↫─❀ Capítulo 06
Capítulo 6 Parte 1
O céu estava de um azul brilhante e ofuscante, salpicado aqui e ali por nuvens que pareciam punhados de algodão jogados descuidadamente pela extensão. O clima estava mais radiante e fresco do que nunca. O verão, a estação em que todas as coisas florescem em sua plenitude e ostentam sua força vital, estava logo ali na esquina. Desde o amanhecer, a temperatura estava amena, e uma brisa brincalhona dançava pelo ar, adicionando uma camada de frescor.
No entanto, a manhã de Damian estava longe de ser agradável.
Ele não havia pregado o olho a noite inteira, tendo passado as madrugadas correndo de um lado para o outro do banheiro, atormentado por uma náusea implacável que revirava seu estômago.
Levantando-se com o rosto encovado e abatido pela falta de descanso, Damian esfregou as bochechas com força.
“Por que tinha que ser logo hoje?”
Hoje era o dia em que ele cumpriria o favor de retribuição exigido pelo Duque de Enosh. Por causa da agenda sufocantemente lotada do homem, apenas definir uma data havia levado uma quantidade considerável de tempo. Isso significava que cancelar o compromisso por um capricho estava fora de questão.
Chutando o edredom para o lado, Damian levantou-se e jogou o cabelo para trás antes de caminhar em direção ao banheiro.
Seu corpo parecia chumbo e seu estômago ainda estava cambaleando. Damian encheu a banheira até a borda e submergiu o corpo na água. Mesmo sem ter tocado em uma gota de álcool, sentia-se como se estivesse sofrendo de uma ressaca violenta.
— Haa.
Um gemido involuntário escapou de seus lábios quando a água quente o envolveu. À medida que seu corpo aquecia, o torpor que havia se instalado em seus membros finalmente começou a ceder. Damian flexionou as mãos e os pés, tentando afastar a rigidez persistente.
O calor da água gradualmente o embalou em um estado de letargia. Ele olhou fixamente para a condensação que se formava nos azulejos, enterrando-se ainda mais na banheira. Após um período indeterminado de tempo, passos baixos ecoaram do lado de fora da porta.
— Jovem Mestre. O senhor acordou?
Era a voz de Peter. Ele provavelmente viera acordá-lo para a manhã. Um momento depois, a porta do banheiro se abriu e ele deu um passo para dentro.
— Que surpresa encontrá-lo de pé tão cedo.
Peter aproximou-se da banheira naturalmente, inclinando-se.
— Quer que eu lave seu cabelo? — perguntou ele.
Afogado em letargia, Damian apenas assentiu. Seus membros pareciam um peso morto. Ele não queria fazer absolutamente nada. Diante do consentimento de Damian, Peter tirou o paletó e dobrou as mangas da camisa.
Para facilitar o trabalho do mordomo, Damian mudou de posição, apoiando a nuca na borda da banheira.
— O clima está excepcionalmente bom hoje.
— Mmm…
— Sua Graça enviou rosas novamente esta manhã.
— Enviou?
A testa de Damian franziu-se ligeiramente. Desde o dia em que Claude pediu o encontro, ele enviava rosas todos os dias sem falta. Nunca havia uma mensagem separada incluída, mas Damian sabia exatamente o que aqueles buquês significavam.
“Cortejar com flores não era uma coisa do passado?”
Felizmente, Peter não parecia nutrir nenhuma suspeita em particular. Aceitando a palavra de Damian de que o Duque queria estreitar laços sociais, Peter simplesmente comentou:
— Ele é um homem muito atencioso —, encarando os buquês como um gesto de uma amizade que florescia.
Seguindo a instrução de Peter para inclinar a cabeça mais para trás, Damian apoiou o pescoço contra a borda de mármore e relaxou. Acostumado à arte de servir, Peter começou a lavar o cabelo de Damian com mãos práticas e habilidosas. Conforme seus dedos pressionavam firmemente o couro cabeludo e ofereciam uma massagem satisfatória, sons agradáveis escapavam da garganta de Damian.
— Peter, quando foi que você aprendeu a fazer tudo isso?
— Quando o senhor nasceu, Jovem Mestre. Tínhamos babás, é claro, mas havia momentos em que o senhor era bastante exigente sobre as mãos de quem o tocava, então fiz questão de aprender. Parando para pensar, faz muito tempo desde a última vez que lhe dei um banho assim.
Faz quase dez anos desde que Damian entrou na puberdade e deixou de receber esse tipo de assistência pessoal. O idoso mordomo sentiu um renovado senso de gratidão por Damian ter crescido saudável e sem problemas. Para Peter, que passara a vida inteira servindo a família e permanece sozinho, Damian era tanto um mestre a ser servido quanto um filho próprio.
Grato pela rara oportunidade de atendê-lo, Peter lavou o cabelo de Damian com cuidado meticuloso e um coração alegre.
Quando o banho — que durou mais do que o esperado — terminou e Damian saiu da banheira, seu humor havia melhorado desde o amanhecer. Peter, talvez entusiasmado com a tarefa de servir seu jovem mestre, insistiu em secar pessoalmente os cabelos úmidos de Damian.
Sob os cuidados zelosos do mordomo, Damian sentiu-se como se tivesse se tornado uma criança pequena novamente. A melancolia pesada e sufocante começou a se dissipar pouco a pouco. Graças a isso, embora seu estômago ainda não estivesse ideal, não era o suficiente para justificar a quebra de sua promessa.
— O compromisso estava marcado para a uma hora, certo? O Sr. Lindelof está programado para chegar nesse horário?
— Sim. Ele virá me buscar pontualmente.
— Então vou preparar o café da manhã. Vamos mantê-lo leve de novo hoje?
“Meu estômago não está bem…” Tendo passado a noite tendo ânsias, ele tinha zero desejo de comer. No entanto, como havia definido intencionalmente o compromisso para a uma hora da tarde para excluir uma refeição do encontro, precisava colocar algo no estômago antes de sair.
Damian deu um leve aceno de cabeça, e Peter saiu para cuidar dos arranjos. Visto que Peter não havia feito comentários sobre sua aparência, Damian presumiu que sua fisionomia não era tão fantasmagórica.
Ele foi até o camarim para selecionar seu traje. Como não era uma ocasião formal, escolheu um tricô cor de creme, um paletó casual, calças leves de algodão e mocassins.
Quando terminou de se preparar e desceu para a sala de jantar, o café da manhã o esperava. Fiel ao seu pedido, a refeição era simples. Uma galette recheada com ovo, queijo e presunto cru, acompanhada por suco de laranja espremido na hora. Ao lado, havia água gaseificada e os limões frescos em fatias finas com os quais Damian vinha sobrevivendo ultimamente.
Como esperado, no momento em que se sentou, Damian pegou os limões primeiro. Ele franziu o rosto quando a acidez acentuada da fruta fatiada atingiu sua língua. Era azedo o suficiente para fazer sua boca doer, mas o sabor residual era curiosamente doce e delicioso.
“Por que eu nunca soube que eles tinham esse gosto antes?”
Inclinando a cabeça em confusão, Damian continuou a colocar uma fatia de limão atrás da outra na boca.
— Jovem Mestre. Consumir limões com o estômago vazio não é bom para a sua digestão.
Peter, observando com uma carranca, finalmente se pronunciou. Ver Damian devorar limões altamente ácidos logo cedo o deixava preocupado de que isso pudesse desencadear um distúrbio estomacal.
Antes que a bronca de Peter pudesse aumentar, Damian voltou sua atenção para a galette. Ele cortou o ovo de gema mole, deixando-a escorrer suavemente sobre a massa do crepe. Damian pegou um garfo cheio da galette macia com o presunto e levou à boca. No entanto, seu rosto imediatamente se contorceu em uma careta. Não era que o cheiro fosse repugnante ou que ele sentisse uma onda de náusea. Ele simplesmente odiou a textura mole e pastosa da massa do crepe em sua boca.
— Há algo errado? O sabor não está do seu agrado? Quer que eu peça para fazerem de novo?
Seu apetite desapareceu instantaneamente. Ele não queria engolir o que estava em sua boca. Preocupado com a expressão ansiosa de Peter, Damian forçou-se a mastigar algumas vezes antes de engolir tudo. Ele imediatamente deu um gole longo e desesperado na água gaseificada.
— Não, está tudo bem. Eu só… não tenho muito apetite.
Ele pegou um limão novamente, mascarando rapidamente o gosto residual desagradável com uma explosão de azedo.
— Luisa está preocupada porque o senhor não tem comido nada ultimamente. Ela vive me perguntando se há algo de errado com a comida dela…
— Não! Diga a ela que não há nada de errado com a comida. Eu só não estou com muito apetite. Diga a Luisa para não se preocupar à toa.
— Bem, então, não há mais nada que o senhor possa desejar? Quer que eu traga algumas sobremesas? Já que o senhor tem gostado delas ultimamente, temos uma boa variedade preparada.
— Tem torta de limão? Isso parece bom.
— Sim. Volto em um instante.
A pedido de Damian, Peter correu para a cozinha. Damian empurrou a galette para o lado e terminou as fatias de limão restantes. Enquanto enxaguava a boca com a água, Peter retornou com uma bandeja.
Além da torta de limão que ele havia pedido, a bandeja continha bolo de mousse de frutas vermelhas, cupcakes recheados com creme de limão e clafoutis de toranja, tudo lindamente arrumado.
— Por que você trouxe tanto? Eu só precisava da torta.
— Já que o senhor não vai fazer uma refeição, deve encher o estômago com isso em vez disso.
— Obrigado.
As sobremesas rapidamente tomaram conta da mesa. Talvez porque a chef, Luisa, tivesse colocado um esforço extra nelas, cada prato parecia ter vindo do restaurante de um hotel cinco estrelas.
— Diga a Luisa, obrigado por mim.
— Ela ficará grata o suficiente quando vir os pratos vazios — Peter respondeu com um aceno de cabeça, como quem diz: “Agora coma tudo isso”.
“A porção é um pouco excessiva para terminar…” Encontrando-se em um dilema, Damian primeiro puxou o prato da torta de limão para perto de si. Aquela vinha sendo a única coisa que ele conseguia tolerar de forma consistente ultimamente. A acidez refrescante e elétrica preenche sua boca, acalmando efetivamente seu estômago enjoado.
No momento em que a torta de limão tocou sua língua, a náusea que o havia atormentado a noite inteira começou a recuar. Seu apetite retornou em um piscar de olhos, e suas mãos ficaram ocupadas. Ele terminou uma fatia de torta em tempo recorde e depois moveu um clafoutis de toranja para o seu prato.
Ao morder o clafoutis coberto com a polpa da toranja, os sabores cítricos doces e amargos envolveram sua língua, seguidos pelo sabor da base macia da torta. Não estava ruim. Mesmo assim, Damian o engoliu e imediatamente voltou os olhos para as outras sobremesas.
Exatamente quando Damian estava puxando o bolo de mousse de frutas vermelhas em sua direção, seu telefone tocou.
— Oh. Theo.
— Está tranquilo para falar? Você está sozinho?
— O que foi? Diga logo.
— A cirurgia foi agendada. Venha ao hospital amanhã à noite.
— Amanhã? Pode ser feito tão rápido assim?
— Vou dizer ao mordomo que você está indo para um check-up de saúde amanhã à tarde, então você deve usar essa desculpa também. Faremos a cirurgia discretamente amanhã à noite, você descansará no hospital naquela noite e receberá alta no dia seguinte. Já garanti um quarto, então não se preocupe com isso.
— Entendido. Obrigado.
— Você percebe que não há caminho de volta depois de feito, certo? Você ainda está decidido sobre isso?
— Sim. Proceda conforme o planejado.
Theo soltou um suspiro curto e disse que entendia antes de desligar. Ele parecia ainda estar esperando que Damian mudasse de ideia.
“Mas como eu poderia dar à luz esta criança?”
Era absolutamente impossível. Assim que a cirurgia estivesse concluída, esse enjoo matinal maldito desapareceria. E o fato de ele ter ficado grávido um dia permaneceria um segredo para todos, como se nunca tivesse acontecido.
Theo não era homem para resolver as coisas de forma descuidada.
— Quem estava ao telefone para deixá-lo com essa expressão? — Peter perguntou, notando Damian olhar fixamente para o seu aparelho.
— Oh. Era o Theo… Ele diz que eu deveria ir para um check-up de saúde amanhã porque não tenho comido bem. Então guarde isso na mente, Peter. Serei internado amanhã para exames e receberei alta no dia seguinte.
— Essa é uma boa notícia. Devo dizer ao Sr. Lindelof para garantir uma suíte VIP.
— Não há necessidade disso. O Theo diz que já cuidou dos arranjos do quarto. Só estou lhe contando com antecedência para que não se preocupe. E por favor, não mencione isso aos meus pais. Só vai causar preocupação desnecessária a eles.
— Certamente eles deveriam saber?
— Por quê? São apenas alguns exames.
O coração de Damian martelou com o medo de que Peter pudesse dar uma pista aos seus pais, mas ele manteve um tom casual e indiferente.
— Se esse é o seu desejo, Jovem Mestre, então muito bem.
Felizmente, Peter cedeu ao pedido de Damian. Seu coração ansioso sentiu-se um pouco mais aliviado. Damian pensou que, assim que passasse com sucesso pelo compromisso de hoje, todo esse caos desconfortável e irritante desapareceria. Tinha que desaparecer.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello