↫─❀ Capítulo 15
Capítulo 15 Parte 1
[AO VIVO] Estamos em frente à Catedral de São Bartolomeu, palco do casamento do século.
Uma multidão monumental se espreme no local para testemunhar a união entre o Conde de Grave, aclamado como a “Joia de Ronen”, e o Duque de Enosh, único herdeiro da saudosa e amada Princesa Victoria. Como todos se lembram, o anúncio do matrimônio pegou o público de surpresa, já que ambos vinham mantendo um silêncio absoluto sobre os rumores de namoro.
O âncora do principal canal de televisão estatal de Ronen esforçava-se para elevar a voz acima do clamor ao redor, visivelmente contagiado pela atmosfera eletrizante.
Enquanto uma fileira interminável de cidadãos aguarda para vislumbrar a primeira cerimônia da família real sob o reinado de Percy III, as celebridades convidadas começam a desembarcar. A revelação recente da lista de convidados acendeu o furor do público; muitos dos presentes hoje estão aqui puramente na esperança de ver, ainda que de relance, grandes estrelas globais que raramente aparecem em público.
Mal o jornalista concluiu a frase, uma onda de gritos e aplausos ensurdecedores ecoou pelo quarteirão. As câmeras focalizaram o exato momento em que o astro internacional Dan Clobas descia de sua limusine. Sendo um ator de renome mundial, com papéis principais em três das dez maiores bilheterias da história do cinema, sua presença transformou os arredores da catedral em um verdadeiro tumulto de entusiasmo. As lentes registraram os fãs pulando e clamando seu nome, até que a Guarda Real, temendo que a aglomeração saísse do controle, conduziu o ator rapidamente para o interior do templo.
O âncora prosseguiu narrando a chegada de cada figura ilustre. Embora todas as emissoras estivessem transmitindo o evento, a cobertura limitava-se estritamente à área externa; por questões de segurança e privacidade, a Casa Real não autorizara filmagens dentro da catedral.
As imagens oficiais do casamento seriam editadas e divulgadas posteriormente pelos canais oficiais da coroa.
Enquanto isso, analistas políticos e econômicos se revezavam nos estúdios para debater o impacto financeiro do evento em Ronen e a iminente reconfiguração de poder na corte decorrente da união entre o duque e o sobrinho do rei.
O fluxo de turistas que ingressaram no país para o casamento registrara um aumento expressivo de 20% em comparação ao ano anterior, garantindo um aquecimento sem precedentes para o setor hoteleiro e de serviços.
Em contraste com o clamor que vinha das ruas, o interior da catedral ostentava uma solenidade imponente, com cada assento ocupado pela alta aristocracia e dignatários estrangeiros. Como o rei ainda não havia chegado, um murmúrio contido preenchia a nave central.
Funcionários do cerimonial da Casa Real apressavam-se em orientar os convidados aos seus respectivos lugares, enquanto os guardas responsáveis pela segurança pessoal do monarca repassavam mentalmente o trajeto da escolta real, atentos a qualquer mínima irregularidade.
Enquanto isso, em uma pequena capela lateral convertida temporariamente em camarim, Damian aguardava o início do cortejo. Sentado em uma poltrona de veludo, ele parecia uma pintura. A luz solar atravessava o vitral multicolorido logo atrás de si, projetando feixes de tons vibrantes que coroavam sua silhueta com um brilho quase etéreo.
Sempre que Damian piscava seus longos cílios com um tédio melancólico, os assistentes ao redor pareciam perder o fôlego por um instante.
O fraque de gala inteiramente branco ressaltava a alvura de sua pele, criando um contraste perfeito com seus cabelos negros e realçando suas feições aristocráticas.
“Ele parece um anjo que desceu à Terra”, pensavam os estilistas em um devaneio silencioso. Alheio ao deslumbramento que causava, Damian apenas torcia para que aquela formalidade passasse o mais rápido possível.
— Está muito nervoso? — perguntou Joshua, aproximando-se.
Damian balançou a cabeça negativamente.
Durante as semanas de preparação, sua barriga, que antes mal se notava, começara a se projetar de forma perceptível. O alfaiate precisara reajustar a cintura do traje de última hora; mesmo tendo previsto um cós com elástico adaptável, Damian ainda sentia uma leve e incômoda pressão na região abdominal.
— Apenas… um pouco exausto e disperso.
— A cerimônia não será longa — consolou-o Joshua, com um sorriso terno. — Pedi pessoalmente ao Arcebispo para abreviar o sermão o máximo possível.
— O senhor pediu isso?
— Certamente. Sei bem o quanto o primeiro trimestre pode ser desgastante. Seu corpo ainda está se adaptando às mudanças; permanecer de pé por muito tempo é exaustivo.
Joshua ajustou com delicadeza a gola do fraque do filho, proferindo palavras de apoio que, no entanto, não conseguiram desviar a mente de Damian da iminência do cortejo.
O camarim fora um desfile incessante de rostos conhecidos: amigos de seus tempos de universidade, colegas da indústria do entretenimento e até mesmo parentes distantes com quem raramente mantinha contato. Damian surpreendeu-se com a quantidade de pessoas que faziam questão de felicitá-lo.
Joshua assumira a tarefa de recepcionar a todos, poupando o filho do desgaste e cortando com elegância qualquer pergunta mais indiscreta por parte dos convidados. Damian sabia que, sem a presença firme do pai, dificilmente teria suportado aquela longa espera com serenidade.
“Eu realmente estou me casando…” Mesmo vestido de noivo, a realidade da situação parecia distante, quase abstrata. Talvez a ficha só caísse quando pronunciasse os votos diante do altar.
Seus pensamentos foram interrompidos pela chegada tardia de um grupo barulhento.
— Damian! Parabéns pelo casamento!
— Não imaginávamos que você se casaria tão de repente. Ah, Conde Joshua, é uma honra vê-lo! Nossos cumprimentos.
Seus companheiros do time de polo entraram no camarim em bando, transformando a atmosfera solene em um ambiente descontraído em questão de segundos. Anton lançou um olhar rápido, porém discreto, para a sutil saliência na cintura de Damian, com um sorriso de felicitação.
— Obrigado por virem, pessoal.
— Eu já desconfiava de que havia algo errado desde o dia em que o duque se ofereceu para jogar no seu lugar — comentou Daniel, piscando de forma cúmplice. — Então vocês já estavam juntos desde aquela época? Como pôde esconder isso de nós, seu lobo em pele de cordeiro?
— E agora que o herdeiro está a caminho, presumo que você abandonará o polo de vez, não é? Uma pena — lamentou Lucas.
Damian franziu o cenho, ofendido com a suposição.
— De onde tirou essa ideia? Por que eu deixaria de jogar?
— Bem… Cuidar de um bebê e dar conta das obrigações da corte consome muito tempo, não? — ponderou Lucas, recuando um passo.
— Até onde sei, a paternidade não anula a licença de um atleta da federação de polo. Assim que meu corpo estiver totalmente recuperado após o parto, pretendo retornar aos treinos e às competições.
— Damian… — interveio Anton, tentando acalmar o tom defensivo do amigo. — Compreendemos seu entusiasmo, mas talvez seja um pouco mais complexo de agora em diante. Você será o consorte do Duque de Enosh. Suas responsabilidades com a Casa Real serão consideráveis…
— Isso não significa que…
— Damian, você terá muito tempo para refletir sobre isso no futuro. Não há necessidade de decidir tudo hoje — ponderou Joshua, intervindo com suavidade para encerrar a discussão antes que o temperamento do filho se exaltasse. — Agradecemos muito a presença de todos vocês aqui.
— Imagina, conde! É nosso dever estar aqui. Damian é nosso companheiro de longa data — respondeu Daniel com simpatia, antes de mudar de assunto. — A propósito, a decoração da catedral está espetacular. Nunca vi este lugar tão imponente. Fiquei até inspirado para o meu próprio casamento, um dia.
— E você por acaso tem os recursos para bancar algo assim? Além disso, precisaria primeiro encontrar alguém que aceite se casar com você — zombou Daniel, arrancando risadas do grupo.
— E ele tem alguma perspectiva de pretendente? — disparou Anton, desferindo um golpe bem-humorado no ego de Lucas, que permanecia solteiro.
— Ei, capitão! Que crueldade é essa? Eu sou um homem muito cobiçado, sabia?
Observar as provocações habituais entre Lucas, Anton e Daniel trouxe uma sensação familiar de normalidade para Damian, dissipando a névoa de ansiedade que o envolvia. Um sorriso genuíno finalmente surgiu em seus lábios, e ele aproveitou aqueles últimos minutos de descontração para conversar de forma leve com os amigos.
Pouco depois, o sinal para o início da cerimônia foi dado.
No interior da catedral, o burburinho que antes preenchia as galerias deu lugar a um silêncio absoluto e reverente.
O Arcebispo, paramentado com vestes litúrgicas em tons de branco e ouro, aguardava solenemente ao final do corredor de tapete vermelho. O ambiente exalava uma sacralidade que constrangia os convidados a manterem a postura ereta, com os olhos fixos na entrada.
Ao iniciar sua caminhada, Damian mal registrou os arranjos florais monumentais ou a imponência da arquitetura que cercava o altar. Toda a sua atenção estava concentrada na figura que o aguardava no presbitério.
Embora tivessem feito as provas dos trajes na mesma alfaiataria, Damian não vira o resultado final da vestimenta de Claude até aquele momento.
O duque vestia um fraque preto de corte impecável, com lapelas de seda acetinada que emolduravam seus ombros largos de forma primorosa. O colete sob medida definia sua silhueta robusta, enquanto a calça de alfaiataria caía em uma linha precisa, destacando suas pernas longas e conferindo-lhe uma presença imponente e inegavelmente atraente.
Era um visual que arrancaria suspiros de qualquer um, e Damian sentiu seu coração acelerar ao encontrá-lo.
Os olhos dourados de Claude fixaram-se em Damian no instante em que ele cruzou o portal da nave. O conde, por sua vez, sustentou o olhar, sentindo que o azul-celeste de suas próprias pupilas parecia brilhar com uma intensidade inédita sob a luz dos vitrais. Naquele instante, o mundo ao redor parecia ter se reduzido apenas aos dois.
O Arcebispo deu início à liturgia matrimonial, mas as palavras proferidas pareciam distantes para Damian.
O som ensurdecedor de suas próprias batidas cardíacas reverberava em seus ouvidos, gerando o temor bobo de que Claude pudesse ouvi-las devido à proximidade física entre eles.
Para tentar desviar o foco de sua própria ansiedade, Damian permitiu-se observar as primeiras fileiras de convidados. Erich exibia uma fisionomia visivelmente comovida, enquanto Joshua mantinha um semblante sereno, oferecendo ao filho um aceno sutil de encorajamento ao notar seu olhar. Mais adiante, o príncipe herdeiro observava a cena com uma incomum solenidade, ladeando o rei, cuja expressão habitual de severidade fora substituída por uma anuência paternal.
Apesar de suas diferentes origens e motivações, todos os presentes ali pareciam sintonizados no desejo sincero de que aquele novo capítulo familiar fosse próspero.
— …Portanto, perante o Criador e esta congregação, nos reunimos para celebrar a união destas duas almas…
A exortação do Arcebispo aproximava-se do momento culminante.
— Claude Knox, primogênito de Victoria Percy, aceita Damian Lassen Percy como seu legítimo cônjuge, prometendo amá-lo, honrá-lo e protegê-lo por todos os dias de sua vida, conforme os preceitos divinos?
— Aceito — respondeu Claude, com uma voz firme que não guardava o menor resquício de hesitação.
— Damian Lassen Percy, primogênito de Erich Percy, aceita Claude Knox como seu legítimo cônjuge, prometendo amá-lo, honrá-lo e protegê-lo por todos os dias de sua vida, conforme os preceitos divinos?
Damian engoliu em seco, sentindo a garganta subitamente seca antes de pronunciar em um sussurro controlado:
— …Aceito.
— Que o vinho sagrado de Ekana, colhido sob o orvalho da aurora, sele os votos desta nova jornada. Compartilhem do mesmo cálice.
O clérigo estendeu a taça cerimonial contendo o licor tradicional de Ronen, produzido exclusivamente a partir das raras flores e frutos que brotavam no mês de janeiro. Pelo protocolo, os noivos deveriam dividir a bebida igualmente; contudo, devido à gestação, Damian apenas tocou os lábios na borda do cálice antes de passá-lo ao parceiro. Claude, demonstrando sua habitual bonomia, esvaziou o restante do líquido em um único gole firme, arrastando sorrisos discretos da audiência e quebrando parte da tensão que dominava o altar.
— Procederemos agora com a troca das alianças.
Os anéis de platina, de design minimalista com entalhes geométricos sutis, foram apresentados em seus estojos de veludo. Claude segurou a joia com dedos firmes e, com uma seriedade quase solene, deslizou-a pelo dedo anelar esquerdo de Damian.
Ao sentir o toque da mão grande de Claude, Damian observou os próprios dedos repousados contra a palma robusta do alfa. Por uma fração de segundo, Claude apertou sua mão com uma firmeza calorosa antes de soltá-la.
Agora, restava a Damian retribuir o gesto. Ele encarou a aliança que segurava. Embora fosse uma peça leve, o metal parecia carregar o peso de uma decisão monumental.
Assim que deslizasse aquele anel pelo dedo de Claude, não haveria mais caminho de volta.
— Damian…? — murmurou Claude em voz baixa.
Pela primeira vez desde o início do cortejo, a fisionomia do duque vacilou. Foi um lapso quase imperceptível de hesitação por parte de Damian, mas que para Claude pareceu se estender por uma eternidade.
Um murmúrio de sutil inquietação começou a se espalhar pelas fileiras de convidados na catedral.
O próprio Arcebispo demonstrou um breve momento de incerteza, prestes a repetir a instrução litúrgica. Contudo, antes que o clérigo pudesse intervir, Damian finalmente moveu a mão.
O visível alívio nos rostos de Erich e Joshua foi imediato, e o silêncio retornou ao templo tão rápido quanto se dissipara.
Com movimentos deliberados, Damian deslizou a aliança idêntica pelo dedo anelar esquerdo de Claude.
— Perante o Criador e sob o testemunho desta congregação, eu os declaro casados. O que a divindade uniu, não o separe o homem. Podem selar os votos com o beijo nupcial.
Mal a autorização foi proferida, Claude envolveu a cintura de Damian com firmeza e inclinou-o de leve para iniciar um beijo profundo e caloroso, como se estivesse contendo aquele ímpeto durante toda a cerimônia.
A catedral rompeu em aplausos entusiasmados enquanto uma chuva de pétalas brancas caía sobre o recém-casado casal.
A beleza plástica daquele momento seria amplamente comentada pela corte nos dias seguintes, com os canais de comunicação dissecando cada segundo da transmissão oficial da coroa — mas aquilo era uma preocupação para o futuro.
O matrimônio do século fora devidamente selado, e os convidados se direcionaram para a recepção de gala, realizada no salão nobre do hotel mais antigo e prestigioso de Ronen, de propriedade direta da coroa.
O salão principal exibia um banquete monumental com mais de uma centena de iguarias e uma seleção refinada de bebidas. Uma ampla pista de dança fora reservada ao centro para que os convidados pudessem desfrutar da noite.
Enquanto Damian e Claude se ausentavam temporariamente para trocar de trajes na cobertura presidencial do hotel, Joshua e Erich assumiram o papel de anfitriões, recepcionando os convidados e gerenciando as cortesias da noite.
Na cobertura, a movimentação de assessores e estilistas ainda era intensa. Equipes de alfaiataria e maquiagem se apressavam em finalizar os ajustes visuais do casal para a entrada oficial na recepção.
Após vestir o novo traje sugerido pela equipe de estilo, Damian sentou-se diante da bancada para que o cabeleireiro fizesse os retoques finais em seus fios escuros.
No canto da sala, Oscar e Holstein revisavam os detalhes do plano de voo e as autorizações de tráfego aéreo para a viagem de lua de mel que ocorreria no dia seguinte, garantindo que nenhum imprevisto burocrático ocorresse.
Em meio ao burburinho, os olhos de Damian buscaram a figura de Claude no espelho.
O duque havia substituído o fraque formal por um terno cinza-claro de três peças e dois botões. O corte moderno exibia um decote em “V” mais profundo e um paletó ligeiramente mais curto, conferindo-lhe um ar mais contemporâneo e menos austero do que o habitual.
Ajustando as abotoaduras de prata de seus punhos, Claude percebeu a atenção e ergueu os olhos, encontrando o olhar do noivo pelo reflexo.
Eles se encararam por alguns instantes. Claude não fizera nenhuma menção à hesitação de Damian durante a troca de alianças. O beijo no altar fora intenso, mas ele mantivera o silêncio sobre o ocorrido desde então.
O olhar lento do alfa percorreu a silhueta de Damian, provocando-lhe uma sutil sensação de calor sob a pele. Incomodado com a tensão inexplicável que se instalou entre eles, Damian desviou os olhos para as próprias mãos.
— Pronto, milorde! O senhor está impecável — anunciou o estilista principal, afastando-se para permitir que Damian avaliasse o resultado.
Assim que Damian se levantou para conferir o caimento no espelho de corpo inteiro, Claude aproximou-se por trás, posicionando-se a poucos centímetros de distância.
— Excelente trabalho — elogiou Claude, envolvendo a cintura de Damian com um braço com naturalidade.
Damian conteve um sobressalto, mas manteve a postura diante dos olhares curiosos dos funcionários presentes, que recolhiam seus materiais de trabalho.
— Obrigado… Você também está muito bem.
“Preciso me acostumar com os novos termos de tratamento”, pensou Damian, sentindo a proximidade do corpo do parceiro.
— Os convidados nos aguardam. Devemos descer — sugeriu Damian, esboçando dar um passo à frente.
— Um momento, por favor — solicitou Claude, gesticulando para a equipe. Ele agradeceu o trabalho dos profissionais e pediu que os deixassem a sós por alguns instantes.
Com sorrisos discretos e olhares cúmplices, a equipe de estilistas recolheu os pertences restantes e desocupou a cobertura presidencial em poucos segundos.
— Holstein, certifique-se de que a aeronave privada esteja pronta para a decolagem no horário previsto — instruiu Claude.
— Sim, Vossa Graça.
— Agora, se nos dão licença, gostaríamos de um momento de privacidade antes de descermos para o salão.
— Aguardaremos no corredor, senhor — respondeu o secretário, retirando-se com a equipe de assessoria.
Assim que a porta dupla da cobertura se fechou, um silêncio denso tomou conta do amplo espaço. Aquela era a primeira vez desde o início do dia em que os dois se encontravam de fato sozinhos, sem a interferência de assessores ou familiares.
— O que gostaria de discutir? — perguntou Damian, tentando se desvencilhar sutilmente do braço de Claude que ainda repousava em sua cintura.
Contudo, o duque não cedeu; pelo contrário, aplicou uma leve pressão para aproximá-lo ainda mais contra seu corpo.
— Vossa Graça, por favor, solte-me.
— Não vejo necessidade de pressa no momento.
— Não há ninguém nos observando agora. Não precisa manter as aparências.
— Esse não é o ponto, Damian. Acredito que nossa primeira providência como casal deva ser a revisão de como nos tratamos. Quanto tempo pretende continuar utilizando títulos formais comigo?
Damian interrompeu os movimentos de resistência ao ouvir a indagação. Era exatamente a mesma linha de pensamento que passara por sua mente minutos antes.
— Quer você queira ou não, agora somos formalmente casados. Manter essa distância formal soa um tanto inadequado para a nossa realidade atual, não acha? Lembro-me de que você não tinha dificuldades em pronunciar meu nome sob outras circunstâncias.
A menção implícita aos encontros passados fez com que Damian sentisse o pescoço esquentar de imediato, tornando a pronúncia do nome de Claude um obstáculo quase intransponível no momento.
— Por favor, libere-me.
— Farei isso assim que utilizar meu nome.
— Vossa Graça, os convidados estão nos esperando no salão. Não é o momento para caprichos.
— Deixe-os aguardar um pouco. É perfeitamente aceitável que os recém-casados se atrasem alguns minutos para a recepção. Na verdade, a maioria dos presentes provavelmente deduzirá o motivo com bastante naturalidade.
— Não tenho interesse em alimentar interpretações equivocadas sobre nossa conduta.
— Interpretações equivocadas? Como qual… esta?
Ao sentir o sopro quente da respiração de Claude contra a pele sensível de sua orelha, Damian sobressaltou-se, com o corpo teso.
— O que pensa que está fazendo?!
Damian tentou empurrar os ombros robustos do alfa para criar distância, mas o esforço foi inútil. Claude manteve o aperto ao redor de sua cintura, enquanto seus dedos traçavam uma linha lenta e precisa pela curvatura de sua coluna, provocando um arrepio involuntário que fez Damian prender a respiração.
— …!
A pressão firme dos dedos do duque contra as vértebras de sua lombar parecia carregar uma intenção deliberada de marcação. Embora sua mente ordenasse que recuasse, seu corpo parecia responder a uma atração física quase magnética, tornando seus movimentos hesitantes.
A fragrância característica de sândalo e terra molhada — o perfume sutil dos feromônios do alfa — começou a preencher o ambiente de forma envolvente.
A proximidade física era tamanha que Damian sentia-se cercado pela estatura imponente de Claude. Apesar do controle de temperatura eficiente da cobertura, uma sensação de calor intenso começou a se espalhar por suas bochechas e pescoço.
Seus batimentos cardíacos aceleraram visivelmente, visíveis sob a pele fina de sua jugular.
— …Pare com isso — sussurrou Damian, em um protesto desprovido de real convicção.
Seus dedos, que inicialmente tentavam empurrar o peito de Claude, acabaram se fechando contra o tecido fino da camisa do alfa, sentindo a rigidez dos músculos peitorais sob a textura do linho. Uma onda de desejo instintivo e avassalador começou a nublar seu discernimento, fazendo-o morder o lábio inferior para conter qualquer som involuntário.
— Mas eu ainda não fiz nada — respondeu Claude com a voz baixa, seus lábios roçando de leve o lóbulo da orelha de Damian.
Damian ergueu o queixo, sustentando o olhar dourado que o encarava com uma sutil pontada de divertimento.
— Vossa Graça… Não aprecio jogos de palavras ou insinuações desnecessárias antes de um compromisso público. Peço que me solte imediatamente.
— Novamente o título formal? É de fato um obstáculo tão grande pronunciar meu nome?
— Não há necessidade de prolongar uma discussão irrelevante.
— Uma discussão que você mesmo parece estar estendendo com sua relutância.
— Não estou com disposição para ironias. Solte-me…
Ao tentar aplicar força novamente contra o peito do alfa, o aperto em sua cintura intensificou-se, eliminando qualquer espaço restante entre seus corpos.
A proximidade revelou a disparidade de forças e a rápida elevação da temperatura corporal de ambos. Apesar do olhar severo de Damian, o rubor em suas bochechas e o ritmo de sua respiração denunciavam sua reação física à presença do parceiro.
O olhar de Claude obscureceu, tomado por uma intensidade evidente. Ele ergueu uma das mãos para acariciar a bochecha aquecida de Damian, cujos lábios entreabertos pareciam um convite silencioso em meio à tensão crescente do ambiente.
Com os rostos a poucos centímetros de distância, Claude inclinou-se e tocou levemente os lábios de Damian com a ponta da língua, testando sua resistência.
Damian soltou um suspiro contido, uma abertura que Claude aproveitou de imediato para aprofundar o beijo.
O contato tornou-se profundo e possessivo, com as línguas se encontrando em um ritmo lento e envolvente. Damian cedeu ao aperto, segurando o paletó de Claude com firmeza enquanto sentia a mão do alfa deslizar por seus cabelos recém-alinhados para mantê-lo firme no beijo.
— …Hm…
A intensidade do beijo deixou Damian momentaneamente sem fôlego. Seus pensamentos dispersaram-se diante da urgência física do toque de Claude. Sem perceber, ele se inclinou na direção do alfa, buscando mais apoio contra a firmeza de seu peito.
Claude conduziu o beijo com uma destreza que parecia desarmar qualquer resistência por parte do conde, colhendo o fôlego de Damian em carícias úmidas e profundas.
Apoiando o peso de Damian contra o próprio corpo, Claude buscou uma aproximação física ainda mais explícita, pressionando o quadril de forma firme contra a silhueta do ômega. A precisão do corte dos trajes nupciais logo cedeu à intensidade dos movimentos corporais, revelando a reação imediata do corpo do alfa sob o tecido do terno. Damian sentiu a rigidez do contato físico direto e, tomado por um espasmo de desejo involuntário, acompanhou o movimento do parceiro de forma instintiva.
A sensação de calor que percorria sua espinha parecia anestesiar sua capacidade de julgamento.
— Ah… Hm…
A mão de Claude, que antes massageava suas costas, desceu até a curva de seu quadril, aplicando uma pressão firme que fez Damian arquear as costas de leve, tomado por uma onda de excitação que parecia consumir qualquer rastro de hesitação.
O perfume sutil de rosas úmidas — os feromônios ômega de Damian — começou a se espalhar pela sala de forma perceptível, reagindo à presença dominante do alfa e estimulando ainda mais os instintos de Claude.
— Damian… — murmurou o duque com a voz visivelmente rouca pelo esforço de controle, depositando beijos rápidos e firmes pela linha de seu maxilar até alcançar a curva de seu pescoço.
O terno cinza-claro, meticulosamente preparado para a recepção, exibia marcas evidentes de amassados devido à proximidade dos corpos. Claude pressionou os lábios contra o pescoço de Damian, deixando marcas sutis de sua presença enquanto suas mãos buscavam um contato ainda mais firme através do tecido do traje.
Damian respondeu ao estímulo puxando Claude para mais perto pela gola de sua camisa, entregando-se por completo ao ritmo imposto pelo alfa.
Com gestos apressados, Claude retirou o paletó de seu terno e jogou-o sobre uma cadeira próxima, enquanto Damian deslizava as mãos sob a barra de seu colete, buscando o calor da pele do alfa através do tecido fino da camisa de linho.
A firmeza da musculatura sob seus dedos parecia intensificar a urgência do momento. Claude envolveu as pernas de Damian ao redor de sua cintura e ergueu-o do chão com facilidade.
— Claude…!
Instintivamente, Damian envolveu o pescoço do alfa para manter o equilíbrio, enquanto as pernas se ajustavam ao redor de seu quadril. O contato físico tornou-se ainda mais direto à medida que Claude dava passos firmes na direção dos aposentos internos da cobertura, mantendo o beijo profundo sem qualquer interrupção.
A distância até a suíte presidencial parecia desnecessariamente longa diante da urgência física que os dominava. O desejo de livrar-se dos trajes formais e consumir a união parecia sobrepor-se a qualquer consideração prática ou social do momento.
Contudo, no momento em que Claude se aproximava da porta do quarto, um som firme e compassado ecoou na entrada principal.
Toc, toc.
— Vossa Graça? Desculpe interromper, mas o horário previsto para a nossa apresentação no salão principal já se esgotou. O Conde de Quilly entrou em contato para indagar se houve algum imprevisto com o casal… Como devemos proceder?
A voz de Holstein do outro lado da porta trouxe um choque imediato de realidade.
O contato físico cessou abruptamente. O silêncio retornou ao ambiente, quebrando instantaneamente a atmosfera de intimidade que os cercava. Damian abriu os olhos rapidamente, encarando a porta com uma expressão de pânico antes de se dar conta de sua situação.
— Solte-me… Por favor, coloque-me no chão!
Após debater-se de leve, Damian afastou-se rapidamente de Claude, ajeitando com pressa a gola desalinhada de sua camisa enquanto tentava recuperar o controle de sua respiração. Ele encarou o noivo com um semblante de indignação e vergonha.
— O que… o que pretendia fazer aqui?!
Ele despejou a frustração como se a responsabilidade pelo ocorrido residisse inteiramente nas ações do duque, tentando afastar de si a culpa pela própria anuência. O fato de quase terem consumado o ato físico a poucos minutos de sua entrada oficial na recepção parecia absurdo e imprudente.
Seus olhos fixaram-se na camisa visivelmente amassada de Claude e na reação física evidente sob o tecido de sua calça. Ao lembrar-se de sua própria participação ativa em conduzir a situação até aquele ponto, Damian desviou o olhar rapidamente, tomado por uma mistura incômoda de constrangimento e frustração reprimida.
— Pretende atribuir a responsabilidade por este episódio inteiramente a mim? — questionou Claude, ajeitando a própria camisa com um tom de voz que misturava ironia e desagrado.
— Foi o senhor quem iniciou a aproximação física sem o meu consentimento explícito. Se tivesse mantido a distância profissional adequada, não estaríamos nesta situação.
— Não me recordo de ter encontrado qualquer resistência real de sua parte. A anuência foi mútua durante todo o processo, Damian.
— Isso foi apenas… uma reação biológica involuntária decorrente da dispersão de seus feromônios no ambiente. Meu corpo respondeu ao estímulo do alfa, não foi uma escolha consciente de minha parte.
— Entendo. Portanto, a iniciativa de segurar minha camisa com tanta firmeza e a reação física evidente de seu próprio corpo foram meramente… reações hormonais sem qualquer participação de sua vontade?
A fisionomia de Claude endureceu visivelmente diante da justificativa de Damian.
— Se prefere classificar a intensidade de nossa aproximação física e o contato direto que estabelecemos como mero produto de estímulos químicos para preservar sua tranquilidade mental, não irei contestá-lo. Contudo, peço que evite atribuir-me o papel de um agressor que ignorou seus limites voluntários.
— Eu não pretendi… Não utilizei esses termos. Apenas apontei que a situação fugiu ao nosso controle devido às circunstâncias.
— Sugerir que fui o único responsável por forçar uma situação indesejada aproxima-se bastante dessa definição nos termos usuais da corte — respondeu Claude, passando a mão pelos cabelos desalinhados com um suspiro de impaciência. — Tentar encontrar culpados não altera o fato de nossa compatibilidade física ser evidente. Se prefere ignorar esse aspecto para manter as aparências, é uma escolha sua, mas peço que não subestime minha integridade no processo.
Damian abriu a boca para formular uma resposta, mas acabou guardando o silêncio ao perceber que as palavras de Claude guardavam uma lógica inegável. Ele de fato tentara transferir a responsabilidade de seus próprios desejos para aliviar a própria confusão mental.
Do lado de fora, a voz de Holstein fez-se ouvir novamente, indicando a urgência do cerimonial.
— Discutiremos isso em outro momento — determinou Claude, caminhando em direção à porta. — Precisamos recompor os trajes antes de descermos.
Sem aguardar a anuência de Damian, o duque abriu a porta e solicitou que Holstein chamasse a equipe de estilo de volta à cobertura. Embora surpreso com o chamado repentino, o secretário compreendeu a situação ao observar o estado das vestimentas do casal e, sem proferir qualquer comentário indiscreto, conduziu os estilistas de volta ao recinto.
A equipe retornou com sorrisos discretos e murmúrios abafados sobre a aparente intensidade da convivência inicial do jovem casal, procedendo rapidamente com a substituição das peças amassadas por novos trajes de reserva e refazendo o alinhamento dos cabelos de ambos.
Somente após estarem plenamente restabelecidos aos padrões exigidos pelo protocolo real é que Damian e Claude deixaram a cobertura presidencial para finalmente fazer sua entrada oficial no salão de recepção.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello