↫─❀ Capítulo 13
Capítulo 13 Parte 1
O dia foi excessivamente longo. Longo e tedioso a ponto de fazê-lo questionar se um dia poderia, de fato, arrastar-se daquela maneira.
Bastou que uma única pessoa — aquela que costumava invadir o chalé logo cedo — interrompesse suas visitas para que um silêncio bizarro se instalasse, como se as engrenagens do mundo tivessem parado de girar.
A rotina no Condado de Grave nunca fora extraordinária. Os compromissos de Damian, o mestre do chalé, eram escassos se comparados à agenda atribulada de seus pais. Ele não possuía uma ocupação formal; sua agenda pública limitava-se a comparecer a eventos da corte a pedido do Príncipe Herdeiro e, no máximo duas vezes por ano, posar para ensaios fotográficos como modelo de uma marca esportiva.
Como seus únicos passatempos eram o polo e a equitação, e ambos estavam suspensos devido à gravidez, o presente momento revelava-se de um tédio absoluto.
“Como pode ser tão monótono?”
Erguendo os olhos para o céu límpido e sem nuvens, Damian soltou um suspiro baixo.
Sentado à mesa de chá no jardim, ele encarava o celular silencioso com irritação.
O motivo de tanta quietude era o início recente dos exercícios militares de grande escala.
Após um instante de hesitação, Damian começou a buscar por notícias na internet. Queria checar o andamento do treinamento.
Por se tratar de uma operação estratégica e confidencial, as matérias jornalísticas eram superficiais. Além de mencionar que Claude, em sua estreia como Ministro da Defesa Nacional, liderava as manobras, as notas apenas informavam que os comandos de cada força haviam mobilizado as tropas para o exercício. Detalhes como o cronograma exato ou a localização das bases eram dados sigilosos e omitidos da imprensa.
Para Claude, que assumira o ministério naquele ano, aquela primeira simulação era um teste crucial de liderança.
Geograficamente, Ronen situava-se em uma região interiorana vulnerável a incursões estrangeiras. Ao norte ficavam Lesia e Barkun; a leste, Solphice, nação com a qual o reino historicamente acumulava atritos; ao oeste, Arka; e ao sul, Kremt. Embora mantivesse laços cordiais com Arka devido à proximidade cultural, a relação com as demais fronteiras fora pautada pela desconfiança até um século atrás. As tensões com Solphice, palco do último conflito armado há cem anos, ainda não haviam cicatrizado, o que impedia qualquer negligência na defesa nacional.
Anualmente, Ronen realizava duas grandes simulações militares em regime de confidencialidade. Os treinamentos iniciavam-se simultaneamente nas faixas fronteiriças, executados sob a tutela dos chefes de estado-maior de cada força, seguindo as diretrizes estabelecidas pelo ministro. Durante o período, era praxe que o ministro e o chefe do estado-maior conjunto inspecionassem pessoalmente os postos avançados e assumissem o comando estratégico das operações, o que os obrigava a deslocar-se continuamente pelas fronteiras.
Como o itinerário das autoridades era mantido sob segredo de estado, era impossível precisar a localização atual de Claude.
Foi só após revisar os breves informativos da mídia que Damian conseguiu deixar o aparelho de lado.
“Qual era a duração padrão desses exercícios?”
Puxando pela memória, ele recordou que as manobras costumavam estender-se por um período de uma semana a dez dias.
Sendo uma ação voltada também para elevar o moral da tropa, o ministro permaneceria acampado com os soldados, o que significava que ele não retornaria à capital antes do encerramento oficial.
Ciente dos motivos que justificavam a ausência e a falta de comunicação do Alfa, Damian repetia a si mesmo que não havia razões para cobranças ou ansiedade, mas o sentimento de vacuidade insistia em persistir.
“Será que haverá algum imprevisto durante as operações?”
O continente desfrutava de uma era de paz relativa há cerca de 70 anos. O período de invasões territoriais e saques explícitos ficara no passado. Contudo, os bastidores continuavam sendo um tabuleiro de guerra de informações entre as potências. A execução de manobras militares nas divisas territoriais funcionava como um aviso claro às nações vizinhas.
Embora não houvesse registro de embates físicos recentes, o temor era inevitável. E a impossibilidade de saber onde ele estava apenas agravava a inquietação.
“Ficar divagando não vai mudar a situação…”
Damian balançou a cabeça energeticamente, tentando afastar os pensamentos improdutivos.
Desde o jantar com seus pais, sua decisão estava tomada.
Ele não queria interromper a gestação. E, se o destino era dar à luz aquela criança, a ideia de unir-se a Claude em matrimônio já não parecia de todo ruim. Ele pretendia abrir o jogo e ter uma conversa definitiva assim que o Alfa retornasse das manobras.
Embora o Duque tivesse manifestado o desejo de casar-se, um pedido formal de casamento nunca fora realizado. Considerando que o próprio Damian rejeitara qualquer aproximação até então, era compreensível que o Alfa tivesse recuado; contudo, agora era o momento de dar um desfecho claro àquela situação.
A inércia estava se tornando insuportável.
Damian levantou-se abruptamente.
Precisava sair.
A resolução foi acompanhada de ação imediata. Enquanto subia os degraus para trocar de roupa, cruzou com Peter no corredor.
— Peter, ordene a Hanson que prepare o automóvel.
— O jovem mestre vai sair?
— Sim. O ambiente aqui dentro está sufocante, preciso dar uma volta.
— Apenas o Hanson será suficiente? Não seria mais prudentente designar ao menos dois guardas adicionais para acompanhá-lo?
— Há necessidade de tanto?
— Esqueceu-se do incidente recente? Além disso, há um número considerável de fotógrafos que tentam segui-lo. Como pretende lidar com isso sozinho? Se faz questão de sair, por favor, leve ao menos mais um integrante na escolta.
“Que incômodo…” Diante do cenho franzido e da nítida insatisfação de Damian, Peter adotou uma postura ainda mais formal:
— O jovem mestre precisa ter mais consciência do impacto de sua imagem pública. Mesmo que a maioria mantenha a etiqueta, o senhor é o único herdeiro do Ducado de Sabina e sobrinho direto de Sua Majestade. Para agravar, os rumores recentes envolvendo o Duque Enosh colocaram todos os seus passos sob o escrutínio público.
Diante do sermão detalhado, Damian cedeu com um aceno de cabeça contrariado. Sabia que, uma vez iniciado, o falatório de Peter não teria fim se ele permanecesse ali.
— Está bem, já entendi. Não precisa continuar. Já que a preocupação é tanta, selecione alguém adequado para a escolta.
Alegando que precisava se vestir, Damian apressou-se em entrar no quarto. Por pouco não perdera mais tempo ouvindo as queixas do mordomo.
Ao retirar as vestes confortáveis para colocar o traje de sair, seu olhar fixou-se na região do abdômen.
“Será que a silhueta mudou?”
A musculatura outrora rígida devido à prática do polo e da montaria parecia ligeiramente mais suave. O ventre, antes plano, exibia uma sutil e firme curvatura.
“Será que já está proeminente? É possível notar a essa altura?”
“Acho que estou na 19ª semana…” Calculando o tempo de gestação mentalmente, ele levou a mão ao próprio ventre, acariciando o contorno sutilmente arredondado. Seria aquele o desenvolvimento esperado para o período?
Sem referências prévias, era impossível discernir se o ganho de peso decorria do apetite restabelecido após o fim dos enjoos ou se era um efeito direto da gravidez.
Por ter evitado encarar a gestação de forma séria até então, seu conhecimento sobre o tema era quase nulo. Ele concluiu que precisaria agendar uma consulta com um obstetra o quanto antes.
Agora que optara por ter o filho, a negligência anterior pesava em sua consciência. Talvez devesse aproveitar a saída para visitar uma clínica.
Damian selecionou peças de vestuário que não ficassem justas ao corpo, certificando-se de que nada pressionasse a região abdominal, antes de descer as escadas.
— Rhonda? Você já retornou ao serviço?
Ao avistar a Alfa de cabelos rubros postada ao lado do veículo, Damian expressou sua satisfação.
— Sim, jovem mestre. Retomei minhas funções hoje.
— Parece que foi ontem que você se afastou para a licença-maternidade, mas já se passou um ano.
— De fato. O tempo passou voando.
Rhonda era casada com uma Ômega e havia se afastado no ano anterior para se dedicar integralmente aos cuidados do filho recém-nascido.
A segurança do Condado de Grave era composta majoritariamente por Betas — uma medida preventiva para evitar incidentes envolvendo feromônios —, mas abriam-se exceções para Alfas que, como Rhonda, possuíam um vínculo de marca definitivo com seus respectivos parceiros.
Originalmente integrante da guarda pessoal do Ducado de Sabina, ela fora transferida para o condado quando Damian estabeleceu sua residência independente. Até o período de seu afastamento, Rhonda fora a responsável por escoltá-lo de perto.
Contente em rever a subordinada de confiança, Damian sorriu com leveza e deu dois tapinhas cordiais em seu ombro.
— Seja bem-vinda de volta.
— Obrigada, jovem mestre. Garantirei sua segurança no dia de hoje.
Com uma reverência formal, Rhonda abriu a porta traseira do veículo.
— Qual o destino, senhor? — indagou Hanson assim que Damian acomodou-se no banco.
Após um instante de reflexão, o jovem indicou o local. Para dissipar o desânimo, nada melhor do que ir às compras.
O automóvel partiu de forma suave, deixando os limites do chalé para trás. O trajeto até o destino levou cerca de uma hora. Diferente do habitual silêncio de Hanson, a presença de Rhonda tornou a viagem mais dinâmica, visto que ela possuía uma postura mais comunicativa.
Enquanto atualizavam os assuntos, o veículo aproximou-se do perímetro comercial selecionado. Damian optara por um distrito ligeiramente afastado do centro da capital, conhecido por abrigar as butiques mais exclusivas da alta-costura.
Após estacionar na vaga reservada para clientes VIP, Damian desembarcou e avaliou os arredores.
“Por onde devo começar?”
Não havia um propósito específico para a visita. A escolha do local decorrera de uma lembrança repentina de Claude. Até o momento, o volume de mimos enviados pelo Alfa era considerável; embora não se tratasse de uma retribuição formal, Damian considerava de bom tom não ser apenas o polo receptor daquela dinâmica.
“O que seria adequado?”
Ao tentar idealizar um presente para o Duque, percebeu que desconhecia seus gostos específicos. Claude não parecia fazer uso de joias ou acessórios supérfluos, e Damian detestava a ideia de oferecer algo inútil.
Gastar recursos sem critério também não fazia parte de sua personalidade; ele era meticuloso quanto à qualidade e à utilidade de suas aquisições.
— Conde?
O chamado de Rhonda interrompeu suas reflexões. Ao desviar o olhar, Damian avistou uma fachada que o fez tomar uma decisão.
Assim que ele iniciou a caminhada, Rhonda e Hanson assumiram posições estratégicas de escolta, monitorando os arredores. Não demorou para que os pedestres notassem a presença do nobre, interrompendo o passo ou erguendo os aparelhos celulares para fotografá-lo.
A comoção ao seu redor formou-se em questão de instantes, mas Damian manteve-se indiferente. Mesmo diante do alvoroço de um grupo de jovens admiradoras que expressavam o entusiasmo em tons agudos, ele preservou sua postura imperturbável.
Suas feições excessivamente marcantes e aristocráticas possuíam a virtude de manter a distância do público. Um dos motivos pelos quais ele costumava dispensar grandes aparatos de segurança era a consciência do efeito intimidador que sua presença exercia sobre os demais.
A arquitetura secular daquela rua, com suas fachadas antigas e preservadas, conferia um charme histórico ao local, razão pela qual Damian apreciava o distrito. Era um recanto que preservava o passado em meio à modernidade da capital. O calçamento de pedra e a disposição das edificações contavam a história das eras que o reino atravessara.
Os letreiros dos estabelecimentos comerciais também renegavam os painéis luminosos contemporâneos, optando por placas de ferro forjado e entalhado à mão.
Contudo, a estética rústica e antiga não era sinônimo de obsolescência. Aqueles comércios discretos ostentavam mercadorias cujos valores eram inacessíveis para o cidadão comum.
Plim.
O badalar do pequeno sino fixado à porta anunciou a entrada do cliente. Ao cruzar o limiar da butique de alta sofisticação, Damian deparou-se com um interior minimalista, onde apenas uma parcela selecionada do acervo estava exposta nas vitrines de vidro.
— Seja bem-vindo, senhor.
O gerente do estabelecimento, trajando um terno de corte impecável e sem uma única dobra, adiantou-se com uma saudação reverente e um sorriso polido.
— Posso dar uma olhada?
— Fique à vontade, Conde. Caso haja algum artigo de sua preferência, providenciarei de imediato.
Damian passou a examinar os itens expostos. O estabelecimento era especializado em pequenos artigos de couro e alta relojoaria. Embora a variedade fosse restrita, a qualidade do acabamento e a nobreza das matérias-primas eram evidentes no primeiro olhar.
Seu percurso encerrou-se diante da seção de relógios.
— Os modelos disponíveis limitam-se aos que estão expostos?
— O senhor busca alguma especificação?
— Gostaria de avaliar opções de relógios masculinos mais exclusivos.
Compreendendo que o nobre não buscava por peças de produção em série, o gerente assentiu prontamente.
— Peço que me acompanhe até a sala reservada. Trarei os modelos em instantes. Por coincidência, recebemos algumas peças exclusivas produzidas por um mestre relojoeiro recentemente.
A alta relojoaria analógica era uma arte que demandava precisão e dedicação extrema. Embora os modelos de marcas tradicionais tivessem sua excelência reconhecida, Damian buscava por algo singular: uma peça de edição limitada, cujos componentes tivessem sido usinados e montados individualmente por um artesão.
Um funcionário conduziu Damian à sala VIP do estabelecimento. Acomodado em um sofá de couro macio, o nobre foi servido com um serviço de chá que oferecia três variedades distintas para sua escolha.
Optando pela infusão de menta, Damian degustou a bebida enquanto aguardava. Ao saborear o mil-folhas que acompanhava o serviço, sentiu a suavidade do creme de baunilha harmonizar-se com a crocância das finas camadas de massa folhada, que desfaziam-se na boca exalando um aroma rico de manteiga pura. O toque de acidez das framboesas frescas completava a experiência.
In pouco tempo, o doce fora totalmente consumido. A decisão de deixar o chalé provara-se acertada; a melancolia que o acompanhara nos últimos dias parecia ter se dispensado.
Pouco depois, o gerente retornou trazendo um estojo de veludo púrpura com as duas mãos, evidenciando o valor e a raridade do conteúdo através de seus movimentos cautelosos. Ao abrir a peça sobre a mesa, revelou três relógios de pulso.
Damian passou a inspecioná-los com critério. O acervo consistia em um modelo skeleton, que exibia toda a complexidade de seu maquinário interno; uma opção de linhas minimalistas e mostrador limpo; e um exemplar mais imponente com acabamento em ouro.
Ele selecionou a peça de estética mais sóbria e clássica, avaliando o acabamento do verso da caixa.
— Este maquinário interno foi desenvolvido e manufaturado integralmente pelo mestre Loud. Os mancais utilizam safiras legítimas, enquanto o bisel e a caixa foram forjados em platina pura. Os marcadores do mostrador utilizam diamantes provenientes das minas de Turbera — detalhou o gerente, acrescentando que o modelo possuía vedação contra água e cobertura de assistência técnica integral pelos próximos dez anos.
A pulseira em couro legítimo marrom-escuro apresentava maleabilidade e um toque confortável. A imagem do acessório no pulso de Claude surgiu de forma natural em sua mente; a peça parecia adequar-se perfeitamente à estampa do Alfa, o que fez Damian definir a compra de imediato.
— Ficarei com este.
— Uma escolha magnífica, Conde. Providenciarei a embalagem de imediato.
Após emitir uma ordem de pagamento no valor aproximado de 1 bilhão de wons sem qualquer hesitação, Damian aguardou a finalização do registro de propriedade enquanto terminava seu chá. Era praxe que relógios de alta manufatura tivessem os dados do comprador vinculados ao número de série da peça como medida de segurança contra perdas e furtos. Como o trâmite demandava alguns minutos, os funcionários renovaram as opções de doces na mesa.
Após consumir também um mont-blanc e uma torta de morango, Damian recebeu o estojo devidamente embalado.
A partir daquele momento, as compras de Damian seguiram um ritmo fluido. Ele adquiriu abotoaduras cravejadas com diamantes amarelos, gravatas de seda legítima e um modelo de óculos escuros que julgou compatível com o estilo do ministro.
Contudo, as informações de que o Conde de Grave realizava compras no distrito de Fortris espalharam-se pelas redes sociais com rapidez. O retorno do nobre às ruas após um período de reclusão atraiu a atenção dos fotógrafos de celebridades; o número de profissionais registrando seus deslocamentos entre os estabelecimentos crescia a olhos vistos.
O cenário elevou o nível de alerta de sua escolta. Enquanto Rhonda e Hanson mantinham-se tensos, Damian, com o humor renovado, continuava selecionando itens com entusiasmo. Focado nas compras pelas últimas duas horas, ele não percebeu a súbita agitação que se formava no exterior da loja.
Um burburinho ruidoso começou a ecoar da rua.
— Conde, a atmosfera externa parece estar se alterando…
Antes que Rhonda concluísse o alerta, o celular de Damian começou a tocar. No mesmo instante, os aparelhos de seus seguranças também emitiram alertas vibratórios contínuos.
— Theo? O que houve?
— Damian! Você ainda está em espaço público?!
— Como soube que saí? Ah, imagino que as fotos já tenham circulado…
— Esqueça as fotos! Saia desse local imediatamente! Use qualquer rota alternativa e afaste-se da rua agora mesmo!
— O que aconteceu? Houve alguma emergência nacional?
— Conde, precisamos nos retirar. Hanson, traga o veículo para a zona de embarque agora — ordenou Rhonda assim que encerrou sua chamada. Diante da seriedade da Alfa, o motorista assentiu e partiu em direção à saída de serviço.
“Qual o motivo de tanta urgência? O que está acontecendo?”
— Theo, seja direto. O que houve? — pediu Damian ao telefone, enquanto Rhonda interpelava os funcionários da loja para localizar o acesso traseiro do prédio, solicitando ainda o apoio da equipe de segurança interna para conter a entrada de estranhos.
As ordens da Alfa eram precisas. Ela revisava as rotas de tráfego em seu dispositivo para traçar o retorno mais seguro ao chalé. Enquanto isso, os clientes presentes no interior do estabelecimento começaram a lançar olhares ostensivos na direção de Damian, trocando cochichos alarmados.
Rhonda postou-se à frente de Damian em postura defensiva, inspecionando o ambiente com olhos atentos para impedir qualquer aproximação indesejada.
— Conde, precisamos iniciar o deslocamento.
— Theo, fale de uma vez. O que está acontecendo?
A hesitação do amigo ao telefone precedeu a revelação bombástica:
— A informação vazou! A notícia da sua gravidez veio a público! Um portal de notícias publicou a matéria… há exatos dez minutos!
O impacto da revelação foi imediato.
— Todas as agências de notícias e repórteres da capital estão se deslocando para o distrito de Fortris neste exato momento! Saia daí antes que o perímetro seja cercado!
— Conde, o automóvel já está posicionado na saída traseira. Devemos ir — reportou Rhonda.
As palavras de Theo pareciam não fazer sentido em sua mente. A voz de comando de Rhonda e os alertas do amigo pareciam distantes, como se fizessem referência a um terceiro.
— …Como…? De onde partiu essa informação…?
— Não há tempo para investigar isso agora! Apenas saia da região! — exclamou Theo com urgência. Outras chamadas começaram a entrar em sua linha alternadamente, fazendo o aparelho vibrar sem descanso.
Diante da imobilidade de Damian, Rhonda chamou-o novamente, elevando o tom de voz:
— Conde! Não podemos hesitar!
— Damian, não tente racionalizar a situação agora. Foque apenas em retornar em segurança. Resolveremos o restante depois. Manterei minha postura de silêncio até que você decida como se posicionar. Avise-me assim que estiver seguro.
A ligação foi encerrada de forma abrupta.
O ritmo de seus batimentos cardíacos acelerou significativamente. Damian finalmente deu-se conta da alteração no comportamento das pessoas ao redor; os olhares furtivos haviam se transformado em expressões repletas de desconfiança e curiosidade explícita.
Era uma realidade inevitável a partir do momento em que optara por levar a gestação adiante, mas ele jamais imaginara que a revelação ocorreria sob aquelas circunstâncias.
— Conde, o tempo é escasso — insistiu Rhonda, tentando trazê-lo de volta à realidade. O celular em sua mão não parava de emitir alertas. Será que Claude já fora informado? Qual seria o posicionamento do Alfa?
O desejo de Damian era contatar Claude de imediato, mas sabia ser inviável; o ministro encontrava-se isolado comandando uma operação militar estratégica.
Recuperando a lucidez, Damian controlou a palidez de suas feições. Ele não permitiria ser encurralado por uma multidão de repórteres em busca de declarações exclusivas.
— Vamos.
A determinação substituiu o desalento em seu rosto. Sob a condução da equipe de segurança do estabelecimento, Damian seguiu em direção ao acesso de serviço. Cada centelha de sua atenção estava voltada para o ambiente; a própria Rhonda exibia uma postura de extrema tensão. Apesar da agilidade na execução do plano, assim que a porta traseira foi aberta, depararam-se com um cordão de profissionais da imprensa que já cercava a saída.
— Conde, a confirmação da gravidez é verídica?!
— Pode nos dar uma declaração sobre o caso?!
— As visitas frequentes à clínica no mês passado estavam associadas à gestação?!
— Quem é o pai da criança?!
— O progenitor tem ciência do fato?!
— Haverá um pronunciamento oficial por parte do Condado de Grave?!
O som frenético dos disparos das câmeras ecoava pelo beco. Os feixes de luz dos flashes eram tão intensos que mesmo Damian, habituado à exposição pública, sentia dificuldade em manter os olhos abertos.
Diante do bloqueio de microfones, lentes e repórteres obstinados que disparavam questionamentos sem trégua, era complexo manter o discernimento.
— Abram caminho! — exclamava Rhonda, utilizando o próprio corpo para conter o avanço dos jornalistas mais ousados e garantir a proteção de Damian. A distância até o veículo era curta, mas o trajeto parecia intransponível.
— Afastem-se!
— Deixem o veículo passar!
Apesar das ordens da escolta e dos funcionários locais, o cerco ao redor do automóvel não dava sinais de recuo.
— Conde! Apenas uma palavra para o público!
— Qual a razão para manter a gestação sob sigilo?!
Damian permaneceu em silêncio absoluto diante do bombardeio de perguntas. Ele não externou vulnerabilidade ou pânico; embora a escala daquele assédio fosse incomum, sua formação na corte conferia-lhe o conhecimento exato de como portar-se em situações de crise.
Ao alcançar a porta do automóvel, ele acomodou-se no banco traseiro graças à barreira física imposta por Rhonda contra os repórteres.
Assim que a porta foi trancada, garantindo o isolamento, Damian sentiu o corpo ceder ao esgotamento físico, como se tivesse enfrentado horas contínuas de uma montaria extenuante.
Do lado de fora, os fotógrafos continuavam colando as lentes contra os vidros escurecidos do carro, acionando os disparos sem interrupção.
A porta do passageiro dianteiro foi aberta e Rhonda assumiu seu posto; por uma fração de segundo, o ruído ensurdecedor da imprensa invadiu a cabine antes de ser novamente isolado pelo fechamento da porta.
— Parta de imediato.
A instrução de Damian saiu desprovida de energia.
— O perímetro frontal está bloqueado, demandará algum tempo para romper o cerco — reportou Hanson, avaliando a barreira humana diante do capô.
— Avance com cautela. Apenas certifique-se de não causar ferimentos a ninguém.
— Entendido.
Hanson iniciou o deslocamento em marcha lenta. Por mais obstinado que um repórter pudesse ser, a força mecânica de um veículo em movimento impunha o recuo. À medida que o automóvel avançava com firmeza, os profissionais abravam espaço pelas laterais, embora continuassem gesticulando e exigindo respostas através das janelas.
Damian olhou para o aparelho celular que mantinha firme entre os dedos, notando a insistência de uma nova chamada. O visor indicava o nome de Sua Alteza, o Príncipe Herdeiro.
Um suspiro pesado escapou de seus lábios. Ele tinha plena consciência de que ignorar um chamado daquela magnitude traria complicações futuras, mas o momento atual não oferecia condições emocionais para o diálogo. Assim que a linha do palácio silenciou, o aparelho voltou a vibrar com um registro diferente.
— Sim, meu pai.
— Você está seguro?
— Sim. Houve um cerco por parte da imprensa, mas a intervenção de Rhonda garantiu nossa retirada sem incidentes.
Um suspiro audível ecoou do outro lado da linha. Mesmo sem o contato visual, era possível projetar a expressão de preocupação no semblante de Joshua.
— Qual a sua localização atual?
— Estamos em deslocamento rumo ao chalé.
— Altere o destino para o Palácio Hubel. Sua Majestade exige sua presença imediata.
— ……
A convocação do monarca era um desfecho previsível. Um acontecimento daquela gravidade envolvendo a linhagem real jamais seria relevado sem uma intervenção direta do trono.
— Mantenha a serenidade. O rei não tomará nenhuma medida intempestiva contra você.
— Não nutro esse tipo de temor.
— Estarei aguardando sua chegada. Desloque-se com cuidado.
Após repassar a alteração de rota para Hanson, Damian recostou-se profundamente no banco. O dinamismo dos fatos recentes impedira uma análise sóbria da situação até aquele momento. O telefone mantinha um padrão contínuo de chamadas perdidas; parecia que todos os seus contatos buscavam algum esclarecimento.
Sua mão apresentava um leve tremor involuntário.
Tendo atuado como um dos principais referenciais de conduta da casa real, a repercussão daquele incidente justificava a urgência da audiência com o monarca.
“A insatisfação do rei deve ser considerável. É provável que haja questionamentos severos sobre a ocultação do fato.”
A constatação de que sua hesitação anterior agravara a crise trazia um desconforto latente. Ele presumira que disporia de mais tempo; ao menos o suficiente para alinhar as ações com Claude após o retorno das manobras.
O destino escolhera justamente aquele hiato para precipitar os fatos.
— Ah…
Uma ponta de desconforto atingiu a região do baixo ventre. Instintivamente, Damian tencionou o corpo e levou as mãos à área afetada, curvando o tronco para a frente.
“Mantenha a calma. Tudo ficará bem.”
A vida que se desenvolvia em seu interior pareceu manifestar sua presença de forma nítida, como um lembrete de sua existência. O abdômen, que antes exibia maleabilidade, apresentava-se rígido. Damian iniciou uma massagem suave na tentativa de relaxar a musculatura tensionada.
Rhonda observou o movimento pelo retrovisor com uma expressão de desassossego. Para evitar especulações desnecessárias, Damian recompôs sua postura, adotando um semblante neutro. Ele respondeu ao olhar inquisitivo da Alfa com um aceno firme de cabeça, indicando que sua integridade física estava preservada.
A revelação também surpreendera sua equipe de segurança; embora mantivessem a discrição devida à etiqueta profissional, a curiosidade era evidente em seus comportamentos. O próprio padrão de condução de Hanson tornara-se significativamente mais defensivo e suave naqueles últimos quilômetros.
Mesmo sob o escrutínio silencioso de seus subordinados, Damian preservou o silêncio. Não havia necessidade de justificativas imediatas, tampouco disposição emocional para tal.
─── ✧・゚: * ✧・゚:* ───
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello