Capítulo 06
↫─Capítulo 6
11:00 AM.
O escritório estava silencioso como de costume, com os funcionários focados em seus trabalhos. No entanto, Shin-Hoo não conseguia ficar parado. Seus calcanhares batiam no chão repetidamente, e ele estendia e retraía distraidamente o bastão de autodefesa em sua cintura.
Naquele momento, uma das secretárias tocava nervosamente em seu telefone, sussurrando para outra colega.
— O Stagram está funcionando para você?
— Hein, para você também, Kyungmi? O meu também não está funcionando. Tentei o YouTube no banheiro mais cedo, mas também não estava carregando.
— Minha amiga disse que algo interessante foi postado no Insta, mas não consigo ver. O que está acontecendo? Algum escândalo de celebridade estourou ou algo assim…
— Sério? Os portais de notícias estão quietos. Devo reinstalar?
Quando Shin-Hoo ouviu isso, pegou rapidamente seu telefone. Ele abriu aplicativos que raramente usava: redes sociais, aplicativos de vídeo e sites de busca. Os aplicativos não abriam, mas os portais funcionavam bem. Então, ele procurou notícias sobre a queda dos aplicativos de vídeo e encontrou alguns artigos.
[Queda do SNS e YouTube: Usuários indignados]
[Stagram Coreia, YouTube Coreia – ‘Interrupção temporária’, trabalhando arduamente para restaurar o serviço…]
[Vídeo controverso no YouTube se espalha rapidamente… Promoção de um filme?]
[Exclusivo: Quedas de redes sociais e YouTube ligadas ao Ministério da Defesa?]
Shin-Hoo leu as manchetes e clicou no último artigo. Parecia carregar, mas então uma notificação apareceu: [Este artigo foi deletado.]
Uma nuvem escura passou pelo rosto de Shin-Hoo. Fosse o governo ou o Ministério da Defesa, alguma força estava restringindo a internet. Isso representava uma situação de guerra ou algo igualmente sério.
Shin-Hoo guardou o telefone no bolso e foi direto para a sala do líder da equipe. Ele bateu rapidamente e entrou antes que Han Tae-baek pudesse responder.
Han Tae-baek, que revisava alguns documentos, franziu a testa com a intrusão. Sem se abalar, Shin-Hoo pegou o paletó de Han Tae-baek do mancebo e disse:
— Você precisa sair.
— Por quê?
— Algo… aconteceu.
— O que aconteceu?
— …….
Shin-Hoo não tinha certeza do que havia ocorrido. Com a internet sendo controlada, ele não saberia até ver por si mesmo.
Shin-Hoo ponderou como persuadir Han Tae-baek. Simplesmente dizer: — Vamos embora, agora mesmo — o faria parecer louco. Na Coreia, mesmo quando um alarme de incêndio tocava, as pessoas geralmente pensavam que alguém o havia apertado por engano. No momento em que ele considerava isso,
Bang!
Um estrondo enorme ecoou. Não era um terremoto, mas o prédio e os objetos tremeram. Após o barulho, buzinas de carros soaram furiosamente. O som agudo alcançou o escritório de Han Tae-baek no andar alto.
Shin-Hoo correu para a janela. Ele a abriu e olhou para baixo. Um ônibus havia colidido com um prédio abaixo, com a parte traseira para fora.
Os pilares do prédio e as janelas do ônibus foram destruídos. Pessoas se aglomeravam ao redor da cena. Algumas, como Shin-Hoo, olhavam das janelas.
O ônibus estava profundamente cravado na estrutura e não se movia. As pessoas se aproximavam cautelosamente do veículo para verificar os passageiros.
Shin-Hoo virou-se para Han Tae-baek.
— Você possui um helicóptero ou um jato particular?
Han Tae-baek franziu o nariz.
— De onde vem esse estereótipo de que todos os ricos têm essas coisas?
— Você não tem?
— O Presidente Park tem um, mas eu não. Não tenho interesse nessas coisas.
— …….
Shin-Hoo pressionou os lábios. Han Tae-baek parou ao lado dele, observando o caos lá embaixo. Pessoas quebravam as janelas do ônibus. Mesmo à distância, era possível ver sangue manchado nos vidros. Os passageiros pareciam gravemente feridos.
Han Tae-baek discou 119 em seu telefone, pretendendo fazer um relato adicional, apesar de provavelmente já terem sido feitos inúmeros chamados. Ele apertou o botão de chamada enquanto segurava o aparelho no ouvido.
Por alguma razão, o sinal não completava. A chamada continuava até que um bipe agudo arranhou seu ouvido. Han Tae-baek olhou para o telefone incrédulo.
— Por que o 119 não responde?
Enquanto Han Tae-baek tentava discar novamente, um grito lancinante foi ouvido lá fora. Era o grito de um homem, seguido por vários outros gritos dispersos.
Semicerrando os olhos, Shin-Hoo observou a situação abaixo. Embora fosse difícil ver claramente de tal altura, ele conseguia acompanhar o fluxo geral.
Uma das janelas do ônibus capotado havia sido arrancada. Vários passageiros emergiram dela — cinco, não, seis. Estavam todos cobertos de sangue. Não era apenas por ferimentos; pareciam ter tomado um banho de sangue.
Suas roupas estavam todas vermelhas e deixavam rastros de sangue enquanto caminhavam. Não estava claro onde e como haviam se ferido.
O problema era que aquilo estava longe de ser o fim. As pessoas cobertas de sangue vagavam pelo centro de Gangnam, atacando qualquer um que se aproximasse.
Cada vez que atacavam alguém, o sangue espirrava pela estrada, indicando que estavam armadas com facas ou machados. Os ataques repentinos fizeram as pessoas fugirem indiscriminadamente pelas ruas, com carros freado bruscamente e colidindo uns com os outros, criando uma cacofonia de ruídos.
Shin-Hoo não piscou enquanto assistia ao desenrolar do caos.
Não era incomum que pessoas se atacassem. Havia relatos frequentes de algum louco causando estragos no meio da rua. Mas este não era apenas um indivíduo insano. Eles se moviam de maneira sistemática.
Seria por isso que o capitão me ligou?
Eu esperava um desastre natural ou uma situação de guerra. Não é nenhum dos dois. Então, o que poderia ser?
— Um golpe…
— O que você disse?
Era um golpe de estado por alguma força desconhecida.
Eles vieram para Gangnam por diversos motivos, incluindo o maior número de pessoas para sequestrar ou massacrar. Matar pessoas de maneira tão aberta indicava que não era um golpe comum. Tinha que haver uma força poderosa, como o Ministério da Defesa ou um culto, por trás disso.
É claro que não duraria muito. A Coreia tem uma longa história de ser particularmente sensível à democracia. Era um país onde golpes não podiam prosperar. O povo não permitiria.
No entanto, lá estavam eles, causando estragos no coração de Gangnam. Eles deviam ter algo em que confiar. Podiam até ter bombas.
— Vamos. Precisamos sair de Gangnam.
Shin-Hoo agarrou o pulso de Han Tae-baek e o puxou. Han Tae-baek, confuso, o seguiu. Shin-Hoo apertou o botão do elevador executivo e informou às secretárias perto da janela:
— Digam à segurança para fechar a entrada principal.
— …O quê?
— A entrada principal da empresa. Digam para fecharem.
As secretárias olharam para Han Tae-baek em busca de confirmação.
— Façam o que o Chefe Lee diz.
Han Tae-baek assentiu. As secretárias voltaram para suas mesas e pegaram os telefones. Shin-Hoo acrescentou urgentemente: — Façam um anúncio e transmitam minhas palavras exatas.
— Sim, por favor, prossiga.
— Digam a todos para saírem pela porta dos fundos; o estacionamento está liberado, mas não devem sair para a Teerã-ro. Continuem anunciando até que todos os funcionários estejam fora.
— Sim.
— E baixem as persianas de incêndio para evitar que estranhos entrem. Todas as entradas estão conectadas à entrada principal. Fechem o estacionamento em trinta minutos.
— Sim.
As secretárias repetiram as palavras de Shin-Hoo como papagaios. Em segundos, o anúncio começou. Por volta dessa hora, o elevador executivo chegou. Shin-Hoo empurrou Han Tae-baek para dentro.
— Você está com as chaves do carro?
— Aqui.
Han Tae-baek mostrou as chaves no bolso. Shin-Hoo assentiu.
— Há algo que você precise pegar no escritório?
— Uh… meu laptop?
— Por favor, espere aqui por um minuto.
Shin-Hoo virou-se rapidamente. Ele entrou na sala de Han Tae-baek, pegou o laptop e entrou em outra sala — uma copa. Ele vasculhou o local e pegou todas as facas que conseguiu encontrar.
Aqueles não eram apenas agressores; eram assassinos. Shin-Hoo precisava de armas apropriadas. O bastão de autodefesa não seria suficiente.
Saindo da copa, ele viu que, apesar do anúncio estridente, os funcionários ainda olhavam ao redor em confusão. Os gritos e o caos lá fora estavam se intensificando, mas eles permaneciam passivos.
Shin-Hoo rangeu os dentes e esmurrou o alarme de incêndio na parede.
Um sino agudo e alto soou como um temporal. Só então os funcionários começaram a pegar suas bolsas e a se mover apressadamente.
Shin-Hoo correu para o elevador. Han Tae-baek estava lá, segurando obedientemente o botão de abrir e esperando por ele. Shin-Hoo entrou no elevador e apertou o botão para o primeiro subsolo. Ele respirou fundo. As placas de identificação geladas em seu peito resfriavam sua pele.
O elevador desceu rapidamente, sem parar. As salas dos outros executivos ficavam todas acima da de Han Tae-baek, então não houve interrupções. Os funcionários comuns desconheciam em grande parte a existência do elevador executivo exclusivo.
Shin-Hoo mordeu a parte interna da bochecha, e Han Tae-baek ergueu uma sobrancelha para o que ele estava segurando.
— Isso é uma faca na sua mão?
— Uma faca de cozinha.
— Isso é uma arma?
— Se perfura e corta, é uma arma.
— Oh…
Foi uma resposta sábia. Han Tae-baek deu um passo para longe de Shin-Hoo. De certa forma, Shin-Hoo parecia distante. Então ele se aproximou meio passo novamente. Ele temia que desagradar Shin-Hoo resultasse naquela faca cravada em seu pescoço.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna