↫─❀ Capítulo 14
Capítulo 14 Parte 1
Dois dias após a publicação da notícia revelando a gravidez do Conde de Grave, o Duque de Enosh e a Casa de Grave emitiram um posicionamento oficial. A declaração, que não apenas confirmava a gravidez, mas também anunciava que os dois haviam prometido se casar, gerou uma repercussão estrondosa.
Além disso, o porta-voz do Duque de Enosh expressou profundo lamento pela invasão indiscriminada de privacidade por parte dos jornalistas e anunciou que solicitaria uma investigação policial para apurar as circunstâncias do vazamento das informações médicas confidenciais do Conde de Grave.
Com os porta-vozes de ambas as partes mencionando simultaneamente o vazamento de informações, a imprensa entrou em estado de alerta. Como ambos os envolvidos tinham status de realeza e o escândalo envolvia figuras próximas ao atual rei, os meios de comunicação temiam que a liberdade de imprensa pudesse ser restringida. Alguns chegaram a criticar o pequeno jornal de internet que havia publicado o furo inicial.
Contudo, alheio às preocupações da imprensa com as possíveis consequências, o público estava completamente focado na gravidez pré-nupcial de Damian. Sendo o centro das atenções e uma figura que nunca havia se envolvido em um único escândalo até então, a gravidez do Conde de Grave não era um assunto que esfriaria facilmente. Após o anúncio do casamento, as redes sociais e os fóruns da internet ficaram praticamente inundados com publicações sobre os dois.
Os mais velhos sentiam a inevitável passagem do tempo ao perceberem que aquele bebê, que antes sorria como um anjo, já havia crescido a ponto de engravidar. Já a geração mais jovem, que se tornara fã de Damian por meio de suas atividades oficiais, alternava entre a indignação e o lamento pelo anúncio repentino do matrimônio, enquanto alguns sofriam em silêncio por um amor não correspondido.
Além disso, entre as famílias nobres ligadas à política, algumas celebravam a união entre membros da realeza, ao passo que outras, que secretamente sonhavam em se aparentar com a prestigiada Casa de Sabina, lamentavam a oportunidade perdida. Organizações democráticas e progressistas, que há muito defendiam a abolição da monarquia, protestaram energicamente, realizando manifestações por temerem o fortalecimento do poder da família real.
Embora pequenos e grandes conflitos tivessem surgido de acordo com os interesses e ideologias de cada grupo, a opinião pública favorável à realeza era tão forte que a situação não chegou a se transformar em uma crise social.
Apesar de todo o alvoroço, o Conde de Grave não concedeu nenhuma entrevista após o anúncio, sob o pretexto de focar em seu repouso físico e mental. A imprensa também tentou entrar em contato com o Duque de Enosh, mas conseguir uma audiência com ele, que acumulava as funções de Ministro da Defesa, revelou-se uma tarefa ainda mais difícil.
Uma semana após o comunicado oficial, o clima turbulento finalmente começou a dar lugar à tranquilidade do cotidiano. No entanto, a curiosidade do público agora se voltava para outra questão: quando e com que proporções a cerimônia seria realizada.
E a atmosfera no Chalé Roseten, onde se preparavam para o tão esperado casamento…
Era o mais absoluto caos.
Empurrado pela opinião unânime de que a cerimônia deveria ser realizada o quanto antes — com o casal de duques de Sabina, o rei e o príncipe herdeiro, além do próprio Claude, unindo forças para exigir que o casamento ocorresse já no mês seguinte —, o Chalé Roseten via um fluxo incessante de pessoas quase todos os dias.
Como era um casamento organizado às pressas, havia três equipes diferentes de assessores de casamento trabalhando em conjunto. Somando-se a eles os funcionários enviados pela Primeira Secretaria da Casa Real, responsável pelo protocolo do rei e pelos eventos da corte, um verdadeiro exército havia sido mobilizado para os preparativos.
Cabia a Damian lidar diariamente com as pessoas que entravam e saíam do chalé. Ele nunca imaginou que planejar um casamento exigisse tantas decisões.
Desde os arranjos florais que decorariam o salão até a disposição dos assentos, a lista de convidados e cada pequeno detalhe da decoração, nada podia ser decidido de qualquer maneira.
Felizmente, seu pai o ajudava com essas escolhas minuciosas.
— Acho que a lista está boa assim.
Após passar os olhos rapidamente pelo documento que Joshua lhe estendia, Damian o colocou sobre a mesa.
— Quer descansar um pouco?
Ao ver Damian completamente desabado no sofá, Joshua tirou os óculos e perguntou com suavidade.
— Sim. Eu não sabia que preparar um casamento dava tanto trabalho.
— No futuro, você terá de organizar banquetes oficiais com frequência. Pense nisso como um treino antecipado.
— Eu não pretendo ser anfitrião de festas. Passar por isso de novo? Nem pensar.
Ao ver Damian encolher os ombros com um calafrio dramático, Joshua soltou um riso contido. Sabendo que, por mais que o filho detestasse a ideia, ele acabaria tendo que fazer isso de um jeito ou de outro, o duque apenas observou a birra com um olhar benevolente e paternal.
Observando a aliança no anelar de Damian, que estava quase afundado no sofá macio, Joshua perguntou como quem se lembra de algo de repente:
— Quando vocês vão encomendar as alianças de casamento?
“Ah.” Percebendo para onde se dirigia o olhar de seu pai, Damian deu um sorriso sem graça.
— O treinamento oficial dele terminou ontem, então combinamos que ele viria para cá hoje. Decidimos chamar os designers aqui, já que seria um pouco complicado para mim sair de casa agora…
Acariciando a aliança em seu dedo anelar, Damian relembrou o que havia acontecido dias atrás.
Ele havia ficado extremamente surpreso quando o homem que havia partido às pressas para o treinamento militar apareceu no chalé tarde da noite. Foi uma surpresa tão grande que até mesmo Peter, que passara os últimos dias em silêncio absoluto, furioso por Damian ter escondido a gravidez, correu assustado até o quarto do jovem mestre.
— O senhor não estava em treinamento?
— Sim. Aproveitei uma breve pausa no treinamento de hoje para vir.
Ele ainda vestia o uniforme militar, e o cansaço estava profundamente marcado em seu rosto. Parecia ter corrido até ali sacrificando suas preciosas horas de sono logo após o término dos exercícios oficiais.
— Pensou melhor e quer cancelar o casamento?
— Por que está me perguntando isso?
— Como o senhor veio correndo no meio da noite, achei que fosse por algo muito importante.
— Não é isso. Na verdade, parece que você é quem está torcendo por esse desfecho.
Com um olhar afiado, ele examinou Damian dos pés à cabeça. Diante daquele escrutínio penetrante, Damian apertou o tecido de seu roupão, tentando abafar o som acelerado de seu próprio coração para que o outro não o escutasse.
— Mas é verdade que tenho um assunto a tratar.
Quando o olhar dele finalmente se desviou após um longo silêncio, Claude tirou uma pequena caixinha de veludo do bolso.
— Eu não planejava entregar isso de forma tão apressada, mas achei que precisava deixar uma marca em sua mão de qualquer maneira.
Ao abrir a tampa da caixinha de veludo, revelou-se um anel de acabamento extremamente delicado e magnífico.
— Isto é…?
— Era o anel da minha mãe, que mandei reformular. Eu queria fazer um pedido de casamento formal, mas não houve tempo para isso.
Ao ouvir que se tratava de uma lembrança da falecida mãe dele, Damian hesitou em estender a mão. Seria correto aceitar algo assim? O que estaria passando pela cabeça de Claude para lhe entregar o anel precioso de sua mãe?
Esses pensamentos nublaram sua mente.
— Não gostou? Achei que combinaria com você.
— Tudo bem eu aceitar um anel tão valioso assim?
— Se eu não der para você, para quem mais eu daria?
Impaciente ao ver Damian apenas encarando o objeto, Claude finalmente retirou o anel da caixa e segurou a mão esquerda de Damian. Ao deslizar a joia pelo dedo anelar do outro, um sorriso de satisfação finalmente surgiu no canto de seus lábios.
— Eu sei que você não está entusiasmado com este casamento. Por isso, farei o meu melhor. Vou me esforçar ao máximo para que, pelo menos, você não se arrependa de termos nos casado.
Puxando levemente a mão de Damian, Claude depositou um beijo suave sobre o anel. Embora não fosse um toque direto na pele, o calor do beijo pareceu se espalhar a partir do metal, aquecendo-o lentamente.
Damian encolheu os dedos involuntariamente. Um formigamento suave subiu por seu corpo, fazendo com que seus dedos dos pés, ocultos pelos chinelos de quarto, se contraíssem.
— Ah…!
Lembrando-se de algo de repente, Damian puxou a mão de volta.
— Damian?
— Espere um momento, por favor. Será rápido.
Com toda a confusão recente, ele havia se esquecido completamente do presente que pretendia dar a Claude, lembrando-se dele apenas naquele instante.
Deixando o homem confuso com uma sobrancelha erguida, Damian correu rapidamente para o andar de cima e vasculhou as inúmeras caixas de presentes empilhadas em seu closet. Se pudesse, entregaria todas a ele de uma vez, mas o momento não era adequado. Assim que encontrou o que procurava, correu de volta para o andar inferior.
Ele se aproximou de Claude, que continuava parado no centro da sala de visitas.
Diante do olhar intrigado dele, Damian estendeu a caixa.
— É para mim?
— Comprei quando fui comprar as minhas coisas. Se olhar e não gostar, pode jogar fora.
Ele omitiu o fato de ter escolhido aquilo especialmente para Claude. Não era tanto por timidez, mas por um leve constrangimento.
Surpreso com o presente inesperado, Claude ficou momentaneamente sem reação. Sem conseguir pegar a caixa de imediato, ele apenas observava Damian, cujas bochechas estavam sutilmente coradas.
— Se não for aceitar…
No momento em que Damian fez menção de recolher o presente, Claude rapidamente segurou a caixa.
— Eu só não esperava ganhar um presente de você. Quem disse que eu não aceitaria?
— Não é grande coisa. Eu só… acabei comprando por acaso. Não tem nenhum significado especial, então não tire conclusões precipitadas.
Ao abrir a caixa, a expressão de Claude mudou sutilmente.
— Você comprou isso “por acaso”?
Embora não fosse dado a luxos extravagantes, Claude havia crescido como herdeiro de uma casa ducal e sabia reconhecer o valor das coisas. Aquele não era o tipo de relógio que se comprava facilmente por acaso.
— Repito: se não gostar, pode jogar fora.
Ignorando o tom ríspido de Damian, Claude retirou o relógio da caixa, tirou o que já estava usando no pulso e colocou o novo.
— Como eu poderia jogar fora um presente que você me deu? Combinou comigo?
O relógio de linhas limpas e elegantes ajustou-se perfeitamente ao pulso dele. “Como eu pensei, escolhi muito bem.” Damian sentiu um orgulho genuíno que quase o fez sorrir, mas, percebendo o olhar do outro sobre si, recompôs a expressão rapidamente.
Em um instante, o olhar de Claude suavizou-se.
— Obrigado. Vou usar muito bem. Sendo o primeiro presente oficial que você me dá, talvez eu deva transformá-lo em uma herança de família para as próximas gerações.
— Que absurdo você está dizendo?
Com aquela brincadeira boba, a tensão no rosto de Claude pareceu se dissipar, devolvendo-lhe uma expressão muito mais descontraída.
— O cronograma está um pouco apertado.
O som suave dos dedos de Joshua batendo levemente na mesa despertou Damian de seus devaneios. Ele fez um bico de descontentamento.
— Realmente, realizar um casamento em um mês é impossível. Não havia necessidade de tanta pressa.
— Sua Majestade está apressando as coisas, então não há o que fazer.
Sendo o casamento do sobrinho querido do rei, organizar tudo adequadamente exigiria no mínimo seis meses. Tentar resolver tudo em quatro semanas significava que tanto a equipe de apoio quanto os noivos estariam constantemente correndo contra o tempo.
Além disso, apesar do grande número de pessoas ajudando, o fato de o noivo estar preso a obrigações oficiais fazia com que a maior parte do cansaço físico recaísse sobre Damian.
“Mas hoje é o último dia disso. Assim que o duque chegar, vou passar tudo para ele.”
Decidido a empurrar friamente todo o trabalho restante para Claude, Damian cruzou os olhos com Peter, que entrava na sala empurrando um carrinho com chá e lanches.
De forma bastante evidente, Peter virou o rosto para o lado oposto. Mesmo após vários dias, a irritação do idoso mordomo não dava sinais de diminuir.
— Peter. Eu já pedi desculpas. Vai ficar sem falar comigo para sempre?
Ao usar um tom de voz manhoso e fingidamente choroso, Damian esperava um sermão, mas Peter manteve-se em silêncio rigoroso, servindo a mesa com movimentos perfeitamente calculados e uma postura impecável.
Ao presenciar a cena, Joshua soltou uma risada baixa.
— Você está errado nessa história, Damian. Quem esconderia uma gravidez até mesmo do mordomo que o criou desde pequeno?
— Pai… Eu sei que errei. Mas eu também tinha meus motivos.
— Mesmo assim, você escondeu isso da pessoa que sempre esteve do seu lado. Espere até que Peter decida perdoá-lo.
Ao ouvir as palavras de Joshua enquanto servia o chá, a barreira de silêncio de Peter finalmente ruiu, e as palavras começaram a jorrar como uma represa que se rompe.
— Exatamente! Como o jovem mestre pôde não me dizer nada? Depois de tudo o que fiz para criá-lo! Quando o jovem mestre não conseguia comer direito e ficava pedindo alimentos específicos, passei noites em claro preocupado, achando que estivesse doente. O senhor via claramente a minha preocupação e não disse uma única palavra! Sabe o quão magoado eu fiquei?
— Não, bem, é que…
Damian tentou balbuciar uma desculpa, mas foi interrompido.
— E mais! Como pôde mentir para mim com tanta naturalidade?! Quando o Duque de Enosh o visitava com tanta frequência, eu perguntei claramente! E todas as vezes o senhor me garantiu que não havia nada entre vocês! E agora, de repente, está grávido…! Isso foi como um raio em céu azul! — desabafou Peter, com o peito cheio de mágoa.
— …Não acha que chamar de “raio em céu azul” é um pouco demais?
Sua tentativa de ponderar a situação só lhe rendeu um olhar ainda mais carregado de ressentimento e traição.
— Compreenda-o, Peter. Ele ainda é jovem — consolou Joshua, dando tapinhas de apoio no ombro do mordomo indignado.
— A minha mágoa… não é tanto pelo fato de o jovem mestre ter escondido a gravidez ou mentido, mas sim por perceber que ele não confiava em mim. De fato, por mais que eu tenha me dedicado de corpo e alma ao jovem mestre, se ele não confiava em mim, começo a me questionar se ainda devo continuar nesta posição.
Ao expor seus sentimentos mais profundos, Peter adotou uma postura incomumente abatida, pronunciando palavras que fizeram o coração de Damian falhar uma batida. Ver aquele homem, que sempre fora orgulhoso e de postura ereta, com os ombros caídos causou-lhe um aperto no peito.
— Peter! O que está dizendo?! Está pensando em se aposentar por causa disso?!
Até mesmo Joshua arregalou os olhos com a xícara de chá ainda na mão.
— Acho que já chegou a minha hora de me retirar.
— Peter, não acha que essa é uma decisão precipitada? Damian está genuinamente arrependido. Não há necessidade de levar as coisas por esse caminho — interveio Joshua.
Damian nunca imaginou que o choque de Peter seria tão grande a ponto de fazê-lo cogitar a aposentadoria. Uma onda tardia de culpa o atingiu. Ele havia focado tanto em seus próprios problemas que falhara em considerar os sentimentos de Peter.
— Eu errei. Não achei que você ficaria tão magoado.
Aproximando-se do mordomo que permanecia em silêncio ao lado da mesa, Damian segurou com firmeza a mão enrugada dele.
— É que… a situação estava tão confusa que acabei não falando, mas não foi por falta de confiança. Eu ainda preciso de você, Peter. Por favor, não se aposente… pelo menos não agora. O bebê vai nascer logo, não vai? Hum?
Damian desculpou-se com toda a sinceridade de seu coração. Peter não era um simples funcionário; ele acompanhava Damian desde que ele era um recém-nascido. Era muito mais do que um empregado, era parte da família. Um mundo sem a presença de Peter era algo que Damian simplesmente nunca cogitara.
— Jovem mestre…
A rigidez provocada pela mágoa e pela frustração no rosto de Peter começou a ceder lentamente. Apertando a mão de Damian de volta, com os olhos ligeiramente marejados, Peter sussurrou:
— O senhor realmente ainda precisa de mim?
— Claro. Para mim, você é insubstituível.
A sinceridade brilhava intensamente nos olhos azul-violeta de Damian, o olhar que sempre trouxera felicidade a Peter. O mordomo sentiu um nó na garganta de pura emoção. Todo o sofrimento acumulado nos últimos dias sob a dúvida de não ter sido um ponto de apoio confiável para o jovem mestre dissipou-se como neve sob o sol.
— Vai continuar comigo, não vai?
— Sim, jovem mestre. Parece que ainda não é a minha hora de me aposentar.
Ao ver os ombros de Peter se endireitarem novamente e o brilho costumeiro retornar ao seu olhar, Damian finalmente suspirou aliviado.
No exato momento em que um sorriso suave começava a desenhar-se nos lábios de Damian, alguém entrou na sala de visitas.
— Espero não estar interrompendo.
Os olhares de Joshua e Damian moveram-se simultaneamente em direção à porta.
Claude estava impecável, vestindo um terno sob medida perfeitamente alinhado. O corte estruturado nos ombros valorizava sua compleição física robusta, conferindo-lhe uma silhueta imponente e esguia.
Talvez por não se verem há alguns dias, os olhos de Damian fixaram-se instintivamente nele. Seu peito aqueceu-se de forma sutil quando seus olhares se cruzaram no ar.
Damian foi o primeiro a desviar o olhar.
Claude cumprimentou Joshua com um breve aceno de cabeça antes de pousar os olhos por um instante em Peter, que ainda estava muito próximo a Damian.
— Você chegou?
Soltando a mão de Peter para retornar ao seu assento, Damian tentou adotar uma expressão o mais indiferente possível para não transparecer seu nervosismo.
— Seja bem-vindo, Claude. O treinamento correu bem?
— Sim. Graças à sua preocupação, correu tudo bem.
Joshua assentiu com a cabeça, indicando que ele se sentasse. Ao notar a profusão de papéis espalhados sobre a mesa de centro, Claude naturalmente ocupou o assento ao lado de Damian.
Embora as sobrancelhas de Damian tenham se contraído levemente em descontentamento com a proximidade, ele não pediu que o outro se afastasse.
— Peter, por favor, traga uma xícara de chá para o Claude também.
Diante do pedido de Joshua, Peter exibiu uma expressão visivelmente contrariada.
“Ele sempre gostou tanto do duque, por que está com essa cara agora?”
Notando a hesitação de Peter, Damian inclinou a cabeça, confuso, até que o mordomo finalmente murmurou um “sim, senhor” e retirou-se da sala.
Na verdade, Peter estava fervendo por dentro. Para ele, era óbvio que o Duque de Enosh havia seduzido o jovem mestre inocente e o arrastado para aquela situação. O fato de Damian ter escondido a gravidez só podia significar que o duque não havia lhe transmitido segurança suficiente, forçando o jovem mestre a sofrer sozinho em silêncio.
Pensar que o precioso jovem mestre, a quem criara com tanto carinho, pudesse ter sido tratado com tamanho descaso fazia o sangue do mordomo ferver de indignação.
“Tudo isso é culpa dele! Se o jovem mestre agiu assim, foi por culpa do duque.”
Alheio aos pensamentos hostis e às conclusões precipitadas de Peter, Damian apenas presumiu que o mordomo ainda estava processando toda a situação repentina e deu de ombros mentalmente.
— O que estavam fazendo?
— Estávamos revisando a lista de convidados. A propósito, você trouxe a sua lista?
— Sim, eu a trouxe comigo. Tentei reduzir o número de convidados ao máximo.
“Reduziu tanto a ponto de caber em um único bilhete?”
Ao examinar o papel que Claude lhe estendia, Joshua pareceu surpreso.
— Tem certeza de que deseja convidar apenas essas pessoas?
— Sim. Quase não temos relações sociais frequentes com outras famílias nobres, e eu também não tenho muitos amigos próximos.
Esticando o pescoço para ler os nomes no bilhete, Damian constatou que a lista continha cerca de vinte pessoas no total.
“Que tipo de vida social ele levou para ter uma lista tão curta?”
Mesmo Damian, que não se considerava alguém excessivamente sociável, possuía uma lista pessoal de mais de cem convidados ao somar os amigos de faculdade, professores, colegas da agência de modelos, conhecidos do meio artístico e seus companheiros do time de polo.
Se a isso fossem somadas as conexões familiares, os convidados pessoais de seus pais e as figuras públicas que o protocolo exigia convidar, a lista superava facilmente mil nomes, o que vinha causando intensas dores de cabeça a Joshua…
— Se a escala do evento for muito grande, a organização se torna ainda mais complexa, não? Sendo um casamento tão apressado, achei melhor reduzir ao máximo. Além disso, os convidados oficiais do Estado certamente coincidirão com os nomes que o próprio duque planeja convidar.
— Bem… isso é verdade. Muito bem, encerraremos a lista adicionando esses nomes.
Considerando seu trabalho concluído, Joshua levantou-se.
— Já vai embora?
Se seu pai saísse, Damian ficaria sozinho com Claude. Seria o primeiro momento a sós desde que recebera o anel de noivado.
— Você não precisa de mim para escolher as alianças e tirar as medidas dos trajes, precisa?
Joshua olhou para o filho, achando graça da óbvia tentativa de Damian de retê-lo. Percebendo a ligeira hesitação no rosto do jovem, o duque estendeu a mão e acariciou-lhe a bochecha com carinho.
— Discuta os detalhes com o Claude. Preciso ir à catedral para ajustar os horários da cerimônia.
Com essa recomendação, Joshua retirou-se, deixando um silêncio ligeiramente desconfortável pairar entre os dois jovens.
Damian sentia dificuldade em controlar o próprio olhar, que teimava em se desviar na direção de Claude. Ao baixar os olhos e notar o relógio que dera de presente brilhando no pulso do outro, Damian sentiu uma pontada de satisfação, começando a calcular mentalmente quando seria o melhor momento para entregar os outros presentes que comprara.
— Lamento ter deixado você organizando tudo sozinho. Deve ter sido muito desgastante. De agora em diante, eu assumo os preparativos.
— O senhor?
“Excelente!” Damian mal pôde conter o alívio ao ver Claude se oferecer voluntariamente para assumir aquela tarefa tão enfadonha. Ele assentiu prontamente com a cabeça.
— Tudo bem. Ainda há muitos detalhes pendentes. Eu achei que bastaria delegar tudo às equipes de assessoria, mas há decisões que só nós podemos tomar, o que estava me deixando bastante sobrecarregado. Fico feliz com isso. De agora em diante, deixo todas as decisões do casamento sob sua responsabilidade.
Sem perder tempo, Damian empurrou a pilha de pastas e catálogos de casamento na direção dele. Claude aceitou o volume considerável de papéis com um aceno tranquilo de cabeça.
— E quanto à nossa futura residência? Tem alguma preferência?
— Nossa residência?
— Sim. Se preferir continuar morando no chalé, por mim tudo bem. Ou podemos nos mudar para a Mansão Etroph. Embora lá seja consideravelmente mais espaçoso e conveniente para o dia a dia, não quero lhe impor nada.
— Eu ainda não parei para pensar nisso…
Até Claude tocar no assunto, Damian não havia considerado onde viveriam. Se permanecessem no chalé, a rotina de Damian quase não mudaria, mas talvez fosse desconfortável para Claude. O chalé era relativamente compacto; para acomodar o espaço pessoal de Claude, seria necessário esvaziar e redecorar alguns cômodos, o que exigiria reformas estruturais importantes. E fazer isso em apenas um mês…
— Também não me importo de criar nosso filho aqui.
“Ah! O bebê!” Damian quase se esqueceu da existência da criança por um instante.
Às vezes, ele simplesmente se esquecia de que estava grávido. Durante o período de enjoos matinais, a náusea constante servia como um lembrete implacável, mas agora que os sintomas haviam praticamente desaparecido, a ausência de mudanças físicas evidentes o fazia esquecer-se temporariamente da gestação.
Exatamente como agora.
— Este chalé não tem espaço suficiente para acomodar um quarto de bebê sem reformas estruturais. E não sei se conseguiríamos concluir uma obra dessas em menos de um mês…
— Então que tal nos mudarmos para a minha residência? Já estou providenciando os preparativos necessários, então sua mudança não seria um problema. O quarto do bebê também já está sendo montado.
“O quê?” Diante daquela resposta tão pronta e estruturada, Damian estreitou os olhos.
— O senhor me pede para escolher, mas já estava preparando tudo de antemão? Sua intenção sempre foi nos instalarmos na Mansão Etroph, não foi?
— Digamos que eu sou apenas uma pessoa prevenida, mas a decisão final sempre foi sua.
— Desde quando está preparando isso?
Sob o olhar inquisitivo de Damian, Claude apenas deu de ombros com naturalidade.
— Desde o momento em que soube da sua gravidez.
Damian ficou temporariamente sem palavras diante de tamanha audácia. “Ele me diz que esperaria pela minha decisão, mas claramente já havia decidido tudo sozinho!”
— E se eu tivesse me recusado terminantemente a casar com o senhor?
— Eu teria dado um jeito de convencê-lo.
— E se eu continuasse irredutível?
— Teria sido apenas uma questão de tempo. Mais cedo ou mais tarde, você acabaria se casando comigo.
— De onde vem essa sua confiança cega?
Claude limitou-se a sorrir diante da pergunta indignada de Damian. Embora parecesse relutante com o casamento no início, a atitude dele agora parecia contradizer aquela impressão, deixando Damian confuso.
Ele lembrou-se do rosto de Claude quando este lhe perguntou se ele não estaria se casando contra a própria vontade. Seria esse o verdadeiro motivo da hesitação anterior?
A sensação incômoda que pesava em seu peito parecia começar a se dissipar lentamente, como areia levada pela maré.
— Jovem mestre, os representantes da joalheria chegaram para a escolha das alianças.
Peter reentrou na sala de visitas instantes depois, trazendo uma bandeja limpa.
— Sim? Peça para entrarem, por favor.
Devido às circunstâncias, Damian achara melhor que os designers fossem até o chalé em vez de ele próprio ir até a loja. O alfaiate responsável pelos trajes também deveria chegar em breve.
— Vamos resolver a escolha das joias e as medidas dos trajes hoje?
— Sim. É melhor resolver tudo de uma vez para não termos de receber visitas repetidas vezes.
— Muito bem. Depois que terminarmos aqui, iremos ao hospital.
— Ao hospital? Por quê?
— Para um exame de rotina. Você deveria estar ganhando peso, mas parece ainda mais magro do que há alguns dias.
Antes que Damian pudesse reagir, a mão de Claude tocou-lhe suavemente a bochecha antes de se afastar com igual rapidez. Foi um gesto tão ágil que Damian mal teve tempo de protestar.
— Embora estejamos prestes a nos casar, peço que evite esses toques repentinos.
Em vez de iniciar uma discussão, Damian apenas o encarou com severidade, ao que Claude respondeu com um tom descontraído:
— Agora você é oficialmente meu noivo. Não posso ter ao menos esse privilégio?
“Não, não pode.” Damian preparava-se para responder à altura quando os funcionários da joalheria foram anunciados.
Evitando discutir na frente de estranhos, Damian esboçou seu melhor sorriso de anfitrião para receber os representantes. Os pequenos desentendimentos teriam de esperar; no momento, o foco precisava estar nos preparativos do casamento.
Claude e Damian examinaram as opções de alianças exclusivas trazidas pelos designers, optando finalmente por um par clássico e elegante que se adequava perfeitamente ao gosto de ambos. Solicitaram algumas alterações sutis no design e na escolha das pedras preciosas. Embora o prazo de um mês fosse extremamente curto para a confecção de joias sob medida, o representante da empresa garantiu com extrema confiança que as peças estariam prontas a tempo.
Quase que imediatamente após a saída dos joalheiros, o alfaiate real chegou para tirar as medidas e definir os tecidos dos trajes nupciais. Quando todas as pendências do dia finalmente foram resolvidas, Damian constatou surpreso que quatro horas haviam se passado num piscar de olhos.
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Continua
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello