↫─❀ Capítulo 05.4
Capítulo 5 Parte 4
Sua expressão endureceu ao olhar para o cartão em sua mão. Ele sentia como se a perda do potro fosse, de alguma forma, culpa daquele homem.
Nada de bom acontece quando me envolvo com ele.
Seu raro bom humor desapareceu em um instante.
— Jovem Mestre, o senhor está bem? — Peter perguntou com um olhar de preocupação, notando quão rapidamente a expressão de Damian havia escurecido. — Quer que eu traga mais chá?
— Não, não é necessário. Acho que vou dar uma caminhada.
Damian levantou-se, esperando mudar de ares, mas parou ao ouvir uma confusão do lado de fora.
— O que é esse barulho?
Era o som de um motor de alta cilindrada. Peter moveu-se em direção à janela para olhar para fora.
— Conde! P-por favor, venha aqui fora um momento!
Era Oscar. Ele havia corrido de volta para a sala de estar com os olhos arregalados de choque.
— Sr. Lindelof? Quem está lá fora? — Peter perguntou.
— Mordomo, o senhor precisa vir ver também! Um presente chegou para o Conde, e é…!
Os olhos de Damian se arredondaram de surpresa ao ver o habitualmente composto Oscar tão agitado.
— O que em nome de Deus é isso?
— Sua Graça enviou um presente… ele enviou aquele potro!
— O quê?
Peter e Damian encararam Oscar em uníssono, estupefatos.
— Por que ele está aqui?
Damian olhava desacreditado para o veículo especializado em transporte de cavalos estacionado em frente ao Chalé Roseten. Fazia apenas alguns minutos que ele estava desesperado por causa do leilão em espera.
Antes que pudesse processar a situação, o motorista desceu do veículo. Ao se aproximar de Damian, ele de repente congelou, parecendo completamente deslumbrado. Como um fã tímido cara a cara com uma superestrela que só conhecia por fotografias, suas pálpebras tremeram freneticamente enquanto seu rosto assumia um tom profundo de carmesim.
— Mmm.
Peter pigarreou secamente para tirar o homem de seu torpor. O motorista finalmente recuperou os sentidos, embora tenha se aproximado com os movimentos rígidos e desajeitados de um brinquedo quebrado e começado a gaguejar.
— O-olá, Conde Grave. Eu… eu sou Anderson, da propriedade Akdel.
O rosto inteiro de Anderson estava corado enquanto ele olhava para Damian com pura admiração. Apesar do comportamento desajeitado do homem, os olhos de Damian estavam fixos unicamente no veículo de transporte.
— O potro aí dentro é realmente o filhote da Gaia?
— S-sim, está correto. Sua Graça, o Duque de Enosh, deu ordens para que ele fosse e-entregue ao Conde…
— Se o senhor puder apenas assinar aqui… — Anderson murmurou, entregando os papéis com a mão trêmula. Eram o certificado de pedigree e os documentos de propriedade do potro.
Damian pegou os papéis e os verificou minuciosamente; era de fato o potro gerado por Gaia. Mesmo com as evidências em mãos, ele achava impossível de acreditar, lendo o certificado repetidas vezes.
— Então os Akdels finalmente cancelaram o leilão.
— Sim. A esta hora… o banco já deve ter sido notificado também.
— E Sua Graça realmente ordenou que esse potro fosse enviado para mim?
— Perdão? Sim, está correto. Assim que o senhor assinar isto, será propriedade do Conde.
— Jovem Mestre, aqui.
Peter lhe entregou uma caneta-tinteiro enquanto Damian ainda estava em transe. Assim que terminou de assinar os documentos, Anderson moveu-se para descarregar o cavalo.
Como se estivesse possuído, Damian o seguiu. Peter foi chamar Sven, o gerente do estábulo, enquanto Oscar permanecia ao lado de Damian.
No veículo de transporte, Anderson começou a soltar as quatro travas para descarregar o potro. A porta, que funcionava como uma rampa para a segurança do cavalo, começou a descer lentamente. O interior do estábulo móvel foi se revelando gradualmente.
Damian instintivamente prendeu a respiração. Aquele era o momento em que ele finalmente veria com os próprios olhos o potro que os Akdels só haviam mostrado em fotografias.
— Meu Deus.
Uma exclamação de admiração escapou de Damian quando o potro foi revelado. Suas pernas retas e firmes já eram bem definidas com músculos, apesar de sua juventude, e seu corpo possuía uma beleza fluida que era inebriante apenas de olhar. Uma cauda cheia balançava suavemente, e toda a sua pelagem brilhava de saúde.
Anderson removeu os cintos de segurança que haviam protegido o cavalo durante o trajeto e, em seguida, retirou cuidadosamente as bandagens de proteção de seus tornozelos. Assim que todas as amarras foram removidas, Anderson pegou a guia do potro e o conduziu rampa abaixo. Damian deu um passo à frente, como em um sonho, e ele mesmo segurou a guia.
Phff—.
O jovem potro olhou para Damian com olhos pretos límpidos e transparentes e deu uma leve sacudida de cabeça.
— Eu… eu vou me retirar agora.
Com o rosto ainda vermelho, Anderson curvou-se profundamente e recuou.
— Olá — Damian sussurrou suavemente, acariciando o focinho do potro. Ele segurou a guia e moveu-se cuidadosamente para longe do veículo.
— Jovem Mestre.
Sven, o gerente do estábulo, aproximou-se e assumiu a guia.
— Sven, olhe. Não é lindo? Eu nunca vi uma criatura tão requintada.
— Sim, sim. Realmente lindo. Acredito que seja o mais bonito que já vi.
Damian era implacável em seus elogios, acariciando o pescoço do potro, batendo de leve em sua nuca e tocando suas orelhas pontudas e alertas.
— Você é realmente lindo. Tão lindo.
Ele passou os dedos pela crina brilhante e espessa. A textura sob o seu toque era sublime. Damian havia se apaixonado por aquela criatura à primeira vista. Sentia-se como se estivesse sonhando. Seu coração martelava contra as costelas de pura alegria.
— Por favor, dê um nome a ele, Jovem Mestre — Peter disse com um sorriso satisfeito.
— Dea. Eu o chamarei de Dea. Nenhum outro nome poderia se adequar melhor a ele.
Aquela criatura era mais bonita do que qualquer cavalo que Damian já tivesse visto. Superava até mesmo Onyx, seu primeiro cavalo amado que seus pais lhe deram aos dez anos de idade.
— Dea. Espero que você goste do seu nome.
Damian sussurrou o nome repetidas vezes com uma voz suave para que o animal o reconhecesse. Parado tão perto do jovem potro que quase pareciam um só, o rosto de Damian estava mais iluminado do que estivera em muito tempo.
Como um rubor rosado tocava sua pele de porcelana, sua beleza já marcante parecia irradiar ainda mais. Até Peter, que conhecia Damian por toda a vida, só pôde balançar a cabeça diante do quão radiante ele parecia.
— Jovem Mestre, não é hora para isso. O senhor deve enviar seus agradecimentos a Sua Graça. Não pode deixar um presente tão precioso sem reconhecimento.
Peter empurrou as costas de Damian com uma agitação exagerada. Oscar, parado discretamente por perto, assentiu em concordância.
Certo. Meus agradecimentos… Sua alegria avassaladora acalmou-se ligeiramente.
— Vou levar Dea para as cocheiras — disse Sven, conduzindo o potro.
Uma parte de Damian queria passar o dia inteiro com Dea. No entanto, com o meticuloso Peter olhando feio para ele e insistindo para que se apressasse, ele não teve escolha senão voltar para dentro.
— Que tipo de presente de retribuição o senhor enviará? Se me avisar, eu irei pesquisar a respeito — Oscar ofereceu com entusiasmo, ansioso para provar seu valor.
— Bem… o que seria apropriado?
Como havia recebido o potro que tanto cobiçara, ele não podia simplesmente ignorar o gesto.
Ah, parando para pensar… Damian finalmente lembrou-se do conteúdo do cartão.
> Se esse presente for do seu agrado, você aceitaria sair em um encontro comigo?
Então era isso o que significava. E como ele sequer sabia que eu estava de olho naquele potro?
Isso tornava impossível ignorar a mensagem. O problema não era que ele não gostasse do presente. Era que ele havia gostado demais. Era o suficiente para abalar seu juramento de nunca mais ver o homem.
O que eu faço…?
Damian queria simplesmente enviar um presente de valor equivalente ao potro e dar o assunto por encerrado. Mas o pensamento de que o homem pudesse pedir Dea de volta se ele não concordasse com o encontro fez seu coração apertar. Dea já era seu. Não importava o que o homem dissesse, ele jamais devolveria o potro. Sendo assim, só havia um caminho a seguir: dar ao homem o que ele queria.
Damian firmou sua resolução e começou a discar o número. Ele achara que nunca seria o primeiro a ligar para o homem.
— Recebi um presente tão grandioso, o que poderia servir como uma retribuição adequada? — Peter perguntou-se em voz alta.
— De fato. O Conde deve estar em um grande dilema — acrescentou Oscar.
Enquanto Peter e Oscar conversavam sobre o presente de retribuição, o telefone continuava a chamar. Damian estava prestes a desligar com o coração mais leve, lembrando-se de que o Duque, que havia aceitado um cargo ministerial após seu retorno, poderia não ter tempo para ligações pessoais. Mas, naquele exato segundo, a chamada foi atendida.
— Damian.
Após um momento de silêncio, Damian falou diretamente.
— Sua Graça.
— Já que está ligando, parece que o presente chegou em segurança. E então? Meu presente é do seu agrado?
— Sou grato pelo presente. Como foi dado, não irei recusá-lo. Mas você não pode voltar atrás em sua palavra mais tarde.
Uma risada baixa ecoou pelo telefone. O som fez o lóbulo da orelha de Damian formigar incrivelmente, como se o fôlego do homem realmente o tivesse tocado. Ele quis coçar a orelha com força, mas não podia com Peter e Oscar o observando com a respiração presa.
— Eu nunca faria uma coisa dessas. De qualquer forma, parece que você gostou do presente. Fiquei preocupado que pudesse estar zangado como ontem, então estou bastante aliviado.
— Como você enviou um presente tão significativo, eu me sentiria bastante sem vergonha aceitando-o simplesmente sem nada em troca…
Havia ouvintes demais ali para que ele mesmo dissesse a palavra “encontro”. Sentindo-se sobrecarregado pelos dois homens que escutavam com atenção compenetrada, Damian acenou para que saíssem.
— Por favor, certifique-se de perguntar do que ele precisa! — eles sussurraram gesticulando com a boca enquanto finalmente deixavam a sala de estar. Só então Damian mudou a posição do telefone, adotando uma postura mais relaxada.
— Mais importante, como na terra você convenceu os Akdels? Eles se mantiveram firmes mesmo quando foram pressionados por todos para vender aquele potro.
— Eu não usei minha autoridade. Comprei de forma justa com meu próprio dinheiro.
— Então qual foi o segredo? Eles recusaram categoricamente a minha oferta de cinco vezes o valor de mercado…
Na verdade, Damian fora quem fizera aquela oferta e fora rejeitado. Certamente… será que ele ofereceu ainda mais?
— Você ofereceu dez vezes o valor?
Em vez de uma resposta, Claude riu baixo novamente. Ugh, por que esse homem continua rindo? Dessa vez, Damian não pôde evitar pressionar um dedo contra a orelha que coçava.
— Bem, então, posso ficar ansioso pelo nosso encontro?
— Espere um momento. Em relação a esse… encontro. Você quer dizer um encontro normal, como a maioria das pessoas conhece?
— Isso depende de qual é a sua ideia de um encontro normal, não acha?
— Pare com jogos de palavras.
— Não é um jogo. Eu realmente não sei.
Damian franziu a testa, sem saber se o homem estava brincando ou falando sério.
— Apenas… comer juntos, conversar e passar um tempo…? — A voz de Damian carecia de confiança. Como ele nunca havia estado em um encontro, como deveria saber?
— Então vamos fazer exatamente isso.
É mesmo? É realmente só isso que precisa?
— Nesse caso… por favor, me prometa uma coisa.
— O que é?
— Não faça nada estranho. Não quero uma repetição do que aconteceu da última vez. Isto é estritamente uma reunião de negócios para retribuir um favor, não um encontro romântico entre namorados.
Damian ofereceu a desculpa, incapaz de se forçar a falar sobre aquele beijo. Não queria que o homem entendesse errado. Aquilo não era um encontro. Era simplesmente o pagamento por um presente. Já que havia recebido Dea, ele conseguiria suportar passar algumas horas em um encontro.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello