Capítulo 05
↫─Capítulo 5
Tae-baek subiu no banco do motorista. Shin-Hoo sentou-se no banco do passageiro após confirmar que havia fechado a porta.
Normalmente, Shin-Hoo, o guarda-costas de Tae-baek, deveria dirigir, mas Tae-baek era diferente. Ele não gostava que ninguém tocasse em seu carro. Parecia ser um hábito de seus dias de piloto de corrida.
Shin-Hoo entregou o volante sem uma palavra de reclamação. Não foi difícil. Na verdade, não dirigir tornava as coisas mais fáceis para ele. Dava-lhe mais liberdade para agir em uma emergência e, se ele riscasse ou danificasse aquele carro caro, todas as suas economias poderiam ser perdidas. Portanto, era na verdade algo bom para Shin-Hoo.
Enquanto Shin-Hoo afivelava o cinto de segurança, Tae-baek pressionou o acelerador suavemente. Shin-Hoo sentou-se ereto, movendo apenas os olhos. Embora fosse bom que Tae-baek estivesse dirigindo, sentar-se ociosamente no banco do passageiro não era uma tarefa fácil.
Parecia estar cabulando aula na frente de um professor.
Em uma escala global, a Coreia do Sul está entre os países mais seguros. Não que não haja risco de crime, mas não há perigo de morrer por algo não humano na rua.
Por exemplo, armas, bombas, gases tóxicos e radiação. Assim, como guarda-costas de Tae-baek, Shin-Hoo tinha deveres limitados. Especialmente não dentro deste carro fortemente blindado.
Se Tae-baek fosse uma celebridade, Shin-Hoo teria mais responsabilidades. Tae-baek era famoso, mas não a ponto de atrair grandes multidões. Ocasionalmente, algumas mulheres jovens o reconheciam em restaurantes ou cafés. No entanto, elas se aproximavam com tanta cautela e educação que Shin-Hoo não sentia necessidade de intervir.
Essa rotina parecia se repetir diariamente durante o trajeto. Ele deveria fingir olhar ao redor de forma mais dramática?
Enquanto Shin-Hoo ponderava sobre isso, o carro entrou na Rua Teerã e parou em um sinal vermelho. O motor do carro caro era tão silencioso que o interior estava em completo silêncio. Era um silêncio desconfortável, mas Shin-Hoo não quis interrompê-lo.
Tae-baek eventualmente quebrou o silêncio.
— Você não vai perguntar por que eu dormi demais?
— Eu preciso saber?
— Não, mas eu quero te contar.
— Então vá em frente.
— Eu estava brincando com brinquedos e perdi a noção do tempo.
— …Ok.
Por que mencionar algo tão insignificante? Shin-Hoo engoliu suas palavras. Não era como se Tae-baek estivesse bebendo excessivamente ou com uma mulher. Apenas brincando com brinquedos. Talvez fossem brinquedos extremamente caros. Legos banhados a ouro, quem sabe?
Shin-Hoo lançou um olhar para Tae-baek enquanto o imaginava brincando com Legos brilhantes. Embora Tae-baek fosse mais velho, ele parecia gostar de tais atividades. Talvez nem tão velho. Ele parecia muito mais jovem hoje com o cabelo solto. Seu cabelo loiro balançava com seus movimentos, dando-lhe a aparência de um estudante universitário.
— Bem… bom para você.
Shin-Hoo falou lentamente depois de considerar o que dizer. Já que Tae-baek queria compartilhar, ele se sentiu obrigado a responder. Tae-baek piscou várias vezes antes de sorrir e tamborilar no volante.
Quando ele estava prestes a continuar falando, o bolso do paletó de Shin-Hoo vibrou. Era uma chamada. Shin-Hoo puxou o telefone e verificou o identificador de chamadas.
[Capitão]
— ……
As sobrancelhas de Shin-Hoo ergueram-se de surpresa. O autor da chamada inesperada era tanto surpreendente quanto confuso. Era seu primeiro contato em seis meses desde a baixa militar. Mesmo durante o serviço, eles não interagiam fora das funções oficiais.
Encarando o identificador de chamadas por alguns segundos, Shin-Hoo estava prestes a guardar o telefone. Ele não podia atender a chamada agora, apesar de sua curiosidade. Ele estava trabalhando.
Mas Tae-baek, demonstrando consideração, disse: — Tudo bem, atenda. — Após uma breve hesitação, Shin-Hoo deslizou o ícone de chamada.
— Sim, aqui é Lee Shin-Hoo.
— Tenente Lee, sou eu.
— Sim, senhor. Eu sei, Capitão.
— Onde você está agora?
— Em Seul…
— Apresente-se de volta.
— …O quê?
O queixo de Shin-Hoo caiu diante da ordem inesperada. Ele não estava de licença; ele havia recebido baixa. Pedir para ele se apresentar de volta não fazia sentido. Ele coçou a testa com o dedo indicador.
— Apresente-se imediatamente, não ao Quartel-General do Exército, mas a Incheon. Se você ainda tiver suas placas de identificação, apenas as traga.
— Capitão, o senhor precisa explicar o porquê…
— Eu te conto quando você chegar aqui. Apenas venha. Precisamos de você.
— ……
— Pegue o trem, não venha de carro. Não há tempo. Não, espere. Vou enviar um helicóptero. Dê-me sua localização exata.
— ……
— Tenente Lee. Por que você não está respondendo? Se você quer viver, me escute.
— Se eu quero viver? O senhor está dizendo que eu vou morrer se não for?
Os olhos de Shin-Hoo dardejaram ao redor. Ele lançou um olhar para Tae-baek, que estava ao seu lado. Tae-baek não teve reação, apesar de ouvir a conversa. Então o sinal mudou e o carro começou a se mover.
A expressão de Shin-Hoo endureceu. O capitão estava no exército há muito mais tempo que Shin-Hoo, e ele nunca se exaltava por questões triviais. Nem mesmo se alguém estivesse ferido ou morresse.
No entanto, desta vez era diferente. Ele falava rápido e em frases curtas. Parecia agitado, e talvez até assustado. Era um sinal sinistro.
Shin-Hoo endireitou-se e apertou o telefone com mais força.
— É uma situação de guerra?
— …Não.
— Então o que é?
— Eu te conto quando você chegar aqui.
— ……
Ele estava evitando a pergunta. Provavelmente sob ordens de manter sigilo. Poderia ser um problema com a Coreia do Norte? Neste país pacífico, esse era o único cenário de guerra plausível.
Mas mesmo isso parecia estranho. O capitão não o chamou para participar de uma missão devido à falta de pessoal. Ele afirmou que Shin-Hoo precisava ir para continuar vivo. E por que Incheon em vez do Quartel-General do Exército?
Algo definitivamente havia ocorrido. Mas por que o mundo estava tão quieto?
Shin-Hoo olhou pela janela. A estrada estava congestionada com pessoas dirigindo para o trabalho em vez de estarem evacuando. Elas seguiam com suas atividades diárias.
As notícias desta manhã não mencionaram nada sobre a Coreia do Norte. As únicas notícias preocupantes eram que ainda não haviam capturado o urso em Yongin, causando preocupação entre os moradores, um grande incêndio em um prédio comercial em Seongnam e flutuações nos preços das ações domésticas.
Exceto pelo mercado de ações, nada sugeria uma situação de guerra.
Mordendo o lábio inferior, Shin-Hoo suspirou profundamente e falou.
— Eu não sei o que está acontecendo, mas recebi baixa, Capitão. Não sou mais um soldado nem seu subordinado. Eu não vou.
— …… Entendo. Cuide-se.
A chamada terminou exatamente assim. Shin-Hoo encarou o telefone, que agora estava de volta na tela inicial.
Se houvesse realmente uma guerra, esconder-se seria inútil. A menos que ele voasse imediatamente do Aeroporto de Incheon, um míssil poderia acabar com tudo neste pequeno país.
E mesmo que ele sobrevivesse fugindo, quão feliz e pacífica poderia ser a vida sem sua terra natal? Shin-Hoo não era particularmente apegado à vida.
Nesse momento, o carro entrou no estacionamento subterrâneo da empresa. Shin-Hoo guardou rapidamente o telefone no paletó.
Tae-baek estacionou em sua vaga designada perto do elevador. Quando Shin-Hoo soltou o cinto e saiu, percebeu que Tae-baek não estava se movendo.
Segurando a maçaneta da porta, Shin-Hoo olhou para Tae-baek. Tae-baek também olhou para ele e lambeu o lábio inferior brevemente antes de perguntar:
— Há algo errado?
— …Não.
— Parecia urgente. Você precisa de um dia de folga?
— Não. Vou ficar com você, Líder de Equipe.
Shin-Hoo recusou imediatamente. Ele sabia que algo estava errado, mas não conseguia identificar o quê. Por isso recusou. Mesmo que houvesse algo sério acontecendo, ele não poderia abandonar Tae-baek. Ele havia prometido protegê-lo.
— Tudo bem, então.
Tae-baek saiu do carro. Shin-Hoo o seguiu. Os dois mantiveram uma distância de cerca de um passo enquanto se dirigiam ao elevador. Shin-Hoo observava as costas de Tae-baek, inclinando a cabeça em confusão.
Era estranho. Tae-baek definitivamente ouvira a conversa telefônica. No entanto, ele parecia calmo e indiferente. Shin-Hoo mencionara o termo “situação de guerra”. Em tal cenário, pânico e uma tentativa de fuga seriam esperados. Tae-baek, como herdeiro corporativo, teria várias opções para sair rapidamente do país.
Ele simplesmente queria viver normalmente, mesmo que isso significasse a morte, ou ele, como Shin-Hoo, não tinha apego à vida? Era difícil dizer. Tae-baek era uma pessoa complexa, especialmente porque Shin-Hoo não o conhecia há muito tempo.
Shin-Hoo suspirou levemente e vasculhou o ambiente. Era um hábito. Garagens de estacionamento eram ideais para emboscadas porque forneciam cobertura ampla e espaço aberto para monitoramento.
No entanto, a vaga de estacionamento mais próxima da entrada estava vazia. Pertencia ao Presidente Park, o padrasto de Tae-baek.
O Presidente Park sempre chegava cedo. Quando Shin-Hoo chegava com Tae-baek, o carro dele já estava estacionado. Hoje, porém, seu lugar estava vago.
Além disso, a garagem estava mais silenciosa do que o normal. Este andar era reservado para executivos, então estava sempre um tanto vazio, mas hoje várias outras vagas estavam disponíveis. Apesar de terem chegado mais tarde do que o normal devido ao fato de Tae-baek ter dormido demais.
Teriam os executivos, incluindo o Presidente Park, dormido demais como Tae-baek? Ou havia outro motivo, como aquele que levou o capitão a ligar para Shin-Hoo?
Estreitando os olhos, Shin-Hoo moveu-se para mais perto de Tae-baek.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna