↫─❀ Capítulo 01.2
Capítulo 1 Parte 2
Uma voz grave e constante alcançou seus ouvidos. Era um som mediano, profundo que parecia ressoar dentro de uma escuridão densa.
O pescoço do homem estava bem na frente do seu nariz. O olhar de Damian percorreu para cima. Ele não era baixo, mas aquele homem era uma cabeça inteira mais alto.
Seus olhos passaram rapidamente por um pescoço firme, forjado por treinamento físico, passaram por lábios firmemente cerrados e subiram até um nariz reto e afiado.
Finalmente, ele encontrou os olhos do homem. Íris da cor de areia dourada olhavam diretamente de volta para ele. Cabelos ondulados castanho-dourados, de tom semelhante aos seus olhos, caíam sobre uma testa nobre. Num instante, os feromônios que Damian vinha lutando para suprimir surgiram das profundezas de sua alma. As sobrancelhas do homem se contraíram imediatamente.
Sob um sol de meio-dia que parecia capaz de incinerar tudo ao redor, o cheiro de uma tempestade de areia selvagem e rodopiante desabou sobre ele. Damian sentiu como se tivesse sido jogado em um deserto inóspito, nu e exposto, sem lugar para se esconder.
Em meio à névoa vertiginosa dos feromônios, Damian sentiu uma estranha sensação de familiaridade. Quem era ele? Ele com certeza já o tinha visto antes… Ele vasculhou suas memórias distantes até que um dia, de dez anos atrás, ganhou vida.
—…Vossa Graça…?
O homem sobre quem todos sussurravam no baile. O homem que não havia mostrado o rosto uma única vez durante o evento era exatamente a pessoa com quem ele tinha esbarrado naquele exato momento.
A única pessoa que ele deveria ter evitado a todo custo estava bem diante dele.
Uma sensação que havia se enraizado no fundo do seu ser percorreu todo o seu corpo. Ele sentiu um arrepio gelado na espinha, e seus membros ficaram dormentes. A intensidade era tão avassaladora que ele mal conseguia respirar. No momento em que seu corpo reconheceu os feromônios do Alfa, o cheiro que ele mal havia conseguido conter inundou o ambiente.
Os braços que seguravam Damian, tensionaram.
—…Isso é um problema. Você parece estar em uma situação difícil. Tem algum supressor?
— Não… não tenho — Damian conseguiu responder, sua voz tremendo violentamente.
Tsk. O homem estalou a língua baixinho e discou um número. Exposto aos feromônios do Ômega, a voz do Alfa ficou ainda mais grave.
—…Venha aqui. Agora.
Ele apertou o corpo cambaleante de Damian ao terminar a breve ligação.
— Apenas aguente. Alguém vai chegar em breve para te levar a um lugar tranquilo.
O homem guiou o Damian, que desmoronava, até um sofá.
— Não, você… não pode. Se você chamar alguém… eles vão descobrir…
— Não podemos simplesmente ficar assim aqui, podemos?
Haa. A respiração do homem ficou um pouco mais ofegante.
A mente de Damian agora estava totalmente consumida pelo Alfa diante dele. Para alguém que sempre suportava seus cios com supressores, aqueles feromônios eram perigosamente sedutores. A sensação crua e primitiva era incrivelmente estimulante. Ele desejava o abraço sólido do homem que o segurava mais do que qualquer outra coisa no mundo. O cheiro rico e úmido de rosas começou a rastejar sobre o corpo do homem, provocando seus sentidos.
— Ah…
Seus instintos de Ômega começaram a desmantelar sua razão de ferro. Como uma criatura em busca do prazer que apenas o Alfa diante dele poderia proporcionar, os movimentos de Damian se tornaram explícitos.
Ele estendeu a mão e envolveu o pescoço do homem com os braços. Ele pressionou seu corpo ardente contra ele, espalhando seus feromônios por toda a roupa do homem. Seus movimentos descarados de esfregar eram suficientes para agitar o homem que vinha lutando para manter a compostura.
Diante da sedução do Ômega, o homem imediatamente retraiu seus feromônios.
— Pare!
Ele agarrou os braços de Damian e o afastou bruscamente.
— P-por quê…?
Os olhos marejados de Damian o encararam com ressentimento. Um rosto tão impressionantemente belo que parecia uma alucinação o estava tentando.
Por uma fração de segundo, o impulso de simplesmente ceder e tomar o Ômega cresceu dentro dele. Mas ao som de uma batida baixa na porta, ele sacudiu Damian e abriu a porta.
— Vossa Graça. Chamou?
— Libere a área de todos. Certifique-se de que ninguém entre ou saia. E descubra se há um quarto próximo onde possamos ficar.
— Segundo andar… no fim do corredor… o quarto à esquerda é o quarto de… visitas…
Damian ofegou. Um fragmento de sua razão havia retornado, graças ao homem ter o empurrado e retraído completamente seus feromônios.
O olhar de Claude pairou sobre Damian por um momento antes de ordenar à pessoa do lado de fora que bloqueasse o caminho para o segundo andar.
O tempo que levou para limpar a área pareceu uma eternidade. Damian ofegava, arranhando as almofadas do sofá.
Doía. Seus instintos gritavam para que ele encontrasse o Alfa. O calor excessivo em sua pele havia se transformado em uma irritação dolorosa. Ele se viu coçando a pele ardente. Ele deslizou os dedos sob as mangas, mas a sensação não passava. Ele coçou o pescoço, mas continuava quente, dolorido e formigando.
Incapaz de suportar o calor esmagador, Damian desabou no sofá. Ele se enrolou como uma bola, tremendo. Ele rezou para que alguém, qualquer um, fizesse aquela sensação enlouquecedora desaparecer.
— Hnngh… uugh…
Gemidos febris escaparam de seus lábios. Os feromônios que ele mal havia conseguido conter estavam agora completamente fora de controle. Um cheiro de rosas tão denso que parecia sufocante preenchia o espaço.
— Droga — o homem praguejou. Claude, o homem tratado como “Vossa Graça”, rangeu os dentes, parecendo que poderia devorar o Damian agonizante. Os feromônios de cio de um Ômega penetravam e estimulavam os instintos básicos de um Alfa. Seu abdômen endureceu. Sua parte inferior do corpo se incendiou de calor, e uma protuberância proeminente se formou em suas calças.
Naquele instante, seu ajudante, Holstein, entrou. Grato por o Beta não conseguir sentir os feromônios, Claude pegou o Damian semiconsciente no colo.
— Consiga alguns supressores. Para um Ômega.
Ordenando que o remédio fosse levado ao quarto de hóspedes que Damian havia mencionado, Claude se apressou. Damian, não completamente inconsciente, instintivamente pressionou seu corpo mais perto de Claude, soltando respirações febris. Seus gemidos eram baixos, mas mais do que suficientes para provocar Claude.
Carregando Damian, Claude praticamente correu para o segundo andar.
Dentro do quarto de hóspedes, ele colocou no chão o homem que não parava de tentar se enterrar em seu peito. Ele se certificou de trancar bem a porta, aterrorizado com a possibilidade de até mesmo um traço de seus feromônios Alfa vazar e tornar a situação irreversível.
— Os supressores vão chegar logo, então apenas aguente. Eu já disse a eles para manterem todos afastados até amanhã, então não precisa se preocupar.
Ugh. Damian parecia não ouvi-lo, apenas contorcendo o corpo e soltando gemidos doloridos. Claude se perguntou se o homem sequer conseguiria engolir o remédio naquele estado.
Sua razão gritava para que ele saísse da sala imediatamente. Mesmo no meio de um jardim com milhares de rosas desabrochando, o cheiro não teria sido tão potente; o quarto estava saturado com o odor de rosas úmidas.
A protuberância em suas calças não mostrava sinais de diminuir. Pelo contrário, incitava-o a tomar o Ômega agora mesmo. Suprimir seus instintos estava se tornando cada vez mais difícil.
As bochechas de Damian estavam rubras de febre enquanto ele ofegava de dor. Uma língua rosada apareceu entre seus lábios entreabertos antes de desaparecer novamente. Sucumbindo ao calor, seus longos dedos pálidos rasgaram freneticamente a gravata do smoking.
— Isso, isso… dói. É demais… por favor, alguém, apenas…
Seus gemidos intermitentes ficaram mais úmidos de excitação. O olhar de Claude eventualmente se fixou no rosto ruborizado de Damian. Seu corpo inteiro se tensionou. Uma sede ardente arranhava sua garganta, e ele lambeu os lábios.
Sem perceber, Claude estendeu a mão. A distância entre eles diminuiu. A respiração úmida de Damian estava perto o suficiente para tocar os lábios de Claude.
Poc, poc. O som de batidas do lado de fora o trouxe de volta à razão.
— Vossa Graça. Trouxe o remédio.
Claude se levantou abruptamente, seu rosto se contorcendo em uma careta feroz. Ele abriu a porta com violência, e Holstein, que estava prestes a bater novamente, baixou a mão.
— Vossa Graça, está bem?
Assustado com a expressão rígida e ameaçadora de Claude, Holstein recuou. O Duque parecia tão selvagem que daria a impressão de que iria desferir um soco a qualquer momento.
— O remédio.
— Aqui está. Preparei um de ação rápida, mas dizem que o tempo para fazer efeito varia de pessoa para pessoa. O farmacêutico mencionou que, se o cio já tiver começado, vai demorar muito mais do que o normal…
— Mantenha todos afastados até eu sair. Ah, e você deve preparar algumas roupas.
— Perdão?
— Mais ou menos… o seu tamanho deve servir.
Os olhos de Claude percorreram Holstein, e ele assentiu. O ajudante se retirou sem mais perguntas.
Claude bateu a porta com força e examinou o quarto, avistando um mini-frigorífico destinado aos hóspedes. Felizmente, havia água dentro — fornecida para convidados que muitas vezes escapavam durante as festas. Ele estourou a tampa com uma mão e se aproximou da cama com o remédio.
Tsk. Naquele curto espaço de tempo, Damian havia se despido pela metade em sua agonia.
— Ahh, por favor… isso, isso dói… o que eu faço…
Pele lisa era visível através de sua camisa desabotoada. Embora magro, seus músculos eram magros e firmes. Cada vez que seu corpo se contorcia, o vislumbre de um mamilo rosado através das aberturas da camisa chamava a atenção de Claude.
Claude não conseguia desviar o olhar. Uma sede repentina o atingiu com a força de uma onda gigante. Em toda a sua vida, ele nunca havia sido submetido a uma tentação tão poderosa.
Durante seu tempo no exército, Claude vira muitos oficiais Ômegas atingidos por cios inesperados. Todas as vezes, ele simplesmente os isolava em um local adequado. Embora houvesse alguma reação física de sua parte, ele nunca desejava verdadeiramente segurá-los.
Mas agora, pela primeira vez, o impulso era quase impossível de resistir. Claude rangeu a mandíbula com tanta força que parecia que seus molares poderiam se estilhaçar. Sua linha de mandíbula afiada se endureceu ainda mais. Ele lutou para recuperar a compostura, forçando o olhar para cima enquanto tentava regular sua respiração.
— É um supressor. Consegue tomar?
— Nngh… Dói tanto. Minha pele… está queimando… hnngh…
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello