↫─❀ Capítulo 04.7
Capítulo 4 Parte 7
Em vez de responder à pergunta, Damian focou no que era mais importante. Como seus enjoos matinais haviam começado, outros sintomas certamente viriam a seguir. Se isso acontecesse, seria impossível esconder por mais tempo. Ele queria evitar aquela situação a todo custo.
Damian não tinha o menor desejo de se enredar ainda mais com Claude. Sempre que estava com o homem, agia de uma forma que não condizia com seu eu habitual. Ele simplesmente não era ele mesmo.
A respiração que o havia consumido parecia uma marca em seus lábios inchados. Ele odiava o fato de que os feromônios sutis do homem ainda pairavam ao seu redor. Mesmo não estando no cio, ele havia perdido a compostura e se entregado totalmente àquele beijo. Algo assim nunca mais poderia se repetir. Ele tinha que apagar as evidências imediatamente.
— Eu já lhe disse, é preciso preparação. Ainda preciso de mais tempo.
— Quanto tempo? Quanto mais?
— Estou fazendo tudo o que posso para encontrar os profissionais certos. Você acha que preparar uma cirurgia secreta é fácil?
— Eu sei. Eu sei, mas meus enjoos já começaram. Isso vai continuar acontecendo, então como vou esconder? Se eu não conseguir comer nada, todos vão notar.
— Você não consegue comer nada? Deve haver alguma coisa que você consiga tolerar. Por que não tentamos descobrir isso primeiro?
— Não sei. Tudo tem cheiro de peixe, um cheiro enjoativo. Até a água. Não sei se há algo que eu consiga comer.
Seu rosto lindo estava cheio de preocupação. A frustração era evidente em seu semblante fechado.
— Parece que você tem enjoos matinais bem severos… não há o que fazer. Evite jantar com outras pessoas até a cirurgia. Eu andei pesquisando, e dizem que algumas pessoas conseguem tolerar frutas secas ou biscoitos.
Dizem que o enjoo piora se você estiver de estômago vazio.
— Por quanto tempo vou ter que ficar assim?
— Não sei. Algumas pessoas têm por semanas, mas para outras, passa rápido.
Theo balançou a cabeça, então congelou diante de um pensamento súbito.
— Dizem que isso é muito influenciado pela genética da mãe… você já ouviu falar como o seu pai era quando estava grávido de você?
— Como eu saberia disso? Se alguém sabe, seria o Sr. Roban.
— Ah, certo. Devo perguntar ao meu pai.
— Não faça isso! E se ele achar estranho você perguntar uma coisa dessas?
Como a família Roban era médica da família Larsen por gerações, o pai de Theo fora o médico de Joshua Larsen. Ele estava atualmente aposentado, vivendo uma vida pacata em Quilly.
— Ah, e… apenas diga ao Duque que estou com uma indisposição estomacal.
— Mmm? Por que o Duque está entrando no assunto agora?
— Ele veio comigo. Insistiu em garantir que eu fosse examinado por um médico…
— Espere, como você acabou vindo com ele…
Theo, presumindo que a fisionomia abatida de Damian era por causa do Duque, perguntou cautelosamente:
— Você acha que ele percebeu?
— Não sei. Mas acho que ele é hipocondríaco.
Talvez porque a mãe dele esteve doente por tanto tempo, ele seja sensível a pessoas passando mal…
Ele também não tinha certeza disso. Era apenas a justificativa mais plausível em que Damian conseguia pensar.
— Você definitivamente não vai contar a ele, certo?
— Ficou maluco?
Theo acenou com a cabeça diante da recusa contundente de Damian.
— Tudo bem. Vou procurar as pessoas certas o mais rápido possível.
— O que você vai dizer ao Duque?
— Ele não é seu tutor, então não há necessidade de contar cada detalhe da sua condição. Vou inventar uma desculpa. Se for preciso, direi que você está passando por um desequilíbrio hormonal temporário em sua dinâmica.
Ele acrescentou que, como questões de dinâmica eram sensíveis e profundamente pessoais, seria difícil para um Alfa como o Duque pedir mais detalhes.
— E bem… no fundo, é uma questão ligada à dinâmica.
Damian levantou-se, sacudindo a ansiedade que restava.
— Entrarei em contato assim que tudo estiver pronto. Como está a sua perna?
— Lateja um pouco. Tive que correr um pouco porque estava enjoado.
— Deixe-me ver.
Ele não explicou os detalhes, mas Theo entendeu rapidamente por que Damian havia corrido. Damian estendeu o pé e o apoiou em uma cadeira, e Theo subiu a barra da calça para desfazer a faixa.
— Está um pouco inchado. Sente muito calor no local? Espere um segundo.
Theo abriu a pequena geladeira de seu escritório e pegou uma bolsa de gelo. Ele a envolveu em um lenço e a aplicou no tornozelo de Damian.
— Vou te dar isto, então continue aplicando sempre que puder até amanhã. Depois disso, é melhor usar uma compressa morna. Tomar um banho quente com frequência também será eficaz.
— Ok.
— Não abuse. Se você negligenciar pequenas lesões, pode acabar com sequelas crônicas.
Theo continuou enquanto aplicava a bolsa de gelo:
— Felizmente, não há hematomas. Mas é melhor evitar se mover o máximo possível.
Como está a sua agenda? Seria melhor ajustar seus compromissos até que seu tornozelo melhore…
— Um… eu tenho uma sessão de fotos adicional… mas é em estúdio, então não haverá muito movimento.
— Tome cuidado, já que seus enjoos também começaram. Vou te dar algumas vitaminas por enquanto, então certifique-se de tomá-las regularmente. E é melhor comer pequenas quantidades com frequência.
Enquanto Damian ouvia a lista de precauções de Theo com um ouvido, pensava em Claude esperando do lado de fora. Sentia-se tão desconfortável e ansioso. Para um Damian que nunca tivera grandes turbulências em sua vida, aquelas eram emoções muito novas e desconhecidas.
— Não há realmente mais nada?
Theo perguntou novamente, preocupado porque Damian ainda não parecia bem. Damian despertou de seus pensamentos e balançou a cabeça.
— Quanto tempo tenho que ficar com isso?
Apontando para a bolsa de gelo, Theo perguntou:
— Está se sentindo melhor agora?
Damian inclinou a cabeça, moveu o pé algumas vezes e disse que parecia que sim.
— Vou arrumar o que você precisa— não, espere. Você disse que veio com o Duque? Vou embalar as vitaminas e a bolsa de gelo e passo na sua casa hoje à noite. Será melhor assim.
Theo reuniu o que era necessário, colocou-os sobre a mesa e refez a faixa de compressão.
Depois, pediu para Damian se levantar, verificando cuidadosamente até o fim para garantir que não havia dor.
— Tudo pronto. Tenha cuidado por um tempo e, independentemente de qualquer coisa, não se esqueça de que você está grávido. Nada de andar a cavalo, absolutamente. E tente reduzir o ritmo de trabalho. Se algo der errado porque você se esforçou demais, você é quem vai sofrer.
Damian cortou o sermão de Theo, que o fazia parecer com Peter. Ele já estava exausto e não tinha o menor desejo de ouvir mais conversas inúteis.
— Eu só vou fazer a cirurgia antes que algo dê errado. Então, por favor, prepare tudo rápido.
Theo quis sugerir que ele pensasse melhor, mas soltou um suspiro de resignação.
— Apenas tome cuidado para não ser pego.
Ignorando-o, Damian levantou-se sem dizer uma palavra. Após confirmar que a dor latejante havia diminuído, ele saiu da sala e encontrou Claude esperando, como se tivesse terminado de resolver as coisas lá fora.
— Terminou?
Ver o homem trouxe a lembrança do beijo de volta instantaneamente. Sua expressão endureceu de forma involuntária.
— Sim. Não foi nada.
— Você tem certeza de que foi devidamente examinado? Isto não é uma sala de consulta.
— Olá, Sua Graça. Posso explicar isso?
Theo interpôs-se entre os dois, percebendo que Damian estava sendo interrogado.
— Um exame simples pode ser feito no meu escritório. Não é como se ele precisasse de um check-up completo.
As sobrancelhas de Claude contraíram-se, como se estivesse insatisfeito com a resposta de Theo.
— Como você pode saber que não é nada sem um exame adequado?
— Sua Graça. Pare com isso. Se você não vai acreditar no diagnóstico do meu médico, por que está perguntando?
Diante da pergunta agressiva, Claude percebeu que havia ido longe demais.
— Minhas desculpas. Eu só estava ansioso. Então, por que aquilo aconteceu?
— Um… eu não posso falar em detalhes sobre a saúde de Damian. Espero que entenda isso, Sua Graça. No entanto, já que está tão preocupado, direi que é um sintoma de um desequilíbrio hormonal temporário na dinâmica.
— Desequilíbrio na dinâmica?
— Sim. Acontece ocasionalmente devido ao estresse.
— Afinal, dizem que o estresse é a raiz de todas as doenças, não é? — Theo brincou, tentando suavizar a atmosfera pesada, mas ninguém respondeu.
— Mmm. Ele tem alguns sintomas menores de gastrite, então prescrevi alguns medicamentos. Não precisa se preocupar.
— Está satisfeito agora?
Damian rezou em seu coração para que o homem apenas deixasse aquilo de lado. Estivesse convencido ou não, Claude não fez mais perguntas a Theo. Ele lançou um olhar ao médico, sinalizando para que ele voltasse para dentro.
— Vou me retirar agora.
Após confirmar que Theo havia retornado ao seu escritório, Damian virou a cabeça.
— O que aconteceu com aquilo?
— Vamos para fora primeiro?
Damian caminhou pelo corredor do hospital ao lado dele. Como era tarde, não havia muitas pessoas ao redor, o que era um alívio.
— Tudo foi resolvido. Confirmei que as fotos enviadas para a nuvem foram apagadas.
— O jornalista parecia estar protestando. Está tudo bem?
— Ele é apenas alguém que vende fotos para tabloides. Não vai ousar abrir a boca a menos que esteja preparado para me enfrentar.
Eles pararam no final do corredor, esperando o elevador para descer. Damian perguntou-se se aquilo era realmente tudo.
— A notícia não vai vazar.
— Entendo. Isso é um alívio.
Damian assentiu. Ele olhou para frente, determinado a não olhar para o homem. Mas os reflexos de ambos eram visíveis nas portas fechadas do elevador. O olhar de Claude estava fixo nele. Ele tentou manter a compostura, mas aquele olhar era tão incômodo que sua têmpora contraiu-se.
— Não olhe para mim. As pessoas vão achar estranho.
— Não há mais ninguém aqui. Vamos conversar.
— Nós já não terminamos de conversar? Você ouviu meu diagnóstico, e a questão dos paparazzi…
— Você vai fingir que o que aconteceu entre nós não aconteceu de novo?
“Por que o elevador não vem?” Damian pressionou o botão de descida repetidamente com irritação.
— Damian.
— O elevador não parece ter a menor intenção de descer. Vou pelas escadas.
Quando ele se virou, o homem segurou seu braço.
— Evitar não é a resposta. Fingir não faz o que aconteceu entre nós desaparecer.
— Solte. Não tenho nada a dizer.
Damian empurrou o braço dele para longe. Ele manteve a cabeça baixa de propósito, sem querer ver o homem. Soltou seu braço, abriu a porta de saída de emergência e desceu as escadas. Não queria falar sobre o que havia acontecido no carro. Queria afastar a memória daquele beijo.
*Tum.* O som pesado da porta se fechando ecoou atrás dele. Damian começou a praticamente correr escada abaixo, esquecendo-se do aviso de Theo para ter cuidado.
*Taca-tac.* O som de passos descendo as escadas rapidamente o deixou ainda mais frenético.
— Damian. Espere!
Ao mesmo tempo em que a voz dele o alcançou logo atrás, seu braço foi agarrado.
— Me solte! Eu disse que não tenho nada a dizer!
— Escute-me!
— Você não pode simplesmente me deixar em paz? Eu te disse que não há nada para conversar!
Damian gritou com o homem que finalmente o havia alcançado. Seu corpo foi virado enquanto ele era segurado pelo braço. Seus olhos faiscaram de raiva enquanto ele olhava para Claude.
— Solte! Você e sua força bruta— nngh!
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello