↫─❀ Capítulo 11.3
Capítulo 11 Parte 3
— …Como assim o objeto do insulto pode ser o Conde Grave? — a opinião pública ferveu como lava assim que surgiram as suspeitas de que Damian era a verdadeira vítima. A popularidade de Damian transcendia gerações; ele era praticamente o símbolo de Ronen.
Petições exigindo a punição severa do acusado choveram, e a hostilidade contra Lesia crescia em tempo real.
Enquanto o país inteiro fervilhava após a publicação das reportagens, Damian estava cara a cara com Theo, que havia trazido os resultados de seus exames.
— Como você está se sentindo?
— Estou bem. Exceto por um leve enjoo.
Theo, segurando as folhas de resultados, analisou os números minuciosamente antes de falar:
— Seus níveis de feromônios estão um pouco alterados, mas nada que exija internação. Não há com o que se preocupar. No entanto, seu nível de estresse está alto, então você precisa descansar por enquanto. A ameaça por feromônios é extremamente perigosa para uma gestante. Não é raro ocorrer aborto espontâneo em situações assim.
Diante da afirmação de Theo de que o feto parecia ser mais forte do que o esperado, Damian achou difícil avaliar se deveria considerar aquilo uma sorte.
Bem… não que ele desejasse ter sangrado ali mesmo, é claro.
Mas assim que se lembrou daquele dia, seu humor desmoronou.
Ele havia brigado com Claude.
Não que tivesse a intenção de brigar…
Assim que recuperou os sentidos, Damian empurrou Claude, que o abraçava e tentava acalmá-lo. A vergonha de ter se agarrado a ele de forma tão patética o atingiu tardiamente, tornando impossível olhá-lo nos olhos. O fato de o feromônio daquele maldito diplomata ser absolutamente repugnante, enquanto o de Claude não era, chegava a deixá-lo irritado.
“O senhor passou dos limites. O que faria se isso gerasse um incidente diplomático com Lesia?”
“Que se dane a diplomacia! Você quase se machucou!”
“Mas não me machuquei. Eu era perfeitamente capaz de resolver aquilo sozinho. O senhor mesmo viu o sujeito caído no chão depois de apanhar de mim.”
“A única coisa que vi foi você tremendo da cabeça aos pés, sofrendo. Você tem ideia do quanto precisei me controlar para não matá-lo com minhas próprias mãos?”
“E o que ganharia matando-o? Por mais que seja da realeza, assassinato é inadmissível. Pretendia ir para a cadeia por causa de um verme daqueles?”
“Então eu deveria ter deixado o desgraçado que tocou no meu Ômega sair ileso?”
“Retire esse pronome possessivo. Eu ainda não sou o seu Ômega.”
“Acho que já posso me dar ao luxo de dizer isso. Ou vai me dizer que pretende negar o que aconteceu entre nós?”
Por Claude trazer à tona o assunto que ele menos queria discutir, Damian perdeu a paciência sem perceber.
“O senhor acha que eu o aceitei por causa do que houve aquela noite? Não se iluda.”
“Onde está a ilusão? O fato de você ter se entregado nos meus braços, gemendo e excitado, não é uma ilusão. É a realidade.”
Diante de palavras tão explícitas, o rosto de Damian ardeu instantaneamente. Tentando manter a compostura para não demonstrar o constrangimento, ele sussurrou:
“Fale baixo. Muito bem. Não vou negar o que aconteceu. Mas e daí? Foi apenas uma atração temporária entre um Alfa e um Ômega. Não tente dar significado a uma mera atração física.”
Claude o encarou por um momento e soltou uma risada estupefata.
“Ah. Uma mera atração física… Então o que houve entre nós não passa de um acidente para você? É isso que está dizendo?”
“E o que mais haveria de ser? Ou por acaso… o senhor gosta de mim? Sabemos que não é isso.”
Por uma fração de segundo, Damian pensou que ele pudesse se confessar. No entanto, o que recebeu de volta foi uma pergunta.
“Se você tem tanta certeza de que não é isso, não é porque você mesmo não sente nada?”
“Agora está jogando a culpa em mim? Pense o que quiser. Não me importo.”
O maxilar de Claude travou enquanto ele engolia a seco a própria fúria. Seus olhos dourados oscilaram, tornando-se ainda mais profundos. Incapaz de se acalmar, Claude andou de um lado para o outro na sacada. Seus passos pesados ecoavam a raiva que sentia, e seu peito inflava e desinflava de forma ameaçadora.
“Por que está fazendo isso? Está tentando me enfurecer para que eu desista de você?”
“O senhor vai desistir?”
“Não! Eu não vou desistir! Jamais!”
“Por quê?! Por causa de dever e obrigação? Eu já disse que podemos simplesmente não ter essa criança!”
“Maldito seja! Que se danem o dever e a obrigação! Você já é meu! Acha mesmo que eu desistiria de você para dar de bandeja a outro?”
“Quem disse que eu sou seu? Eu nunca concordei com isso! Não tente me convencer com palavras tão incertas.”
“O que poderia ser mais certo do que isso? O que mais você quer? O que eu preciso fazer para que você finalmente admita?”
“Desista! Um casamento sem sentimentos nunca dá certo! Eu não vou me submeter a isso!”
“Você deitou comigo! Mesmo não estando no Cio, você claramente me desejou!”
“Isso foi apenas um desejo momentâneo! Ninguém se casa apenas por causa disso!”
“Existe muito mais entre nós do que isso! Não negue!”
“O que mais existe? Tudo bem, como o senhor disse, eu admito que me sinto atraído fisicamente por você. Mas o que mais nós temos além disso? A gravidez? Essa gestação pode significar muito para o senhor, mas para mim não. Eu não vou hipotecar o resto da minha vida em um casamento sem amor!”
Embora tivessem compartilhado a cama duas vezes, Damian ainda não sabia o que Claude realmente sentia por ele. Havia atração física, e ele havia ouvido inúmeras vezes que Claude assumiria a responsabilidade. Porém, Damian não queria ouvir discursos pragmáticos.
Ele queria saber o que estava no coração do Alfa. Se ele gostava dele ou se apenas o via como um bom partido para o casamento. Ele precisava de palavras claras. Só assim conseguiria colocar um fim àquele embate desgastante.
“Você fala com uma facilidade impressionante sobre a falta de sentimentos. Sente-se melhor agindo assim? Por que insiste tanto em não admitir?”
“O que eu deveria admitir? Que cedi ao desejo? O senhor acha que foi assim só por ser você?”
“Você realmente vai me enlouquecer.”
Cansado daquela discussão circular, Claude passou a mão pelo cabelo de forma rude. Ele fixou o olhar no vazio para conter a raiva antes de baixar os olhos. Após respirar fundo para se acalmar, enfiou as mãos nos bolsos. Se não fizesse isso, sentia que agarraria Damian ali mesmo e devoraria aqueles lábios que só proferiam palavras irritantes.
“Não sei o que estou fazendo, discutindo com uma gestante”, o sussurro áspero ecoou perto do ouvido de Damian. “Escute com atenção. Eu nunca vou desistir de você. Se espera por isso, vai se decepcionar. Na minha vida, você será o único Ômega, e eu serei o seu único Alfa. Mesmo que tente encontrar outro homem, eu não vou permitir.”
“Como o senhor ousa decidir isso sozinho…!”
“Discussões desnecessárias são perda de tempo. O importante agora é checar o seu estado de saúde.”
Irritado com a postura de Claude, que dizia não querer brigar mas logo criava outro motivo para disputa, Damian respondeu com o semblante rígido:
“Eu não vou ao hospital. Já disse que estou bem.”
Damian tentou sacudir a poeira de seu paletó que caíra no chão, mas vendo que o estrago era irreversível, desistiu de vesti-lo. Em vez disso, ajeitou a camisa para dentro da calça e arrumou a postura. Não podia sair dali desalinhado.
“Você não sabe como a ameaça por feromônios afeta a gravidez. Vá ao hospital e faça um exame primeiro.”
“Por quê? Está com medo de que algo aconteça com a criança? Se acontecer, seria até melhor. Eu não pretendia tê-la de qualquer forma, então, se eu a perder agora, não precisarei mais me preocupar.”
“Você realmente pensa assim?”
“O que eu penso não é da sua conta. Agora saia da frente. Preciso sair desta sacada sufocante.”
“Será que você não pode ceder à minha opinião ao menos uma vez? Por que precisa ser assim sempre, afinal?”
“Por que eu sou assim? Basta o senhor não interferir na minha vida. Se eu precisar ir ao hospital, irei por conta própria. E a decisão de ter ou não esse filho também será minha. Tomarei a minha decisão por vontade própria, e não por imposição sua. Então, por favor, dê licença.”
Ao ver a expressão dele se distorcer, Damian chegou a pensar que havia sido duro demais, mas manteve o olhar obstinado e sarcástico.
“Não importa o quanto você use de sarcasmo, não vai funcionar. Você vai ao hospital fazer os exames. Se não quer a minha companhia — e eu vou abrir mão disso, embora contra a minha vontade —, mandarei o meu assessor com você.”
Ele parecia irredutível, como se aquela fosse uma linha que não cruzaria. Antes mesmo que Damian pudesse protestar, Claude já chamava o assessor para a sacada. Percebendo a atmosfera tensa entre os dois, o assessor hesitou por um instante antes de ligar rapidamente para o hospital sob a insistência de Claude.
Não querendo prolongar a briga na frente do funcionário, Damian acabou cedendo e foi para o hospital, ignorando o olhar do Alfa fixo em suas costas até o último momento.
— Haa…
Uma lufada de ar escapou de seus lábios sem que percebesse ao reviver os eventos de dias atrás.
— Desse jeito o chão vai afundar. No que está pensando para suspirar de forma tão profunda? Tem algo que não me contou? Aquele maldito desgraçado fez mais alguma coisa além da opressão por feromônios?
— Não é nada disso.
— Não parece “nada disso”…
Damian desviou o olhar para escapar do escrutínio de Theo, que o observava com os olhos semicerrados.
— Mudando de assunto… por favor, diga a Sua Excelência para parar de me ligar.
Surpreso com a menção repentina, Damian ergueu a cabeça. Por que Theo estava falando de Claude do nada?
— Ele ligou para você?
— Sim. Desde aquele dia até hoje de manhã, ele liga dezenas de vezes por dia. Diretamente, sem passar pelo assessor.
— Ele deve estar muito preocupado com a criança, não é? — o tom sarcástico escapou naturalmente.
— Por que falar assim? É claro que ele está preocupado com você. Ele sequer perguntou sobre o estado do feto.
“Preocupado comigo? Sei”, Damian desdenhou mentalmente. Ele achara estranho não ter recebido nenhuma ligação de Claude, mas no fim das contas, o Alfa estava agindo nos bastidores.
— Se ele está ligando para mim, significa que algo aconteceu entre vocês dois, certo? Ouvi dizer que Sua Excelência quase matou o sujeito. Deixe o orgulho de lado e tente se dar bem com ele. Já que as coisas chegaram a esse ponto, pare de ser tão teimoso.
— Eu ainda não decidi se vou ter essa criança. Ainda não tenho certeza de nada.
— Não entendo por que você hesita tanto. Está claro que Sua Excelência tem sentimentos por você e está se esforçando para assumir a responsabilidade, não? Não se encontra homens assim facilmente.
— Sim. Sentimentos. Ele claramente tem algo. Mas sentimentos não são necessariamente amor. Um casamento motivado apenas por um filho pode ser realmente feliz?
— Amor? — Theo soltou uma risada baixa. “Tenta agir como adulto, mas ainda é tão jovem”, pensou, olhando para Damian, sete anos mais novo, com um olhar brando. — O que você está dizendo, no fundo, é que não sabe se Sua Excelência ama você, certo? E quanto a você? Quais são os seus sentimentos? Deixando de lado o que ele sente, o que importa não é você?
O que importava eram os seus próprios sentimentos.
As palavras de Theo não estavam erradas. Independentemente do que Claude pensasse, a decisão final caberia a Damian.
Ele baixou o olhar para o abdômen, que ainda não mostrava sinais da gravidez. Todas as manhãs, ao acordar, o enjoo e a tontura o atingiam como uma ressaca severa. Embora não rejeitasse todos os alimentos como antes, comer ainda era um desafio frequente. Odores do dia a dia que ele costumava ignorar agora reviravam seu estômago.
Apesar de a gravidez ser imperceptível para o mundo exterior, a criança em seu ventre crescia a passos firmes.
A razão pela qual ele havia explodido com Claude naquele dia foi a impressão de que o Alfa se importava apenas com o feto, e não com ele. Aquilo o magoara.
Sim, ele se sentira magoado. Sentira que a única prioridade de Claude era a criança, e não ele próprio.
Só agora Damian começava a compreender. Talvez ele gostasse de Claude muito mais do que imaginava.
“Que loucura. Como isso é possível? Desde quando comecei a gostar dele?”
Suas sobrancelhas bem desenhadas franziram e relaxaram repetidas vezes. A revelação tardia o mergulhou em profunda confusão.
“Eu gosto dele? De um homem que nunca sequer se declarou para mim?”
Embora nunca tivesse planejado o rumo exato de sua vida, ele certamente não esperava que as coisas tomassem aquele rumo. Como havia chegado a esse ponto?
As palavras de seu pai de repente ecoaram em sua mente: “A vida às vezes nos leva por caminhos inesperados.” Seus pais também haviam começado com uma péssima primeira impressão, mas hoje seu pai Alfa amava e protegia o parceiro mais do que qualquer pessoa no mundo. Será que com ele…
Balançando a cabeça, Damian recuperou o foco abruptamente.
— Mudando de assunto, está tudo bem que as pessoas saibam que a vítima foi você? Eles poderiam ter abafado a informação antes que vazasse. Se não o fizeram, foi de propósito?
A pergunta de Theo o trouxe de volta à realidade, afastando seus devaneios.
— Foi uma boa forma de pressionar Lesia, então eu mesmo concordei que fizessem assim.
— O Conde permitiu isso? E Sua Excelência? — Theo murmurou, intrigado.O Duque de Sabina e o Conde de Quilly estimavam Damian profundamente. O Príncipe Herdeiro podia não hesitar em usar o primo em prol dos interesses do país, mas era difícil acreditar que os pais de Damian tivessem concordado. Além disso, o Duque Enosh também não parecia o tipo de homem que usaria Damian politicamente…
— Bem… os dois foram contra, obviamente. Mas o que mais restava fazer? O incidente já havia ocorrido. Se podemos usar isso para trazer benefícios ao país, não me importo que minha reputação sofra um leve arranhão. Até porque nada de fato depreciativo aconteceu comigo.
Na verdade, fora o Príncipe Herdeiro quem sugerira plantar na imprensa a informação de que Damian era o alvo. Como a situação envolvia a diplomacia com Lesia, mesmo sendo um crime de insulto à realeza — isento de imunidade —, a aplicação rígida das leis locais não seria simples. As relações internacionais eram complexas. Por isso, Ilias movera a opinião pública para criar um cenário onde ele próprio parecia ser pressionado pelo povo a agir. Não havia pretexto melhor para neutralizar qualquer pedido de extradição por parte de Lesia.
Claude demonstrara forte oposição a essa estratégia. A justificativa dele era de que, mesmo que Damian não tivesse sofrido danos físicos reais, sua honra seria exposta e, embora a comoção popular fosse favorável agora, com o tempo surgiriam boatos mal-intencionados. Erich concordara com Claude, mas como o próprio Damian dera o aval ao Príncipe Herdeiro, a resistência deles acabou cedendo.
— Ser da realeza tem seus lados complicados — Theo comentou em tom de consolo diante da complexidade da família real, e Damian apenas deu de ombros.
A estratégia do Príncipe Herdeiro funcionou com precisão. Apenas três dias após a veiculação das notícias, protestos exigindo a pena de morte para o criminoso eclodiram em vários pontos da cidade. O sentimento de aversão em relação a Lesia cresceu de forma incontrolável.
Devido ao clima gélido que dificultava a produção agrícola, Lesia dependia em grande parte de Ronen para a importação de alimentos. Assim que rumores informais de que Ronen limitaria as exportações de grãos para o segundo semestre começaram a circular, Lesia entrou em pânico. Por ser um país vizinho no mesmo continente, importar alimentos de Ronen era infinitamente mais viável financeiramente do que buscar suprimentos em outras nações.
Cedendo à pressão, Lesia desistiu de exigir a extradição do diplomata. O atual embaixador em Ronen foi destituído do cargo sob a justificativa de falha de gestão e enviado de volta ao país de origem. O governo de Lesia enviou um pedido formal de desculpas e, recuando diante da fúria da opinião pública de Ronen, retirou oficialmente a solicitação de guarda do prisioneiro.
No processo, o Príncipe Herdeiro conseguiu uma redução significativa nas tarifas alfandegárias sobre o aço importado de Lesia. Trazer benefícios econômicos ao país à custa de um leve insulto à sua pessoa não parecia um mau negócio para Damian. Pelo menos, ele pensava assim. Embora seus pais e Claude discordassem veementemente.
— Mas por que aquele sujeito agiu assim? Mesmo que ele não estivesse acostumado com o sistema monárquico, respeitar a realeza deveria ser uma questão de bom senso elementar.
— A história de discriminação contra os Ômegas naquele país é tão antiga que ele simplesmente não soube avaliar a gravidade da situação. Achou que poderia me submeter usando feromônios, agiu de acordo com esse pensamento e acabou daquele jeito.
— O fato de um diplomata não antecipar as consequências de seus atos mostra que a estrutura social de Lesia está ainda mais decadente do que imaginávamos.
— Lá eles ainda têm uma cultura que exige a pureza pré-nupcial dos Ômegas…
Em suma, se um Ômega perdesse a pureza, restavam-lhe apenas duas opções: casar-se com o Alfa que o violara ou ser banido da sociedade.
Ainda hoje, a simples lembrança daquele dia trazia de volta o odor repulsivo daquele feromônio invasivo. E, embora não quisesse admitir, o feromônio de Claude — ao contrário daquele sujeito — lhe trouxera um profundo senso de calmaria. Ao recordar o instante em que o aroma de terra fértil preenchera seu ser, seu coração oscilou de leve. O tremor transformou-se em pequenas ondulações que ecoaram suavemente em seu peito. Damian cerrou os dedos, sentindo as pontas formigarem.
Terminada a consulta, Theo guardou seus instrumentos na maleta médica e levantou-se.
— Já vai?
— Sim. Ainda tenho consultas ambulatoriais hoje. — Prestes a deixar o quarto, Theo estacou como se estivesse esquecendo algo. — Assim que a poeira baixar, passe no hospital.
— Por quê? Ainda faltam exames a fazer?
— Não podemos nos limitar a exames básicos para sempre. Você tem ideia de quantos procedimentos uma gestante precisa realizar? Já que você não vai interromper a gravidez imediatamente, precisamos monitorar o desenvolvimento do feto. E caso tenha esquecido, eu não sou obstetra. Até agora consegui conduzir a situação com o conhecimento geral que possuo, mas a criança está crescendo. Não posso dar diagnósticos definitivos sobre a evolução fetal.
— Ah…
— Não precisa se preocupar em buscar um obstetra. O Conde de Quilly me informou que já está cuidando disso.
— Meu pai?
— Parece que ele ficou extremamente preocupado após o ocorrido na festa.
— Ele não comentou nada comigo…
— Ele provavelmente não queria pressionar você. Mas por estar preocupado, ele insistiu que um especialista deveria acompanhar o caso de perto. Independentemente de você decidir levar a gestação adiante ou não, enquanto estiver gerando a criança, qualquer alteração no feto pode trazer riscos à sua própria saúde.
Saber que havia causado preocupação aos pais trouxe um leve aperto ao coração de Damian.
— Não precisa ficar com essa expressão. Meu recado está dado, estou indo. Deixei as vitaminas necessárias na mesa de cabeceira, certifique-se de tomá-las. E tente não deixar que o mordomo as encontre.
— Obrigado por vir até aqui.
Damian acompanhou Theo até a entrada principal. Ele cogitou retornar ao quarto, mas preferiu ir em direção à sala de visitas. Após pedir a uma das criadas que preparasse um chá, acomodou-se de forma lânguida no divã próximo à janela. Momentos depois, Peter entrou trazendo a bandeja, exibindo profundas olheiras sob os olhos.
— Peter. Você não está bem? Seu semblante está péssimo.
Ao colocar a limonada gelada e os acompanhamentos sobre a mesa, Peter exclamou repentinamente em um tom inflamado:
— Como eles ousaram?! Tocar no jovem mestre?! E não consigo compreender a postura complacente de Vossa Alteza diante de tudo isso. Ele deveria ter mandado decapitar aquele insolente imediatamente!
Se houvesse um ranking dos líderes da opinião pública que exigiam a punição do acusado, Peter certamente estaria no topo, movido pela convicção inabalável de que seu jovem mestre era o tesouro mais valioso do mundo.
— Este velho criado não consegue sequer dormir de tanta indignação! Ousar tocar no jovem mestre, que ocupa a terceira posição na linha de sucessão deste país! Como um diplomata pôde ser tão ultrajante?! Isso é o mesmo que Lesia desdenhar de Ronen!
— Mas não podemos romper relações com Lesia por causa de um único diplomata, Peter. Tenho certeza de que Vossa Alteza está conduzindo a situação com cautela.
A semana após o incidente passara como um turbilhão. Damian tomou um longo gole da limonada — gelada o suficiente para fazer sua nuca arrepiar — e colocou uma rodela de limão na boca. O azedo intenso fez seu rosto se contrair involuntariamente.
Os enjoos matinais persistiam. Ele ouvira dizer que algumas pessoas passavam por essa fase rapidamente, mas pelo visto ele herdara a mesma constituição de seu pai. A única vantagem era que, sabendo da gravidez, seu pai passava ocasionalmente pelo chalé para lhe trazer alimentos específicos. Peter achava estranho o fato de o consorte insistir em trazer tanta comida para Damian pessoalmente, mas a mente tradicional do mordomo jamais cogitaria que seu jovem mestre estava sofrendo de enjoos de gravidez.
— Pelo menos o julgamento será realizado aqui, o que é um alívio.
— Com certeza! Fui investigar e descobri que em Lesia as penas para esse tipo de crime são ridiculamente brandas. Eu jamais suportaria ver um desfecho daqueles!
Como o Príncipe Herdeiro exigira um rito sumário, o julgamento deveria avançar rapidamente. Embora Damian precisasse comparecer como testemunha, seria apenas uma vez, o que não seria um grande problema.
— O jovem mestre ter saído ileso já é uma benção, se algo pior tivesse acontecido… — o rosto de Peter se contorceu só de imaginar as possibilidades.
O velho mordomo ainda não conseguia conter a indignação com o ocorrido. Ele continuou a listar recomendações, dizendo que Damian deveria testemunhar com firmeza e não mostrar qualquer clemência, além de insistir para que ele jamais andasse desacompanhado a partir de agora.
Ouvindo aqueles conselhos que remetiam à sua infância, Damian apenas assentia mecanicamente sem demonstrar impaciência, mastigando devagar os doces à sua frente.
“Ah… Eu queria comer kringle de novo.”
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello