↫─❀ Capítulo 11.2
Capítulo 11 Parte 2
— O-o quê? O que foi que eu acabei de ouvir?
Damian ficou temporariamente sem fala diante de um absurdo tão grande. Ele nunca havia escutado algo tão imundo e vulgar em toda a sua vida.
— O que você acabou de dizer?
— Por acaso eu menti? Você já não tem um caso com o Príncipe Herdeiro de qualquer jeito? Deve estar se achando muito importante sob a proteção dele, mas ele não está aqui agora. Quem está aqui sou eu.
— Você acabou de insultar a mim e a Vossa Alteza. Isso não passará em branco; farei uma queixa formal por danos à honra da família real.
Damian cerrou os punhos. Estava pronto para empurrar o homem e sair dali se fosse necessário. Ele calculou a distância até a porta; bastavam poucos passos para deixar a sacada.
— Ah, uma queixa? Que gracioso. Vá em frente, tente. Mas será que você vai ter coragem de trazer esse assunto a público?
— O quê?
Não houve tempo nem para prender a respiração. O feromônio que o homem liberava discretamente explodiu de forma avassaladora em um instante. Atingido em cheio por aquela onda, Damian sentiu o ar faltar imediatamente. O feromônio de Alfa invadiu seu corpo com violência, revirando seu estômago de forma ameaçadora.
— O nobre e orgulhoso herdeiro logo estará embriagado pelo meu feromônio, rebolando e chorando por mim. Vai mesmo querer que todo mundo saiba disso?
— …Seu louco varrido…! Ugh!
O feromônio de outro homem — e ainda por cima um feromônio de Alfa intencionado a incitar a natureza de um Ômega — agitou o interior de Damian como se fosse dono dali. Seus joelhos fraquejaram e sua espinha estancou. Em um piscar de olhos, as pernas perderam a força.
Ele deveria ter ficado em alerta ao notar o sotaque do norte. A Lesia do Norte ainda era um país onde a consciência dos direitos dos Ômegas estava na lama. Para um homem vindo de um lugar onde Ômegas eram vistos como meros acessórios dos Alfas, o fato de Damian ser um Ômega parecia muito mais relevante do que o fato de ele ser da alta nobreza.
— Escute aqui… você… acha que vai sair impune disso…? Ugh!
Com um sorriso vitorioso, o homem enlaçou a cintura de Damian, que cambaleava.
— Veja só. Suas pernas já perderam as forças. Por que fazer jogo duro se ia acabar assim tão rápido? Se tivesse sido um pouco mais dócil, eu não precisaria ter ido tão longe.
O homem apertou as nádegas de Damian e forçou a parte inferior do corpo contra a dele.
Envolvido por uma enxurrada de feromônios tão repugnantes que o faziam se sentir afundado em uma lata de lixo, Damian arregalou os olhos. A mão do homem puxou a barra de sua camisa sem qualquer hesitação. Diante do ataque daquele odor que perturbava suas entranhas, Damian rangeu os dentes. Uma fúria avassaladora subiu por seu peito. Ele não tinha a menor intenção de se render àquele feromônio barateado e se entregar passivamente aos braços daquele sujeito.
— Seu… desgraçado… Larga… de mim…!
Damian segurou o colarinho do homem que o agarrava e, com toda a força que lhe restava, desferiu um soco.
— Cofe!
Por causa de sua aparência, Damian havia aprendido diversas técnicas de autodefesa desde a infância. Por recomendação enfática de seus pais — especialmente de seu pai Alfa —, ele havia recebido diretamente dele o treinamento de várias técnicas de submissão física.
Embora tivesse hesitado por um momento devido ao impacto dos feromônios, Damian colocou em prática os ensinamentos de seu pai com precisão.
— Eu mandei você me largar!
Aproveitando o instante em que o homem vacilou com o golpe inesperado, Damian desferiu uma cotovelada certeira na maçã do rosto dele.
Pof!
— Ahg!
Gritando de dor, o homem cambaleou com o corpo inteiro. Assim que ele se afastou um pouco, a perna longa de Damian foi lançada diretamente contra o peito dele com um chute frontal.
Brap! Crash!
O homem foi ao chão, derrubando a cadeira junto consigo.
— Grr…!
Foi exatamente nesse instante.
Com um clique, a porta se abriu e alguém entrou na sacada.
— Damian, você está aqui…
Ao pisar no local, Claude estacou.
— Mas o que significa isso…!
Franzindo o cenho diante do feromônio de Alfa que empesteava o ar, ele compreendeu a situação imediatamente. A barra da camisa desalinhada e o paletó jogado ao chão capturaram sua atenção de imediato.
Claude correu na direção de Damian, que tremia como uma vara verde. Ao abraçá-lo, seus olhos pousaram no homem caído no chão. Em uma fração de segundo, a visão de Claude foi tomada por um rastro vermelho de fúria.
Como se desafiasse a própria gravidade, o corpo robusto de Claude avançou em um salto e agarrou pelo colarinho o homem que tentava se levantar do chão. Sua racionalidade evaporou por completo.
O punho pesado de Claude atingiu o rosto do sujeito em cheio.
Pof! Pof!
— Quem… Por que está fazendo isso?! Cofe!
Claude não enxergava mais nada. A única coisa que importava era esmagar a cara cínica daquele Alfa imundo que ousara tocar em Damian.
— Ah! Quem é você…?! Ahg!! Pare! Você sabe quem eu sou—?!
— Você faz ideia de quem se atreveu a tocar?!
O homem tentou se debater para conter os socos impiedosos que choviam sobre ele, mas foi em vão.
— Eu mandei parar!! Você sabe quem é o meu pai—?! Ahg!!
Claude segurou o braço com o qual o homem tentava se defender e o torceu para trás de uma só vez.
Croc. Um som surdo e assustador ecoou pela sacada. O osso havia quebrado.
— Ahhhh!
O homem arquejou diante da dor lancinante. Seu braço ficou retorcido em um ângulo bizarro, espasmando.
O feromônio de Claude explodiu de forma avassaladora. Atingido diretamente por uma força da mesma natureza, o homem ficou completamente indefeso diante da opressão do feromônio e da violência brutal.
Claude nunca havia sentido tanta raiva em toda a sua vida. Qualquer vestígio de bom senso havia sumido. Seu rosto, distorcido pela fúria, exibia um olhar sombrio e assassino.
O único pensamento que ocupava sua mente era o de que, se tivesse demorado um segundo a mais, Damian teria passado por algo terrível. Para Claude, o fato de o homem já estar caído no chão após ser atingido por Damian antes de sua entrada não tinha a menor importância.
Pof! Pof!
O rosto do sujeito ficou coberto de sangue em poucos instantes, inchando a ponto de torná-lo irreconhecível.
Antes mesmo que a fúria latente de Claude diminuísse, os movimentos de defesa desesperados do homem cessaram. O corpo seguro pelo colarinho amoleceu por completo.
— …Haa. …Sua Excelência… Já chega… Pare, por favor… Ugh!
O movimento do punho de Claude, que já se erguia novamente, travou no ar. A voz de seu Ômega, abrindo caminho em meio àquela ausência total de razão, o trouxe de volta à realidade.
— Damian!
Ao olhar para trás e ver Damian pálido, sustentando-se a custo no parapeito, Claude soltou o homem desfalecido no chão e correu para ampará-lo.
— Ugh… uiveeek!
Com as bochechas desprovidas de cor, Damian teve uma crise de ânsia de vômito nos braços de Claude. Ele agarrou o paletó de Claude com tanta força que o tecido se amarrotou sob seus dedos, esperando que o feromônio daquele Alfa desconhecido se dissipasse de seu organismo.
— Damian. Vamos ao hospital. Precisamos ir agora mesmo…
— Não… faça tempestade em copo d’água. Vai passar… com o tempo. Ugh!
Se saísse dali daquele jeito, o escândalo se espalharia imediatamente entre os convidados. Mesmo com o estômago revirado, a mente de Damian trabalhava em ritmo acelerado.
— Ele… morreu? O que você estava pensando para… Ugh. Ugh!
— Não precisa falar se estiver sendo difícil.
— Sua Excelência… Isso pode virar um problema diplomático…
— Que se dane a diplomacia! Você correu perigo!
— Eu já tinha resolvido… Ugh. Droga.
Como o enjoo persistia em não passar, Damian soltou um breve xingamento. Por ter sido exposto de forma forçada ao feromônio de outro Alfa, os tremores em seu corpo não cediam. Suas pernas fraquejaram várias vezes, obrigando-o a apoiar todo o peso do corpo contra Claude.
Amparando Damian em seus braços, Claude apressou-se em recolher seu próprio feromônio que ainda oscilava de forma agressiva. Embora sua cabeça continuasse fervendo de raiva, cuidar de Damian era a prioridade absoluta naquele momento.
— Você se machucou em algum lugar? Vamos ao hospital. Está doendo em mais algum ponto? Aquele desgraçado fez alguma coisa com você…
— Chega. Por favor, fale baixo… Fique quieto um pouco.
Com uma voz fraca e esgotada, Damian o repreendeu, e só então Claude fechou a boca. Em vez de falar, ele firmou os braços ao redor de Damian para ajudá-lo a se manter de pé.
A agitação finalmente parecia ter cedido, mas a porta da sacada se abriu novamente e Ilias entrou.
— Damian. Você e o Claude…
Ilias, que entrava com um semblante descontraído esperando encontrar outra cena, congelou com uma expressão rígida ao sentir o odor forte que empesteava o ar.
O olhar de Ilias pousou primeiro na silhueta ensanguentada caída no chão e, em seguida, moveu-se para Damian, que estava pálido e apoiado no peito de Claude.
Apesar do curto instante, Ilias compreendeu a situação de imediato. Ele fez um sinal com a mão, chamando o guarda real que o escoltava de perto.
— Ouço as explicações mais tarde. Primeiro, precisamos tirar essa pilha de lixo daqui.
— Chamou, Vossa Alteza?
Ilias ordenou ao guarda que se aproximou que chamasse seu assessor discretamente e providenciasse a limpeza do local.
— E garanta que ninguém se aproxime até que este lugar esteja limpo. No caminho de volta, traga um neutralizador de feromônios. Isso está tão repugnante que mal consigo suportar.
Dado o volume de feromônios que o homem caído havia liberado, o odor daquele Alfa desconhecido ainda pairava sutilmente no ar.
— Sim, senhor.
O guarda real não mudou de expressão mesmo diante do homem coberto de sangue. Ele apenas lançou um breve olhar para Damian, que se mantinha de pé de forma instável nos braços de Claude.
Assim que o guarda saiu para cumprir as ordens, Ilias soltou um suspiro profundo e aproximou-se deles.
— Eu nunca imaginei que haveria um idiota capaz de fazer uma imbecilidade dessas em uma festa organizada por mim.
Ao ver Damian completamente pálido, Ilias estalou a língua.
— Damian, você está bem?
— …Estou bem.
A resposta veio com dificuldade enquanto ele tentava recuperar o fôlego, mostrando que seu estado não era dos melhores. O olhar de Ilias tornou-se sombrio. Ele não cogitava a possibilidade de alguém ter a audácia de tentar algo contra um membro da família real em pleno território de Ronen.
— Me desculpe. Eu deixei você sozinho. Eu deveria ter insistido para que levasse um guarda real com você…
— Vossa Alteza não teve culpa…
— Aquele desgraçado fez algo com você?
— Ilias! Deixe as perguntas para depois! Não está vendo o estado do Damian?
Claude esbravejou contra Ilias e ajeitou Damian em seus braços, já que o corpo dele continuava cedendo.
Entregando-se quase por completo ao amparo dele, Damian sentia-se morrer com o feromônio daquele homem asqueroso que ainda impregnava seu ser. Era como se insetos estivessem rastejando por sua pele. Se pudesse, sua vontade seria arrancar as próprias entranhas e lavá-las com água limpa até retirar cada vestígio.
Damian compreendeu perfeitamente o motivo de chamarem a exposição forçada a feromônios de Alfa de um ato de violência. Era doloroso demais. Mal conseguia controlar o corpo e um gosto azedo subia constantemente por sua garganta. Embora seu corpo se contorcesse de repulsa, ele se esforçava ao máximo para manter a lucidez.
A conversa entre Claude e Ilias chegava aos seus ouvidos em fragmentos.
— Desculpe. Deixo as perguntas para depois. Mas, Claude…
Ilias franziu o cenho e olhou de relance para o sujeito desacordado e coberto de sangue, soltando um lamento:
— Você não o matou, não é? Se ele estiver morto, vai ser difícil contornar a situação, mesmo para mim. Embora eu compreenda perfeitamente o seu lado. Se fosse eu, teria feito o mesmo — acrescentou Ilias com naturalidade. — Eu assumo a responsabilidade por isso. Você fica de fora.
— Não. Eu resolvo. Pelo que vi, ele parece ser do lado de Lesia.
— …É um… diplomata… — respondeu Damian, esforçando-se para falar em meio aos sussurros exaustos.
— Um diplomata? Sendo assim, melhor ainda. O crime de insulto à família real não entra na imunidade diplomática, então será mais fácil de resolver. Deixe isso comigo. O preço por ousar ultrajar meu primo querido será cobrado.
Embora parecesse calmo, Ilias estava possesso de raiva. Para ele, Damian era como um irmão de sangue. Mexer com Damian era o mesmo que mexer com ele próprio. Além disso, aquilo provava que o homem havia desdenhado da família real de Ronen.
A mente de Ilias trabalhava rápido, calculando como usaria aquele incidente para encurralar Lesia.
Enquanto isso, o guarda real e o assessor de Ilias retornaram. O guarda ergueu o homem caído segurando-o pelos dois lados. O corpo do sujeito pendia sem forças e o braço quebrado balançava de forma bizarra. Um gemido fraco escapou dos lábios dele.
— Morto ele não está.
Embora tivesse dito que um óbito traria complicações, o tom de Ilias carregava um sutil tom de lamentação.
— Ele cometeu o crime de insulto à família real. Mantenham-no sob custódia e proíbam qualquer visita. E cubram esse rosto deplorável para levá-lo daqui. Não quero assustar os convidados — ordenou Ilias com um gesto, dispensando a guarda.
Ele continuou a coordenar as ações, instruindo o assessor a chamar o embaixador de Lesia à sala de conferências imediatamente.
Nesse meio-tempo, Damian reunia todas as suas forças para resistir até que o enjoo provocado pelos feromônios diminuísse. Em condições normais, ele jamais aceitaria ficar aninhado nos braços de Claude daquela forma. No entanto, no momento atual, era impossível manter-se de pé sozinho. Graças ao neutralizador que Ilias havia mandado aplicar, o feromônio de Yuri Ivanov que flutuava no ar havia sumido, mas o odor que havia invadido suas entranhas não se dissipava com facilidade.
A sensação de ter algo invasivo circulando por seu corpo era difícil de descrever com uma palavra simples como desconforto. Seria preferível trocar aquele feromônio asqueroso — que o fazia se sentir atolado em uma poça de lama — pelo feromônio que Claude havia liberado temporariamente para ameaçar o agressor; parecia que aquilo o ajudaria a se sentir melhor. Instintivamente, ele aproximou o nariz da nuca de Claude.
Damian buscou o feromônio dele, que se assemelhava a uma forte tempestade de areia.
“Sim, isso é muito melhor.”
Damian aninhou-se ainda mais no abraço de Claude. Apoiando todo o peso do corpo contra o peito firme do homem que o segurava com força, ele respirou fundo para absorver o feromônio sutil dele até o fundo dos pulmões. No entanto, o odor presente ali era fraco demais. Era como receber apenas uma gota de água quando se está morrendo de sede.
— …Fe-feromônio… Uh, libere um pouco de feromônio…
— Damian? Meu feromônio está incomodando você? Vou recolhê-lo agora…
— N-não… Uh, por favor, libere seu feromônio agora mesmo.
Com o rosto pálido, Damian sussurrou enquanto agarrava o tecido na altura do peito de Claude. Sua respiração ofegante estava descompassada pelo sofrimento. Ainda era difícil lidar com os resquícios daquele feromônio repugnante que ele não conseguia expelir por completo.
Ele precisava eliminar aquilo o quanto antes.
Damian aproximou-se ainda mais, roçando o rosto contra a nuca dele.
— Rápido…
Se estivesse em seu juízo perfeito, jamais se comportaria daquela forma.
A mão que antes agarrava o peito do homem agora enlaçava o ombro dele. Trazendo o corpo para bem perto, ele escondeu o rosto na nuca de Claude, esfregando a testa ali de forma manhosa e insistente.
Amparando o corpo trêmulo de Damian, Claude começou a liberar seus feromônios gradualmente diante do apelo de seu Ômega.
Como a água que preenche um pequeno recipiente aos poucos, o feromônio dele começou a se infiltrar no organismo de Damian. A sensação dolorosa que antes retorcia suas entranhas foi cedendo paulatinamente. O aroma de terra fértil e o cheiro de sol forte acolheram o estômago revirado aos poucos.
Os tremores espasmódicos também foram diminuindo de intensidade. À medida que o enjoo que torturava Damian cedia, suas bochechas pálidas recuperavam a cor natural gradativamente.
Para garantir que seu Ômega se acalmasse, Claude acariciou as costas de Damian com suavidade. Como se mais ninguém estivesse presente no local, os dois dedicavam toda a atenção exclusivamente um ao outro.
Ilias, que pretendia dispensar as testemunhas e se aproximar de Damian, observou a cena por um momento e preferiu se retirar em silêncio.
“E ele insistindo tanto que não era nada disso… No fim das contas, os dois estão mesmo juntos.”
Ilias deu de ombros e, logo em seguida, sua expressão tornou-se severa.
“Bem, agora como devo tratar o infeliz que ousou ultrajar meu primo querido?”
Um sorriso gélido desenhou-se nos lábios de Ilias por um breve instante antes de desaparecer.
[URGENTE] Diplomata de Lesia é preso em flagrante!
[EXCLUSIVO] Diplomata de Lesia causa tumulto em festa de cooperação tecnológica. Diplomata de Lesia é detido por ordem do Príncipe Herdeiro.
[EXCLUSIVO] Diplomata de Lesia é preso pelo crime de insulto à família real.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello