↫─Capítulo 13
↫─Capítulo 13
As orelhas dela estavam vermelhas em ambos os lados. Não estavam assim quando ele a vira pelo interfone mais cedo. Enquanto tratava o pé dela, estavam levemente avermelhadas, mas aquilo poderia ser ignorado como uma febre baixa.
Agora, porém, não estavam apenas avermelhadas; estavam em um tom de vermelho vivo. Era um vermelho excessivamente artificial que não combinava com um corpo humano. Não era o vermelho bonito de uma rosa ou o vermelho suculento de uma maçã, mas sim um vermelho estranhamente perturbador, como se alguém tivesse pintado.
Além disso, não era a orelha inteira que estava vermelha, mas cerca de um terço da parte superior, como se ela estivesse usando um dedal. Era estranho. Ele nunca tinha ouvido falar, em toda a sua vida, de orelhas que ficassem vermelhas devido a dor ou doença.
Taebaek abaixou a cabeça e examinou a orelha da senhora.
— É, será que pode ser febre? Não, está vermelho demais para isso…
— ……
O rosto de Shinu esfriou. Ele agarrou o cotovelo de Taebaek e o puxou para trás. Taebaek afastou-se obedientemente da senhora. Em uma voz muito baixa, Shinu sussurrou em seu ouvido, com os calcanhares levemente erguidos devido à diferença de altura de quase meio palmo.
— Zumbis… tipicamente… são infectados ao serem mordidos, certo?
— …Geralmente é o caso.
— Aquela coisa que encontramos no estacionamento esta manhã era originalmente humana antes de se transformar, certo?
— Isso… está certo.
— Então…
Os dois olharam para a senhora. Taebaek engoliu em seco e Shinu cerrou o punho com força.
— …Você tem a chave do quarto?
Shinu fechou a porta silenciosamente, trancando-a por fora, e então tentou abri-la levemente por fora. A maçaneta, que girara até a metade, deu um clique e não girou mais. Shinu enfiou a chave no bolso.
— …Parece que estamos fazendo algo ruim.
Taebaek , que estava atrás de Shinu, suspirou enquanto falava. Em contraste, Shinu não demonstrava expressão. Ele se virou e caminhou pelo corredor, falando enquanto avançava.
— Você sabe que eles podem abrir por dentro a qualquer momento.
— É verdade, mas…
Exatamente como Shinu disse, a tranca poderia ser desfeita simplesmente girando a maçaneta por dentro. A fechadura fora projetada para evitar intrusão externa. Portanto, aquilo não era um cárcere, mas uma precaução. Uma medida de defesa para uma situação imprevisível.
Apesar disso, a culpa de trancar uma mulher idosa não se dissipava. Taebaek tinha um vazio em sua vida devido ao falecimento precoce de sua mãe e, por causa disso, sentia um apego e uma preocupação estranhos sempre que via mulheres idosas.
Mas mostrar isso a Shinu provavelmente só lhe renderia deboche. Então ele mordeu o lábio com mais força, e Shinu parou de caminhar de repente.
— Amanhã de manhã… ela sairá sem problemas.
Ele falou sem olhar para trás. Taebaek piscou. Então, um sorriso discreto surgiu em seu rosto.
— Sim, ela sairá.
Shinu vasculhou a casa e encontrou todo tipo de baterias reserva e carregadores. Itens que Taebaek desconhecia continuavam aparecendo conforme Shinu procurava. Ele carregou todas as baterias extras e organizou as pilhas em sacos plásticos, arrumando-as pela polaridade.
Eles tinham que estar preparados caso a eletricidade acabasse. A eletricidade era uma ferramenta essencial de sobrevivência, mesmo que não fosse apenas para os telefones. Shinu também encontrou duas mochilas grandes no closet. Eles precisavam arrumar suprimentos com antecedência, caso tivessem que sair de casa sem aviso prévio.
Enquanto Shinu se ocupava, Taebaek o seguia com uma expressão preocupada.
— Por que você está me seguindo?
Shinu perguntou enquanto colocava duas garrafas de água de 500 ml em uma mochila.
— Bem, eu pensei que talvez houvesse algo em que eu pudesse ajudar…
Taebaek sorriu sem jeito. Shinu soltou uma risada nasalada. Ele achava divertido ver esse lado diferente dele, que parecia tão distinto da pessoa que via na empresa. Ou, melhor dizendo, fofo. Ele devia estar com bastante medo.
— Você pode apenas ficar quieto. Eu já fiz tudo. Você deveria ir dormir. Não há nada de estranho no circuito interno lá fora, nem ruídos altos; você deve conseguir dormir tranquilamente esta noite.
— …Você quer que eu durma sozinho? Sozinho?
Taebaek sentou-se ao lado de Shinu com uma expressão como se tivesse perdido o próprio país. Era semelhante a quando chegaram à casa pela primeira vez; ele estava agindo de forma delicada e fraca, dizendo que estava doente e frágil.
— ……
Shinu soltou uma risada seca. Esqueça chamá-lo de fofo. Parecia que ele tinha um filho. Um filho imaturo e assustado. Aquele cabelo amarelo brilhante fazia parecer ainda mais. …Talvez eu esteja ficando velho.
Com um movimento do nariz, Shinu fechou o zíper da bolsa e olhou para Taebaek .
— Devo ficar de guarda ao seu lado a noite toda, então?
— Não foi isso que eu quis dizer…
— Então?
— …Vamos dormir juntos.
— ……
Diante disso, Shinu ergueu uma sobrancelha. Taebaek ergueu as dele em resposta e então balançou a cabeça e as mãos simultaneamente.
— Não, não, quero dizer, vamos dormir no mesmo quarto, no mesmo espaço. Não quero dizer na mesma cama.
— Eu entendi dessa forma. Quem pensaria em dormir na mesma cama com outro cara?
— ……
Os olhos de Taebaek se estreitaram. Bem, eu pensei nisso quando disse. Por que é tão difícil de acreditar? Ele engoliu as palavras que quase escaparam. Então, rapidamente vestiu uma máscara lamentável e triste, como um cachorrinho pego pela chuva.
— Então, você vai dormir comigo?
Shinu soltou um suspiro profundo.
— …Onde fica o quarto?
Taebaek , deitado na cama, observava Shinu, que estava sentado no sofá oposto, em silêncio. Seu olhar era persistente e implacável. Embora Shinu estivesse ciente daquele olhar, ele não reagia. Não sentia vontade de conversar com ele.
Ele estava exausto de ficar em alerta o dia todo. Mas não conseguia dormir. Aquele lugar era um campo de batalha luxuoso e arrumado. Na verdade, mesmo que Taebaek não tivesse pedido para dormirem juntos, ele teria ficado ao lado dele a noite toda, vigiando.
No entanto, ele não queria se envolver em conversas fúteis, conhecer um ao outro ou tornar-se amigável. Ele apenas queria desempenhar seu papel como guarda-costas. Essa era a maneira que preferia viver.
Enquanto Shinu mexia em uma faca de cozinha, Taebaek inevitavelmente começou a falar.
— Troque de roupa. Tem muitas no closet. Não te incomoda usar algo manchado de sangue?
— Ah…
Shinu olhou para as mangas dobradas. Suas mãos estavam limpas, mas as mangas ainda estavam cobertas de sangue. Ele não se importava muito com o que vestia, comia ou onde dormia, por isso não tinha notado. Não se tratava do seu desconforto, mas de não deixar os outros desconfortáveis. Pensando bem, Taebaek já estava em roupas de ficar em casa.
Shinu levantou-se lentamente do sofá.
— Sim. Então vou pegar apenas uma camisa…
— Uma camisa? Tem moletons, malhas e pijamas também. Eu tenho vinte pijamas. Qualquer um deles…
— Uma camisa está bom.
— Você sempre usa ternos em casa também?
— Na verdade não…
— Na verdade não?
— Aqui não é minha casa.
Diante da resposta curta de Shinu, o lábio inferior de Taebaek se projetou para fora e depois voltou. Era um ponto válido, mas estranhamente decepcionante. Parecia rejeição.
Shinu era o mais distante de todos os guarda-costas que o Sr. Jang já contratara. Ele também era o mais bonito. Com uma aparência daquelas, ele devia ter tido uma vida fácil. Talvez seja porque passou metade da vida em um exército rigoroso e rígido. Ele é tão estoico que chega a ser fascinante.
— …
Taebaek olhou para Shinu com uma expressão um tanto amarga, e Shinu evitou sutilmente o olhar dele enquanto falava.
— …Usar roupas confortáveis me faz relaxar demais. Não é porque sua casa é desconfortável.
Então ele entrou silenciosamente no closet do quarto. Taebaek soltou uma risada seca. Viu, viu só. Se vai construir um muro, faça direito. Justo quando você está prestes a desistir ou se sentir magoado, ele deixa um espaço vago para proximidade.
Bem… Talvez esse seja o charme dele.
Taebaek fez beicinho e abraçou o cobertor com força.
Como havia avisado, Shinu saiu vestindo apenas uma camisa. Era uma camisa branca, diferente apenas na marca, mas de alguma forma parecia diferente. Provavelmente porque era extragrande, pertencendo a Taebaek , que era mais alto. As mangas dobradas escondiam esse fato, mas o colarinho estava um pouco mais baixo que o normal. A camisa, grande demais e pendendo frouxamente, fazia-o parecer um ator estiloso.
Em outras palavras, caía muito bem nele.
Embora tivesse um porte magro, ele era firme e, embora não fosse extremamente alto, sua altura estava acima da média com boas proporções, fazendo parecer que ele poderia ter sido popular se fosse um idol ou ator.
Taebaek observava Shinu com interesse, e Shinu cravou a faca de cozinha na mesa lateral. A faca ficou em pé devido à força, tremendo levemente. Parecia um aviso para parar de encarar, ou ele arrancaria seus olhos.
Taebaek fingiu não estar assustado e naturalmente desviou o olhar. Ele mexeu no interruptor de luz graduável, ligando-o e desligando-o. Como resultado, o quarto alternava entre luz e escuridão.
Shinu encostou-se no sofá e fechou os olhos. Seus olhos secos ardiam. Ele apenas queria descansar. Mas Taebaek começou a falar novamente.
— Por que você saiu do exército? Parecia que você levava jeito para isso. Você é bem capaz.
— ……
— Você não quer responder?
Shinu soltou um suspiro profundo. Se Taebaek não fosse a pessoa que ele tinha que proteger, se tivessem se conhecido no exército, ele teria quebrado um dos dentes da frente de Taebaek , fingindo ser um erro durante o treinamento. Dessa forma, Taebaek ficaria com vergonha demais para tagarelar sem o dente da frente. Ele sentiu uma pontada de arrependimento.
Shinu hesitou por um momento, debatendo se deveria responder, mas acabou falando. Ele sabia que, do contrário, Taebaek perguntaria persistentemente.
— …Eu pedi demissão porque recebi uma ordem de promoção.
— …Hein?
Taebaek soltou o interruptor de luz que estava segurando. A curiosidade brilhou em seus olhos. Abraçando um travesseiro, ele se moveu para a borda da cama, mais perto de Shinu, e se sentou.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna