↫─❀ Capítulo 01
Capítulo 1 Parte 1
Foi um dia excepcionalmente exaustivo e agitado. Damian acabara de pousar no país depois de um ensaio fotográfico cansativo da coleção primavera/verão no exterior. Em circunstâncias normais, ele teria desabado na cama assim que chegasse em casa, mas justo hoje era o baile em comemoração à fundação de Ronen.
Sem um único momento para recuperar o fôlego, ele teve que se preparar para o evento. Trocou as roupas gastas da viagem, penteou os cabelos meticulosamente e, uma vez que sua aparência estava polida à perfeição, partiu para o local.
Sua condição física estava longe do ideal, uma consequência persistente de um resfriado severo que o havia atormentado durante todo o ensaio. Se tivesse alguma escolha no assunto, Damian teria evitado a festividade por completo. No entanto, tendo recebido um convite pessoal, escrito à mão por seu primo, o Príncipe Herdeiro, um cancelamento de última hora estava fora de cogitação.
Entre o cansaço esmagador e a correria frenética para se preparar após o pouso, sua mente estava turva. Foi nessa neblina que ele esqueceu os supressores que costumava carregar com precisão obsessiva. Para piorar as coisas, seu secretário, Oscar, tinha assuntos urgentes próprios e havia partido para casa imediatamente após a chegada deles.
Só quando entrou no baile é que ele percebeu seu erro. Ainda assim, disse a si mesmo que ficaria tudo bem. Seu ciclo só estava previsto para outra semana. O cio de Damian sempre fora notavelmente pontual, nunca se desviando desde o dia em que se manifestara pela primeira vez.
O baile do Dia da Fundação Nacional no Castelo Pelne era o evento mais importante do ano, com a presença de todas as pessoas de influência e nobreza de Ronen. O vasto salão transbordava de gente.
Sendo um evento real, a opulência era indescritível. Lustres de cristal cintilavam com um brilho ofuscante, lançando luz sobre extravagantes arranjos florais que preenchiam cada canto, enquanto ornamentos dourados reluziam com uma intensidade que ardia os olhos.
Garçons em uniformes impecáveis se moviam pela multidão com facilidade treinada, suas bandejas carregadas de aperitivos e bebidas finas.
Cercado por grupos de damas em vestidos magníficos e cavalheiros em smokings perfeitamente ajustados, cada um segurando uma taça enquanto participava de conversas leves, Damian permaneceu no salão por um bom tempo.
Damian Larsen Persi — o atual Conde de Grave e único herdeiro da Casa de Sabina — havia recebido seu título do próprio Rei, que nutria profundo afeto pelo sobrinho. Já que o Príncipe Herdeiro havia partido cedo devido a uma agenda lotada, Damian era o inquestionável centro das atenções.
Embora o futuro Rei fosse certamente popular, era Damian quem era a figura mais escrutinada e amada da família real. Grande parte dessa popularidade advinha de sua aparência inesquecível.
Era como se um mestre escultor tivesse derramado sua alma em cada linha de seu rosto. Aqueles que o viam pela primeira vez frequentemente tinham a respiração cortada, seus sentidos momentaneamente falhando diante de tamanha beleza.
A ponte de seu nariz erguia-se num ângulo perfeito, ancorando o equilíbrio de suas feições, enquanto o formato profundo de seus olhos dava aos longos cílios um ar de elegância. Seus lábios, nem muito cheios nem muito finos, possuíam um leve bico que atraía o olhar, e suas pupilas — reluzentes num tom violeta — pareciam guardar os mistérios do cosmos.
Anos de treinamento equestre lhe havia presenteado com uma postura impecável, uma estrutura alta e um físico esguio e atlético.
Talvez por causa de sua rigorosa educação real, sua conduta era sempre refinada, jamais mergulhando no espalhafatoso ou no rude. Diferente de outros rebentos nobres cujos escândalos frequentemente atraíam a ira do público, o histórico de Damian era impecável.
Além disso, ele era o único membro da família real ativo na indústria do entretenimento. Desde sua estreia acidental na televisão quando criança, ele havia se tornado um nome familiar através da modelagem e de sua carreira como jogador amador de polo. Sua aparência deslumbrante capturava a imaginação do público, e suas frequentes aparições em eventos oficiais ajudavam a cultivar uma imagem radiante para a monarquia.
Até mesmo a modelagem, uma profissão frequentemente desprezada pela velha nobreza, não conseguia manchar sua graça. Ao invés disso, o público se alegrava com a chance de admirar sua beleza.
Muitos ainda guardavam lembranças carinhosas da criança adorável de bochechas rosadas e riso radiante. Vê-lo crescer até se tornar um homem parecia como observar um membro da família, cultivando um senso único de intimidade.
O olhar da multidão: jovens e velhos, homens e mulheres igualmente estava repleto apenas de pura admiração e espanto.
O frenesi que havia irrompido quando Damian atingiu a maioridade ainda era um tópico frequente de conversa. Na época, a Casa de Sabina havia sido soterrada sob uma montanha de propostas de casamento. Por semanas, os nomes daqueles que disputavam sua mão dominaram as manchetes diariamente. Isso foi há três anos, e ainda assim Damian permanecia oficialmente solteiro, sem nenhum parceiro público para falar a respeito.
Cercando esse solteiro mais cobiçado, havia homens como pavões, se exibindo e se posicionando para chamar sua atenção. Alguns lançavam olhares sutis, enquanto outros eram ousados o suficiente para pedir um encontro diretamente.
Acostumado a ser o sol ao redor do qual os outros orbitavam, Damian apenas oferecia sorrisos educados em resposta a seus avanços. No entanto, enquanto navegava pelo mar de olhares, percebeu que era hora de partir. Fosse pelo álcool ou por outra coisa, um calor estranho começava a se enrolar por seu corpo. Uma letargia pesada se instalou em seus membros, e o impulso de se deitar em qualquer lugar se tornou quase insuportável.
— …Não é mesmo? — perguntou uma mulher, o rosto brilhando com um sorriso esperançoso.
— …Perdão?
Damian havia perdido completamente suas palavras. Enquanto inclinava a cabeça com uma expressão tênue e apologética, as bochechas dela coraram num rosa suave. Essa mulher, a filha mais velha do Barão Hilde, esteve rondando ao seu lado por um tempo, deixando seu afeto claro enquanto sutilmente afastava outras rivais. Ela murmurou com um toque de mágoa fingida.
— Ah, você não estava me escutando? Estou verdadeiramente magoada.
Em resposta ao beicinho brincalhão dela, Damian pareceu ainda mais contrito e entregou sua taça a um garçom que passava.
— Devo me desculpar por interromper, mas você me permite? Parece que desenvolvi uma leve dor de cabeça.
— Ah, você está bem? Eu poderia ajudá-lo…
— Eu não poderia incomodar uma dama.
Com uma recusa educada, ele deixou a filha do Barão parecendo desapontada enquanto examinava seu rosto em busca de sinais de doença.
Sua cabeça latejava. Quantas taças ele havia tomado, afinal?
Ele se lembrou de esvaziar taça após taça enquanto atendia ao fluxo interminável de convidados.
Damian se moveu rapidamente em direção aos banheiros. No entanto, mesmo enquanto tentava escapulir, pessoas continuavam a interceptá-lo, forçando-o a se engajar em conversa fiada e posar para fotos oficiais. Quando finalmente chegou ao seu destino, estava completamente esgotado.
O Castelo Pelne, uma estrutura que datava da Idade Média, carecia de banheiros comunais apesar das renovações modernas. Em vez disso, as pequenas salas laterais outrora usadas pelos criados haviam sido convertidas em áreas de descanso privadas, semelhantes a hotéis. Aquela na qual Damian se enfiou estava localizada num corredor silencioso e isolado, longe do salão principal.
No momento em que ele entrou no espaço vazio, a compostura que havia mantido tão rigidamente finalmente desmoronou.
Ele agarrou a borda do luxuoso lavatório de mármore com uma das mãos, ofegando em busca de ar. Com a tensão dissipada, sua visão começou a rodopiar. O calor dentro dele se intensificou, queimando mais forte a cada segundo.
Meu resfriado ainda não passou?
Ele esfregou a nuca rígida, mas sua mão congelou no meio do movimento.
Foi então que ele percebeu a verdadeira origem daquele calor. O aroma úmido e pesado de rosas começava a escapar de seu corpo.
Não. Por que agora…!
Ele revirou os bolsos, apenas para se lembrar tarde demais que havia deixado o celular para trás, a fim de garantir que as linhas limpas de seu traje de gala não fossem arruinadas.
À medida que a gravidade da situação se instalava, o rosto de Damian tornou-se mortalmente pálido.
Quantos Alfas estavam por ali agora? E se alguém percebesse? O que ele deveria fazer?
Diante de uma crise que jamais havia enfrentado, Damian estava perdido. Numa tentativa desesperada de se firmar, curvou-se sobre a pia e girou a torneira.
Shuaaa. Água fria jorrou da torneira dourada, e ele a espirrou sobre o rosto. Mas nem mesmo a água gelada conseguiu apagar as chamas. O calor apenas se intensificou. Seus feromônios, normalmente tão fáceis de suprimir, começaram a se debater violentamente.
Ele precisava ir para outro lugar antes que alguém entrasse. Assim que sua razão começou a se turvar, ele se lembrou dos quartos de hóspedes no andar de cima.
Conseguiria chegar lá sem ser visto?
Contanto que não cruzasse o caminho de um Alfa, poderia sobreviver a isso. Felizmente, estava num banheiro longe do salão de baile. O Castelo Pelne havia sido seu playground. Ele passou muitos dias da infância brincando ali com o Príncipe Herdeiro. Embora agora só fosse aberto para eventos nacionais, a família real havia se hospedado ali frequentemente no passado.
Havia um caminho para alcançar o segundo andar evitando olhares curiosos. Damian se agarrou à sua consciência que se esvaía com todas as suas forças. Forçou energia em suas pernas trêmulas, contendo manualmente seus feromônios crescentes. Estava tão focado na luta interna que nem sequer notou a água pingando de seu rosto e encharcando seu colarinho.
E por causa disso, não ouviu a batida na porta.
Clique. A porta se abriu. Um par de sapatos pretos entrou no campo de visão baixo de Damian.
Não. Naquele momento, uma onda de feromônios de Alfa atingiu seus sentidos, e seu corpo finalmente cedeu.
Sua parte superior do corpo desabou como se estivesse caindo no chão. Instintivamente, Damian estendeu os braços. Tak. Um par de braços fortes se estendeu e o segurou.
— Você está bem?
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello