↫─❀ Capítulo 04.6
Capítulo 4 Parte 6
Ele não tinha a intenção de falar tanto. Só depois que as palavras saíram é que Damian percebeu que havia ido longe demais. Mas não podia voltar atrás agora. À medida que esse homem continuava a interferir em sua vida, o risco de ele descobrir o enorme segredo que Damian estava escondendo apenas crescia. Ele tinha que evitar isso a todo custo.
— Não teria importado mesmo se não tivesse sido eu?
A expressão dele afundou em um calafrio. Por um momento, ele rangeu os dentes. Sua mandíbula sólida contraiu-se de forma ameaçadora. Claude soltou um longo suspiro, como se tentasse acalmar sua fúria. Seu paletó apertou-se contra o peito antes de relaxar.
— Você realmente acredita nisso?
A voz baixa assemelhava-se ao rosnado de uma fera. Seu olhar frio encarava Damian diretamente. Seus olhos escurecidos turbilhavam com um calor ardente. Seus olhos perguntavam se aquilo era realmente a verdade. Seu olhar parecia vasculhar a própria alma de Damian. Ele instintivamente soube que deveria desviar os olhos. Mas não conseguiu.
Seus olhos traçaram o rosto do homem. Abaixo das sobrancelhas grossas havia um nariz reto e uma linha de mandíbula afiada. Ele examinou o pescoço grosso. As linhas do terno moldadas em seus ombros largos estavam perfeitamente alinhadas. Damian sabia exatamente o quão sólido era o corpo do homem por baixo das roupas sem vincos.
— Haa.
Ele puxou o ar involuntariamente. Os contornos lindos e as linhas retas do corpo que vira em seu sonho na noite anterior pareciam gravados em seus olhos. O colete abotoado estava esticado contra seu peito robusto. Damian lembrava-se do toque de sua pele. Lembrava-se das veias saltadas nos braços que havia agarrado para sustentar o próprio peso.
Tudo era vívido demais. De repente, ele sentiu calor. Uma chama escondida no fundo de seu cerne inflamou-se. Mesmo sabendo que precisava escapar do olhar do homem, não conseguia se desviar.
Claude estendeu a mão. Sua mão grande envolveu suavemente o pescoço de Damian.
Seus olhos dourados e escurecidos aproximaram-se ainda mais. O coração de Damian acelerou freneticamente, como se estivesse prestes a saltar pela garganta.
— …Ah!
O ar que ele vinha prendendo escapou. Os lábios do homem estavam bem diante de seu nariz. A mão que segurava firmemente seu pescoço deslizou para seus cabelos, puxando-o para mais perto. Seus lábios se tocaram. A língua dele lambeu suavemente o lábio superior de Damian.
— N-não faça isso…
Sua palavra fraca de recusa foi instantaneamente evaporada pelo calor que o homem oferecia. O calor espalhou-se de seus lábios para todo o seu corpo. Enquanto ele exalava um suspiro úmido, a língua do homem tocou seus dentes, como se batesse pedindo para entrar. Damian arfava, com o peito subindo e descendo. Sua intenção de recusar o homem foi apagada como uma vela ao vento pela fragrância que o envolvia suavemente.
— Nngh.
Incomodado com os lábios que apenas o lambiam suavemente, Damian foi o primeiro a puxar os ombros do homem para um abraço.
Aquele foi o sinal. Assim que ele entreabriu os lábios, a língua do homem entrou e explorou gananciosamente sua boca. Seus fôlegos se misturaram, e suas línguas procuravam-se de forma sôfrega. Sua língua foi sugada com tanta força que parecia que seria arrancada. O homem explorava a carne sensível sob sua língua, procurando e sugando com avidez.
O beijo tornou-se cada vez mais violento. Os fôlegos que não conseguiam se exalar eram engolidos de volta. Damian agarrou os ombros do homem com tanta força que amarrotou o terno, apegando-se a ele. A mão que estivera em seus cabelos desceu pelo pescoço e traçou sua espinha. Por onde tocava, um incêndio se acendia. Eventualmente, a mão que segurava sua cintura puxou Damian para mais perto. Seus corpos ficaram completamente colados. O som do tecido se esfregando e os ruídos úmidos de suas línguas só alimentavam o tesão crescente.
Damian estendeu os braços e os envolveu ao redor dos ombros do homem. Seu corpo, pressionado firmemente contra o dele, tremeu involuntariamente. Estavam tão absortos na exploração gananciosa um do outro que nem sequer notaram quando o carro parou. Não notaram quando Hanson saiu silenciosamente do veículo.
Estavam conscientes apenas um do outro, com as línguas entrelaçadas. O carro já estava preenchido com seus feromônios. Se alguém tivesse aberto a porta do carro, teria se assustado com o aroma espesso e erótico. As bochechas de Damian estavam coradas com o prazer crescente. Entre seus lábios momentaneamente afastados, o homem puxou o ar com força. Os olhos do homem, manchados de desejo, faiscaram. Ele puxou a cintura de Damian para mais perto novamente, prendendo-o sob o seu corpo, e cobriu o rosto corado de Damian com beijos. Pressionou os lábios contra os olhos avermelhados de excitação e lambeu suas bochechas macias. Em seguida, mordeu os lábios brilhantes de saliva e os sugou. Damian estava quase delirando com o beijo. Esqueceu onde estava. Ele desmoronou, cativado apenas pelo estímulo e pelo prazer que o homem proporcionava.
O desejo deles, que poderia tê-los levado a transar ali mesmo no carro, foi interrompido por uma luz piscando.
— Você aí! O que está fazendo?!
O grito frenético de Hanson foi ouvido.
— O que diabo…!
Damian recuperou os sentidos abruptamente e empurrou o peito do homem com força. O homem, cujos olhos ainda estavam cheios de uma luz perigosa, olhou feio através da janela onde a luz piscava. Um flash disparou. Um paparazzo claramente havia tirado uma fotografia.
— Droga. Fique aqui.
Claude abriu a porta e saiu. Quando Damian recuperou a compostura, percebeu que suas roupas eram uma bagunça de vincos. Vendo que sua camisa estava meio desabotoada, o rosto de Damian ficou mortalmente pálido. Ele se apressou em abotoar a camisa. Suas mãos estavam tremendo tanto que ele nem conseguia saber se estava fazendo direito.
“Uma foto foi tirada. O que eu faço? O que eu deveria fazer?”
Ele estava aterrorizado com o incidente repentino. “Como pude esquecer que os paparazzi estão sempre me seguindo?” Estava escuro lá fora. Ele não havia percebido, mas estavam no estacionamento do hospital. Como o carro havia ficado parado por um tempo, um paparazzo que os vinha seguindo aparentemente começou a tirar fotos indiscriminadamente.
“Será que eles conseguiram pegar?”
Por causa dos paparazzi que sempre o seguiam, as janelas de seu carro eram equipadas com película protetora. Eram projetadas para evitar que as pessoas vissem o interior pelo lado de fora, mas dados os flashes, ele não podia ter certeza.
“Eu estou louco. Eu perdi o juízo.”
Sua ansiedade só cresce quando Claude não retorna imediatamente. Lançando um olhar furtivo para fora, viu o homem alto arrancar a câmera da mão do paparazzo. A outra pessoa gritava algum tipo de protesto, mas a distância era grande demais para Damian ouvir a conversa. Apesar do protesto do paparazzo, Claude checou os dados na câmera e deletou as fotos imediatamente. Depois, trocou algumas palavras com a pessoa.
Damian respirou fundo várias vezes, tentando acalmar sua ansiedade. “Ele vai dar um jeito nisso. Não sou o único que ficaria em apuros se aquelas fotos fossem divulgadas.” Enquanto tentava se tranquilizar, houve uma batida na janela. Ele ergueu os olhos e viu o homem inclinado, batendo no vidro. Ele abaixou a janela.
— Vá para dentro por enquanto. Eu cuido das coisas aqui.
— As fotos?
— Não pegaram nada nítido. Mas apaguei os dados por garantia, então não se preocupe.
— Mas as fotos podem ter sido salvas na nuvem imediatamente.
— É por isso que estou dizendo isso. Chamei meu assessor aqui, então não se preocupe. Ele vai garantir que tudo seja devidamente resolvido.
Ele se moveu ligeiramente para que Damian pudesse ver. Hanson estava segurando o paparazzo à distância para evitar que ele escapasse.
— Você não precisa se preocupar. Eu vou atrás de você assim que terminar aqui, então vá para dentro.
Ele pessoalmente abriu a porta traseira para Damian.
— Quando o seu exame terminar, tudo aqui estará resolvido.
Assim que terminou de falar, Claude direcionou-se para o paparazzo que Hanson estava segurando. Não havia mais nada para Damian fazer. Mesmo assim, ele hesitou em se mover. O paparazzo pego entre Hanson e Claude gesticulava e falava como se tentasse discutir. Damian observou-os por um momento antes de finalmente se virar. “Como ele disse, é melhor entrar no hospital e ficar com o Theo até que isso se resolva.” Sua mente estava confusa demais para pensar claramente em qualquer outra coisa.
— Oh? Damian. O que foi? A esta hora.
Theo, que estava tirando o jaleco para ir embora, parou surpreso e se aproximou-se de Damian.
— Por quê? O que aconteceu? O que há com o seu rosto?
Damian tocou o próprio rosto diante das palavras de Theo, enquanto o médico se inclinava para inspecioná-lo.
— O que tem de errado com o meu rosto?
— Seu rosto está vermelho e seus lábios estão um pouco inchados… Apenas sente-se por enquanto.
Theo ofereceu uma cadeira ao Damian, que estava estranhamente quieto. Ele ficou surpreso por Damian ter ido ao seu escritório em vez de ir à sala de consulta. Por sua expressão, era claro que algo havia acontecido.
— Quer um chá?
— Não. Tudo bem.
Theo sentou-se à frente de Damian após a recusa imediata e o examinou cuidadosamente.
— O que aconteceu? Você parece estar em choque.
Damian hesitou por um momento, sem saber o que dizer. Ele não queria falar sobre o que havia acontecido no estacionamento.
— …Acho que estou tendo enjoos matinais.
Theo, que estivera esperando por uma resposta, perguntou:
— Perdão?
— Eu não consegui comer. Senti como se meu estômago estivesse sendo virado do avesso… isso são enjoos matinais, não são?
— Você veio aqui em choque porque teve uma reação durante o jantar?
— É isso, não é? Enjoos matinais.
— Com base nos sintomas, sim. É só isso? É por isso que você está em choque?
— O Príncipe e o Duque também estavam lá.
Theo, que vinha dizendo que não era grande coisa, arregalou os olhos diante das palavras seguintes de Damian.
— O quê?! O Príncipe e o Duque?! Certamente você não estava em um jantar com eles? Como isso aconteceu? Não, mais importante, eles perceberam? Você está desorientado assim porque eles descobriram?
Theo levantou-se abruptamente em choque, suas palavras jorrando como uma cachoeira.
— Não. Não tem como eles terem percebido tão facilmente. Eu apenas disse que meu estômago estava ruim. Ninguém conclui imediatamente que é uma gravidez só porque alguém teve ânsia. Não, espere. Vendo o quão chocado você parece, certamente…!
Theo andava de um lado para o outro na sala, murmurando distraidamente, seu rosto ficando mais rígido a cada segundo. Ele parecia prestes a hiperventilar, então Damian interrompeu seus pensamentos errantes.
— Não. Como você disse, eu apenas disse a eles que meu estômago estava ruim e fui embora.
— Me diga isso antes! Você quase me causou um ataque cardíaco.
Theo, que estava andando pelo escritório, sentou-se em sua cadeira com um suspiro de alívio exagerado.
— Mas por que você está com essa aparência?
Não parece ser uma situação tão séria.
— Quando posso fazer a cirurgia? Marque uma data o mais rápido possível.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello