↫─❀ Capítulo 06.3
Capítulo 6 Parte 3
Damian estremeceu diante do comentário afiado e perspicaz. Seu coração martelou. Ele percebeu que havia assumido instintivamente uma postura defensiva. Antes que o homem pudesse ficar mais desconfiado, Damian apressou-se em inventar uma desculpa.
— Vossa Graça não saberia disso, mas eu pessoalmente odeio jantar com pessoas com quem me sinto desconfortável.
Apresentando aquela desculpa ridícula, Damian ergueu a cabeça com um ar forçado de desafio. Oscar lançou-lhe um olhar inquisitivo, parecendo confuso. Damian cruzou os braços e encarou o homem com teimosia.
— Aceitarei a aposta, desde que o desejo não seja um jantar. Caso contrário, esqueça.
Se ele sofresse outro ataque de enjoo matinal na frente de Claude, a situação não passaria batida dessa vez. Damian não podia se dar ao luxo de correr esse risco. Ele só precisava sobreviver ao dia de hoje.
O rosto afiado e bem definido do homem contorceu-se levemente. Sua mandíbula angular contraiu-se, como se estivesse insatisfeito com a resposta.
— Tudo bem. Vamos fazer desse jeito.
Ele imediatamente mudou de expressão e ofereceu um sorriso radiante ao pegar o panfleto novamente. Exatamente quando Damian soltava um suspiro de alívio por ter superado a crise, ele congelou.
“Não, espere. Como as coisas chegaram a esse ponto? Eu não tinha obrigação nenhuma de aceitar a aposta!”
Damian encarou o homem, que estava calmamente concentrado no panfleto. Sentiu-se como se tivesse sido manipulado com maestria. O rosto do homem, voltado para as páginas, parecia perfeitamente inocente. Damian mordeu o lábio, amaldiçoando a própria estupidez por cair em uma provocação tão infantil.
— Você não vai escolher?
Damian mal conteve o impulso de lançar um insulto àquela cara deslavada.
— Não fique tão desanimado. Tenho certeza de que escolherá melhor da próxima vez.
Damian falou com um sorriso convencido, de cabeça erguida.
O resultado foi a vitória de Damian. Ele estivera tão ansioso durante toda a corrida que seu pescoço e ombros estavam rígidos. No momento em que o cavalo número 3 que havia escolhido cruzou a linha de chegada em primeiro lugar, ele lutou com todas as forças para não pular no assento com uma alegria pouco digna.
— Isso significa que você quer se encontrar de novo?
— Nem sonhe com isso.
Damian estremeceu de desgosto diante da atitude brincalhona do homem. Apesar da derrota, Claude não pareceu particularmente desapontado. Em vez disso, deu um sorriso de lado e continuou a provocar Damian.
— Que frio… Você é excepcionalmente severo comigo.
— Só percebeu isso agora? E eu pensando que você já sabia.
Depois de aceitar a aposta ridícula e se preocupar com a possibilidade de Claude vencer, Damian sentiu-se imensamente mais leve.
— Eu claramente ganhei a aposta, então você deve realizar o meu desejo.
Damian não hesitou. Seu único desejo era escapar daquela situação estressante o mais rápido possível.
— Meu desejo é que o nosso compromisso termine bem aqui.
— Quer se separar já? Que decepção…
— Você concordou com o desejo. Está tentando voltar atrás na sua palavra agora?
Os olhos violeta de Damian faiscaram enquanto ele endurecia o tom de voz. O homem, com um sorriso misterioso nos lábios, apenas o encarou em silêncio. Aquela expressão risonha, por algum motivo, irritava os nervos de Damian.
— P-por que está me olhando desse jeito?
Tentando afastar o peso daquele olhar, Damian balançou a cabeça de leve e cruzou os braços.
Claude, que havia observado Damian durante toda a corrida enquanto ele se mexia no assento, com os olhos brilhando e os pés batendo no chão, não ficou particularmente desapontado com o retorno repentino dele à postura defensiva. Mesmo agora, um leve rubor permanecia nas bochechas de Damian. Até mesmo o homem que sempre mantinha uma guarda estranha na presença de Claude permitira que suas arestas afiadas se suavizassem enquanto os cavalos de corrida galopavam. Seu espírito competitivo ardente, sua determinação absoluta em vencer a aposta — tudo aquilo era bastante adorável.
Era a primeira vez que Claude se divertia de verdade assim. Mesmo sabendo que Damian certamente encerraria o encontro se ganhasse a aposta, Claude não se sentiu amargurado.
“Bem, não é como se hoje fosse a única oportunidade.”
Claude decidiu conceder o desejo graciosamente. — Uma aposta é uma aposta. Devemos voltar, como você deseja?
Damian ficou visivelmente aliviado. Ele se levantou de prontidão, alisando os vincos leves em suas roupas e ajeitando o cabelo. O secretário afastou-se brevemente para trocar o bilhete de aposta vencedor.
Os olhos de Claude varreram Damian enquanto o rapaz praticamente irradiava alegria com a perspectiva de ir embora. Hoje, Damian estava vestido de forma relativamente casual. O tricô cor de creme sob o paletó casual combinava perfeitamente com sua pele de porcelana. Fios de cabelo pretos como tinta caíam sobre sua testa. Sob um nariz reto, seus lábios cor de coral adicionavam um toque de cor ao seu belo rosto.
Enquanto observava Damian de pé, com a postura ereta, esperando pelo secretário, Claude sentiu de repente uma sensação estranha. Um formigamento no centro do peito, um algo incerto agitando-se em seu interior.
Sentindo o olhar persistente de Claude, os olhos de Damian vacilaram momentaneamente antes de ele sustentar o olhar diretamente. Então, ele prendeu o lábio inferior entre os dentes e o soltou. Apesar de saber que o rapaz era alto e possuía uma estrutura surpreendentemente firme, Claude sentiu como se estivesse diante de algo delicado e precioso, um sentimento que o deixou sem saber como reagir.
— Você não vai?
Ele parecia incapaz de suportar o olhar por mais tempo. Ao ver Damian erguer o queixo com um ar altivo e provocador, um riso escapou de Claude involuntariamente.
— Pare de rir de um jeito tão estranho.
— Eu estava rindo de um jeito estranho?
— Sim. É extremamente desagradável.
— Eu não sabia que precisava da sua permissão para rir. Você deseja me controlar? Para fazer isso, teria que me dar bastante em troca, não acha?
Diante da resposta brincalhona e leve, Damian expressou um olhar de puro nojo. — Essas piadas não têm a menor graça.
Assistir àquele belo rosto perder a compostura momentaneamente era um deleite. Ele ainda não entendia por que Damian se protegia de forma tão excessiva, mas, afinal, toda rosa bonita tem seus espinhos. Claude estava perfeitamente ciente de que Damian escondia alguma coisa. Seus instintos de sobrevivência, moldados em campos de batalha ferozes, sussurravam-lhe a verdade.
Ele pretendia descobrir o que era no devido tempo. Só agora havia percebido que sua vida poderia realmente se tornar divertida. Aproximar-se de um gato arisco exigia paciência. Uma provação daquela magnitude era apenas um pequeno contratempo.
No momento em que Oscar retornou ao salão, eles partiram juntos. Pegaram o elevador para o andar térreo. O interior do hipódromo, agora que a corrida havia terminado, estava repleto de gente. O som dos anúncios sobre o próximo páreo misturava-se ao clamor caótico de vozes, preenchendo o saguão. Famílias aproveitando um passeio, casais em encontros e crianças correndo com os pais em seu encalço.
Conforme passavam pelas multidões compactas, suspiros de admiração e exclamações de surpresa surgiam de todas as direções. À medida que os olhares das pessoas se voltavam para eles, Damian endireitou as costas. Não havia sinal de tensão. Claude varreu os arredores com um olhar afiado. Ao avistar alguém erguendo o telefone para tirar uma foto, aproximou-se imediatamente do lado de Damian. Apesar de estar protegendo-o, o clique-clique rítmico dos obturadores não diminuía. Claude estava em alerta máximo, preocupado que alguém pudesse avançar em direção a eles a qualquer segundo.
— Entendo por que você precisa de um guarda-costas.
— O senhor também deveria sempre andar acompanhado por um, Vossa Graça. Nunca se sabe o que pode acontecer em meio a uma multidão.
— Você já passou por alguma situação perigosa?
— Não. Meus fãs geralmente são bem-comportados. E se não forem, o pensamento de que o Rei está por trás de mim costuma ser o suficiente para dissuadi-los.
Como Damian dissera, o público nunca esquecia que a família real respaldava sua fama.
“Ele é ainda mais bonito pessoalmente.”
“Quem é aquele homem ao lado dele?”
“Uau. É como se eles estivessem em um mundo diferente.”
“Então é assim que se parece uma aura.”
“Eles estão em um encontro? Não ouvi nada sobre o Conde estar namorando alguém.”
Claude conteve um sorriso ao notar a sobrancelha de Damian contrair-se de desagrado com a menção a um “encontro”. Aqueles que reconheciam Damian pessoalmente apenas lançavam olhares furtivos ou cochichavam entre si enquanto tiravam fotos. Ninguém ousava se aproximar. Consequentemente, o deslocamento deles não foi impedido, com a multidão abrindo caminho diante deles como o Mar Vermelho.
Os murmúrios não diminuíam. Damian, acostumado com tais coisas, parecia não se importar, mas Claude, que não tinha experiência em caminhar por multidões tão curiosas, sentiu seus nervos ficarem à flor da pele.
Na praça de alimentação interna oferecida para o público de fim de semana, a comida era preparada incessantemente. Pequenos estabelecimentos que ofereciam refeições simples alinhavam-se pela área. O ar era um coquetel denso de aromas. Salsichas chiando nas grelhas, a manteiga rica da pipoca e a fragrância doce de donuts fritando misturavam-se, atingindo o nariz de Claude. Ele não estava com fome, mas pensando que poderia ser divertido experimentar algo diferente, Claude olhou para Damian.
— Damian?
Por algum motivo, Damian havia ficado mortalmente pálido. Ele mordia o lábio com firmeza, prendendo a respiração.
— Damian. Você está bem? Algo está doendo?
Gotas de suor frio formaram-se na testa de Damian, como se ele estivesse tentando desesperadamente suportar alguma coisa. Damian de repente pressionou a mão contra a boca.
— Damian. O que foi? O que há de errado?
Notando a parada repentina de Damian e sua cabeça baixa, Oscar aproximou-se correndo, sentindo que algo estava errado.
— Jovem Mestre? Qual é o problema?
— Damian?
Damian não respondeu, apenas acenou com a mão como se dissesse que estava bem. Claude inclinou-se, tentando ver o rosto de Damian.
Foi então.
— Ugh.
Um gemido escapou por trás de sua mão.
— Ugh. Ugh!
Naquele momento, Damian lançou um olhar furtivo para Claude, parecendo alguém pego em um ato vergonhoso. O medo piscou em seus olhos antes de desaparecer. Ele imediatamente curvou-se quando uma onda de náusea o atingiu. Claude não conseguia compreender aquele olhar passageiro.
“Do que ele tem medo?”
— Jovem Mestre! O que há de errado? O senhor está doente?
— O, o cheiro…, eu tenho que, sair, agora mesmo… uuek!
“O que é isso? O que está acontecendo?”
As pessoas começaram a se aglomerar ao redor, murmurando.
— O cheiro? O senhor já esteve aqui muitas vezes e nunca teve problemas antes…
— O que diabos está acontecendo?
No momento em que Claude estendeu a mão para amparar o cambaleante Damian, o rapaz empurrou seu braço e correu em direção à saída.
— Jovem Mestre!
Sua expressão endureceu enquanto Claude corria atrás de Damian com Oscar logo atrás. Alcançá-lo no estacionamento foi fácil. Ele moveu-se rapidamente para o lado de Damian, que estava curvado em um canto, tendo ânsias de vômito repetidas vezes. Apesar dos sons profundos e internos de seu sofrimento, Damian não botou nada para fora. Apenas gemidos dolorosos continuaram por um longo momento.
Um Oscar frenético estava ao seu lado, gritando para Hanson ligar o carro.
Conforme Claude se aproximava, uma percepção repentina, como um relâmpago, o atingiu. Exatamente a mesma coisa havia acontecido durante o jantar com o Príncipe Herdeiro. Antes mesmo de Damian tocar na comida, ele tivera ânsia e correra para o banheiro. A maneira como agira como se estivesse escondendo algo quando saíra. Seu comportamento desesperado e estranho para evitar uma refeição.
E agora — neste exato momento.
Ele havia começado de repente a ter ânsias com o cheiro penetrante de comida. E aquele rosto — a maneira como olhara para Claude com olhos cheios de medo — passou por sua mente.
A expressão de Claude gradualmente transformou-se em pedra. Uma suspeita inacreditável começou a ganhar vida. Era um sentimento mais próximo de uma convicção poderosa do que qualquer outra coisa.
Ele olhou para baixo, para Damian, que ainda tinha ânsias e arquejava em busca de ar. A suspeita abalou Claude até o âmago. Claude cerrou os dentes enquanto o pensamento chocante se consolidava.
Quando as ânsias de Damian finalmente começaram a diminuir, Claude aproximou-se e inclinou-se. Um rosto pálido de choque virou-se em sua direção.
Claude conteve o tumulto em sua alma e perguntou calmamente.
— Você está grávido, não está?
Como se tivesse acabado de receber uma sentença de morte, toda a compostura de Damian desmoronou.
─── ✧・゚: * ✧・゚:* ───
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello