↫─❀ Capítulo 05.3
Capítulo 5 Parte 3
Damian recusou educadamente, dizendo que ele mesmo se serviria, e moveu-se em direção à mesa. Como havia pulado o café da manhã, ele estava de fato com fome. No entanto, o medo de ter outra crise de enjoo matinal na frente de todos o tornava hesitante em pegar qualquer coisa. Ele examinou a mesa. Fiel à palavra de Holstein, a seleção era impressionante. Havia sanduíches em tamanho de aperitivo, mini tortas cobertas com frutas frescas, fatias de bolo com creme espesso, saladas frescas e os canapés cobertos de caviar.
Nada havia sido esquecido. Embora fossem todos em tamanho de petisco, a própria variedade significava que alguém poderia facilmente se fartar apenas provando alguns.
Cauteloso com sua condição, Damian acabou servindo-se de um copo de limonada feita com limões espremidos na hora.
Dizem que você deseja coisas azedas quando está grávida.
De tudo o que estava na mesa, aquela era a única coisa que o atraía.
— É só isso que você vai comer?
— Não estou com muita fome. Não se preocupe comigo.
Damian acenou para que Oscar comesse e deu um pequeno gole na limonada. Ao contrário de seu medo de náusea, a acidez acentuada da bebida foi incrivelmente refrescante, limpando seu paladar.
Graças a Deus. Consigo lidar com isso.
Ele terminou o copo em pequenos goles. Com o azedo residual em sua boca, seu apetite começou a despertar, e ele colocou uma torta de lemon curd em seu prato. Deu uma pequena mordida e esperou por uma reação. Felizmente, não houve nenhuma onda de náusea.
Isso aqui também está tranquilo. Fico feliz que haja algo que eu consiga tolerar.
Ele sentiu uma sensação passageira de alívio por não ter que evitar a comida inteiramente de forma desajeitada. Damian terminou a torta, serviu-se de outro copo de limonada e moveu-se para um local mais reservado para descansar. A comida desapareceu rapidamente. Embora Damian tivesse acabado de chegar, a equipe estava lá há horas se preparando.
Damian sentou-se e relaxou. Com vários figurinos restantes para fotografar, ele precisava poupar suas energias.
Mais quatro figurinos… provavelmente mais umas três horas.
Ensaios fotográficos sempre levavam mais tempo do que as pessoas imaginavam, com o cabelo e a maquiagem sendo ajustados a cada troca de roupa. Às vezes, a própria sessão demorava mais do que o planejado, e ensaios ao ar livre eram propensos a atrasos intermináveis devido a variáveis imprevistas. Como o de hoje era inteiramente em ambiente fechado, ele esperava terminar no horário, desde que não houvesse grandes problemas.
Damian observava a equipe enquanto comiam e conversavam em pequenos grupos. Ao contrário de seu medo de perguntas invasivas, ninguém estava sendo indelicado. No entanto, as conversas sussurradas e os olhares ocasionais direcionados a ele sugeriam que não haviam engolido totalmente a sua explicação de “tio”.
Por que ele teve que fazer uma coisa tão inútil e atrair a atenção de todos?
Após a despedida no hospital, ele pensara que o homem pudesse ter desistido, já que nenhuma palavra havia vindo dele, mas parecia que esse não era o caso. Damian terminou sua limonada e soltou um suspiro suave.
Preciso fazer a cirurgia rapidamente.
Ele tinha zero desejo de se enredar com o homem, mas precisava se livrar desse segredo pesado antes que Claude percebesse qualquer coisa. Se necessário, ele iria até para o exterior…
— Certo, vamos retomar o ensaio!
Ao chamado do fotógrafo, Damian sacudiu seus pensamentos.
— Modelo, por favor, prepare-se. Começaremos o próximo cenário em instantes.
A atmosfera silenciosa do salão desapareceu quando a equipe começou a se movimentar novamente. Uma estilista correu para ajustar a aparência de Damian, alinhando meticulosamente seu cabelo e garantindo que a textura de seu top de tricô macio caísse perfeitamente.
A editora aproximou-se para explicar o clima e a pose para o próximo cenário. Damian tomou seu lugar em um sofá antigo, conforme solicitado. Ele abriu um livro, que servia como objeto de cena, e colocou um par de óculos de armação prateada que se ajustava ao conceito. Inclinando-se para trás contra o braço do grande sofá, ele ajustou o ângulo de seu rosto, e o ensaio começou.
À medida que a grande lente se focava nele e o flash começava a disparar, Damian afastou suas distrações e concentrou-se inteiramente em seu trabalho. O calor das luzes e o som rítmico do obturador o ancoravam no presente.
Ele poderia se preocupar mais tarde. Por ora, seu dever era dar o seu melhor absoluto na tarefa em mãos.
Gotas de condensação agarravam-se ao vidro transparente. Dentro da água gaseificada e brilhante, três cubos de gelo balançavam suavemente, acompanhados por uma fatia de limão em forma de meia-lua que adicionava um toque de vivacidade fresca.
Damian deu um gole cauteloso, deixando o líquido permanecer em sua boca enquanto esperava por uma reação. Felizmente, nenhum aroma nauseante se seguiu.
Pelo menos consigo beber isso, pensou ele com um vislumbre de alívio.
Peter, que o atendia, observou a cena com uma inclinação curiosa de cabeça antes de finalmente se pronunciar.
— Ainda não estamos no auge do verão, e o senhor já busca água com gelo? O senhor nunca foi de procurar tais coisas antes.
— É simplesmente que meu peito tem se sentido… bastante sufocado ultimamente. Mais importante, você disse que Oscar traria novidades sobre o leilão de Akdel hoje?
— Sim. Espero que ele chegue a qualquer momento — Peter respondeu, verificando seu relógio de bolso. — Eu deveria preparar o almoço para o Sr. Lindelof também.
— Eu estou bem, então você e ele devem comer juntos — disse Damian. Ele sabia que a notícia não vazaria, mas não tinha desejo de atrair suspeitas desnecessárias ao recusar comida na frente dos outros.
— O senhor está se sentindo mal? Pulou o café da manhã também — Peter perguntou imediatamente, com o rosto marcado pela preocupação.
— Simplesmente não tenho apetite. Além disso, você ouviu alguma coisa? Você também tem contatos naquele círculo. — Damian mudou de assunto antes que as perguntas se tornassem mais desconfortáveis.
— Em relação a quê, Jovem Mestre?
— À propriedade Akdel.
Percebendo a natureza da pergunta, Peter deu de ombros enquanto completava o copo de Damian com mais água gaseificada.
— Isso pode ser verdade, mas meus conhecidos de lá não têm nada a ver com os leilões. Além disso, a Sra. Rohens, que trabalha naquela casa, é conhecida por ser excepcionalmente discreta.
Suponho que seja verdade. Damian não conseguiu esconder sua decepção. Com tantos olhos voltados para aquele potro, ele esperava obter ao menos uma pequena vantagem. Ele voltou a beber sua água com limão em silêncio.
Sua mente era um emaranhado de confusão e seu coração estava inquieto. Ele precisava desesperadamente de uma distração. Em circunstâncias normais, ele teria montado em Veni e dado uma volta pelas trilhas, mas Theo havia proibido estritamente a equitação por enquanto.
O peso de sua melancolia o pressionava enquanto bebia a água. O enjoo matinal havia roubado suas forças, tornando impossível comer adequadamente. Embora tivesse conseguido tolerar um pedaço de torta de limão no estúdio ontem, nem mesmo aquilo o atraía hoje.
Enquanto permanecia ali sentado, piscando lentamente como se estivesse perdido em uma contemplação solitária, ele parecia tão sagrado e belo que lembrava um ícone sacro pintado por um mestre que dedicara a vida inteira ao ofício.
“Nosso jovem mestre precisa encontrar um parceiro logo…” Enquanto o mordomo, que acompanhava Damian desde a infância, murmurava seu desejo de longa data para si mesmo, a pessoa que esperavam chegou.
— O que é isso? — Damian perguntou.
Oscar entrava na sala, carregando um arranjo floral tão massivo que parecia consumir metade de sua estrutura.
— Um presente para o senhor, Conde. Cruzei com o entregador na entrada e eu mesmo o trouxe.
— Parece que mais alguém enviou um buquê desejando a sua recuperação — comentou Peter. Damian apenas ofereceu um aceno desinteressado.
Peter pegou a cesta e a colocou sobre a mesa, procurando pelo cartão anexo.
— Vamos ver. Qual jovem mestre enviou um buquê para o nosso Senhor desta vez…?
Depois de finalmente pescar o cartão luxuoso, Peter verificou o remetente e o entregou a Damian.
— Por quê? É de alguém que eu mesmo precise ler? Quem é?
— Foi enviado pelo Duque de Enosh.
A mão de Damian congelou ao pegar o cartão.
— Primeiro uma visita de enfermo, e agora flores. Visto que o senhor e Sua Graça estão se tornando próximos, tenho certeza de que seus pais ficarão satisfeitos — acrescentou Peter calorosamente.
— Não, não vão.
Peter havia falado por pura felicidade, mas Damian rebateu involuntariamente de forma ríspida. Ele ignorou os olhares assustados de Peter e Oscar ao abrir o cartão. Na verdade, se pudesse, teria arremessado tanto o cartão quanto às flores pela janela.
> Para o meu querido Damian,
> Soube que o ensaio de ontem foi concluído com sucesso.
> Pergunto-me se foi difícil para você, considerando que sua lesão ainda não está totalmente curada.
> Meu coração desejava visitá-lo pessoalmente, mas meus deveres me deixaram sem tempo algum.
> Como você mencionou que não deseja apoio, passei muito tempo agonizando sobre o que fazer.
> Enviarei algo maravilhoso para você em breve.
> Se esse presente for do seu agrado, você aceitaria sair em um encontro comigo?
> Com todo o meu coração, Claude N.
A mensagem era assustadoramente audaciosa. “O que em nome de Deus ele está planejando agora?”
Primeiro o incidente no estúdio, e agora isso. A raiva que ele mal havia conseguido acalmar começou a ferver novamente, sua expressão endurecendo. Ele estava prestes a amassar o cartão quando encontrou os olhares curiosos de Peter e Oscar e forçou-se a conter sua fúria.
— O que Sua Graça disse? Um convite, talvez?
— Foi apenas uma mensagem desejando minha recuperação. Mais importante, Oscar, e quanto às informações do leilão?
Reconhecendo a mudança deliberada de assunto, os dois homens não o pressionaram sobre o cartão. Em vez disso, Oscar entregou as novas informações que Damian havia solicitado.
— Há boatos de que a família Akdel pode cancelar o leilão por completo.
— O quê? Por quê? Já existe um comprador pretendido?
— Não tenho certeza. Só recebi o aviso a caminho daqui.
— Qual é a fonte? É apenas um boato sem fundamento?
— Um contato no Banco Weise, que deveria cuidar do leilão, entrou em contato. Disseram que os Akdels pediram para colocar o assunto em espera por um momento.
Como o aviso vinha do banco designado pelos Akdels, significava que o próprio leilão poderia ser cancelado. Era uma notícia devastadora para Damian, que havia jurado trazer aquele potro para casa, não importava o custo.
— Então está “em espera”, não “cancelado”?
— Sim.
— Então isso significa que alguém está atualmente em negociações com eles.
— É o que parece. Eles devem ter recebido uma oferta tão tentadora que foi difícil recusar, o suficiente para pausar todo o processo.
Quem seriam os concorrentes?
Damian quebrou a cabeça pensando. Quando o potro gerado por Gaia — o melhor de todos os cavalos de Akdel — nasceu, todos os amantes de cavalos em Ronen o cobiçaram. Inúmeras pessoas haviam contatado os Akdels para comprá-lo, algumas até usando seu poder para pressionar a família. A competição entre as casas havia sido tão feroz que o Lorde Loins Akdel se vira em uma posição difícil várias vezes. Eventualmente, incapaz de suportar a pressão das famílias rivais, ele decidira colocar o potro em leilão.
Para Loins interromper aquele leilão extraoficialmente, significava que ele havia recebido uma proposta tão atraente que superava o potencial de uma disputa pública de lances. “Quem foi? Quem na terra poderia fazê-los paralisar o leilão? E que tipo de oferta eles fizeram?”
— Você não sabe quem era o contato?
— Não. Nenhuma palavra sobre isso chegou até agora.
— Vá e encontre-se com os funcionários imediatamente para obter alguma informação. Verifique também os arredores dos candidatos proeminentes.
— Entendido. Entrarei em contato no instante em que souber de algo.
O assunto era urgente; não havia tempo para hesitação. Assim que Oscar deixou a sala de estar, Damian endireitou a postura.
Por que nada está dando certo?
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello