↫─❀ Capítulo 04.5
Capítulo 4 Parte 5
A insistência de Claude e a recusa de Damian colidiram de frente. Nenhum dos dois cederia um centímetro. Eles pareciam ter esquecido completamente que Ilias também estava na sala.
Ilias, inicialmente atônito, agora os observava com intenso fascínio. Ele cruzou os braços enquanto via Damian mostrando os dentes em pura teimosia. Esse seu primo lindo e digno não agia de forma mimada ou informal a menos que estivesse com alguém muito próximo. Talvez por ter sido exposto ao olhar público desde cedo, ele havia aprendido a esconder suas emoções e a manter uma distância adequada. Ele era gentil ao lidar com as pessoas, mas nunca excessivamente familiar ou casual. Era o tipo de pessoa que sabia melhor do que ninguém como deveria parecer para o público. Especialmente ao lidar com Alfas, Damian sempre fora excepcionalmente guardado para evitar escândalos desnecessários.
Então, ver aquele Damian em uma discussão acalorada com Claude — um primo de segundo grau com quem ele não deveria ter muitos pontos de contato — era notavelmente intrigante para Ilias.
“A atitude do Claude também estava estranha antes… há algo entre eles que eu não sei.” É claro que o próprio Ilias havia contribuído um pouco para a provocação.
Ilias percebeu isso rapidamente. Era estranho que Claude, que sempre fora impecavelmente formal com o Príncipe Herdeiro independentemente de quantas vezes lhe dissessem para relaxar, agora estivesse demonstrando uma atitude defensiva em relação a ele no que dizia respeito a Damian.
“Tenho o pressentimento de que algo muito divertido está prestes a acontecer.”
Um sorriso astuto surgiu nos lábios de Ilias enquanto ele observava friamente a situação.
Ele pensou que talvez algo extraordinário estivesse prestes a acontecer em sua vida, caso contrário, seria entediante.
— Damian.
Damian, que estava prestes a gritar “eu disse para não se meter na minha vida”, virou a cabeça ao ouvir a voz baixa e olhou para Ilias.
Imediatamente depois, ele pareceu desalentado, como se tivesse acabado de se lembrar da presença do Príncipe.
Ilias sorriu suavemente e perguntou:
— Seu tornozelo não está doendo?
— Meu tornozelo? Por que meu tornozelo…, ahh!
Enquanto murmurava vagamente, uma dor aguda e latejante finalmente subiu de seu tornozelo lesionado. Ele estava tão aterrorizado com a possibilidade de sua gravidez ser descoberta que havia esquecido completamente da lesão.
— Mesmo deixando seu estômago de lado, você deveria ir ao hospital por causa do seu tornozelo…
— Não, eu estou— uou!
Seu campo de visão subiu de repente. Em um instante, os braços de Claude estavam ao redor de sua cintura, e seus pés deixaram o chão.
— O-o que diabo você pensa que está fazendo?!
— Se você vai ser teimoso a esse ponto, eu não tenho escolha. Vou levar o Damian. Vamos encerrar o jantar por aqui.
— Me solte! Sua Graça!
Damian gritou e debateu-se em seus braços.
— Certo. Acho que é o melhor. É uma pena, mas não tem jeito. Me avise sobre os resultados.
— Vossa Alteza! Diga para ele parar! Eu disse que estou bem!
— Sim, Damian. Certifique-se de contar tudo sobre vocês dois para o seu irmão da próxima vez.
Ilias observou-os com um olhar perspicaz antes de estreitar os olhos com um aceno de cabeça.
— Damian. Vá com o Claude. Nós remarcaremos o jantar assim que você estiver se sentindo melhor.
— Vossa Alteza? E-eu disse que estou realmente bem! Me solte! Vossa Alteza! Pare ele!
Ilias acenou casualmente enquanto assistia Damian ser carregado pelo grande Claude.
“Algo divertido definitivamente está por vir.”
Um amplo sorriso floresceu no rosto de Ilias, que parecia prestes a começar uma briga com Claude apenas alguns momentos antes.
— Vou ter que terminar de comer sozinho.
Um assobio suave flutuou dele enquanto ele se virava de volta para a sala de jantar.
— Eu disse para me soltar! Seu bruto! Você não é nada além de força bruta! Solte! Eu disse para soltar!
Ele torceu o corpo, tentando escapar, mas Claude apenas apertou mais o aperto. Os braços sólidos de Claude apoiavam a cintura e os quadris de Damian, erguendo-o firmemente como se estivesse carregando uma criança esperneando.
Damian não havia sido tratado como uma criança nem mesmo por seus pais desde que ficara alto. A vergonha subiu por ele até a ponta dos cabelos. Seu rosto ficou vermelho de raiva. Ele não conseguia acreditar que estava sofrendo a humilhação de ser carregado pelos corredores do Palácio de Lótus. Sentia vontade de desmaiar bem ali e na hora.
— Ficar se debatendo desse jeito só vai tornar as coisas mais difíceis para você. Apenas fique quieto.
— Você…!
Ele desferiu o punho contra a atitude sem vergonha do homem, mas Claude rapidamente puxou a cabeça para trás, ainda se recusando a soltá-lo. Não importava o quanto tentasse, ele não conseguia escapar. Eventualmente, Damian foi carregado até as portas do palácio. A equipe altamente treinada do Palácio de Lótus nem sequer piscou diante da cena. Era dever deles agir como se não tivessem visto ou ouvido nada.
— Aquele deve ser o seu carro.
Os olhos afiados de Claude varreram a área e imediatamente encontraram o carro de Damian.
O sol já havia se posto há muito tempo. As luzes suaves das luminárias do jardim brilhavam como estrelas que haviam caído no chão. Apesar de carregar o peso de Damian, Claude não mostrava nenhum sinal de fadiga. Ele caminhou em direção ao carro que esperava sem um momento de hesitação.
— Mestre, o senhor saiu—
O motorista de Damian curvou-se profundamente, mas calou-se ao vê-los. Ele imediatamente e de forma disciplinada abriu a porta traseira. Assim que os braços que estavam envolvidos ao seu redor como trepadeiras se afastaram, Damian moveu-se apressadamente para dentro do carro. Ele estendeu a mão para fechar a porta imediatamente, mas o grande Claude abaixou o corpo e acomodou-se ao lado de Damian primeiro.
— Saia. Não tenho intenção de ir a lugar nenhum com você, Sua Graça.
— Desista. Eu vou com você.
O autoritário Claude não se moveu. Em vez disso, manteve os olhos fixos em Damian, como se estivesse pressionando. O interior espaçoso parecia apertado com ele ali dentro.
— Eu disse que estou bem. Minha saúde não é da sua conta.
— Você não é médico. Preciso ouvir uma opinião profissional. Agora mesmo.
Percebendo a atmosfera incomum, o motorista lançou um olhar preocupado pelo espelho retrovisor.
— Qual é o seu nome?
— Hanson, Sua Graça.
Hanson respondeu, parecendo incrivelmente tenso com a pergunta de Claude. Enquanto isso, ele observava Damian, cuja fisionomia mudava rapidamente de vermelho para pálido.
— Dirija para o hospital do médico do Conde Grave. Seu mestre não parece estar se sentindo bem.
— Vou partir imediatamente.
— Eu disse que estou bem! Hanson, dirija para casa! Estou bem.
— Não, você não está bem. Você tem alguma ideia de quão pálido o seu rosto está agora?
— Isso é por sua causa!
— Por que por minha causa? Eu não sou quem não conseguiu nem engolir a comida e vomitou.
E você é médico? Você não deveria ser tão descuidado com a sua saúde.
Não havia como argumentar com ele. A expressão de Claude enquanto insistia para irem ao hospital era mortalmente séria. Ele não parecia estar tentando arrumar briga; parecia genuinamente preocupado.
— Er… posso partir agora? — Hanson perguntou cautelosamente. Damian percebeu que era impossível expulsá-lo.
— Certo. Para o hospital.
Ele simplesmente não conseguia se livrar do homem teimoso. Enquanto espumava de raiva por dentro, uma onda de ansiedade começou a se instalar nele.
“Por que ele está reagindo de forma tão excessiva? Não pode ser…, será que ele percebeu algo?”
Seu coração começou a palpitar em reflexo à sua ansiedade. Um calafrio correu pela nuca, fazendo-o se perguntar se estava começando a ter suores frios. Enquanto roía o lábio ansiosamente, de repente pensou se ele estaria agindo assim porque sua mãe esteve doente por tanto tempo. Se esse fosse o caso, ele poderia entender a reação exagerada. Mas Damian não podia se dar ao luxo de ceder. Ele tinha um segredo que o homem nunca deveria descobrir.
Ele tinha que acalmá-lo de alguma forma e mandá-lo embora.
— Eu entendo sua preocupação, Sua Graça. Mas estou realmente bem. É apenas indigestão.
Isso acontece às vezes, não é? Seu estômago fica revirado e você vomita o que comeu.
— Não, isso nunca aconteceu comigo.
“Ah, bem. Que bom para você.” Um comentário sarcástico quase escapou dele, mas ele engoliu a raiva e tentou argumentar com ele gentilmente.
— Tudo bem, que seja. Nunca aconteceu com você. Fico feliz que você seja tão saudável… mas com pessoas comuns isso acontece frequentemente. Elas têm indigestão por vários motivos, ou gastrite. Em todo caso, é normal.
— Que importância têm as outras pessoas? O que eu quero é que você seja examinado por um médico e receba uma receita adequada.
— E é por isso que estamos indo para o hospital.
Eu serei examinado. Mas o que estou dizendo é que não há necessidade de você ir junto, Sua Graça.
— Por quê?
— Porque não há motivo para você saber!
O temperamento que ele mal havia conseguido suprimir explodiu.
— Por que você está agindo assim? Eu disse que cuidaria disso. Estou indo para um exame agora. Isso não é o suficiente?
— Não é o suficiente até eu ouvir os resultados.
— Por que você tem que ouvi-los? Nós não temos relacionamento nenhum. Não entenda errado. Não há motivo para você saber o meu estado de saúde privado!
— “Nenhum relacionamento”… Você realmente acredita nisso?
Ele perguntou com um sorriso torto. Era a mesma expressão que ele tivera quando fez aquela visita sob o pretexto de ver um enfermo.
— Você está traçando uma linha tão firme por causa de Vossa Alteza?
— Vossa Alteza?
“Por que estamos falando do Príncipe de repente?” Ele fechou o semblante, incapaz de entender a intenção da pergunta, quando o homem perguntou novamente:
— Estou perguntando se você está interessado na posição de Princesa Herdeira.
— Não diga coisas tão ridículas. Nós crescemos como irmãos. Ele é um pouco travesso às vezes, mas Vossa Alteza tem zero intenção de se casar comigo.
— Crescer como irmãos não faz de vocês irmãos de verdade. Vossa Alteza é um Alfa atraente, e você é um Omega. Além disso, você não disse que ia se casar com ele?
— Se você o acha tão atraente, então case-se com ele, Sua Graça. E você está realmente me interrogando sobre algo que eu disse como uma criança ignorante?
Damian não conseguia esconder sua descrença de que o homem realmente levasse a sério a piada do Príncipe.
— Vocês dois pareciam excessivamente íntimos para que esse fosse o caso.
Damian fechou o semblante diante do tom de interrogatório. Sentia como se estivesse sendo acusado de algo imoral. Por que ele tinha que escutar aquilo?
— Não satisfeito em me seguir até o hospital, agora você está tentando interferir nas minhas amizades?
— Acredito que tenho o direito de saber ao menos isso. Eu dividi uma noite com você
— Sua Graça!
Damian gritou apressadamente, lançando um olhar furtivo em direção ao banco do motorista.
— Eu não disse que aquela noite não significou nada para nós?! Nós simplesmente resolvemos um acidente temporário juntos. Você apenas por acaso estava lá, e nós dois concordamos em uma solução para o nosso problema. Aquele único incidente não muda o nosso relacionamento. Era um problema que poderia ter sido resolvido com qualquer um, mesmo que não tivesse sido você. Então pare de agir como se tivéssemos algum tipo de relacionamento.
Continuar com isso só vai me deixar mais desconfortável.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello