais profundamente o porta-malas.
Os olhos de Shin-Hoo vasculharam os arredores rapidamente. Para removê-lo ele mesmo, teria que sair pela porta traseira ou quebrar o vidro traseiro e subir. Mas o carro sacudia tanto que era difícil demais. Se ele abrisse a porta e o monstro entrasse, poderia devorar Tae-baek com sua boca terrível.
Shin-Hoo observou a criatura pelo espelho lateral. Seu corpo aparecia e desaparecia conforme o carro balançava. Algo parecia errado.
Shin-Hoo estreitou os olhos e focou intensamente na criatura. Então ele notou algo incomum.
Não tinha pés.
Seus ossos do tornozelo estavam expostos e arrastando no chão. Ele não conseguia dizer se eles haviam sumido no início ou se haviam se desgastado devido ao arrasto. Independentemente disso, estava claro que não conseguia ficar de pé adequadamente. Mesmo que pudesse, cairia após um único passo.
— …Não se livre dele. Vamos levá-lo para o lugar do Líder de Equipe Han.
— Você quer levar aquela coisa para a minha casa?
— Se nos livrarmos dele aqui, ele colocará os cidadãos em perigo.
Shin-Hoo olhou pela janela. Eles se aproximavam da Estação Jamsil. A área ainda parecia pacífica. Embora as pessoas gritassem com a direção errática de Tae-baek e com a coisa estranha agarrada ao carro, não era nada comparado ao banho de sangue na Teerã-ro.
Se o deixassem aqui, cidadãos inocentes certamente se machucariam.
— …
Os lábios de Tae-baek se torceram em descontentamento.
Ele estava irritado com Shin-Hoo por querer salvar os cidadãos. Não era o altruísmo de Shin-Hoo que o incomodava, mas o fato de que ele estava agora falando sobre proteger outros quando anteriormente afirmara que apenas o protegeria. A mudança repentina de postura não lhe caiu bem.
Ele tamborilou no volante com o dedo indicador, mas Shin-Hoo agarrou sua mão com força e falou decisivamente.
— Isso não significa que vamos morrer. Apenas dirija. Eu cuido disso.
— …
Tae-baek olhou para Shin-Hoo. Shin-Hoo apertou mais a mão de Tae-baek.
— Você não vai se machucar, Líder de Equipe.
— E você?
— Sim?
— Você vai ficar bem? Você não vai me deixar sozinho e morrer, vai?
— …Sim. Eu ficarei bem.
Shin-Hoo assentiu. Tae-baek olhou para o retrovisor novamente. A criatura revoltante roía furiosamente o carro, seus olhos arregalados cheios de um desejo insaciável de devorá-los.
Tae-baek rangeu os dentes e pisou no acelerador com mais força. Ao longe, viu um prédio de apartamentos familiar.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna