↫─Capítulo 12
↫─Capítulo 12
Foi quando a porta da frente se abriu cerca de um palmo. Uma mão de repente agarrou a porta. Estava coberta de sangue. Cinco listras sangrentas, como se pintadas com um pincel, apareceram na porta da frente.
Assustado, Taebaek congelou, incapaz até de gritar. Shinu imediatamente ergueu a faca de cozinha e empurrou a porta para abrir. O plano era esfaquear o oponente entre os olhos assim que ele caísse.
— Ai meu Deus!
A governanta gritou e caiu para trás. Shinu rapidamente a imobilizou, a faca erguida brilhando de forma ameaçadora. Vendo isso, a governanta agitou os braços descontroladamente.
— Ai meu Deus, ai meu Deus! O que está acontecendo? Hein? O que está acontecendo?
Ela não estava tentando morder Shinu. Em vez disso, ela choramingava com os olhos bem fechados, parecendo aterrorizada. A faca que descia parou abruptamente no ar.
— …Tia?
Taebaek , que observava de trás, chamou-a cautelosamente. A governanta, que estava encolhida, abriu um pouco os olhos.
— …Senhor?
Ela era humana.
Shinu agachou-se aos pés da governanta, que agora estava sentada no sofá. Ela vestia um vestido longo e folgado, mas a barra estava rasgada como se tivesse sido mordida por um cachorro, em vez de ter prendido em algo.
Mas esse não era o problema principal. A carne entre a panturrilha e o tornozelo fora parcialmente arrancada. Era uma ferida do tamanho de uma bola de tênis de mesa. Não era grave, mas também não era algo que pudesse ser tratado facilmente em casa.
Com uma expressão sombria, Shinu examinou a perna dela. A meia estava encharcada de sangue. Taebaek entregou uma toalha molhada em água morna. Enquanto Shinu limpava cuidadosamente o sangue, ele olhou para a governanta. Ela encarava o vazio com um olhar vago, parecendo estar em choque.
Se ela tivesse visto o mesmo “algo” que Shinu e Taebaek , teria dificuldade em manter a calma. Eles precisavam mantê-la falando.
— O que a trouxe aqui a esta hora?
— Ah… Bem… O senhor sabe que tem algo estranho, tipo um monstro, lá fora?
— Sim, nós sabemos.
— Bem… Aquela coisa estranha… Oh… Por onde eu deveria começar…
— Do início, qualquer coisa que vier à mente desde esta manhã, por favor, nos conte devagar.
Shinu falou deliberadamente devagar. Os dedos da governanta se agitavam, contraindo-se e relaxando. Após um momento de hesitação, ela começou a relatar suas memórias de maneira dispersa.
— Eu limpo três casas por dia. Uma de manhã, a sua casa à tarde e outra à noite.
— Sim.
— A casa onde vou de manhã fica em Gangnam. É uma casa muito boa. Eles têm dois filhos, então tem muita coisa para limpar; não, isso não é importante. Enfim, depois de terminar a limpeza em Gangnam, eu costumo ir para casa almoçar.
— Sim.
— Então, hoje, eu estava no ponto de ônibus para ir para casa e, de repente, alguém gritou. Eu olhei e vi aquelas coisas; pareciam pessoas, mas não eram, atacando e comendo as pessoas… Tinha tanto sangue… Eu nunca tinha visto nada parecido.
Lembrando-se da situação, a governanta tremeu. Ela ocasionalmente esfregava as orelhas ou coçava a cabeça. Shinu observava suas ações de perto.
— Fiquei tão chocada que não conseguia me mexer, mas então o ônibus chegou. O motorista do ônibus parecia estar com muito medo também. Parecia que não tinha nenhuma daquelas coisas no ponto anterior. Enfim, eu corri e implorei para o motorista me deixar entrar, e ele deixou. Assim, consegui chegar em casa.
— Que alívio.
— Quando cheguei em casa, estava tudo quieto. A TV não mencionou nada. Então, pensei que a polícia tivesse cuidado daqueles monstros.
— ….
— Mas fiquei com tanto medo que não conseguia sair de casa. Fiquei pensando: “O que eu faço? Se eu não for trabalhar sem avisar, serei demitida”. Minha empresa não permite licença médica a menos que você avise com vários dias de antecedência.
— Isso é lamentável…
— Ainda assim, pensei que a situação de hoje fosse excepcional, então a empresa entenderia. Mas então, como se tivesse olhos em todos os lugares, meu supervisor ligou perguntando se eu estava fazendo meu trabalho. Ele disse que eu estava na corda bamba e que mais um erro e eu estaria fora.
— Então, o que a senhora fez?
— Eu não tive escolha. Contei a verdade a ele. Não adianta mentir porque o senhor ligaria para a empresa e eles descobririam que eu não vim.
— ….
— Eu disse a ele que havia monstros lá fora comendo pessoas, então eu não podia sair. Ele me xingou e disse que me demitiria, me chamando de todo tipo de nome.
— …Então a senhora veio para cá?
A essa altura, Taebaek estava sentado ao lado da governanta, perguntando frustrado. Era inacreditável que a tivessem forçado a sair em uma situação tão perigosa. Ele não conseguia acreditar que a empresa que ele sempre considerara educada e amigável pudesse ser tão implacável. Ele decidiu mudar de agência imediatamente.
A governanta sorriu amargamente diante da expressão exasperada de Taebaek .
— Eu vivo um dia de cada vez. É muito difícil encontrar trabalho doméstico hoje em dia. Eles não contratam qualquer uma; querem pessoas bem instruídas, até aquelas que se aposentam de bons empregos. Mas eu só terminei o ensino médio e já sou velha… Então, é difícil encontrar trabalho.
— ….
— Oh, esse não é o ponto. Enfim, saí de casa por volta das 16h. No meu bairro, os ônibus e carros estavam circulando, então achei que fosse seguro. Mas assim que passamos por Gangnam, foi o caos…
— Por favor, nos conte em detalhes.
Shinu olhou para a governanta com intensidade. Ela moveu os lábios rapidamente.
— Foi pior do que o que vi de manhã. As estradas e ruas estavam cobertas de sangue. Mãos e pés estavam espalhados por toda parte… Não tinha gente, apenas sangue por todo lado. Foi nojento e assustador.
— ….
— O motorista do ônibus estava com tanto medo que não parou nos pontos e apenas dirigiu sem rumo. Ficamos no ônibus por muito tempo. Então, quando atravessamos o Tancheon, pedi para descer. Mas aqui estava quieto. Fiquei com tanto medo que me escondi em qualquer prédio aberto por alguns minutos.
— ….
— Então vi este prédio. Fiquei tão aliviada. Mas enquanto eu me apressava, vi uma criança agachada na frente da loja de conveniência. A criança, de uns cinco ou seis anos, estava coberta de sangue. Fiquei tão chocada…
— Você quer dizer que a criança…
— Sim. A criança me mordeu. A criança não tinha ombro nem braço… Ela pulou em mim como um animal selvagem e mordeu minha panturrilha. Fiquei tão chocada que nem senti a dor. Eu apenas bati nela com o que eu tinha. A boca da criança era tão escancarada que nem parecia humana, então eu apenas… apenas…
Os olhos da governanta tremiam nervosamente. Ela esfregou o sangue das costas da mão. Taebaek rapidamente entregou-lhe um lenço úmido. Shinu verificou a ferida na perna dela após estancar o sangramento.
— Não precisa dizer mais nada. Vamos tratar sua perna primeiro.
Shinu começou a tratar a ferida. Era um kit básico de primeiros socorros, e ele era um soldado, não um médico, então tudo o que podia fazer eram os primeiros socorros — estancar o sangramento, desinfetar e enfaixar.
— Dói muito? Gostaria de um analgésico?
Embora fosse um medicamento oral e não fizesse efeito imediato, era melhor do que nada. Shinu fez uma pausa, e a governanta sorriu fracamente.
— Não, eu consigo aguentar.
— ….
Essa não era uma dor que se pudesse suportar facilmente. Até um corte de papel ou um corte de estilete doeria o suficiente para fazer alguém gritar. Ter a carne arrancada, não apenas cortada de forma limpa, mas mastigada, devia ser excruciante.
Após um momento de silêncio, Shinu decidiu que ela devia estar em choque demais para sentir a dor. Ele enfaixou a perna dela e a prendeu com fita adesiva. A governanta levantou-se do sofá.
— Eu deveria limpar a casa agora.
Taebaek , pego de surpresa, impediu-a imediatamente.
— O quê? Não, está tudo bem. Apenas descanse. Eu direi à empresa de limpeza que a senhora fez um bom trabalho…
— Sim, a senhora não deve se mover. Sua lesão pode piorar. Nós não a tratamos adequadamente…
Shinu juntou-se a ele, empurrando-a gentilmente de volta para o sofá. Era lamentável e angustiante que ela tivesse enfrentado o inferno para vir aqui por medo de perder o emprego.
— O lado de fora está perigoso, então a senhora deve ficar aqui esta noite… Tudo bem, Sr. Han?
Shinu, que estava falando, virou-se para Taebaek . Ele percebeu que estava oferecendo hospitalidade sem considerar quem era o dono do lugar.
— Com certeza. Você sabe que temos muitos quartos.
Taebaek sorriu amplamente.
A governanta, pedindo desculpas e agradecendo repetidamente, logo adormeceu. Shinu cobriu-a cuidadosamente com um cobertor.
Taebaek , parado por perto, suspirou profundamente. Observar uma mulher mais velha sendo oprimida e lutando o fazia se sentir inquieto. Ele até desejou que o monstro comesse aquele supervisor primeiro.
Taebaek diminuiu a luz do abajur e começou a sair do quarto, mas Shinu permaneceu imóvel, observando a governanta adormecida. Ele inclinou a cabeça e franziu a testa.
— O que houve?
Taebaek sussurrou. Shinu não respondeu e aumentou o brilho do abajur, revelando o rosto adormecido da governanta. Havia algo estranhamente cativante em sua aparência, de outra forma comum.
Taebaek franziu a testa, confuso, e Shinu apontou para a orelha dela com o dedo indicador.
— A orelha dela… Está ficando vermelha.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna